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Rm 4, 25

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Matos Soares

25o qual foi entregue pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que não convinha que Cristo orasse por Si mesmo. Porque Hilário diz (De Trin. x): «Ainda que a Sua palavra de súplica não aproveitasse a Si mesmo, falou todavia para proveito da nossa fé.» Logo parece que Cristo não orou por Si, mas por nós. Objecção 2: Além disso, ninguém ora senão pelo que deseja; porque, como se disse (A[1]), a oração é o desdobramento da nossa vontade a Deus para que a cumpra. Ora Cristo quis padecer o que padeceu. Pois Agostinho diz (Contra Fausto, xxvi): «Um homem, embora não queira, muitas vezes se ira; embora não queira, se entristece; embora não queira, dorme; embora não queira, tem fome e sede. Mas Ele» (isto é, Cristo) «fez todas estas coisas porque quis.» Logo não convinha que orasse por Si mesmo. Objecção 3: Além disso, Cipriano diz (De Oratione Dominica): «O Doutor da Paz e Mestre da Unidade não quis que as orações se oferecessem individual e privadamente, para que, quando orássemos, não orássemos só por nós mesmos.» Ora Cristo fez o que ensinou, segundo Actos I, 1: «Jesus começou a fazer e a ensinar.» Portanto, Cristo nunca orou só por Si. Em contrário, o próprio Senhor disse orando (Jo. XVII, 1): «Glorifica a Teu Filho.» Respondo que Cristo orou por Si mesmo de dois modos. Primeiro, exprimindo o desejo da Sua sensibilidade, como acima se disse (A[2]); ou também da Sua vontade simples, considerada como natureza; como quando orou que o cálice da Sua Paixão se afastasse d'Ele (Mt. XXVI, 39). Segundo, exprimindo o desejo da Sua vontade deliberada, que é considerada como razão; como quando orou pela glória da Sua Ressurreição (Jo. XVII, 1). E isto é razoável. Pois, como dissemos acima (A[1], ad 1), Cristo quis orar ao Pai para nos dar exemplo de orar; e também para mostrar que o Pai é o autor tanto da Sua processão eterna na Natureza Divina, como de todos os bens que possui na natureza humana. Ora, assim como na Sua natureza humana já recebera certos dons do Pai, assim havia outros dons que ainda não recebera, mas que esperava receber. E portanto, assim como deu graças ao Pai pelos dons já recebidos na Sua natureza humana, reconhecendo-O como autor deles, como lemos (Mt. XXVI, 27; Jo. XI, 41), assim também, em reconhecimento do Seu Pai, Lhe suplicou em oração pelos dons ainda devidos à Sua natureza humana, tais como a glória do Seu corpo e semelhantes. E nisto deu-nos exemplo, para que demos graças pelos benefícios recebidos e peçamos em oração pelos que ainda não temos. Resposta à Objecção 1: Hilário fala da oração vocal, que não Lhe era necessária por Si mesmo, mas só por nós. Donde diz propositadamente que «a Sua palavra de súplica não aproveitava a Si mesmo.» Pois, se «o Senhor ouve o desejo dos pobres», como se diz no Sl. IX, 38, muito mais a simples vontade de Cristo tem força de oração junto do Pai; pelo que Ele disse (Jo. XI, 42): «Eu sei que sempre me ouves, mas por causa do povo que está ao redor o disse, para que creiam que Tu me enviaste.» Resposta à Objecção 2: Cristo quis, na verdade, padecer o que padeceu, naquele tempo particular; contudo quis obter, após a Sua paixão, a glória do Seu corpo, que ainda não tinha. Esta glória esperava receber de Seu Pai como autor dela, e portanto convinha que Lho pedisse em oração. Resposta à Objecção 3: Esta mesma glória que Cristo, orando, pedia para Si, pertencia à salvação dos outros, segundo Rom. IV, 25: «Ressuscitou para nossa justificação.» Por conseguinte, a oração que ofereceu por Si mesmo foi também, de certo modo, oferecida pelos outros. Assim também qualquer que pede uma graça a Deus para a usar em bem dos outros, ora não só por si, mas também pelos outros.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether it was fitting that Christ should pray for Himself? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que Cristo não foi Ele próprio, simultaneamente, sacerdote e vítima. Porque é ofício do sacerdote imolar a vítima. Ora, Cristo não se matou a Si mesmo. Logo, não foi, simultaneamente, sacerdote e vítima. **Objecção 2:** Além disso, o sacerdócio de Cristo tem maior semelhança com o sacerdócio judaico, instituído por Deus, do que com o sacerdócio dos gentios, pelo qual os demónios eram adorados. Ora, na Lei antiga nunca o homem era oferecido em sacrifício; pelo contrário, isto era muito repreensível nos sacrifícios dos gentios, conforme o Salmo 105, 38: «Derramaram o sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaan.» Logo, no sacerdócio de Cristo, o Homem Cristo não deveria ter sido a vítima. **Objecção 3:** Além disso, toda a vítima, por ser oferecida a Deus, é consagrada a Deus. Ora, a humanidade de Cristo desde o princípio foi consagrada e unida a Deus. Logo, não se pode dizer convenientemente que Cristo, como homem, foi uma vítima. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Efésios 5, 2): «Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós, como oblação e vítima [sacrifício] a Deus em odor de suavidade.» **Respondo:** Como diz Agostinho (Cidade de Deus, X, 5): «Todo o sacrifício visível é um sacramento, isto é, um sinal sagrado, do sacrifício invisível.» Ora, o sacrifício invisível é aquele pelo qual o homem oferece o seu espírito a Deus, segundo o Salmo 50, 19: «Sacrifício a Deus é um espírito contrito.» Por onde, tudo o que é oferecido a Deus para elevar o espírito do homem a Ele pode chamar-se sacrifício. O homem é obrigado a oferecer sacrifício por três razões. Primeira, para remissão dos pecados, pelos quais se afasta de Deus. Daí o Apóstolo dizer (Hebreus 5, 1) que pertence ao sacerdote «oferecer dons e sacrifícios pelos pecados». Segunda, para que o homem seja conservado em estado de graça, aderindo sempre a Deus, no qual consistem a sua paz e salvação. Por isso na Lei antiga se oferecia o sacrifício pacífico pela salvação dos ofertantes, como se prescreve no terceiro capítulo do Levítico. Terceira, para que o espírito do homem se una perfeitamente a Deus; o que se realizará perfeitissimamente na glória. Por isso, na Lei antiga, se oferecia o holocausto, assim chamado porque a vítima era totalmente queimada, como se lê no primeiro capítulo do Levítico. Ora, estes efeitos nos foram conferidos pela humanidade de Cristo. Pois, em primeiro lugar, os nossos pecados foram apagados, conforme Romanos 4, 25: «Que foi entregue por nossos pecados.» Em segundo lugar, por Ele recebemos a graça da salvação, conforme Hebreus 5, 9: «Tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de eterna salvação.» Em terceiro lugar, por Ele adquirimos a perfeição da glória, conforme Hebreus 10, 19: «Temos confiança de entrar no Santo dos Santos» (isto é, na glória celestial) «pelo Seu sangue.» Portanto, o próprio Cristo, como homem, não foi somente sacerdote, mas também vítima perfeita, sendo ao mesmo tempo vítima pelo pecado, vítima pacífica e holocausto. **Resposta à objecção 1:** Cristo não se matou a Si mesmo, mas por Sua livre vontade expôs-Se à morte, conforme Isaías 53, 7: «Foi oferecido porque Ele quis.» Assim, diz-se que Se ofereceu a Si mesmo. **Resposta à objecção 2:** A imolação do Homem Cristo pode referir-se a uma dupla vontade. Primeira, à vontade dos que O mataram; e, sob este aspecto, não foi vítima, porque os matadores de Cristo não são tidos como oferecendo um sacrifício a Deus, mas como culpados de um grande crime; cuja semelhança se via nos ímpios sacrifícios dos gentios, em que ofereciam homens aos ídolos. Segunda, a imolação de Cristo pode considerar-se em referência à vontade do Paciente, que livremente Se ofereceu ao sofrimento. Sob este aspecto, é vítima, e nisto difere dos sacrifícios dos gentios. **Resposta à objecção 3:** O facto de a humanidade de Cristo ser santa desde o seu princípio não impede que essa mesma humanidade, quando foi oferecida a Deus na Paixão, fosse santificada de um modo novo — a saber, como vítima actualmente oferecida então. Pois adquiriu então a santidade actual de vítima, pela caridade que desde o princípio tinha, e pela graça da união que a santificava absolutamente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ was Himself both priest and victim? · séc. XIII

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