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Matos Soares
4porque (o príncipe) é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é debalde que ele traz a espada. Porquanto ele é ministro de Deus vingador, para punir aquele que faz o mal.
Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.
Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
JC
São João Crisóstomo
Ou, fala aqui dos juízes deste mundo, do caminho que conduz a este juízo, e das prisões humanas; assim empregando não só induzimentos futuros, mas presentes, porquanto as coisas que estão diante dos olhos mais nos afetam, como também declara São Paulo: «Se fizeres o mal, teme a potestade, porque não sem causa traz a espada.»
séc. V
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o temor mundano nem sempre é mau. Porque a consideração pelos homens parece ser uma espécie de temor humano. Ora, alguns são repreendidos por não terem consideração pelos homens, como o juiz iníquo de quem lemos (Lc 18,2) que "não temia a Deus, nem respeitava os homens". Logo, parece que o temor mundano nem sempre é mau.
**Objeção 2:** Demais, o temor mundano parece referir-se aos castigos infligidos pelo poder secular. Ora, tais castigos nos incitam às boas ações, conforme Rom 13,3: "Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela". Logo, o temor mundano nem sempre é mau.
**Objeção 3:** Demais, o que está naturalmente em nós não parece ser mau, pois nossos dons naturais vêm de Deus. Ora, é natural ao homem temer o dano ao seu corpo e a perda dos seus bens mundanos, pelos quais a vida presente é sustentada. Logo, parece que o temor mundano nem sempre é mau.
**Em contrário,** o Senhor disse (Mt 10,28): "Não temais os que matam o corpo", proibindo assim o temor mundano. Ora, nada é proibido por Deus senão o que é mau. Portanto, o temor mundano é mau.
**Respondo que,** como foi mostrado acima (FS, Q[1], A[3]; FS, Q[18], A[1]; FS, Q[54], A[2]), os atos e hábitos morais recebem seu nome e espécie a partir de seus objetos. Ora, o objeto próprio do movimento do apetite é o bem final; de modo que, consequentemente, todo movimento apetitivo é especificado e nomeado a partir do seu fim próprio. Pois, se alguém descrevesse a cobiça como amor ao trabalho, porque os homens trabalham por causa da cobiça, essa descrição seria incorreta, visto que o cobiçoso busca o trabalho não como fim, mas como meio; o fim que ele busca é a riqueza, por onde a cobiça é corretamente descrita como o desejo ou o amor das riquezas, e isto é mau. Assim, o amor mundano é, propriamente falando, o amor pelo qual o homem confia no mundo como seu fim, de modo que o amor mundano é sempre mau. Ora, o temor nasce do amor, pois o homem teme perder o que ama, como Agostinho afirma (Qq. lxxxiii, qu. 33). Ora, o temor mundano é aquele que surge do amor mundano como de uma raiz má, razão pela qual o temor mundano é sempre mau.
**Resposta à Objeção 1:** Pode-se ter consideração pelos homens de dois modos. Primeiro, enquanto neles há algo divino, como o bem da graça ou da virtude, ou ao menos a imagem natural de Deus; e deste modo são repreendidos aqueles que não têm consideração pelos homens. Segundo, pode-se ter consideração pelos homens enquanto se opõem a Deus, e assim é louvável não ter consideração pelos homens, conforme lemos de Elias ou Eliseu (Eclo 48,13): "Em seus dias não temeu o príncipe."
**Resposta à Objeção 2:** Quando o poder secular inflige castigos para afastar os homens do pecado, age como ministro de Deus, conforme Rom 13,4: "Porque ele é ministro de Deus, vingador para executar a ira sobre aquele que faz o mal." Temer o poder secular deste modo é próprio não do temor mundano, mas do temor servil ou inicial.
**Resposta à Objeção 3:** É natural ao homem recuar diante do dano ao seu próprio corpo e da perda dos seus bens mundanos; mas abandonar a justiça por causa disso é contrário à razão natural. Por isso o Filósofo diz (Ética iii, 1) que há certas coisas, a saber, as ações pecaminosas, que nenhum temor nos deve levar a praticar, visto que fazer tais coisas é pior do que sofrer qualquer castigo.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether worldly fear is always evil? · séc. XIII