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Rm 3, 22

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Matos Soares

22A justiça de Deus (é infundada) pela fé de Jesus Cristo em todos e sobre todos os que crêem nele, sem distinção,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a alma de Cristo foi assumida antes da carne pelo Verbo. Porque o Filho de Deus assumiu a carne mediante a alma, como se disse acima (A[1]). Ora, o meio é atingido antes do fim. Logo, o Filho de Deus assumiu a alma antes do corpo. Objeção 2: Ademais, a alma de Cristo é mais nobre que os anjos, segundo o Sl 96,8: "Adorai-o, todos os seus anjos." Mas os anjos foram criados no princípio, como se disse acima (FP, Q[46], A[3]). Logo, também a alma de Cristo (foi criada no princípio). Porém não foi criada antes de ser assumida, pois Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 2,3,9) que "nem a alma nem o corpo de Cristo tiveram jamais qualquer hipóstase senão a hipóstase do Verbo." Portanto, pareceria que a alma foi assumida antes da carne, que foi concebida no ventre da Virgem. Objeção 3: Além disso, está escrito (Jo 1,14): "Vimos a sua glória [Vulg.: 'a sua glória'] cheia de graça e de verdade", e acrescenta-se depois que "todos nós recebemos da sua plenitude" (Jo 1,16), isto é, todos os fiéis de todos os tempos, como expõe Crisóstomo (Hom. xiii in Joan.). Ora, isto não poderia dar-se a menos que a alma de Cristo tivesse toda a plenitude de graça e de verdade antes de todos os santos, que foram desde o princípio do mundo, pois a causa não é posterior ao efeito. Por conseguinte, visto que a plenitude de graça e de verdade estava na alma de Cristo desde a união com o Verbo, segundo o que está escrito no mesmo lugar: "Vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade", daí parece resultar que, desde o princípio do mundo, a alma de Cristo foi assumida pelo Verbo de Deus. Ao contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. iv, 6): "O intelecto não foi unido ao verdadeiro Deus, como alguns falsamente afirmam, e desde então chamado Cristo, antes da Encarnação que se deu da Virgem." Respondo que Orígenes (Peri Archon i, 7,8; ii, 8) sustentou que todas as almas, entre as quais colocava a alma de Cristo, foram criadas no princípio. Mas isto não convém, se supusermos que ela foi criada antes de tudo, mas não imediatamente unida ao Verbo, porque se seguiria que essa alma teve outrora sua própria subsistência sem o Verbo; e assim, sendo assumida pelo Verbo, ou a união não se deu na subsistência, ou a subsistência preexistente da alma foi corrompida. Do mesmo modo, não convém supor que esta alma foi unida ao Verbo desde o princípio e que depois se encarnou no ventre da Virgem; pois então a sua alma não pareceria da mesma natureza que a nossa, que são criadas ao mesmo tempo que são infundidas nos corpos. Por isso, o Papa Leão diz (Ep. ad Julian. xxxv) que "a carne de Cristo não foi de natureza diversa da nossa, nem uma alma diferente foi infundida nela desde o princípio do que nos outros homens." Resposta à Objeção 1: Como se disse acima (A[1]), a alma de Cristo é chamada meio na união da carne com o Verbo, na ordem da natureza; mas daí não se segue que seja meio na ordem do tempo. Resposta à Objeção 2: Como diz o Papa Leão na mesma Epístola, a alma de Cristo excede a nossa alma "não por diversidade de gênero, mas por sublimidade de poder"; pois é do mesmo gênero que as nossas almas, contudo excede até os anjos em "plenitude de graça e de verdade". Ora, o modo de criação está em harmonia com a propriedade genérica da alma; e, sendo ela a forma do corpo, consequentemente é criada ao mesmo tempo que é infundida e unida ao corpo; o que não acontece com os anjos, pois são substâncias inteiramente isentas de matéria. Resposta à Objeção 3: Da plenitude de Cristo todos os homens recebem segundo a fé que nele têm; pois está escrito (Rm 3,22) que "a justiça de Deus é pela fé de Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem nele". Ora, assim como nós cremos nele já nascido, assim os antigos criam nele como que haveria de nascer, pois "tendo o mesmo espírito de fé, também nós cremos", como está escrito (2 Cor 4,13). Mas a fé que está em Cristo tem a virtude de justificar por causa do propósito da graça de Deus, segundo Rm 4,5: "Mas àquele que não obra, contudo crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada para justiça, segundo o propósito da graça de Deus." Por isso, porque este propósito é eterno, nada impede que alguns sejam justificados pela fé de Jesus Cristo, mesmo antes de sua alma estar cheia de graça e de verdade.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the soul was assumed before the flesh by the Son of God? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que era desnecessário anunciar à Bem-aventurada Virgem o que nela se havia de fazer. Pois não parece ter havido necessidade da Anunciação senão para obter o consentimento da Virgem. Mas o seu consentimento parece desnecessário, porque a Conceição Virginal foi predita por uma profecia de "predestinação", a qual "se cumpre sem o nosso consentimento", como diz uma glosa sobre Mt 1,22. Logo, não havia necessidade desta Anunciação. Objeção 2: Além disso, a Bem-aventurada Virgem cria na Encarnação, pois não crer nela exclui o homem da via da salvação; porque, como diz o Apóstolo (Rm 3,22): "A justiça de Deus é pela fé de Jesus Cristo". Ora, ninguém precisa de mais instrução acerca daquilo que crê sem dúvida. Logo, a Bem-aventurada Virgem não tinha necessidade de que lhe fosse anunciada a Encarnação de seu Filho. Objeção 3: Além disso, assim como a Bem-aventurada Virgem concebeu a Cristo em seu corpo, assim toda alma piedosa O concebe espiritualmente. Donde diz o Apóstolo (Gl 4,19): "Meus filhinhos, que eu de novo pareço até que Cristo seja formado em vós". Mas àqueles que O concebem espiritualmente, nenhum anúncio se faz desta conceição. Logo, também não deveria ter sido anunciado à Bem-aventurada Virgem que ela havia de conceber o Filho de Deus em seu ventre. Pelo contrário, refere-se (Lc 1,31) que o anjo lhe disse: "Eis que conceberás em teu ventre e darás à luz um filho". Respondo que era conveniente que fosse anunciado à Bem-aventurada Virgem que ela havia de conceber a Cristo. Primeiro, para manter uma ordem conveniente na união do Filho de Deus com a Virgem — a saber, que ela fosse informada mentalmente acerca d'Ele, antes de O conceber na carne. Assim diz Agostinho (De Sancta Virgin. iii): "Maria é mais bem-aventurada por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo"; e adiante acrescenta: "A sua proximidade como Mãe de nada teria aproveitado a Maria, se ela não trouxesse a Cristo mais bem-aventuradamente no coração do que na carne." Segundo, para que ela fosse testemunha mais certa deste mistério, sendo instruída acerca dele por Deus. Terceiro, para que oferecesse a Deus o livre dom da sua obediência; o que ela se mostrou prontíssima a fazer, dizendo: "Eis aqui a serva do Senhor." Quarto, para mostrar que há um certo matrimónio espiritual entre o Filho de Deus e a natureza humana. Por isso, na Anunciação, o consentimento da Virgem foi solicitado em lugar de toda a natureza humana. Resposta à objeção 1: A profecia de predestinação cumpre-se sem a causalidade da nossa vontade; não sem o seu consentimento. Resposta à objeção 2: A Bem-aventurada Virgem cria, na verdade, explicitamente na futura Encarnação; mas, sendo humilde, não pensava coisas tão elevadas a seu respeito. Por conseguinte, necessitava de instrução neste assunto. Resposta à objeção 3: A conceição espiritual de Cristo pela fé é precedida pela pregação da fé, porquanto "a fé é pelo ouvir" (Rm 10,17). Todavia, o homem não sabe com certeza, por isso, que tem graça; mas sabe que a fé, que recebeu, é verdadeira.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it was necessary to announce to the Blessed Virgin that which was to be done in her? · séc. XIII

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Rm 3, 22 nos Padres da Igreja | Aurea