Referência

Rm 6, 13

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Matos Soares

13Não entregueis ao pecado os vossos membros, quais armas de iniquidade, mas oferecei-vos a Deus, como vivos, depois de ter estado mortos (pelo pecado), e os vossos membros a Deus, como armas de justiça.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não é a Cabeça dos homens quanto aos seus corpos. Porque Cristo é dito Cabeça da Igreja enquanto comunica à Igreja o sentido espiritual e o movimento da graça. Ora, o corpo não é capaz desse sentido e movimento espiritual. Logo, Cristo não é a Cabeça dos homens quanto aos seus corpos. Objeção 2: Demais. — Nós temos corpos comuns com os brutos. Se, portanto, Cristo fosse a Cabeça dos homens quanto aos corpos, seguir-se-ia que Ele era a Cabeça dos animais brutos; o que não é conveniente. Objeção 3: Demais. — Cristo tomou o seu corpo de outros homens, como é claro por Mateus 1 e Lucas 3. Ora, a cabeça é o primeiro dos membros, como acima se disse (A. 1, ad 3). Logo, Cristo não é a Cabeça da Igreja quanto aos corpos. Mas, em contrário, está escrito (Filip. 3,21): “Que transformará o corpo da nossa humildade, configurado ao corpo da sua glória.” Respondo que: O corpo humano tem uma relação natural com a alma racional, que é a sua forma própria e o seu motor. Enquanto a alma é sua forma, recebe dela a vida e as outras propriedades que pertencem especificamente ao homem; mas, enquanto a alma é seu motor, o corpo serve instrumentalmente à alma. Por isso devemos sustentar que a humanidade de Cristo teve o poder de “influxo”, enquanto está unida ao Verbo de Deus, ao qual o seu corpo está unido mediante a alma, como acima se disse (Q. 6, A. 1). Por conseguinte, toda a humanidade de Cristo, i.e., segundo a alma e o corpo, influi sobre todos, tanto na alma como no corpo; mas principalmente na alma, e secundariamente no corpo: Primeiro, enquanto os “membros do corpo são apresentados como instrumentos de justiça” na alma que vive por Cristo, como diz o Apóstolo (Rom. 6,13); segundo, enquanto a vida da glória flui da alma para o corpo, segundo Rom. 8,11: “O que ressuscitou a Jesus dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” Resposta à Objeção 1: O sentido espiritual da graça não atinge o corpo primeiro e principalmente, mas secundária e instrumentalmente, como acima se disse. Resposta à Objeção 2: O corpo de um animal não tem relação com uma alma racional, como o corpo humano. Por isso não há paridade. Resposta à Objeção 3: Embora Cristo haja tirado a matéria do seu corpo de outros homens, contudo todos tiram dEle a vida imortal do seu corpo, segundo 1 Cor. 15,22: “E, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ is the Head of men as to their bodies or only as to their souls? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o homem não deve amar o seu corpo por caridade. Pois não amamos aquele com quem não queremos associar-nos. Ora, os que têm caridade fogem da sociedade do corpo, conforme Rom. 7,24: “Quem me livrará do corpo desta morte?” e Fil. 1,23: “Tendo desejo de ser desatado e de estar com Cristo.” Logo, nossos corpos não devem ser amados por caridade. **Objeção 2:** Ademais, a amizade da caridade se funda na comunhão da fruição de Deus. Ora, o corpo não pode ter parte nessa fruição. Logo, o corpo não deve ser amado por caridade. **Objeção 3:** Ademais, sendo a caridade uma espécie de amizade, dirige-se àqueles que são capazes de retribuir o amor. Ora, nosso corpo não pode amar-nos por caridade. Portanto, não deve ser amado por caridade. **Ao contrário,** Agostinho diz (Doutr. Crist. I, 23,26) que há quatro coisas que devemos amar por caridade, e entre elas enumera o nosso próprio corpo. **Respondo:** Nosso corpo pode ser considerado de dois modos: primeiro, quanto à sua natureza; segundo, quanto à corrupção do pecado e sua pena. Ora, a natureza do nosso corpo foi criada, não por um princípio mau, como fingem os maniqueus, mas por Deus. Portanto, podemos usá-lo para o serviço de Deus, conforme Rom. 6,13: “Apresentai vossos membros como instrumentos de justiça a Deus.” Consequentemente, pelo amor da caridade com que amamos a Deus, devemos amar também nossos corpos; mas não devemos amar os maus efeitos do pecado e a corrupção da pena; antes, pelo desejo da caridade, devemos ansiar pela remoção de tais coisas. **Resposta à objeção 1:** O Apóstolo não fugia da sociedade do seu corpo quanto à natureza do corpo; com efeito, sob esse aspecto, ele relutava em ser privado dela, conforme 2 Cor. 5,4: “Não queremos ser despojados, mas revestidos.” Ele desejava, porém, escapar da mancha da concupiscência, que permanece no corpo, e da corrupção do corpo que oprime a alma, impedindo-a de ver a Deus. Por isso diz expressamente: “Do corpo desta morte.” **Resposta à objeção 2:** Embora nossos corpos não possam fruir de Deus conhecendo-O e amando-O, todavia, pelas obras que fazemos por meio do corpo, podemos alcançar o perfeito conhecimento de Deus. Por isso, da fruição na alma transborda uma certa felicidade para o corpo, a saber, “a saúde e a incorrupção”, como diz Agostinho (Ep. ad Dióscoro, CXVIII). Portanto, visto que o corpo tem, de certo modo, uma participação na felicidade, pode ser amado com o amor da caridade. **Resposta à objeção 3:** O amor mútuo encontra-se na amizade que se tem por outrem, mas não naquela que um homem tem por si mesmo, seja quanto à sua alma, seja quanto ao seu corpo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether a man ought to love his body out of charity? · séc. XIII

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