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Rm 5, 2

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Matos Soares

2pelo qual temos acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os artigos de fé são formulados inconvenientemente. Porque aquelas coisas que podem ser conhecidas por demonstração não pertencem à fé como objeto de crença para todos, como se disse acima (A. 5). Ora, pode ser conhecido por demonstração que há um só Deus; donde o Filósofo o prova (Metaf. XII, texto 52) e muitos outros filósofos demonstraram a mesma verdade. Logo, o "que há um só Deus" não devia ser estabelecido como artigo de fé. Objeção 2: Assim como é necessário para a fé que creiamos que Deus é onipotente, assim também o é que creiamos que Ele é "onissciente" e "providente sobre todas as coisas", acerca de ambas as quais alguns erraram. Portanto, entre os artigos de fé, deveria ter sido feita menção da sabedoria e providência de Deus, assim como da Sua onipotência. Objeção 3: Conhecer o Pai é o mesmo que conhecer o Filho, segundo Jo 14,9: "Quem me vê a mim, vê também ao Pai". Logo, deveria haver apenas um artigo sobre o Pai e o Filho, e, pela mesma razão, sobre o Espírito Santo. Objeção 4: A Pessoa do Pai não é menor que a Pessoa do Filho e do Espírito Santo. Ora, há vários artigos sobre a Pessoa do Espírito Santo, e igualmente sobre a Pessoa do Filho. Logo, deveria haver vários artigos sobre a Pessoa do Pai. Objeção 5: Assim como certas coisas são ditas por apropriação da Pessoa do Pai e da Pessoa do Espírito Santo, assim também algo é apropriado à Pessoa do Filho quanto à Sua Divindade. Ora, entre os artigos de fé, dá-se lugar a uma obra apropriada ao Pai, a saber, a criação, e igualmente uma obra apropriada ao Espírito Santo, a saber, que "falou pelos profetas". Logo, os artigos de fé deveriam conter alguma obra apropriada ao Filho quanto à Sua Divindade. Objeção 6: O sacramento da Eucaristia apresenta uma dificuldade especial, além dos outros artigos. Portanto, deveria ter sido mencionado num artigo especial; e, consequentemente, parece que não há número suficiente de artigos. Em contrário, está a autoridade da Igreja, que assim formula os artigos. Respondo: Como foi dito acima (AA. 4, 6), pertencem à fé, em si mesmas, aquelas coisas cuja visão gozaremos na vida eterna, e pelas quais somos conduzidos à vida eterna. Ora, duas coisas nos são propostas para serem vistas na vida eterna: a saber, o segredo da Divindade, cuja visão é possuir a felicidade; e o mistério da Encarnação de Cristo, "por quem temos acesso" à glória dos filhos de Deus, segundo Rm 5,2. Por isso está escrito (Jo 17,3): "A vida eterna é que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Donde a primeira distinção nas matérias de fé é que umas dizem respeito à majestade da Divindade, enquanto outras pertencem ao mistério da natureza humana de Cristo, que é o "mistério de piedade" (1 Tm 3,16). Ora, quanto à majestade da Divindade, três coisas nos são propostas para crer: primeiramente, a unidade da Divindade, à qual se refere o primeiro artigo; em segundo lugar, a trindade das Pessoas, à qual se referem três artigos, correspondentes às três Pessoas; em terceiro lugar, as obras próprias da Divindade, das quais a primeira se refere à ordem da natureza, em relação à qual nos é proposto o artigo acerca da criação; a segunda se refere à ordem da graça, em relação à qual todas as matérias relativas à santificação do homem são incluídas num só artigo; a terceira se refere à ordem da glória, e em relação a esta nos é proposto outro artigo acerca da ressurreição dos mortos e da vida eterna. Assim, há sete artigos referentes à Divindade. Do mesmo modo, quanto à natureza humana de Cristo, há sete artigos: o primeiro refere-se à encarnação ou concepção de Cristo; o segundo, ao Seu nascimento virginal; o terceiro, à Sua Paixão, morte e sepultura; o quarto, à Sua descida aos infernos; o quinto, à Sua ressurreição; o sexto, à Sua ascensão; o sétimo, à Sua vinda para o juízo, de modo que, ao todo, são catorze artigos. Alguns, porém, distinguem doze artigos, seis pertencentes à Divindade e seis à humanidade. Pois incluem num só artigo os três acerca das três Pessoas, porque temos um só conhecimento das três Pessoas; e dividem o artigo referente à obra de glorificação em dois, a saber, a ressurreição do corpo e a glória da alma. Do mesmo modo, unem a concepção e o nascimento num só artigo. Resposta à Objeção 1: Pela fé, sustentamos muitas verdades acerca de Deus que os filósofos não puderam descobrir pela razão natural, por exemplo, Sua providência e onipotência, e que só Ele deve ser adorado, tudo o que está contido no único artigo da unidade de Deus. Resposta à Objeção 2: O próprio nome de Divindade implica uma espécie de vigilância sobre as coisas, como se disse na Primeira Parte, Q. 13, A. 8. Ora, nos seres dotados de intelecto, o poder não opera senão pela vontade e pelo conhecimento. Portanto, a onipotência de Deus inclui, de certo modo, o conhecimento universal e a providência. Pois Ele não poderia fazer tudo o que quer nas coisas inferiores, se não as conhecesse e exercesse sobre elas a Sua providência. Resposta à Objeção 3: Temos um só conhecimento do Pai, do Filho e do Espírito Santo quanto à unidade da Essência, à qual se refere o primeiro artigo; mas, quanto à distinção das Pessoas, que se dá pelas relações de origem, o conhecimento do Pai inclui, de certo modo, o conhecimento do Filho, pois não seria Pai se não tivesse Filho; sendo o vínculo entre eles o Espírito Santo. Deste ponto de vista, houve motivo suficiente para aqueles que referiram um só artigo às três Pessoas. Contudo, visto que, em relação a cada Pessoa, certos pontos devem ser observados, acerca dos quais alguns podem cair em erro, considerando as coisas deste modo, podemos distinguir três artigos acerca das três Pessoas. Pois Ário cria na onipotência e eternidade do Pai, mas não cria que o Filho fosse coigual e consubstancial ao Pai; daí a necessidade de um artigo sobre a Pessoa do Filho para estabelecer este ponto. Do mesmo modo, foi necessário estabelecer um terceiro artigo sobre a Pessoa do Espírito Santo, contra Macedônio. Da mesma forma, a concepção e o nascimento de Cristo, assim como a ressurreição e a vida eterna, podem, de um ponto de vista, ser unidos num só artigo, na medida em que se ordenam a um mesmo fim; enquanto, de outro ponto de vista, podem ser artigos distintos, na medida em que cada um separadamente apresenta uma dificuldade especial. Resposta à Objeção 4: Pertence ao Filho e ao Espírito Santo serem enviados para santificar a criatura; e acerca disso há muitas coisas que devem ser cridas. Por isso há mais artigos sobre as Pessoas do Filho e do Espírito Santo do que sobre a Pessoa do Pai, que nunca é enviado, como dissemos na Primeira Parte, Q. 43, A. 4. Resposta à Objeção 5: A santificação da criatura pela graça e sua consumação pela glória é também efetuada pelo dom da caridade, que é apropriado ao Espírito Santo, e pelo dom da sabedoria, que é apropriado ao Filho; de modo que cada obra pertence por apropriação, mas sob aspectos diferentes, tanto ao Filho como ao Espírito Santo. Resposta à Objeção 6: Duas coisas podem ser consideradas no sacramento da Eucaristia. Uma é o fato de ser um sacramento, e, a este respeito, é semelhante aos outros efeitos da graça santificante. A outra é que o corpo de Cristo está nele contido miraculosamente; e, assim, está incluído sob a onipotência de Deus, como todos os outros milagres que são atribuídos ao poder onipotente de Deus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether the articles of faith are suitably formulated? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não é próprio de Cristo ser Cabeça da Igreja. Pois está escrito (1 Reis 15,17): "Quando eras pequeno aos teus olhos, não foste feito cabeça das tribos de Israel?" Ora, há uma só Igreja no Novo e no Velho Testamento. Logo, parece que igualmente qualquer outro homem que não Cristo poderia ser cabeça da Igreja. **Objeção 2:** Além disso, Cristo é chamado Cabeça da Igreja por conferir graça aos membros da Igreja. Mas também a outros pertence conceder graça a outros, conforme Efésios 4,29: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra má, mas sim a que for boa para a edificação da fé, a fim de que ministre graça aos que a ouvem." Logo, parece que também a outros que não Cristo pertence ser cabeça da Igreja. **Objeção 3:** Além disso, Cristo, por governar a Igreja, não é chamado apenas "Cabeça", mas também "Pastor" e "Fundamento". Ora, Cristo não reteve para Si só o nome de Pastor, segundo 1 Pedro 5,4: "E quando aparecer o Príncipe dos pastores, recebereis a coroa incorruptível da glória"; nem o nome de Fundamento, segundo Apocalipse 21,14: "E o muro da cidade tinha doze fundamentos." Logo, parece que também não reteve para Si só o nome de Cabeça. **Em contrário,** está escrito (Colossenses 2,19): "A cabeça" da Igreja é aquela "da qual todo o corpo, por juntas e ligaduras, recebendo nutrição e compactado, cresce para o aumento de Deus." Ora, isto pertence somente a Cristo. Logo, só Cristo é Cabeça da Igreja. **Respondo que:** A cabeça influi nos outros membros de dois modos. Primeiro, por uma certa influência intrínseca, enquanto a força motora e sensitiva flui da cabeça para os outros membros; segundo, por uma certa direção exterior, enquanto pela vista e pelos sentidos, que têm raiz na cabeça, o homem é guiado nos seus atos exteriores. Ora, o influxo interior da graça não é de ninguém senão de Cristo, cuja humanidade, pela sua união com a Divindade, tem o poder de justificar; mas a influência sobre os membros da Igreja, quanto à sua direção exterior, pode pertencer a outros; e deste modo outros podem ser chamados cabeças da Igreja, conforme Amós 6,1: "Vós, homens grandes, cabeças do povo"; diferentemente, porém, de Cristo. Primeiro, enquanto Cristo é Cabeça de todos os que pertencem à Igreja em todo lugar, tempo e estado; mas todos os outros homens são chamados cabeças com referência a certos lugares especiais, como os bispos de suas Igrejas. Ou com referência a um tempo determinado, como o Papa é a cabeça de toda a Igreja, isto é, durante o tempo do seu Pontificado, e com referência a um estado determinado, enquanto estão no estado de viandantes. Segundo, porque Cristo é Cabeça da Igreja por Seu próprio poder e autoridade; enquanto os outros são chamados cabeças, como que tomando o lugar de Cristo, segundo 2 Coríntios 2,10: "Porque o que perdoei, se é que perdoei alguma coisa, por amor de vós o fiz na pessoa de Cristo", e 2 Coríntios 5,20: "Portanto, somos embaixadores por Cristo, como se Deus exortasse por nós." **Resposta à objeção 1:** O termo "cabeça" é empregado naquela passagem com respeito ao governo exterior; assim como um rei é dito ser a cabeça do seu reino. **Resposta à objeção 2:** O homem não distribui a graça por influxo interior, mas persuadindo exteriormente para os efeitos da graça. **Resposta à objeção 3:** Como diz Agostinho (Tratado xlvi sobre João): "Se os governantes da Igreja são Pastores, como há um só Pastor, senão porque todos estes são membros de um só Pastor?" Assim também outros podem ser chamados fundamentos e cabeças, enquanto são membros da única Cabeça e Fundamento. Contudo, como diz Agostinho (Tratado xlvii): "Ele deu a Seus membros que fossem pastores; contudo nenhum de nós se chama a Porta. Ele guardou isto para Si só." E isto porque pela porta se implica a autoridade principal, enquanto é pela porta que todos entram na casa; e é Cristo somente por "Quem também temos acesso . . . a esta graça, na qual estamos firmes" (Romanos 5,2); mas pelos outros nomes acima mencionados pode-se implicar não apenas a autoridade principal, mas também a secundária.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether it is proper to Christ to be Head of the Church? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a pobreza de espírito não é a bem-aventurança correspondente ao dom do temor. Pois o temor é o princípio da vida espiritual, como foi explicado acima (A[7]); ao passo que a pobreza pertence à perfeição da vida espiritual, segundo Mt 19,21: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá-o aos pobres.” Logo, a pobreza de espírito não corresponde ao dom do temor. **Objeção 2:** Além disso, está escrito (Sl 118,120): “Crava na minha carne o teu temor,” donde parece seguir-se que pertence ao temor refrear a carne. Ora, o refreamento da carne parece pertencer antes à bem-aventurança dos que choram. Logo, a bem-aventurança dos que choram corresponde ao dom do temor, mais do que a bem-aventurança da pobreza. **Objeção 3:** Além disso, o dom do temor corresponde à virtude da esperança, como foi dito acima (A[9], ad 1). Ora, a última bem-aventurança, que é: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus,” parece corresponder acima de tudo à esperança, porque, segundo Rm 5,2, “nos gloriamos na esperança da glória dos filhos de Deus.” Logo, essa bem-aventurança corresponde ao dom do temor, mais do que a pobreza de espírito. **Objeção 4:** Além disso, foi dito acima (FS, Q[70], A[2]) que os frutos correspondem às bem-aventuranças. Ora, nenhum dos frutos corresponde ao dom do temor. Logo, também nenhuma das bem-aventuranças lhe corresponde. **Ao contrário,** Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i, 4): “O temor do Senhor é próprio dos humildes, dos quais se diz: Bem-aventurados os pobres de espírito.” **Respondo** que a pobreza de espírito corresponde propriamente ao temor. Porque, como é próprio do temor filial mostrar reverência e submissão a Deus, tudo o que resulta dessa submissão pertence ao dom do temor. Ora, do próprio fato de um homem se submeter a Deus, segue-se que ele deixa de buscar a grandeza, quer em si mesmo quer em outrem, mas a busca somente em Deus. Pois isso seria incompatível com a perfeita sujeição a Deus, por isso está escrito (Sl 19,8): “Uns confiam nos carros, e outros nos cavalos; mas nós invocaremos o nome do Senhor nosso Deus.” Segue-se que, se um homem temer perfeitamente a Deus, não busca, por orgulho, a grandeza nem em si mesmo nem nos bens exteriores, a saber, honras e riquezas. Em ambos os casos, isto procede da pobreza de espírito, enquanto esta denota ou o esvaziamento de um espírito inchado e orgulhoso, segundo a interpretação de Agostinho (De Serm. Dom. in Monte i, 4), ou a renúncia dos bens mundanos que se faz em espírito, isto é, pela própria vontade, por instigação do Espírito Santo, segundo a exposição de Ambrósio sobre Lc 6,20 e de Jerônimo sobre Mt 5,3. **Resposta à Objeção 1:** Visto que uma bem-aventurança é um ato de virtude perfeita, todas as bem-aventuranças pertencem à perfeição da vida espiritual. E esta perfeição parece exigir que todo aquele que se esforça por obter uma parte perfeita dos bens espirituais, precisa começar por desprezar os bens terrenos, por isso o temor ocupa o primeiro lugar entre os dons. A perfeição, porém, não consiste na própria renúncia dos bens temporais; pois este é o caminho para a perfeição: ao passo que o temor filial, ao qual corresponde a bem-aventurança da pobreza, é compatível com a perfeição da sabedoria, como foi dito acima (AA[7],10). **Resposta à Objeção 2:** A indevida exaltação do homem, quer em si mesmo quer em outrem, opõe-se mais diretamente àquela submissão a Deus que resulta do temor filial do que o prazer exterior. Contudo, isto é, por consequência, oposto ao temor, pois quem teme a Deus e a Ele se submete, não se deleita em coisas outras que não Deus. No entanto, o prazer não está relacionado, como a exaltação, com o caráter árduo de uma coisa que o temor considera: e assim a bem-aventurança da pobreza corresponde diretamente ao temor, e a bem-aventurança dos que choram, consequentemente. **Resposta à Objeção 3:** A esperança denota um movimento por via de relação de tendência para um termo, ao passo que o temor implica movimento por via de relação de afastamento de um termo: pelo que a última bem-aventurança, que é o termo da perfeição espiritual, corresponde convenientemente à esperança, por via de objeto último; enquanto a primeira bem-aventurança, que implica afastamento das coisas exteriores que impedem a submissão a Deus, corresponde convenientemente ao temor. **Resposta à Objeção 4:** Quanto aos frutos, parece que aquelas coisas correspondem ao dom do temor que pertencem ao uso moderado das coisas temporais ou à abstinência delas; tais são a modéstia, a continência e a castidade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 12 - Whether poverty of spirit is the beatitude corresponding to the gift of fear? · séc. XIII

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Rm 5, 2 nos Padres da Igreja | Aurea