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Rm 1, 30

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Matos Soares

30detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventores de maldades, desobedientes aos pais,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o ódio ao próximo nem sempre é pecado. Pois nenhum pecado é mandado ou aconselhado por Deus, conforme Provérbios 8,8: "Todas as minhas palavras são justas; não há nelas coisa má nem perversa." Ora, está escrito (Lucas 14,26): "Se alguém vier a Mim e não odiar seu pai e sua mãe . . . não pode ser Meu discípulo." Logo, o ódio ao próximo nem sempre é pecado. Objeção 2: Além disso, nada em que imitamos a Deus pode ser pecado. Ora, é por imitação de Deus que odiamos certas pessoas: pois está escrito (Romanos 1,30): "Detratores, odiosos a Deus." Logo, é possível odiar certas pessoas sem cometer pecado. Objeção 3: Além disso, nada que é natural é pecado, pois o pecado é um "desvio do que é conforme à natureza", segundo Damasceno (De Fide Orth. ii,4,30; iv,20). Ora, é natural a uma coisa odiar tudo o que lhe é contrário e tender à sua destruição. Logo, parece que não é pecado odiar o inimigo. Ao contrário, está escrito (1 João 2,9): "Aquele que . . . odeia seu irmão, está nas trevas." Ora, as trevas espirituais são pecado. Logo, não pode haver ódio ao próximo sem pecado. Respondo que o ódio se opõe ao amor, como foi dito acima (FS, Q[29], A[2]); de modo que o ódio a uma coisa é mau na medida em que o amor a essa coisa é bom. Ora, o amor é devido ao nosso próximo quanto ao que ele recebe de Deus, isto é, quanto à natureza e à graça, mas não quanto ao que ele tem de si e do diabo, isto é, quanto ao pecado e à falta de justiça. Consequentemente, é lícito odiar o pecado no irmão, e tudo o que pertence ao defeito da justiça divina; mas não podemos odiar a natureza e a graça do irmão sem pecado. Ora, faz parte do amor ao irmão odiar nele a falta e a privação do bem, pois o desejo do bem alheio equivale ao ódio do seu mal. Portanto, o ódio ao irmão, considerado simplesmente, é sempre pecaminoso. Resposta à primeira objeção: Pelo mandamento de Deus (Êxodo 20,12) devemos honrar nossos pais — como unidos a nós pela natureza e parentesco. Mas devemos odiá-los na medida em que se mostram um obstáculo para alcançarmos a perfeição da justiça divina. Resposta à segunda objeção: Deus odeia o pecado que está no detrator, não a sua natureza; de modo que podemos odiar os detratores sem cometer pecado. Resposta à terceira objeção: Os homens não nos são contrários quanto aos bens que receberam de Deus; portanto, a este respeito, devemos amá-los. Mas são-nos contrários na medida em que nos mostram hostilidade, e isto é neles pecaminoso. A este respeito, devemos odiá-los, pois devemos odiar neles o fato de serem hostis a nós.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether hatred of one's neighbor is always a sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a contumélia não consiste em palavras. A contumélia implica alguma injúria infligida ao próximo, pois é uma espécie de injustiça. Ora, as palavras parecem não infligir injúria alguma ao próximo, nem na sua pessoa, nem nos seus bens. Logo, a contumélia não consiste em palavras. **Objeção 2:** Além disso, a contumélia parece implicar desonra. Ora, um homem pode ser desonrado ou menosprezado por atos mais do que por palavras. Logo, parece que a contumélia consiste, não em palavras, mas em atos. **Objeção 3:** Ademais, uma desonra infligida por palavras chama-se maledicência ou escárnio. Ora, a contumélia parece diferir da maledicência e do escárnio. Logo, a contumélia não consiste em palavras. **Ao contrário,** Nada, senão as palavras, é percebido pela audição. Ora, a contumélia é percebida pela audição, segundo Jeremias 20,10: "Ouvi contumélias de todos os lados". Logo, a contumélia consiste em palavras. **Respondo:** A contumélia denota a desonra de uma pessoa, e isto ocorre de dois modos: pois, como a honra resulta da excelência, uma pessoa desonra a outra, primeiro, privando-a da excelência pela qual é honrada. Isto se faz pelos pecados de ato, dos quais falamos acima (Q. 64, ss.). Em segundo lugar, quando alguém publica algo contra a honra de outrem, levando-o ao conhecimento deste e dos demais homens. Isto é a contumélia propriamente dita, e se faz por meio de algum sinal. Ora, segundo Agostinho (Doutr. Crist. II, 3), "comparados com as palavras, todos os outros sinais são muito poucos, pois as palavras obtiveram entre os homens o primeiro lugar para exprimir tudo quanto a mente concebe". Por isso, a contumélia, propriamente falando, consiste em palavras; donde Isidoro dizer (Etim. X) que o contumelioso "é precipitado e irrompe em palavras injuriosas". Contudo, como as coisas são também significadas por atos, e estes, por isso, têm a mesma significação que as palavras, resulta que a contumélia, num sentido mais amplo, se estende também aos atos. Por isso, uma glosa sobre Romanos 1,30 ("contumeliosos, soberbos") diz: "Contumeliosos são os que, por palavra ou ação, injuriam e envergonham os outros." **Resposta à objeção 1:** As nossas palavras, se as consideramos na sua essência, isto é, como som audível, não injuriam ninguém, a não ser talvez por ferirem o ouvido, como quando alguém fala muito alto. Mas, consideradas como sinais que levam algo ao conhecimento dos outros, podem causar muitos danos. Tal é o dano feito a um homem em detrimento da sua honra, ou do respeito que lhe é devido pelos outros. Por isso, a contumélia é maior se um homem reprovar outro na presença de muitos; e, contudo, pode ainda haver contumélia se o reprovar a sós, na medida em que o falante age injustamente contra o respeito devido ao ouvinte. **Resposta à objeção 2:** Um homem menospreza outro por atos na medida em que tais atos causam ou significam o que é contra a honra desse outro. No primeiro caso, não se trata de contumélia, mas de outra espécie de injustiça, de que falamos acima (QQ. 64, 65, 66); ao passo que no segundo caso há contumélia, enquanto os atos têm a força significativa das palavras. **Resposta à objeção 3:** A maledicência e o escárnio consistem em palavras, assim como a contumélia, porque por todos eles se expõem as faltas de um homem em detrimento da sua honra. Tais faltas são de três espécies. Primeiro, há a falta de culpa, que é exposta pelas palavras de "contumélia". Segundo, há a falta tanto de culpa como de pena, que é exposta pelo "escárnio" [convicium], porque o "vício" é comumente referido não só à alma, mas também ao corpo. Por isso, se um homem diz maliciosamente a outro que ele é cego, escarnece, mas não o contumelia; ao passo que, se um homem chama a outro de ladrão, não só escarnece, mas também o contumelia. Terceiro, um homem reprova a outro a sua inferioridade ou indigência, para diminuir a honra que lhe é devida por qualquer espécie de excelência. Isto se faz com palavras de "censura", e, propriamente falando, ocorre quando alguém lembra maliciosamente a outro que o socorreu na necessidade. Por isso, está escrito (Eclesiástico 20,15): "Dará poucas coisas e lançará muitas em rosto." No entanto, estes termos são às vezes usados um pelo outro.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether reviling consists in words? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a detração não é pecado mortal. Pois nenhum ato virtuoso é pecado mortal. Ora, revelar um pecado desconhecido, o que pertence à detração, como acima se disse (A[1], ad 3), é ato da virtude da caridade, pelo qual um homem denuncia o pecado de seu irmão para que ele se emende; ou então é ato de justiça, pelo qual um homem acusa seu irmão. Logo, a detração não é pecado mortal. Objeção 2: Ademais, uma glosa sobre Provérbios 24,21 — «Não tenhas nada com os detractores» — diz: «Todo o gênero humano está em perigo por este vício.» Ora, nenhum pecado mortal se encontra em toda a humanidade, pois muitos se abstêm do pecado mortal; ao passo que os pecados veniais são os que se acham em todos. Logo, a detração é pecado venial. Objeção 3: Ademais, Agostinho, num sermão sobre o Fogo do Purgatório [*Serm. civ no apêndice às obras de Santo Agostinho], considera pecado leve «falar mal sem hesitação nem reflexão.» Ora, isto pertence à detração. Logo, a detração é pecado venial. Ao contrário, está escrito (Romanos 1,30): «Detractores, aborrecíveis a Deus», epíteto que, segundo a glosa, se insere para que «não se julgue pecado leve, porque consiste em palavras.» Respondo que, como acima se disse (Q[72], A[2]), os pecados de palavra devem ser julgados principalmente pela intenção do falante. Ora, a detração, por sua própria natureza, visa denegrir a boa fama de alguém. Por onde, propriamente falando, detrair é falar mal de um ausente para denegrir-lhe a boa fama. Ora, denegrir a boa fama de um homem é coisa gravíssima, porque, dentre todas as coisas temporais, a boa fama parece a mais preciosa, visto que, sem ela, o homem é impedido de fazer bem muitas coisas. Por isso está escrito (Eclesiástico 41,15): «Tem cuidado da boa fama, porque esta permanecerá contigo, mais do que mil tesouros preciosos e grandes.» Portanto, a detração, propriamente falando, é pecado mortal. Contudo, acontece às vezes que um homem profere palavras pelas quais a boa fama de alguém é manchada, mas ele não intenciona isso, e sim outra coisa. Isto não é detração estrita e formalmente falando, mas apenas material e acidentalmente, por assim dizer. E se tais palavras difamatórias forem proferidas por causa de algum bem necessário, e com atenção às devidas circunstâncias, não é pecado e não se pode chamar de detração. Se, porém, forem proferidas por leviandade de coração ou por algum motivo desnecessário, não é pecado mortal, a menos que porventura a palavra dita seja de natureza tão grave que cause notável injúria à boa fama de alguém, especialmente em matérias que dizem respeito ao seu caráter moral, porque pela própria natureza das palavras isso seria pecado mortal. E quem está obrigado a restituir a boa fama ao homem, não menos do que qualquer outra coisa que lhe tenha tirado, no modo acima exposto (Q[62], A[2]), quando tratávamos da restituição. Resposta à Objeção 1: Como acima se disse, não é detração revelar o pecado oculto de um homem para que ele se emende, quer o denuncie, quer o acuse pelo bem da justiça pública. Resposta à Objeção 2: Essa glosa não afirma que a detração se encontre em toda a humanidade, mas «quase», tanto porque «o número dos insensatos é infinito» [*Eclesiastes 1,15], e poucos são os que andam pelo caminho da salvação [*Cf. Mateus 7,14], como porque há poucos ou nenhum que de vez em quando não fale por leviandade de coração, de modo a ferir ao menos ligeiramente a boa fama de alguém, pois está escrito (Tiago 3,2): «Se alguém não ofende em palavra, esse é varão perfeito.» Resposta à Objeção 3: Agostinho se refere ao caso em que um homem diz um mal ligeiro acerca de alguém, sem intenção de o injuriar, mas por leviandade de coração ou deslize da língua.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether backbiting is a mortal sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que a desobediência não é pecado mortal. Pois todo pecado é uma desobediência, como se vê da definição de Ambrósio citada acima (Q. 104, a. 2, ob. 1). Se, portanto, a desobediência fosse pecado mortal, todo pecado seria mortal. **Objeção 2.** Ademais, diz Gregório (Moral. xxxi) que a desobediência nasce da vanglória. Ora, a vanglória não é pecado mortal. Logo, também não o é a desobediência. **Objeção 3.** Ademais, chama-se desobediente aquele que não cumpre o mandamento de um superior. Mas os superiores impõem tantos mandamentos que raras vezes, se alguma, é possível cumpri-los todos. Se, portanto, a desobediência fosse pecado mortal, seguir-se-ia que o homem não pode evitar o pecado mortal, o que é absurdo. Logo, a desobediência não é pecado mortal. **Em contrário,** o pecado de desobediência aos pais é contado entre os outros pecados mortais (Rm 1,30; 2 Tm 3,2). **Respondo.** Como foi dito acima (q. 24, a. 12; I-II, q. 72, a. 5; I-II, q. 88, a. 1), pecado mortal é aquele que é contrário à caridade, que é a causa da vida espiritual. Ora, pela caridade amamos a Deus e ao próximo. O amor de Deus exige que obedeçamos aos seus mandamentos, como acima se disse (q. 24, a. 12). Portanto, desobedecer aos mandamentos de Deus é pecado mortal, por ser contrário ao amor de Deus. Ademais, os mandamentos de Deus contêm o preceito de obediência aos superiores. Por isso, também a desobediência aos mandamentos de um superior é pecado mortal, como contrária ao amor de Deus, segundo Rm 13,2: «Aquele que resiste à potestade, resiste à ordenação de Deus». É também contrária ao amor do próximo, porque priva o superior, que é nosso próximo, da obediência que lhe é devida. **Resposta à objeção 1.** A definição de Ambrósio refere-se ao pecado mortal, que tem a natureza de pecado perfeito. O pecado venial não é desobediência, porque não é contra o preceito, mas ao lado dele. Nem todo pecado mortal é desobediência própria e essencialmente, mas somente quando se despreza um preceito, pois os atos morais recebem a espécie do fim. E quando algo se faz contra o preceito, não por desprezo do preceito, mas com outro fim, não é pecado de desobediência senão materialmente, e pertence formalmente a outra espécie de pecado. **Resposta à objeção 2.** A vanglória deseja a ostentação da excelência. E como parece indicar certa excelência não estar sujeito ao mandamento de outrem, segue-se que a desobediência nasce da vanglória. Mas nada impede que o pecado mortal nasça do pecado venial, pois o pecado venial é disposição para o mortal. **Resposta à objeção 3.** Ninguém é obrigado a fazer o impossível; por isso, se um superior impõe uma montanha de preceitos sobre seus súditos, de modo que não possam cumpri-los, estes são escusados de pecado. Por isso, os superiores devem abster-se de multiplicar preceitos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether disobedience is a mortal sin? · séc. XIII

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