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Rm 1, 3

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Matos Soares

3acerca do seu Filho, que nasceu da posteridade de David, segundo a carne,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Agostinho

Diremos, porventura, que o Espírito Santo é o Pai do homem Cristo, de modo que, assim como Deus Pai gerou o Verbo, assim o Espírito Santo gerou o homem? Tal absurdo é que os ouvidos dos fiéis não o podem suportar. Como, pois, dizemos que Cristo nasceu do Espírito Santo, se o Espírito Santo não o gerou? Porventura o criou? Pois, enquanto homem, foi criado, como diz o Apóstolo: «Feito da semente de David segundo a carne» (Rm 1,3). Porque, ainda que Deus tenha feito o mundo, nem por isso é lícito dizer que ele é filho de Deus, ou nascido d’Ele, mas sim que foi feito, ou criado, ou formado por Ele. Mas, visto que confessamos que Cristo nasceu do Espírito Santo e da Virgem Maria, como não é Ele Filho do Espírito Santo, e é Filho da Virgem? Não se segue que tudo quanto nasce de alguma coisa se deva chamar filho dela; porque, para não dizer que do homem nasce de um modo um filho, de outro um cabelo, ou um verme, ou um bicho, nenhum dos quais é seu filho, certamente os que nascem da água e do Espírito ninguém os chamará filhos da água, mas filhos de Deus seu Pai, e sua Mãe a Igreja. Assim, Cristo nasceu do Espírito Santo, e contudo é Filho de Deus Pai, não do Espírito Santo.

Enchir. · Enchir., 38 · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo não tomou carne da descendência de Davi. Mas José não era pai de Cristo, como se mostrou acima (Q. 28, art. 1, ad 1,2). Logo, parece que Cristo não descendeu de Davi. Ora, Maria, Mãe de Cristo, é chamada prima de Isabel, que era filha de Aarão, como é claro por Lc. 1,5.36. Portanto, sendo Davi da tribo de Judá, como se mostra em Mt. 1, parece que Cristo não descendeu de Davi. (Jr. 22,30): «Escreve este homem estéril… porque não haverá homem da sua descendência que se assente sobre o trono de Davi.» Ao passo que de Cristo está escrito (Is. 9,7): «Ele se assentará sobre o trono de Davi.» Logo, Cristo não foi da descendência de Jeconias; nem, consequentemente, da família de Davi, visto que Mateus traça a genealogia desde Davi por Jeconias. **Em contrário,** está escrito (Rm. 1,3): «Que lhe foi feito da descendência de Davi segundo a carne.» **Respondo** que Cristo é dito ter sido filho especialmente de dois dos patriarcas, Abraão e Davi, como é claro por Mt. 1,1. Muitas são as razões para isso. Primeiro, porque a estes especialmente foi feita a promessa acerca de Cristo. Pois foi dito a Abraão (Gn. 22,18): «Na tua descendência serão benditas todas as gentes da terra»; palavras que o Apóstolo expõe de Cristo (Gl. 3,16): «A Abraão foram feitas as promessas e à sua descendência. Ele não diz: 'E às suas descendências', como de muitas; mas como de uma: 'E à tua descendência', que é Cristo.» E a Davi foi dito (Sl. 131,11): «Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono.» Por isso o povo judeu, recebendo-o com honra régia, disse (Mt. 21,9): «Hossana ao Filho de Davi.» A segunda razão é porque Cristo devia ser rei, profeta e sacerdote. Ora, Abraão foi sacerdote; o que é claro do Senhor lhe dizer (Gn. 15,9): «Toma tu [Vulg.: 'para mim'] uma vaca de três anos», etc. Foi também profeta, segundo Gn. 20,7: «É profeta; e orará por ti.» Por fim, Davi foi rei e profeta. A terceira razão é porque a circuncisão teve início em Abraão; enquanto em Davi a eleição de Deus se manifestou de modo claríssimo, segundo 1 Reis 13,14: «O Senhor buscou para si um homem segundo o seu coração.» E por isso Cristo é chamado de modo especialíssimo Filho de ambos, a fim de mostrar que veio para a salvação tanto dos circuncisos como dos eleitos dentre os gentios. **Resposta à objeção 1:** Fausto, o Maniqueu, argumentou assim, no desejo de provar que Cristo não é Filho de Davi, porque não foi concebido de José, em quem termina a genealogia de Mateus. Agostinho respondeu a este argumento assim (Contra Faust. XXII): «Visto que o mesmo evangelista afirma que José era marido de Maria e que a Mãe de Cristo era virgem, e que Cristo era da descendência de Abraão, que devemos crer, senão que Maria não era estranha à família de Davi; e que não é sem razão que ela foi chamada esposa de José, pela estreita aliança de seus corações, embora não misturados na carne; e que a genealogia é traçada até José antes que a ela, pela dignidade do marido? Portanto, cremos que Maria também era da família de Davi; porque cremos nas Escrituras, que afirmam tanto que Cristo era da descendência de Davi segundo a carne, como que Maria era sua Mãe, não por união carnal, mas conservando a virgindade.» Pois, como diz Jerônimo sobre Mt. 1,18: «José e Maria eram da mesma tribo; por isso ele estava obrigado pela lei a desposá-la, como parenta sua. Daí que foram alistados juntos em Belém, como descendentes do mesmo tronco.» **Resposta à objeção 2:** Gregório de Nazianzo responde a esta objeção dizendo que sucedeu por vontade de Deus que a família real se unisse à linhagem sacerdotal, para que Cristo, que é rei e sacerdote, nascesse de ambas segundo a carne. Por isso Aarão, que foi o primeiro sacerdote segundo a Lei, desposou uma mulher da tribo de Judá, Isabel, filha de Aminadab. É possível, portanto, que o pai de Isabel desposasse uma mulher da família de Davi, pela qual a Bem-aventurada Virgem Maria, que era da família de Davi, seria prima de Isabel; ou, inversamente e com maior probabilidade, que o pai da Bem-aventurada Maria, que era da família de Davi, desposasse uma mulher da família de Aarão. Pode-se ainda dizer com Agostinho (Contra Faust. XXII) que, se Joaquim, pai de Maria, era da família de Aarão (como o herege Fausto pretendia provar de certos escritos apócrifos), então devemos crer que a mãe de Joaquim, ou sua esposa, era da família de Davi, contanto que digamos que Maria de algum modo descende de Davi. **Resposta à objeção 3:** esta passagem profética não nega que nasça uma posteridade da descendência de Jeconias. E assim Cristo é de sua descendência. Tampouco o fato de Cristo reinar é contrário à profecia, porque Ele não reinou com honra mundana; pois declarou: «Meu reino não é deste mundo.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ took flesh of the seed of David? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o corpo de Cristo estava em Adão e nos patriarcas quanto a algo signado. Porque Agostinho diz (Gen. ad lit. x) que a carne de Cristo estava em Adão e Abraão "por via de uma substância corpórea". Ora, substância corpórea é algo signado. Logo, a carne de Cristo estava em Adão, Abraão e os outros patriarcas, segundo algo signado. Objeção 2: Além disso, está escrito (Rom. 1,3) que Cristo "foi feito... da semente de Davi segundo a carne". Ora, a semente de Davi era algo signado nele. Portanto, Cristo estava em Davi segundo algo signado, e pela mesma razão nos outros patriarcas. Objeção 3: Além disso, o gênero humano é parente de Cristo, porquanto Ele tomou carne dele. Mas se aquela carne não fosse algo signado em Adão, o gênero humano, que descende de Adão, pareceria não ter parentesco com Cristo, mas antes com aquelas outras coisas das quais foi tomada a matéria de sua carne. Logo, parece que a carne de Cristo estava em Adão e nos outros patriarcas segundo algo signado. Ao contrário, Agostinho diz (Gen. ad lit. x) que de qualquer modo que Cristo estava em Adão e Abraão, também os outros homens ali estavam; mas não reciprocamente. Ora, os outros homens não estavam em Adão e Abraão por via de alguma matéria signada, mas somente segundo a origem, como se afirma na Primeira Parte, Q. 119, A. 1, A. 2, ad 4. Portanto, nem Cristo estava em Adão e Abraão segundo algo signado; e, pela mesma razão, nem estava nos outros patriarcas. Respondo que, como se disse acima (A. 5, ad 1), a matéria do corpo de Cristo não foi a carne e os ossos da Bem-aventurada Virgem, nem nada que fosse realmente parte de seu corpo, mas o seu sangue, que era a sua carne em potência. Ora, tudo o que estava na Bem-aventurada Virgem, como recebido de seus pais, era realmente parte de seu corpo. Consequentemente, aquilo que a Bem-aventurada Virgem recebeu de seus pais não foi a matéria do corpo de Cristo. Portanto, devemos dizer que o corpo de Cristo não estava em Adão e nos outros patriarcas segundo algo signado, no sentido de que alguma parte do corpo de Adão ou de qualquer outro pudesse ser separada e designada como a própria matéria da qual o corpo de Cristo seria formado; mas estava ali segundo a origem, assim como estava a carne dos outros homens. Pois o corpo de Cristo se relaciona com Adão e os outros patriarcas por meio do corpo de sua Mãe. Consequentemente, o corpo de Cristo estava nos patriarcas de nenhum outro modo senão como o corpo de sua Mãe, o qual não estava nos patriarcas segundo matéria signada: assim como também não estavam os corpos dos outros homens, como se afirma na Primeira Parte, Q. 119, A. 1, A. 2, ad 4. Resposta à objeção 1: A expressão "Cristo estava em Adão segundo a substância corpórea" não significa que o corpo de Cristo era uma substância corpórea em Adão; mas que a substância corpórea do corpo de Cristo, i.e., a matéria que Ele tomou da Virgem, estava em Adão como em seu princípio ativo, mas não como em seu princípio material; por outras palavras, pelo poder gerador de Adão e de seus descendentes até a Bem-aventurada Virgem, esta matéria foi preparada para a concepção de Cristo. Mas esta matéria não foi formada no corpo de Cristo pela virtude seminal derivada de Adão. Por isso, diz-se que Cristo estava em Adão por via de origem, segundo a substância corpórea, mas não segundo a virtude seminal. Resposta à objeção 2: Embora o corpo de Cristo não estivesse em Adão e nos outros patriarcas segundo a virtude seminal, contudo o corpo da Bem-aventurada Virgem estava assim neles, por ter ela sido concebida da semente de um homem. Por esta razão, por intermédio da Bem-aventurada Virgem, diz-se que Cristo é da semente de Davi, segundo a carne, por via de origem. Resposta à objeção 3: Cristo e o gênero humano são parentes pela semelhança da espécie. Ora, a semelhança específica resulta não da matéria remota, mas da matéria próxima e do princípio ativo que gera o seu semelhante em espécie. Assim, pois, o parentesco de Cristo com o gênero humano é suficientemente preservado pelo seu corpo ser formado do sangue da Virgem, derivado em sua origem de Adão e dos outros patriarcas. Nem este parentesco é afetado pela matéria de onde este sangue é tomado, assim como também não o é na geração dos outros homens, como se afirma na Primeira Parte, Q. 119, A. 2, ad 3.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether Christ's body was in Adam and the other patriarchs, as to something signate? · séc. XIII

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