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Matos Soares
1Por isso, quem quer que sejas, ó homem que julgas, és inexcusável, porque, naquilo mesmo em que julgas a outro, a ti mesmo te condenas, visto que fazes as mesmas coisas que julgas.
Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.
Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
A
Santo Agostinho
Nada é mais injusto do que repudiar a esposa por fornicação e tu mesmo seres réu desse pecado, pois então se cumpre aquilo: "No que julgas a outro, a ti mesmo te condenas" [Rm 2,1]. Quando Ele diz: "E quem casa com a repudiada comete adultério", surge uma questão: também a mulher, neste caso, comete adultério? Pois o Apóstolo determina que ou permaneça solteira ou se reconcilie com o marido. Há esta diferença na separação, a saber, qual dos dois foi a causa dela. Se a esposa repudia o marido e casa com outro, parece ter deixado o primeiro marido com desejo de mudança, o que é um pensamento adúltero. Mas se ela foi repudiada pelo marido, e contudo quem casa com ela comete adultério, como pode ela estar isenta da mesma culpa? E, além disso, se quem casa com ela comete adultério, ela é a causa de ele cometer adultério, o que é o que o Senhor aqui proíbe.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 16 · séc. V
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que um pecador deve repreender o malfeitor. Pois ninguém é escusado de obedecer a um preceito por ter cometido um pecado. Ora, a correção fraterna é matéria de preceito, como se disse acima (A[2]). Logo, parece que o homem não deve abster-se de tal correção pelo fato de ter cometido um pecado.
**Objeção 2:** Ademais, as esmolas espirituais são de maior conta que as corporais. Ora, quem está em pecado não deve abster-se de administrar esmolas corporais. Muito menos, portanto, deve, por causa de um pecado anterior, abster-se de corrigir os malfeitores.
**Objeção 3:** Ademais, está escrito (1 Jo 1,8): «Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos.» Portanto, se por causa de um pecado o homem é impedido de repreender seu irmão, ninguém haverá que repreenda o malfeitor. Ora, a última proposição é irrazoável; logo, também a primeira.
**Em contrário,** Isidoro diz (De Summo Bono iii, 32): «Aquele que é sujeito ao vício não deve corrigir os vícios alheios.» E está escrito (Rm 2,1): «Pelo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; porque tu, que julgas, fazes as mesmas coisas.»
**Respondo que,** como se disse acima (A[3], ad 2), corrigir o malfeitor pertence ao homem na medida em que sua razão é dotada de reto juízo. Ora, o pecado, como se disse (I-II, Q[85], AA[1],2), não destrói o bem da natureza a ponto de privar a razão do pecador de todo o reto juízo; e, sob esse aspecto, ele pode ser competente para censurar os outros por cometerem pecado. Contudo, um pecado anterior constitui, de certo modo, um obstáculo a essa correção, por três razões. Primeiro, porque esse pecado anterior torna o homem indigno de repreender a outrem; e especialmente é indigno de corrigir a outrem por um pecado menor, se ele mesmo cometeu um maior. Por isso, Jerônimo diz, sobre as palavras: «Por que vês o argueiro?» etc. (Mt 7,3): «Fala daqueles que, sendo eles mesmos culpados de pecado mortal, não têm paciência com os pecados menores de seus irmãos.»
Segundo, porque tal correção se torna inconveniente, por causa do escândalo que dela decorre, se o pecado do corretor for bem conhecido; pois pareceria que ele corrige não por caridade, mas mais por ostentação. Por isso, as palavras de Mt 7,4: «Como dizes a teu irmão?» etc. são explicadas por Crisóstomo (Hom. xvii no Opus Imperfectum, falsamente atribuído a São João Crisóstomo) assim: «Isto é: ‘Com que intento?’ Por caridade, pensas tu, para salvares o teu próximo?» Não, «porque primeiro cuidarias da tua própria salvação. O que queres não é salvar os outros, mas esconder tuas más obras com o bom ensinamento e buscar ser louvado pelos homens por teu conhecimento.»
Terceiro, por causa do orgulho do repreensor; quando, por exemplo, um homem faz pouco caso de seus próprios pecados e, em seu coração, se coloca acima do próximo, julgando os pecados deste com severidade dura, como se ele mesmo fosse justo. Por isso, Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte ii, 19): «Repreender as faltas dos outros é dever dos homens bons e benignos; quando um ímpio repreende alguém, sua repreensão é a absolvição deste.» E assim, como diz Agostinho (De Serm. Dom. in Monte ii, 19): «Quando temos de censurar alguém, devemos pensar se jamais fomos culpados de seu pecado; e então lembrar-nos de que somos homens e poderíamos ter sido culpados; ou que uma vez o tivemos em nossa consciência, mas já não o temos; e então devemos considerar que todos somos fracos, a fim de que nossa repreensão proceda não de ódio, mas de compaixão. Mas se achamos que somos culpados do mesmo pecado, não devemos repreendê-lo, mas gemer com ele e convidá-lo a arrepender-se conosco.» Disto se segue que, se um pecador repreende o malfeitor com humildade, não peca, nem traz sobre si maior condenação, embora, por isso, se mostre digno de condenação, ou na consciência de seu irmão ou na sua própria, por causa do pecado anterior.
**Donde são claras as respostas às objeções.**
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether a sinner ought to reprove a wrongdoer? · séc. XIII