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Rm 1, 5

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Matos Soares

5pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para que obedeçam em seu nome à fé todos os gentios,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Tradução do texto para o português brasileiro (pt-BR):** **Objeção 1:** Parece que o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente. Pois ninguém é obrigado a fazer o que não está em seu poder. Ora, não está no poder do homem crer em algo explicitamente, porque está escrito (Rm 10,14-15): «Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão sem pregador? E como pregarão se não forem enviados?» Logo, o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente. **Objeção 2:** Ademais, assim como pela fé somos dirigidos a Deus, assim também o somos pela caridade. Ora, o homem não é obrigado a guardar os preceitos da caridade, bastando que esteja pronto para cumpri-los, como se evidencia pelo preceito de Nosso Senhor (Mt 5,39): «Se alguém te ferir numa face, oferece-lhe também a outra», e outros semelhantes, segundo a exposição de Agostinho (Sobre o Sermão do Senhor no Monte, XIX). Portanto, também o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente, bastando que esteja pronto para crer em tudo o que Deus propuser para ser crido. **Objeção 3:** Além disso, o bem da fé consiste na obediência, segundo Rm 1,5: «Para a obediência da fé entre todas as nações.» Ora, a virtude da obediência não exige que o homem guarde certos preceitos fixos, mas basta que seu ânimo esteja pronto para obedecer, conforme Sl 118,60: «Estou pronto e não estou perturbado; para guardar os teus mandamentos.» Logo, parece que também para a fé basta que o homem esteja pronto para crer em tudo o que Deus possa propor, sem crer em nada explicitamente. **Em contrário,** está escrito (Hb 11,6): «Aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe e é recompensador dos que o buscam.» **Respondo:** Os preceitos da Lei, que o homem é obrigado a cumprir, dizem respeito aos atos das virtudes que são meios para alcançar a salvação. Ora, um ato de virtude, como foi dito acima (I-II, Q. 60, A. 5), depende da relação do hábito com seu objeto. Além disso, duas coisas podem ser consideradas no objeto de qualquer virtude: aquilo que é o objeto próprio e direto dessa virtude, e aquilo que é acidental e consequente ao objeto propriamente dito. Assim, pertence própria e diretamente ao objeto da fortaleza enfrentar os perigos da morte e investir contra o inimigo com perigo para si mesmo, em prol do bem comum; mas que, numa guerra justa, um homem esteja armado, ou fira outro com sua espada, e assim por diante, reduz-se ao objeto da fortaleza, mas indiretamente. Portanto, assim como um ato virtuoso é exigido para o cumprimento de um preceito, também é necessário que o ato virtuoso termine em seu objeto próprio e direto; por outro lado, o cumprimento do preceito não exige que um ato virtuoso termine naquelas coisas que têm uma relação acidental ou secundária com o objeto próprio e direto dessa virtude, exceto em certos lugares e em certos tempos. Devemos, portanto, dizer que o objeto direto da fé é aquilo pelo qual o homem se torna um dos bem-aventurados, como foi dito acima (Q. 1, A. 8); enquanto o objeto indireto e secundário compreende todas as coisas que nos são transmitidas por Deus na Sagrada Escritura, por exemplo, que Abraão teve dois filhos, que Davi foi filho de Jessé, e assim por diante. Por conseguinte, quanto aos pontos ou artigos primários da fé, o homem é obrigado a crer neles, assim como é obrigado a ter fé; mas quanto aos outros pontos da fé, o homem não é obrigado a crer neles explicitamente, mas apenas implicitamente, ou a estar pronto para crer neles, na medida em que está preparado para crer em tudo o que está contido nas Divinas Escrituras. Só então é obrigado a crer em tais coisas explicitamente, quando lhe é claro que estão contidas na doutrina da fé. **Resposta à Objeção 1:** Se entendermos que estão no poder do homem apenas aquelas coisas que podemos fazer sem o auxílio da graça, então somos obrigados a fazer muitas coisas que não podemos fazer sem o auxílio da graça curativa, como amar a Deus e ao próximo, e igualmente crer nos artigos da fé. Mas com o auxílio da graça podemos fazer isso, pois esse auxílio «a quem é dado do alto, é dado misericordiosamente; e a quem é negado, é justamente negado, como castigo de um pecado anterior, ou ao menos original», como afirma Agostinho (Sobre a Correção e a Graça, V-VI; cf. Ep. CXC; Sobre a Predestinação dos Santos, VIII). **Resposta à Objeção 2:** O homem é obrigado a amar de modo definido aquelas coisas amáveis que são própria e diretamente os objetos da caridade, a saber, Deus e o próximo. A objeção se refere àqueles preceitos da caridade que pertencem, como consequência, aos objetos da caridade. **Resposta à Objeção 3:** A virtude da obediência reside, propriamente falando, na vontade; por isso, a prontidão da vontade sujeita à autoridade basta para o ato de obediência, porque é o objeto próprio e direto da obediência. Mas este ou aquele preceito é acidental ou consequente a esse objeto próprio e direto.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether man is bound to believe anything explicitly? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 — Se a caridade é a forma da fé?** **Objeção 1:** Parece que a caridade não é a forma da fé. Pois cada coisa recebe a sua espécie da sua forma. Logo, quando duas coisas são membros opostos de uma divisão, uma não pode ser forma da outra. Ora, a fé e a caridade são apresentadas como membros opostos de uma divisão, enquanto diferentes espécies de virtude (1 Cor 13,13). Portanto, a caridade não é a forma da fé. **Objeção 2:** Além disso, a forma e aquilo de que é forma estão num mesmo sujeito, pois juntos formam uma unidade simples. Ora, a fé está no intelecto, enquanto a caridade está na vontade. Logo, a caridade não é a forma da fé. **Objeção 3:** Além disso, a forma de uma coisa é o seu princípio. Ora, a obediência, antes que a caridade, parece ser o princípio do crer, da parte da vontade, segundo Rm 1,5: «Para a obediência da fé entre todas as gentes.» Portanto, a obediência, antes que a caridade, é a forma da fé. **Em contrário,** cada coisa obra mediante sua forma. Ora, a fé obra mediante a caridade. Logo, o amor da caridade é a forma da fé. **Respondo** que, como se vê do que foi dito acima (I-II, Q. 1, Art. 3; I-II, Q. 18, Art. 6), os atos voluntários recebem a sua espécie do fim, que é o objeto da vontade. Ora, aquilo que dá a uma coisa a sua espécie é como que uma forma nas coisas naturais. Por conseguinte, a forma de qualquer ato voluntário é, de certo modo, o fim para o qual esse ato se ordena, tanto porque dele recebe a sua espécie, como porque o modo da ação deve corresponder proporcionalmente ao fim. Ora, é evidente pelo que foi dito (Art. 1) que o ato de fé se ordena ao objeto da vontade, isto é, o bem, como ao seu fim; e este bem, que é o fim da fé, a saber, o Bem Divino, é o objeto próprio da caridade. Portanto, a caridade se chama forma da fé enquanto o ato de fé é aperfeiçoado e formado pela caridade. **Resposta à Objeção 1:** A caridade se chama forma da fé porque vivifica o ato de fé. Ora, nada impede que um mesmo ato seja vivificado por diferentes hábitos, de modo a ser reduzido a várias espécies numa certa ordem, como foi dito acima (I-II, Q. 18, Arts. 6 e 7; I-II, Q. 61, Art. 2) quando tratamos dos atos humanos em geral. **Resposta à Objeção 2:** Esta objeção é verdadeira quanto à forma intrínseca. Mas não é assim que a caridade é a forma da fé, e sim no sentido de que vivifica o ato de fé, como foi explicado acima. **Resposta à Objeção 3:** Também a obediência, e igualmente a esperança, e qualquer outra virtude que preceda o ato de fé, é vivificada pela caridade, como se mostrará adiante (Q. 23, Art. 8); e consequentemente a caridade é chamada forma da fé.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether charity is the form of faith? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 – Se houve fé em Cristo.** **Objeção 1:** Parece que houve fé em Cristo. Pois a fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, como a temperança e a liberalidade. Ora, estas existiam em Cristo, como se afirmou acima (a. 2). Logo, com muito mais razão houve fé n’Ele. **Objeção 2:** Ademais, Cristo não ensinou virtudes que Ele mesmo não possuísse, conforme Atos 1,1: “Jesus começou a fazer e a ensinar”. Mas de Cristo se diz (Heb. 12,2) que Ele é “o autor e consumador da nossa fé”. Logo, houve fé n’Ele antes de todos os outros. **Objeção 3:** Além disso, tudo o que é imperfeito é excluído dos bem-aventurados. Ora, nos bem-aventurados há fé; pois sobre Rom. 1,17: “A justiça de Deus se revela nele de fé em fé”, uma glosa diz: “Da fé das palavras e da esperança para a fé das coisas e da visão”. Portanto, parece que também em Cristo houve fé, já que ela nada implica de imperfeito. **Em sentido contrário,** está escrito (Heb. 11,1): “A fé é a evidência das coisas que não aparecem”. Ora, nada havia que não aparecesse a Cristo, segundo o que Pedro Lhe disse (Jo. 21,17): “Tu sabes todas as coisas”. Logo, não houve fé em Cristo. **Respondo que,** como se disse acima (II-II, q. 1, a. 4), o objeto da fé é uma coisa divina não vista. Ora, o hábito da virtude, como todo hábito, recebe sua espécie do objeto. Portanto, se negarmos que a coisa divina não era vista, excluímos a própria essência da fé. Ora, desde o primeiro instante de Sua conceição, Cristo via plenamente a Essência de Deus, como se tornará claro (q. 34, a. 1). Logo, não podia haver fé n’Ele. **Resposta à objeção 1:** A fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, porquanto tem por objeto matéria mais nobre; contudo, implica certo defeito quanto a essa matéria; e esse defeito não estava em Cristo. E por isso não pôde haver fé n’Ele, embora as virtudes morais existissem n’Ele, pois, por sua natureza, não implicam defeito quanto à sua matéria. **Resposta à objeção 2:** O mérito da fé consiste nisto: que o homem, por obediência, dá assentimento ao que não vê, segundo Rom. 1,5: “Para a obediência da fé em todas as nações por amor do Seu nome”. Ora, Cristo teve obediência perfeitíssima a Deus, conforme Fil. 2,8: “Tornando-Se obediente até à morte”. E por isso não ensinou nada relativo ao mérito que Ele mesmo não cumprisse mais perfeitamente. **Resposta à objeção 3:** Como diz a glosa no mesmo lugar, fé é aquela “pela qual se crê nas coisas que não são vistas”. Mas a fé nas coisas vistas é assim chamada impropriamente, e apenas por certa semelhança quanto à certeza e firmeza do assentimento.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether in Christ there was faith? · séc. XIII

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Rm 1, 5 nos Padres da Igreja | Aurea