Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
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Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
**Artigo 3 – Se houve fé em Cristo.**
**Objeção 1:** Parece que houve fé em Cristo. Pois a fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, como a temperança e a liberalidade. Ora, estas existiam em Cristo, como se afirmou acima (a. 2). Logo, com muito mais razão houve fé n’Ele.
**Objeção 2:** Ademais, Cristo não ensinou virtudes que Ele mesmo não possuísse, conforme Atos 1,1: “Jesus começou a fazer e a ensinar”. Mas de Cristo se diz (Heb. 12,2) que Ele é “o autor e consumador da nossa fé”. Logo, houve fé n’Ele antes de todos os outros.
**Objeção 3:** Além disso, tudo o que é imperfeito é excluído dos bem-aventurados. Ora, nos bem-aventurados há fé; pois sobre Rom. 1,17: “A justiça de Deus se revela nele de fé em fé”, uma glosa diz: “Da fé das palavras e da esperança para a fé das coisas e da visão”. Portanto, parece que também em Cristo houve fé, já que ela nada implica de imperfeito.
**Em sentido contrário,** está escrito (Heb. 11,1): “A fé é a evidência das coisas que não aparecem”. Ora, nada havia que não aparecesse a Cristo, segundo o que Pedro Lhe disse (Jo. 21,17): “Tu sabes todas as coisas”. Logo, não houve fé em Cristo.
**Respondo que,** como se disse acima (II-II, q. 1, a. 4), o objeto da fé é uma coisa divina não vista. Ora, o hábito da virtude, como todo hábito, recebe sua espécie do objeto. Portanto, se negarmos que a coisa divina não era vista, excluímos a própria essência da fé. Ora, desde o primeiro instante de Sua conceição, Cristo via plenamente a Essência de Deus, como se tornará claro (q. 34, a. 1). Logo, não podia haver fé n’Ele.
**Resposta à objeção 1:** A fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, porquanto tem por objeto matéria mais nobre; contudo, implica certo defeito quanto a essa matéria; e esse defeito não estava em Cristo. E por isso não pôde haver fé n’Ele, embora as virtudes morais existissem n’Ele, pois, por sua natureza, não implicam defeito quanto à sua matéria.
**Resposta à objeção 2:** O mérito da fé consiste nisto: que o homem, por obediência, dá assentimento ao que não vê, segundo Rom. 1,5: “Para a obediência da fé em todas as nações por amor do Seu nome”. Ora, Cristo teve obediência perfeitíssima a Deus, conforme Fil. 2,8: “Tornando-Se obediente até à morte”. E por isso não ensinou nada relativo ao mérito que Ele mesmo não cumprisse mais perfeitamente.
**Resposta à objeção 3:** Como diz a glosa no mesmo lugar, fé é aquela “pela qual se crê nas coisas que não são vistas”. Mas a fé nas coisas vistas é assim chamada impropriamente, e apenas por certa semelhança quanto à certeza e firmeza do assentimento.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether in Christ there was faith? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a heresia não é propriamente acerca das matérias de fé. Porque, assim como há heresias e seitas entre os cristãos, assim também houve entre os judeus e fariseus, como observa Isidoro (Etim. VIII, 3,4,5). Ora, as suas dissensões não eram acerca de matérias de fé. Logo, a heresia não é acerca de matérias de fé, como se estas fossem a sua matéria própria.
Objeção 2: Além disso, a matéria da fé é a coisa crida. Ora, a heresia não é apenas acerca de coisas, mas também de obras e de interpretações da Sagrada Escritura. Pois Jerônimo, sobre Gálatas 5,20, diz que «quem quer que exponha as Escrituras em sentido diverso do Espírito Santo por quem foram escritas, pode ser chamado herege, ainda que não tenha deixado a Igreja»; e noutro lugar diz que «as heresias nascem de palavras mal proferidas» (São Tomás cita esta frase noutro lugar, Sent. IV, D. 13, e III, Q.16, A.8, mas não se encontra nas obras de São Jerônimo). Logo, a heresia não é propriamente acerca da matéria da fé.
Objeção 3: Além disso, encontramos os santos doutores discrepando mesmo acerca de matérias pertencentes à fé, por exemplo, Agostinho e Jerônimo, sobre a questão da cessação das observâncias legais; e, contudo, isso se deu sem qualquer heresia da parte deles. Logo, a heresia não é propriamente acerca da matéria da fé.
Ao contrário, Agostinho, contra os Maniqueus (*Cf. De Civ. Dei XVIII, 51*): «Na Igreja de Cristo, são hereges aqueles que sustentam opiniões perniciosas e errôneas, e, repreendidos para que pensem sã e retamente, oferecem obstinada resistência e, recusando corrigir as suas doutrinas perniciosas e mortais, persistem em defendê-las.» Ora, doutrinas perniciosas e mortais não são senão aquelas contrárias aos dogmas da fé, pelos quais «o justo vive» (Rm 1,17). Logo, a heresia é acerca de matérias de fé, como acerca de sua matéria própria.
Respondo que: Falamos agora da heresia como significando uma corrupção da fé cristã. Ora, não implica corrupção da fé cristã o fato de alguém ter opinião falsa em matérias que não são de fé, por exemplo, em questões de geometria e semelhantes, que de modo algum podem pertencer à fé; mas apenas quando alguém tem opinião falsa acerca das coisas pertencentes à fé. Ora, uma coisa pode ser de fé de dois modos, como foi dito acima (I, Q.32, A.4; I-II, Q.1, A.6, ad 1; I-II, Q.2, A.5): de um modo, direta e principalmente, como os artigos de fé; de outro modo, indireta e secundariamente, como aquelas matérias cuja negação leva à corrupção de algum artigo de fé; e pode haver heresia de ambos os modos, assim como pode haver fé.
Resposta à primeira objeção: Assim como as heresias dos judeus e fariseus eram acerca de opiniões relativas ao judaísmo ou farisaísmo, assim também as heresias entre os cristãos são acerca de matéria tocante à fé cristã.
Resposta à segunda objeção: Diz-se que alguém expõe a Sagrada Escritura em sentido diverso do exigido pelo Espírito Santo quando torce o significado da Sagrada Escritura de modo a contrariar o que o Espírito Santo revelou. Por isso está escrito (Ez 13,6) acerca dos falsos profetas: «Persistiram em confirmar o que disseram», isto é, mediante falsas interpretações da Escritura. Além disso, alguém professa a sua fé pelas palavras que profere, pois a confissão é um ato de fé, como foi dito acima (Q.3, A.1). Portanto, palavras desordenadas acerca de matérias de fé podem levar à corrupção da fé; e daí que o Papa Leão, numa carta a Próterio, Bispo de Alexandria, diz: «Os inimigos da cruz de Cristo espreitam todos os nossos atos e palavras, de modo que, se lhes dermos o menor pretexto, possam acusar-nos mentirosamente de concordar com Nestório.»
Resposta à terceira objeção: Como diz Agostinho (Ep. xliii) e se encontra estabelecido nos Decretais (xxiv, qu. 3, can. Dixit Apostolus): «De modo nenhum devemos acusar de heresia aqueles que, por mais falsa e perversa que seja a sua opinião, a defendem sem fervor obstinado, e buscam a verdade com solícita ansiedade, prontos a emendar a sua opinião quando encontrarem a verdade», porque, a saber, não fazem uma escolha em contradição com a doutrina da Igreja. Por conseguinte, certos doutores parecem ter diferido ou em matérias cuja sustentação de um ou de outro modo é de nenhuma consequência, no que diz respeito à fé, ou mesmo em matérias de fé que ainda não estavam definidas pela Igreja; contudo, se alguém as negasse obstinadamente depois de definidas pela autoridade da Igreja universal, seria tido por herege. Esta autoridade reside principalmente no Sumo Pontífice. Pois lemos (Decret. xxiv, qu. 1, can. Quoties): «Sempre que uma questão de fé está em disputa, penso que todos os nossos irmãos e co-bispos devem referir a matéria a nenhum outro senão a Pedro, como sendo a fonte do seu nome e honra, contra cuja autoridade nem Jerônimo, nem Agostinho, nem qualquer dos santos doutores defendeu a sua opinião.» Por isso Jerônimo diz (Exposit. Symboli, *Entre as obras supostas de São Jerônimo*): «Esta, beatíssimo Papa, é a fé que nos foi ensinada na Igreja Católica. Se algo nela foi expresso incorreta ou descuidadamente, suplicamos que seja corrigido por vós, que tendes a fé e a Sé de Pedro. Se, porém, esta nossa profissão for aprovada pelo juízo da vossa apostolicidade, quem quer que me censure provará que ele mesmo é ignorante, ou malicioso, ou até não católico, mas herege.»
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether heresy is properly about matters of faith? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a apostasia não pertence à incredulidade. Pois aquilo que é a origem de todos os pecados não parece pertencer à incredulidade, visto que muitos pecados existem sem incredulidade. Ora, a apostasia parece ser a origem de todo pecado, porque está escrito (Eclo 10,14): «O princípio da soberba do homem é a apostasia [Douay: «afastar-se»] de Deus», e mais adiante (Eclo 10,15): «A soberba é o princípio de todo pecado.» Logo, a apostasia não pertence à incredulidade.
Objeção 2: Além disso, a incredulidade é um ato do entendimento; enquanto a apostasia parece consistir antes em alguma ação ou palavra exterior, ou mesmo em algum ato interior da vontade, porque está escrito (Pv 6,12-14): «O homem apóstata, o homem inútil, anda com a boca perversa; pisca os olhos, bate com o pé, fala com o dedo; com um coração maligno maquina o mal, e em todo o tempo semeia discórdias.» Além disso, se alguém se fizesse circuncidar ou adorasse o túmulo de Maomé, seria considerado apóstata. Portanto, a apostasia não pertence à incredulidade.
Objeção 3: Além disso, a heresia, visto que pertence à incredulidade, é uma espécie determinada de incredulidade. Se, portanto, a apostasia pertencesse à incredulidade, seguir-se-ia que é uma espécie determinada de incredulidade, o que não parece concordar com o que foi dito (Q[10], A[5]). Logo, a apostasia não pertence à incredulidade.
Em contrário, está escrito (Jo 6,67): «Muitos dos seus discípulos tornaram atrás», i.e., apostataram, dos quais Nosso Senhor dissera antes (Jo 6,65): «Há alguns de vós que não crêem.» Logo, a apostasia pertence à incredulidade.
Respondo que a apostasia denota um afastamento de Deus. Isto pode ocorrer de várias maneiras, segundo os diferentes tipos de união entre o homem e Deus. Pois, em primeiro lugar, o homem está unido a Deus pela fé; em segundo lugar, por ter a vontade devidamente submissa na obediência aos Seus mandamentos; em terceiro lugar, por certas coisas especiais pertencentes à supererrogação, como a vida religiosa, o estado clerical, ou as Ordens Sacras. Ora, se o que vem depois é removido, o que precede permanece, mas o contrário não se verifica. Assim, um homem pode apostatar de Deus, retirando-se da vida religiosa a que estava obrigado por profissão, ou da Ordem Sacra que recebera: e isto se chama «apostasia da vida religiosa» ou «das Ordens». Um homem pode também apostatar de Deus, rebelando-se em seu espírito contra os mandamentos divinos: e embora o homem possa apostatar de ambas as maneiras acima, pode ainda permanecer unido a Deus pela fé. Mas se ele abandona a fé, então parece afastar-se completamente de Deus: e consequentemente, a apostasia simples e absolutamente é aquela pela qual o homem se retira da fé, e se chama «apostasia da perfídia». Deste modo, a apostasia, simplesmente dita, pertence à incredulidade.
Resposta à Objeção 1: Esta objeção se refere ao segundo tipo de apostasia, que denota um ato da vontade em rebelião contra os mandamentos de Deus, ato que se encontra em todo pecado mortal.
Resposta à Objeção 2: Pertence à fé não só que o coração creia, mas também que as palavras e obras exteriores testemunhem a fé interior, pois a confissão é um ato de fé. Deste modo também, certas palavras ou obras exteriores pertencem à incredulidade, na medida em que são sinais de incredulidade, assim como um sinal de saúde se diz ser ele próprio saudável. Ora, embora a autoridade citada possa ser entendida como referindo-se a todo tipo de apóstata, contudo se aplica mais verdadeiramente a um apóstata da fé. Pois, uma vez que a fé é o primeiro fundamento das coisas que se esperam, e que, sem fé é «impossível agradar a Deus»; quando a fé é removida, o homem não retém nada que seja útil para a obtenção da salvação eterna, razão pela qual está escrito (Pv 6,12): «O homem apóstata, homem inútil»: porque a fé é a vida da alma, segundo Rm 1,17: «O justo vive da fé.» Portanto, assim como quando a vida do corpo é tirada, cada membro e parte do homem perde sua devida disposição, assim quando a vida da justiça, que é pela fé, é eliminada, a desordem aparece em todos os seus membros. Primeiro, na boca, pela qual principalmente sua mente se revela; segundo, nos olhos; terceiro, no instrumento do movimento; quarto, na sua vontade, que tende ao mal. O resultado é que «semeia discórdia», esforçando-se por separar os outros da fé, tal como se separou a si mesmo.
Resposta à Objeção 3: As espécies de uma qualidade ou forma não se diversificam pelo fato de ser o termo «de onde» ou «para onde» do movimento; pelo contrário, é o movimento que recebe a espécie dos termos. Ora, a apostasia considera a incredulidade como o termo «para onde» do movimento de afastamento da fé; por conseguinte, a apostasia não implica uma espécie especial de incredulidade, mas uma circunstância agravante desta, segundo 2 Pd 2,21: «Melhor lhes fora não ter conhecido a verdade [Vulg.: «o caminho da justiça»], do que, depois de a terem conhecido, tornarem atrás.»
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether apostasy pertains to unbelief? · séc. XIII