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Rm 4, 5

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Matos Soares

5Porém ao que não opera, mas crê naquele que justifica o impio, a sua fé (lhe) é imputada como justiça.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a alma de Cristo foi assumida antes da carne pelo Verbo. Porque o Filho de Deus assumiu a carne mediante a alma, como se disse acima (A[1]). Ora, o meio é atingido antes do fim. Logo, o Filho de Deus assumiu a alma antes do corpo. Objeção 2: Ademais, a alma de Cristo é mais nobre que os anjos, segundo o Sl 96,8: "Adorai-o, todos os seus anjos." Mas os anjos foram criados no princípio, como se disse acima (FP, Q[46], A[3]). Logo, também a alma de Cristo (foi criada no princípio). Porém não foi criada antes de ser assumida, pois Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 2,3,9) que "nem a alma nem o corpo de Cristo tiveram jamais qualquer hipóstase senão a hipóstase do Verbo." Portanto, pareceria que a alma foi assumida antes da carne, que foi concebida no ventre da Virgem. Objeção 3: Além disso, está escrito (Jo 1,14): "Vimos a sua glória [Vulg.: 'a sua glória'] cheia de graça e de verdade", e acrescenta-se depois que "todos nós recebemos da sua plenitude" (Jo 1,16), isto é, todos os fiéis de todos os tempos, como expõe Crisóstomo (Hom. xiii in Joan.). Ora, isto não poderia dar-se a menos que a alma de Cristo tivesse toda a plenitude de graça e de verdade antes de todos os santos, que foram desde o princípio do mundo, pois a causa não é posterior ao efeito. Por conseguinte, visto que a plenitude de graça e de verdade estava na alma de Cristo desde a união com o Verbo, segundo o que está escrito no mesmo lugar: "Vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade", daí parece resultar que, desde o princípio do mundo, a alma de Cristo foi assumida pelo Verbo de Deus. Ao contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. iv, 6): "O intelecto não foi unido ao verdadeiro Deus, como alguns falsamente afirmam, e desde então chamado Cristo, antes da Encarnação que se deu da Virgem." Respondo que Orígenes (Peri Archon i, 7,8; ii, 8) sustentou que todas as almas, entre as quais colocava a alma de Cristo, foram criadas no princípio. Mas isto não convém, se supusermos que ela foi criada antes de tudo, mas não imediatamente unida ao Verbo, porque se seguiria que essa alma teve outrora sua própria subsistência sem o Verbo; e assim, sendo assumida pelo Verbo, ou a união não se deu na subsistência, ou a subsistência preexistente da alma foi corrompida. Do mesmo modo, não convém supor que esta alma foi unida ao Verbo desde o princípio e que depois se encarnou no ventre da Virgem; pois então a sua alma não pareceria da mesma natureza que a nossa, que são criadas ao mesmo tempo que são infundidas nos corpos. Por isso, o Papa Leão diz (Ep. ad Julian. xxxv) que "a carne de Cristo não foi de natureza diversa da nossa, nem uma alma diferente foi infundida nela desde o princípio do que nos outros homens." Resposta à Objeção 1: Como se disse acima (A[1]), a alma de Cristo é chamada meio na união da carne com o Verbo, na ordem da natureza; mas daí não se segue que seja meio na ordem do tempo. Resposta à Objeção 2: Como diz o Papa Leão na mesma Epístola, a alma de Cristo excede a nossa alma "não por diversidade de gênero, mas por sublimidade de poder"; pois é do mesmo gênero que as nossas almas, contudo excede até os anjos em "plenitude de graça e de verdade". Ora, o modo de criação está em harmonia com a propriedade genérica da alma; e, sendo ela a forma do corpo, consequentemente é criada ao mesmo tempo que é infundida e unida ao corpo; o que não acontece com os anjos, pois são substâncias inteiramente isentas de matéria. Resposta à Objeção 3: Da plenitude de Cristo todos os homens recebem segundo a fé que nele têm; pois está escrito (Rm 3,22) que "a justiça de Deus é pela fé de Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem nele". Ora, assim como nós cremos nele já nascido, assim os antigos criam nele como que haveria de nascer, pois "tendo o mesmo espírito de fé, também nós cremos", como está escrito (2 Cor 4,13). Mas a fé que está em Cristo tem a virtude de justificar por causa do propósito da graça de Deus, segundo Rm 4,5: "Mas àquele que não obra, contudo crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada para justiça, segundo o propósito da graça de Deus." Por isso, porque este propósito é eterno, nada impede que alguns sejam justificados pela fé de Jesus Cristo, mesmo antes de sua alma estar cheia de graça e de verdade.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the soul was assumed before the flesh by the Son of God? · séc. XIII

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Santo Agostinho

Mas que obras maiores são estas? É que a sombra dos Apóstolos, quando passavam, sarava os enfermos? Pois é verdadeiramente coisa maior que uma sombra sare, do que a orla de uma vestidura. Contudo, por obras aqui Nosso Senhor se refere às Suas palavras. Porque quando diz: Meu Pai, que habita em Mim, Ele faz as obras, que obras são estas senão as palavras que Ele falou? E o fruto dessas palavras foi a fé deles. Mas estes foram poucos convertidos em comparação com o que aqueles discípulos fizeram depois pela sua pregação: eles converteram os gentios à fé. Porventura não se retirou o rico triste das Suas palavras? E contudo aquilo que um não fez à Sua própria exortação, muitos o fizeram depois quando Ele pregou por meio dos discípulos. Ele fez obras maiores quando foi pregado pelos crentes, do que quando falava aos ouvidos dos homens. Ainda assim, estas obras maiores Ele as fez por Seus Apóstolos, mas inclui outros além deles quando diz: Aquele que crê em Mim. Porventura não havemos de contar entre os crentes em Cristo aquele que não faz obras maiores que as de Cristo? Isto soa duro se não for explicado. Diz o Apóstolo: Àquele que crê n'Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça (Rm 4,5). Por esta obra, pois, faremos as obras de Cristo, sendo o próprio crer em Cristo a obra de Cristo, porque Ele opera isto em nós, embora não sem nós. Atendei, pois: Aquele que crê em Mim, as obras que Eu faço, também as fará. Primeiro Eu as faço, depois ele as fará: Eu as faço, para que ele as faça. Que obras faço Eu senão esta, a saber, que um homem, de pecador se torne justo? Coisa que Cristo opera em nós, embora não sem nós. Isto, em verdade, chamo eu uma obra maior do que criar o céu e a terra; porque o céu e a terra passarão, mas a salvação e a justificação dos predestinados permanecerão. Contudo, os Anjos no céu são obra de Cristo; fará aquele que coopera com Cristo para a sua própria justificação, obras maiores até do que estes? Julgue alguém qual seja a maior obra: criar o justo ou justificar o ímpio? Ao menos, se ambas são de igual poder, a última tem mais de misericórdia. Mas não é necessário entender todas as obras de Cristo quando diz: fará obras maiores do que estas. Estas talvez se refira às obras que Ele tinha feito naquela hora. Ele os estava então instruindo na fé. E certamente é obra menor pregar a justiça, o que Ele fez sem nós, do que justificar o ímpio, o que Ele faz em nós de tal modo que nós mesmos o fazemos. Grandes coisas, em verdade, prometeu Nosso Senhor ao Seu povo quando foi para o Pai: Porque vou para Meu Pai.

Augustinus in Ioannem · séc. V

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