Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o escândalo não é um pecado especial. Porque o escândalo é "algo dito ou feito menos retamente". Ora, isto se aplica a toda espécie de pecado. Logo, todo pecado é um escândalo e, consequentemente, o escândalo não é um pecado especial. **Objeção 2:** Além disso, toda espécie especial de pecado, ou toda espécie especial de injustiça, pode ser encontrada separadamente das outras espécies, como se afirma na *Ética* V, 3,5. Mas o escândalo não se encontra separadamente dos outros pecados. Logo, não é uma espécie especial de pecado. **Objeção 3:** Além disso, todo pecado especial é constituído por algo que especifica o ato moral. Ora, a noção de escândalo consiste em ser algo feito na presença de outros; e o fato de um pecado ser cometido abertamente, embora seja uma circunstância agravante, não parece constituir a espécie de um pecado. Portanto, o escândalo não é um pecado especial. **Em contrário,** uma virtude especial tem um pecado especial que lhe é oposto. Ora, o escândalo é oposto a uma virtude especial, a saber, a caridade. Pois está escrito (Rm 14,15): "Se, por causa do teu manjar, teu irmão se entristece, já não andas segundo a caridade." Logo, o escândalo é um pecado especial. **Respondo que,** como foi dito acima (A[2]), o escândalo é duplo: ativo e passivo. O escândalo passivo não pode ser um pecado especial, porque, por meio da palavra ou ação de outro, o homem pode cair em qualquer espécie de pecado; e o fato de um homem tomar ocasião de pecar da palavra ou ação de outro não constitui uma espécie especial de pecado, pois não implica uma deformidade especial em oposição a uma virtude especial. Por outro lado, o escândalo ativo pode ser entendido de dois modos: direta e acidentalmente. O escândalo é acidental quando está fora da intenção do agente, como quando um homem não pretende, com seu ato ou palavra desordenada, ocasionar a ruína espiritual de outro, mas apenas satisfazer a sua própria vontade. Nesse caso, mesmo o escândalo ativo não é um pecado especial, porque a espécie não é constituída pelo que é acidental. O escândalo ativo é direto quando um homem tenciona, com sua palavra ou ação desordenada, levar outro ao pecado; e então se torna uma espécie especial de pecado por causa da intenção de uma espécie especial de fim, porque as ações morais recebem sua espécie do fim, como foi dito acima (I-II, Q[1], A[3]; I-II, Q[18], AA[4],6). Assim, assim como o roubo e o homicídio são espécies especiais de pecado, por denotarem a intenção de causar um dano especial ao próximo, também o escândalo é uma espécie especial de pecado, porque por ele um homem pretende um dano especial ao seu próximo, e é diretamente oposto à correção fraterna, pela qual um homem pretende a remoção de uma espécie especial de dano. **Resposta à Objeção 1:** Qualquer pecado pode ser a matéria do escândalo ativo, mas pode derivar a razão formal de um pecado especial do fim intencionado, como foi dito acima. **Resposta à Objeção 2:** O escândalo ativo pode ser encontrado separado de outros pecados, como quando um homem escandaliza o próximo com um ato que não é pecado em si, mas tem aparência de mal. **Resposta à Objeção 3:** O escândalo não deriva a espécie de um pecado especial da circunstância em questão, mas da intenção do fim, como foi dito acima.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether scandal is a special sin? · séc. XIII
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