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Rm 5, 8

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Matos Soares

8Mas Deus manifesta a sua caridade para connosco, porque, quando ainda éramos pecadores, então morreu Cristo por nós.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o Filho de Deus devia ter assumido a natureza humana em todos os indivíduos. Pois o que é assumido primeiro e por si mesmo é a natureza humana. Mas o que pertence essencialmente a uma natureza pertence a todos os que existem na natureza. Logo, era conveniente que a natureza humana fosse assumida pelo Verbo de Deus em todas as suas hipóstases. Objeção 2: Além disso, a Divina Encarnação procedeu do Amor Divino; donde está escrito (João 3,16): «Deus amou de tal modo o mundo, que deu o seu Filho unigênito». Mas o amor faz que nos entreguemos a nossos amigos o quanto podemos, e era possível ao Filho de Deus assumir várias naturezas humanas, como se disse acima (Q[3], A[7]), e com igual razão todas. Logo, era conveniente que o Filho de Deus assumisse a natureza humana em todas as suas hipóstases. Objeção 3: Além disso, um artífice hábil completa sua obra da maneira mais breve possível. Mas teria sido um caminho mais curto se todos os homens tivessem sido assumidos para a filiação natural do que um Filho natural levar muitos à adoção de filhos, como está escrito em Gálatas 4,5 (cf. Hebreus 2,10). Logo, a natureza humana devia ter sido assumida por Deus em todas as suas hipóstases. Ao contrário, Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 11) que o Filho de Deus «não assumiu a natureza humana como espécie, nem assumiu todas as suas hipóstases». Respondo que não era conveniente que a natureza humana fosse assumida pelo Verbo em todas as suas hipóstases. Primeiro, porque a multidão de hipóstases da natureza humana, que lhes são naturais, teria sido suprimida. Pois, como não se deve ver outra hipóstase na natureza assumida senão a Pessoa que assume, como foi dito acima (A[3]), se não houvesse natureza humana senão a que foi assumida, seguir-se-ia que haveria apenas uma hipóstase da natureza humana, que é a Pessoa que assume. Segundo, porque isto teria sido depreciativo da dignidade do Filho de Deus encarnado, enquanto Ele é o Primogênito de muitos irmãos, segundo a natureza humana, assim como É o Primogênito de toda a criatura segundo a divina, pois então todos os homens seriam de igual dignidade. Terceiro, porque é conveniente que, assim como uma única hipóstase divina é encarnada, assim Ele assuma uma única natureza humana, para que de ambos os lados se encontre unidade. Resposta à Objeção 1: Ser assumido pertence à natureza humana por si mesma, porque não lhe pertence por razão de uma pessoa, assim como pertence à Natureza Divina assumir por razão da Pessoa; não, porém, que lhe pertença por si mesma como se pertencesse a seus princípios essenciais, ou como sua propriedade natural, de modo que pertenceria a todas as suas hipóstases. Resposta à Objeção 2: O amor de Deus para com os homens se manifesta não apenas na assunção da natureza humana, mas especialmente no que Ele sofreu na natureza humana por outros homens, segundo Romanos 5,8: «Deus, porém, recomenda a sua caridade para conosco, porque, sendo nós ainda pecadores..., Cristo morreu por nós», o que não teria ocorrido se tivesse assumido a natureza humana em todas as suas hipóstases. Resposta à Objeção 3: Para abreviar o caminho, o que todo artífice hábil faz, o que pode ser feito por um não deve ser feito por muitos. Logo, era muito conveniente que por um homem todos os demais fossem salvos.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the Son of God ought to have assumed human nature in all individuals? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que houve algum outro modo mais conveniente de libertar o gênero humano, além da Paixão de Cristo. Pois a natureza, na sua operação, imita a obra divina, já que é movida e regulada por Deus. Ora, a natureza nunca emprega dois agentes onde um basta. Portanto, visto que Deus poderia ter libertado a humanidade unicamente por Sua divina vontade, não parece conveniente que a Paixão de Cristo tenha sido acrescentada para a libertação do gênero humano. **Objeção 2:** Ademais, as ações naturais são mais convenientemente realizadas do que as ações violentas, porque a violência é "uma separação ou desvio do que é segundo a natureza", como se diz no livro *Do Céu*, II. Ora, a Paixão de Cristo acarretou a Sua morte por violência. Logo, teria sido mais apropriado que Cristo morresse de morte natural, em vez de padecer pela libertação do homem. **Objeção 3:** Ademais, parece sumamente conveniente que aquilo que alguém possui injusta e violentamente lhe seja tirado por um poder superior; por isso Isaías diz (52,3): "Fostes vendidos por nada, e sereis resgatados sem dinheiro." Ora, o diabo não possuía direito algum sobre o homem, a quem enganara com astúcia e mantinha sujeito em servidão por uma espécie de violência. Portanto, parece sumamente conveniente que Cristo houvesse despojado o diabo unicamente pelo Seu poder e sem a Paixão. **Em contrário,** diz Santo Agostinho (*Da Trindade*, liv. XIII): "Não houve outro modo mais conveniente de curar a nossa miséria" do que pela Paixão de Cristo. **Respondo que:** Dentre os meios para um fim, aquele é o mais conveniente no qual os vários meios que concorrem são eles mesmos úteis para tal fim. Ora, no fato de o homem ter sido libertado pela Paixão de Cristo, muitas outras coisas, além da libertação do pecado, concorreram para a salvação do homem. Em primeiro lugar, por ela o homem conhece quanto Deus o ama, e é por isso estimulado a amá-Lo em retorno, e nisto reside a perfeição da salvação humana; por isso o Apóstolo diz (Rm 5,8): "Deus recomenda a Sua caridade para conosco, pois, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós." Em segundo lugar, porque por ela nos deu exemplo de obediência, humildade, constância, justiça e das demais virtudes manifestadas na Paixão, que são necessárias para a salvação do homem. Por isso está escrito (1 Pd 2,21): "Cristo também padeceu por nós, deixando-vos o exemplo, para que sigais as Suas pegadas." Em terceiro lugar, porque Cristo, pela Sua Paixão, não só libertou o homem do pecado, mas também lhe mereceu a graça justificante e a glória da bem-aventurança, como se mostrará adiante (q. 48, a. 1; q. 49, a. 1 e 5). Em quarto lugar, porque por isto o homem fica tanto mais obrigado a abster-se do pecado, segundo 1 Cor 6,20: "Fostes comprados por grande preço; glorificai e trazei a Deus no vosso corpo." Em quinto lugar, porque redundou em maior dignidade para o homem, que, assim como o homem foi vencido e enganado pelo diabo, também fosse um homem quem derrubasse o diabo; e, assim como o homem mereceu a morte, também um homem, morrendo, vencesse a morte. Por isso está escrito (1 Cor 15,57): "Graças a Deus, que nos deu a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo." Foi, portanto, mais conveniente que fôssemos libertados pela Paixão de Cristo do que simplesmente pela boa vontade de Deus. **Resposta à objeção 1:** Até a natureza usa vários meios para um mesmo intento, a fim de fazer algo mais convenientemente; como dois olhos para ver; e o mesmo se observa em outras coisas. **Resposta à objeção 2:** Como diz Crisóstomo [*Atanásio, *Discurso sobre a Encarnação do Verbo*]: "Cristo viera para destruir a morte, não a Sua própria (pois, sendo Ele a própria vida, a morte não podia ser Sua), mas a morte dos homens. Por isso, não foi por estar obrigado a morrer que Ele depôs o Seu corpo, mas porque a morte que suportou Lhe foi infligida pelos homens. Ora, ainda que o Seu corpo houvera adoecido e se dissolvido à vista de todos os homens, não era conveniente que Aquele que curava as enfermidades alheias tivesse o Seu próprio corpo afligido pelas mesmas. E ainda que Ele tivesse deposto o Seu corpo sem nenhuma enfermidade e depois aparecesse, os homens não Lhe teriam crido quando falava da Sua ressurreição. Pois como apareceria a vitória de Cristo sobre a morte, se Ele não a sofresse diante de todos os homens, e assim provasse que a morte era vencida pela incorrupção do Seu corpo?" **Resposta à objeção 3:** Embora o diabo tenha investido injustamente contra o homem, contudo, por causa do pecado, o homem foi justamente deixado por Deus sob o jugo do diabo. E, portanto, foi conveniente que, por meio da justiça, o homem fosse libertado do jugo do diabo, fazendo Cristo satisfação por ele na Paixão. Este foi também um meio conveniente para derrubar a soberba do diabo, "que é desertor da justiça e ambicioso de domínio", pois Cristo "o venceu e libertou o homem, não apenas pelo poder da Sua Divindade, mas igualmente pela justiça e humildade da Paixão", como diz Agostinho (*Da Trindade*, liv. XIII).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether there was any more suitable way of delivering the human race than by Christ's Passion? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não fomos libertados do pecado pela Paixão de Cristo. Porque libertar do pecado pertence só a Deus, segundo Isaías 43:25: «Eu sou aquele que apago as tuas iniqüidades por amor de mim.» Ora, Cristo não padeceu como Deus, mas como homem. Logo, a Paixão de Cristo não nos livrou do pecado. Objeção 2: Além disso, o que é corpóreo não age sobre o que é espiritual. Ora, a Paixão de Cristo é corpórea, ao passo que o pecado reside na alma, que é criatura espiritual. Portanto, a Paixão de Cristo não nos podia limpar do pecado. Objeção 3: Além disso, ninguém pode ser purgado de um pecado ainda não cometido, mas que será cometido depois. Visto que, desde a morte de Cristo, muitos pecados foram cometidos e se cometem cada dia, parece que não fomos libertados do pecado pela morte de Cristo. Objeção 4: Além disso, dada uma causa eficiente, nada mais se requer para produzir o efeito. Ora, outras coisas além se requerem para a remissão dos pecados, como o batismo e a penitência. Consequentemente, parece que a Paixão de Cristo não é a causa suficiente da remissão dos pecados. Objeção 5: Além disso, está escrito (Pr 10,12): «A caridade cobre todos os pecados»; e (Pr 15,27): «Pela misericórdia e pela fé se purgam os pecados.» Ora, há muitas outras coisas que cremos e que excitam a caridade. Portanto, a Paixão de Cristo não é a causa própria da remissão dos pecados. Em contrário, está escrito (Ap 1,5): «Amou-nos, e lavou-nos dos nossos pecados com o seu sangue.» Respondo que a Paixão de Cristo é a causa própria da remissão dos pecados de três modos. Primeiro, a modo de excitar a nossa caridade, porque, como diz o Apóstolo (Rm 5,8): «Deus recomenda a sua caridade para conosco, porque, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós, ao tempo.» Ora, é pela caridade que alcançamos a remissão dos pecados, segundo Lc 7,47: «Perdoados lhe são muitos pecados, porque muito amou.» Segundo, a Paixão de Cristo causa a remissão dos pecados a modo de redenção. Pois, sendo Ele nossa cabeça, pela Paixão que sofreu por amor e obediência, livrou-nos como seus membros dos nossos pecados, como pelo preço da sua Paixão; da mesma maneira que se um homem pela boa indústria de suas mãos se resgatasse de um pecado cometido com seus pés. Porque, assim como o corpo natural é um embora composto de diversos membros, assim toda a Igreja, corpo místico de Cristo, é tida como uma só pessoa com sua cabeça, que é Cristo. Terceiro, a modo de eficiência, enquanto a carne de Cristo, na qual sofreu a Paixão, é o instrumento da Divindade, de modo que seus sofrimentos e ações operam com poder divino para expelir o pecado. Resposta à primeira objeção. Embora Cristo não tenha padecido como Deus, contudo a sua carne é o instrumento da Divindade; e por isso a sua Paixão tem uma certa potência divina de expelir o pecado, como foi dito acima. Resposta à segunda objeção. Embora a Paixão de Cristo seja corpórea, deriva contudo uma certa energia espiritual da Divindade, à qual a carne está unida como instrumento; e segundo esta potência a Paixão de Cristo é causa da remissão dos pecados. Resposta à terceira objeção. Cristo, por sua Paixão, livrou-nos dos pecados causalmente — isto é, estabelecendo a causa da nossa libertação, da qual todos os pecados, passados, presentes ou futuros, podiam ser perdoados; assim como se um médico preparasse um remédio pelo qual todas as doenças pudessem ser curadas, mesmo futuras. Resposta à quarta objeção. Como foi dito acima, visto que a Paixão de Cristo precedeu como uma causa universal da remissão dos pecados, precisa ser aplicada a cada indivíduo para a purificação dos pecados pessoais. Ora, isso se faz pelo batismo, pela penitência e pelos outros sacramentos, que derivam a sua potência da Paixão de Cristo, como se mostrará adiante (Q[62], A[5]). Resposta à quinta objeção. A Paixão de Cristo nos é aplicada também pela fé, para que participemos dos seus frutos, segundo Rm 3,25: «A quem Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue.» Mas a fé pela qual somos limpos do pecado não é a «fé morta», que pode existir até com o pecado, mas a «fé viva» pela caridade; para que assim a Paixão de Cristo nos seja aplicada não só ao entendimento, mas também ao coração. E deste modo também os pecados são perdoados pelo poder da Paixão de Cristo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether we were delivered from sin through Christ's Passion? · séc. XIII

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Rm 5, 8 nos Padres da Igreja | Aurea