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Rm 5, 10

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Matos Soares

10Se, sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não morreu por obediência. Porque a obediência se refere a um mandamento. Ora, não lemos que Cristo tenha sido mandado padecer. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 2: Além disso, diz-se que um homem faz por obediência aquilo que faz por necessidade de preceito. Mas Cristo não padeceu necessariamente, senão voluntariamente. Logo, não padeceu por obediência. Objeção 3: Além disso, a caridade é virtude mais excelente que a obediência. Ora, lemos que Cristo padeceu por caridade, conforme Efésios 5,2: «Andai em caridade, como também Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós.» Logo, a Paixão de Cristo deve ser atribuída antes à caridade do que à obediência. Ao contrário, está escrito (Filipenses 2,8): «Fez-se obediente» ao Pai «até a morte.» Respondo que convinha que Cristo padecesse por obediência. Primeiramente, porque estava de acordo com a justificação humana, que «assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão feitos justos», como está escrito em Romanos 5,19. Em segundo lugar, era conveniente para reconciliar o homem com Deus: donde está escrito (Romanos 5,10): «Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho», enquanto a morte de Cristo foi um sacrifício mui aceitável a Deus, conforme Efésios 5,2: «Entregou-se a si mesmo por nós como oferta e sacrifício a Deus em odor de suavidade.» Ora, a obediência é preferida a todos os sacrifícios, segundo 1 Reis 15,22: «Melhor é a obediência do que os sacrifícios.» Portanto, convinha que o sacrifício da Paixão e morte de Cristo procedesse da obediência. Em terceiro lugar, estava de acordo com a sua vitória, pela qual triunfou sobre a morte e seu autor; porque o soldado não pode vencer senão obedecendo ao seu capitão. E assim o Homem-Cristo alcançou a vitória por ser obediente a Deus, conforme Provérbios 21,28: «O homem obediente falará de vitória.» Resposta à Objeção 1: Cristo recebeu do Pai um mandamento para padecer. Pois está escrito (João 10,18): «Tenho poder para dar a minha vida, e tenho poder para retomá-la; (e) este mandamento recebi de meu Pai»—isto é, de dar a vida e de retomá-la. «Do qual,» como diz Crisóstomo (Hom. lix in Joan.), não se deve entender «que primeiro esperou o mandamento, e que teve necessidade de ser informado, mas mostrou que o procedimento era voluntário, e destruiu a suspeita de oposição» ao Pai. Contudo, porque a Lei Antiga foi abolida pela morte de Cristo, segundo suas palavras derradeiras, «Está consumado» (João 19,30), pode-se entender que, pelo seu padecimento, cumpriu todos os preceitos da Lei Antiga. Cumpriu os da ordem moral, que se fundam nos preceitos da caridade, na medida em que padeceu tanto por amor do Pai, conforme João 14,31: «Para que o mundo saiba que amo o Pai, e como o Pai me deu mandamento, assim faço: levantai-vos, vamo-nos daqui»—isto é, para o lugar da sua Paixão: e por amor do próximo, segundo Gálatas 2,20: «Amou-me e entregou-se a si mesmo por mim.» Cristo igualmente pela sua Paixão cumpriu os preceitos cerimoniais da Lei, que são principalmente ordenados para sacrifícios e oblações, na medida em que todos os antigos sacrifícios eram figuras daquele verdadeiro sacrifício que Cristo moribundo ofereceu por nós. Donde está escrito (Colossenses 2,16-17): «Ninguém vos julgue por causa do comer ou do beber, ou por respeito a um dia de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo,» pela razão de que Cristo é comparado a eles como o corpo à sombra. Cristo também pela sua Paixão cumpriu os preceitos judiciais da Lei, que são principalmente ordenados para fazer compensação àqueles que sofreram injustiça, pois, como está escrito no Salmo 68,5: Ele «pagou o que não tomou,» permitindo-se ser fixado a uma árvore por causa do fruto que o homem colhera da árvore contra o mandamento de Deus. Resposta à Objeção 2: Embora a obediência implique necessidade quanto à coisa mandada, contudo implica livre-arbítrio quanto ao cumprimento do preceito. E, de fato, tal foi a obediência de Cristo, pois, embora a sua Paixão e morte, consideradas em si mesmas, fossem repugnantes à vontade natural, Cristo resolveu cumprir a vontade de Deus a respeito delas, conforme o Salmo 39,9: «Que eu faça a tua vontade: ó meu Deus, eu a desejei.» Por isso disse (Mateus 26,42): «Se este cálice não pode passar, mas é preciso que eu o beba, faça-se a tua vontade.» Resposta à Objeção 3: Pela mesma razão, Cristo padeceu por caridade e por obediência; porque cumpriu até os preceitos da caridade somente por obediência; e foi obediente, por amor, ao mandamento do Pai.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ died out of obedience? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não fostes reconciliados com Deus pela Paixão de Cristo. Pois não há necessidade de reconciliação entre amigos. Mas Deus sempre nos amou, segundo Sb 11,25: "Amas todas as coisas que existem e não odeias nada do que fizeste". Logo, a Paixão de Cristo não nos reconciliou com Deus. Objeção 2: Além disso, a mesma coisa não pode ser causa e efeito; por isso a graça, que é a causa do mérito, não cai sob o mérito. Ora, o amor de Deus é a causa da Paixão de Cristo, segundo Jo 3,16: "Deus amou de tal modo o mundo, que deu o seu Filho unigênito". Não parece, então, que fomos reconciliados com Deus pela Paixão de Cristo, de modo que Ele começasse a nos amar de novo. Objeção 3: Além disso, a Paixão de Cristo foi consumada pelos homens que O mataram; e com isso ofenderam gravemente a Deus. Portanto, a Paixão de Cristo é antes causa de ira do que de reconciliação com Deus. Em contrário, o Apóstolo diz (Rm 5,10): "Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho". Respondo que a Paixão de Cristo é, de dois modos, causa da nossa reconciliação com Deus. Primeiramente, enquanto remove o pecado, pelo qual os homens se tornaram inimigos de Deus, segundo Sb 14,9: "São igualmente odiosos a Deus o ímpio e a sua impiedade"; e Sl 5,7: "Odeias todos os que praticam a iniquidade". De outro modo, enquanto é um sacrifício mui aceitável a Deus. Ora, é efeito próprio do sacrifício aplacar a Deus: assim como também o homem desconsidera uma ofensa cometida contra ele por causa de algum ato de homenagem que lhe seja agradável. Por isso está escrito (1 Sm 26,19): "Se o Senhor te incita contra mim, aceite Ele o sacrifício". E de igual modo, o sofrimento voluntário de Cristo foi um ato tão bom que, por ter sido encontrado na natureza humana, Deus foi aplacado por toda ofensa do gênero humano, no tocante àqueles que se unem a Cristo crucificado da maneira acima referida (A. 1, ad 4). Resposta à objeção 1: Deus ama todos os homens quanto à natureza, que Ele mesmo fez; mas os odeia quanto aos crimes que cometem contra Ele, segundo Eclo 12,3: "O Altíssimo odeia os pecadores". Resposta à objeção 2: Não se diz que Cristo nos reconciliou com Deus como se Deus começasse a nos amar de novo, pois está escrito (Jr 31,3): "Amei-te com amor eterno"; mas porque a causa do ódio foi removida pela Paixão de Cristo, tanto pelo lavação do pecado como pela compensação feita sob a forma de uma oferenda mais agradável. Resposta à objeção 3: Assim como os que mataram Cristo eram homens, também o Cristo morto era homem. Ora, a caridade de Cristo sofredor superou a malícia dos seus matadores. Por isso, a Paixão de Cristo prevaleceu mais para reconciliar Deus com todo o gênero humano do que para O provocar à ira.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether we were reconciled to God through Christ's Passion? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Porque diz o Apóstolo (1 Tm 4,8): «O exercício corporal para pouco é proveitoso». Ora, o uso dos sacramentos pertence ao exercício corporal; pois os sacramentos se aperfeiçoam na significação de coisas sensíveis e palavras, como acima se disse (Q. 60, a. 6). Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Objeção 2: Demais, foi dito ao Apóstolo (2 Cor 12,9): «Basta-te a minha graça». Ora, ela não bastaria se os sacramentos fossem necessários para a salvação. Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Objeção 3: Demais, dada uma causa suficiente, nada mais parece ser exigido para o efeito. Ora, a Paixão de Cristo é a causa suficiente da nossa salvação; pois diz o Apóstolo (Rm 5,10): «Se, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho; muito mais, reconciliados já, seremos salvos por sua vida». Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Em contrário, diz Agostinho (Contra Fausto, XIX): «É impossível conservar os homens unidos numa mesma denominação religiosa, seja verdadeira, seja falsa, a menos que sejam congregados por meio de sinais visíveis ou sacramentos». Ora, é necessário para a salvação que os homens estejam unidos no nome da única religião verdadeira. Logo, os sacramentos são necessários para a salvação do homem. Respondo que os sacramentos são necessários para a salvação do homem por três razões. A primeira é tirada da condição da natureza humana, que é tal que deve ser conduzida pelas coisas corpóreas e sensíveis às espirituais e inteligíveis. Ora, pertence à Divina Providência prover a cada um conforme sua condição requer. Por isso, a sabedoria divina convenientemente provê ao homem meios de salvação sob a forma de sinais corpóreos e sensíveis, que se chamam sacramentos. A segunda razão é tirada do estado do homem, que, pecando, sujeitou-se pelas suas afeições às coisas corpóreas. Ora, o remédio curativo deve ser dado ao homem de modo a atingir a parte afetada pela doença. Consequentemente, convinha que Deus provesse ao homem uma medicina espiritual por meio de certos sinais corpóreos; porque, se as coisas espirituais lhe fossem oferecidas sem véu, sua mente, ocupada com o mundo material, não poderia aplicarse a elas. A terceira razão é tirada do fato de que o homem é propenso a dirigir sua atividade principalmente para as coisas materiais. Para que, portanto, não fosse demasiado difícil ao homem ser inteiramente arrancado das ações corporais, foi-lhe oferecido nos sacramentos um exercício corporal, pelo qual pudesse ser treinado para evitar práticas supersticiosas, consistentes no culto dos demônios, e toda sorte de ação nociva, consistente em atos pecaminosos. Segue-se, portanto, que, mediante a instituição dos sacramentos, o homem, conforme sua natureza, é instruído através das coisas sensíveis; é humilhado, confessando que está sujeito às coisas corpóreas, visto que recebe auxílio por meio delas; e é até mesmo preservado de dano corporal, pelo salutar exercício dos sacramentos. Resposta à Objeção 1: O exercício corporal, como tal, não é muito proveitoso; mas o exercício tomado no uso dos sacramentos não é meramente corporal, mas, em certa medida, espiritual, isto é, na sua significação e na sua causalidade. Resposta à Objeção 2: A graça de Deus é causa suficiente da salvação do homem. Mas Deus dá a graça ao homem de um modo que lhe é conveniente. Por isso, o homem necessita dos sacramentos para obter a graça. Resposta à Objeção 3: A Paixão de Cristo é causa suficiente da salvação do homem. Mas não se segue que os sacramentos não sejam também necessários para esse fim, porque eles obtêm o seu efeito pelo poder da Paixão de Cristo; e a Paixão de Cristo é, por assim dizer, aplicada ao homem através dos sacramentos, segundo o Apóstolo (Rm 6,3): «Todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte».

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether sacraments are necessary for man's salvation? · séc. XIII

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Rm 5, 10 nos Padres da Igreja | Aurea