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Rm 6, 22

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Matos Soares

22Mas agora, que estais livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por vosso fruto a santificação, e por fim a vida eterna.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Agostinho

A vida eterna é o nosso sumo bem, e o fim da cidade de Deus, de que o Apóstolo diz: «E o fim a vida eterna.» [Rom 6,22] Mas, porque a vida eterna poderia ser entendida, por aqueles que não são versados na Sagrada Escritura, como significando também a vida dos ímpios, seja pela imortalidade das suas almas, seja pelos tormentos sem fim dos ímpios; por isso devemos chamar ao fim desta Cidade, no qual o sumo bem será alcançado, ou paz na vida eterna, ou vida eterna na paz, para que seja inteligível a todos.

City of God, book xix · City of God, book xix, ch. 11 · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que a felicidade não é uma operação. Pois diz o Apóstolo (Rm 6,22): “Tendes o vosso fruto para a santificação, e o fim, a vida eterna.” Ora, a vida não é uma operação, mas o próprio ser dos viventes. Logo, o fim último, que é a felicidade, não é uma operação. Objeção 2: Além disso, Boécio diz (De Consol. iii) que a felicidade é “um estado perfeito pela agregação de todos os bens.” Ora, estado não indica operação. Logo, a felicidade não é uma operação. Objeção 3: Além disso, felicidade significa algo existente no feliz, pois é a perfeição final do homem. Ora, o significado de operação não implica algo existente no operante, mas algo que dele procede. Logo, a felicidade não é uma operação. Objeção 4: Além disso, a felicidade permanece no feliz. Ora, a operação não permanece, mas passa. Logo, a felicidade não é uma operação. Objeção 5: Além disso, a um homem há uma só felicidade. Ora, as operações são muitas. Logo, a felicidade não é uma operação. Objeção 6: Além disso, a felicidade está no feliz ininterruptamente. Ora, a operação humana é frequentemente interrompida, por exemplo, pelo sono, por alguma outra ocupação, ou pela cessação. Logo, a felicidade não é uma operação. Em contrário, diz o Filósofo (Ethic. i, 13) que “a felicidade é uma operação segundo a virtude perfeita.” Respondo que, na medida em que a felicidade do homem é algo criado, existente nele, devemos necessariamente dizer que é uma operação. Pois a felicidade é a perfeição suprema do homem. Ora, cada coisa é perfeita na medida em que está em ato, pois a potência sem ato é imperfeita. Consequentemente, a felicidade deve consistir no último ato do homem. Mas é evidente que a operação é o último ato do operante, por isso o Filósofo a chama de “segundo ato” (De Anima ii, 1): porque aquilo que tem uma forma pode operar em potência, assim como quem sabe está em potência para considerar. E daí vem que também nas outras coisas cada uma é dita ser “para a sua operação” (De Coel ii, 3). Portanto, a felicidade do homem deve necessariamente consistir em uma operação. Resposta à objeção 1: A vida é tomada em dois sentidos. Primeiro, pelo próprio ser do vivente. E assim a felicidade não é vida, pois já se mostrou (Q[2], A[5]) que o ser do homem, seja ele qual for, não é a felicidade do homem; porque só de Deus é verdade que o seu Ser é a sua Felicidade. Segundo, vida significa a operação do vivente, pela qual o princípio da vida é levado ao ato; assim falamos de vida ativa e contemplativa, ou de vida de prazer. E nesse sentido diz-se que a vida eterna é o fim último, como é claro por Jo 17,3: “E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro.” Resposta à objeção 2: Boécio, ao definir a felicidade, considerou a felicidade em geral; pois considerada assim, ela é o bem comum perfeito; e significou isso ao dizer que a felicidade é “um estado perfeito pela agregação de todos os bens”, indicando assim que o estado do homem feliz consiste em possuir o bem perfeito. Mas Aristóteles expressou a própria essência da felicidade, mostrando por que meio o homem é estabelecido nesse estado, e que é por algum tipo de operação. E por isso prova que a felicidade é “o bem perfeito” (Ethic. i, 7). Resposta à objeção 3: Como se diz (Metaph. ix, 7), a ação é dupla. Uma procede do agente para a matéria exterior, como “queimar” e “cortar”. E tal operação não pode ser felicidade, pois essa operação é uma ação e uma perfeição, não do agente, mas antes do paciente, como se afirma no mesmo passo. A outra é uma ação que permanece no agente, como sentir, entender e querer; e tal ação é uma perfeição e um ato do agente. E tal operação pode ser felicidade. Resposta à objeção 4: Visto que a felicidade significa alguma perfeição final, conforme as várias coisas capazes de felicidade podem atingir vários graus de perfeição, assim devem aplicar-se vários significados à felicidade. Pois em Deus há felicidade essencialmente, já que o seu próprio Ser é a sua operação, mediante a qual Ele não goza senão de Si mesmo. Nos anjos felizes, a perfeição final está em relação a alguma operação pela qual se unem ao Bem Incriado; e essa operação deles é una e sempiterna. Mas nos homens, segundo o estado presente da vida, a perfeição final está em relação a uma operação pela qual o homem se une a Deus; mas essa operação não pode ser contínua, nem, consequentemente, é una, pois a operação multiplica-se pela interrupção. E por essa razão, no estado presente da vida, o homem não pode alcançar a felicidade perfeita. Por isso o Filósofo, ao situar a felicidade do homem nesta vida (Ethic. i, 10), diz que ela é imperfeita e, após longa discussão, conclui: “Chamamos os homens felizes, mas apenas como homens.” Porém Deus nos prometeu a felicidade perfeita, quando seremos “como os anjos no céu” (Mt 22,30). Consequentemente, no que respeita a essa felicidade perfeita, a objeção não procede, porque nesse estado de felicidade a mente do homem estará unida a Deus por uma operação una, contínua e sempiterna. Mas na vida presente, na medida em que nos afastamos da unidade e continuidade dessa operação, nessa mesma medida nos afastamos da felicidade perfeita. Não obstante, é uma participação da felicidade; e tanto maior quanto a operação pode ser mais contínua e mais una. Consequentemente, a vida ativa, que se ocupa com muitas coisas, tem menos de felicidade do que a vida contemplativa, que se ocupa com uma só coisa, isto é, a contemplação da verdade. E se o homem, por vezes, não está realmente engajado nessa operação, contudo, como pode sempre facilmente voltar-se para ela, e como ordena a própria cessação, dormindo ou ocupando-se de outro modo, para a referida ocupação, esta parece, por assim dizer, contínua. Dessas considerações são evidentes as respostas às objeções 5 e 6.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether happiness is an operation? · séc. XIII

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Rm 6, 22 nos Padres da Igreja | Aurea