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Rm 14, 17

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Matos Soares

17Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo.

Matos Soares · domínio público

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Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Teofilacto de Ócrida

Ou então, o Senhor quer dizer que o tempo da Lei se cumpriu; como se dissesse: Até este tempo a Lei operava; desde agora o reino de Deus operará, isto é, uma conversação segundo o Evangelho, que com razão se compara ao reino dos céus. Porque quando vós vedes um homem vestido de carne vivendo segundo o Evangelho, não dizeis que ele tem o reino dos céus, o qual «não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e gozo no Espírito Santo»? [Rm 14,17] A palavra seguinte é: «Arrependei-vos».

séc. XII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo não é efetuado em nós pela caridade. Pois a ausência do que amamos causa tristeza em vez de gozo. Mas Deus, a quem amamos pela caridade, está ausente de nós, enquanto estamos neste estado de vida, pois "enquanto estamos no corpo, estamos ausentes do Senhor" (2 Co 5,6). Logo, a caridade causa em nós tristeza em vez de gozo. Objeção 2: Ademais, é principalmente pela caridade que merecemos a felicidade. Ora, o pranto, que pertence à tristeza, é contado entre as coisas pelas quais merecemos a felicidade, segundo Mt 5,5: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." Logo, a tristeza, antes que o gozo, é um efeito da caridade. Objeção 3: Ademais, a caridade é uma virtude distinta da esperança, como foi mostrado acima (Q[17], A[6]). Ora, o gozo é efeito da esperança, segundo Rm 12,12: "Alegrando-vos na esperança." Logo, não é efeito da caridade. Em contrário, está escrito (Rm 5,5): "A caridade de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado." Ora, o gozo é causado em nós pelo Espírito Santo, segundo Rm 14,17: "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo." Logo, a caridade é causa de gozo. Respondo: Como foi dito acima (FS, Q[25], AA[1],2,3), quando tratávamos das paixões, o gozo e a tristeza procedem do amor, mas de modos contrários. Pois o gozo é causado pelo amor, ou pela presença da coisa amada, ou porque o bem próprio da coisa amada existe e permanece nela; e este último caso dá-se principalmente no amor de benevolência, pelo qual um homem se alegra com o bem-estar do seu amigo, mesmo estando ele ausente. Por outro lado, a tristeza surge do amor, ou pela ausência da coisa amada, ou porque o objeto amado, a quem desejamos o bem, é privado do seu bem ou afligido por algum mal. Ora, a caridade é amor de Deus, cujo bem é imutável, visto que Ele é a sua bondade, e pelo próprio fato de ser amado, Ele está naqueles que O amam pelo seu efeito mais excelente, segundo 1 Jo 4,16: "Quem permanece na caridade, permanece em Deus, e Deus nele." Portanto, o gozo espiritual, que é acerca de Deus, é causado pela caridade. Resposta à Objeção 1: Enquanto estamos no corpo, dizemos estar "ausentes do Senhor", em comparação com aquela presença pela qual Ele está presente a alguns pela visão "clara"; por isso, o Apóstolo prossegue dizendo (2 Co 5,6): "Porque andamos por fé e não por visão." No entanto, mesmo nesta vida, Ele está presente aos que O amam, pela habitação da sua graça. Resposta à Objeção 2: O pranto que merece a felicidade é acerca das coisas que são contrárias à felicidade. Por isso, equivale ao mesmo que a caridade cause este pranto e este gozo espiritual acerca de Deus, pois alegrar-se num certo bem equivale a entristecer-se pelas coisas que lhe são contrárias. Resposta à Objeção 3: Pode haver gozo espiritual acerca de Deus de dois modos. Primeiro, quando nos alegramos com o bem divino considerado em si mesmo; segundo, quando nos alegramos com o bem divino como participado por nós. O primeiro gozo é melhor e procede principalmente da caridade; ao passo que o segundo gozo procede também da esperança, pela qual esperamos gozar o bem divino, embora este próprio gozo, seja perfeito ou imperfeito, se obtenha segundo a medida da caridade de cada um.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether joy is effected in us by charity? · séc. XIII

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