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Rm 6, 3

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Matos Soares

3Não sabeis que todos os que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os céus não se deviam abrir a Cristo no Seu batismo. Pois os céus se devem abrir a quem precisa entrar no céu, por estar fora do céu. Mas Cristo estava sempre no céu, segundo Jo. 3,13: "O Filho do Homem, que está no céu." Logo, parece que os céus não se deviam abrir a Ele. **Objeção 2:** Além disso, a abertura dos céus se entende ou em sentido corporal ou em sentido espiritual. Mas não pode entender-se em sentido corporal: porque os corpos celestes são impassíveis e indissolúveis, segundo Jó 37,18: "Porventura fabricaste com Ele os céus, que são fortíssimos, como se fossem de metal derretido?" De igual modo, nem pode entender-se em sentido espiritual, porque os céus não estavam antes fechados aos olhos do Filho de Deus. Portanto, parece inconveniente dizer que, quando Cristo foi batizado, "os céus se abriram". **Objeção 3:** Além disso, o céu foi aberto aos fiéis pela Paixão de Cristo, segundo Heb. 10,19: "Temos confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo." Por isso nem mesmo os que foram batizados com o batismo de Cristo e morreram antes da Sua Paixão podiam entrar no céu. Logo, os céus se deviam abrir quando Cristo padecia, antes que quando era batizado. **Ao contrário,** está escrito (Lc. 3,21): "Batizado Jesus e orando, abriu-se o céu." **Respondo** que, como acima foi dito (A.1; Q.38, A.1), Cristo quis ser batizado para consagrar o batismo com que havíamos de ser batizados. E portanto convinha que se manifestassem aquelas coisas que pertencem à eficácia do nosso batismo: acerca da qual eficácia três pontos se devem considerar. Primeiro, a virtude principal de onde deriva; e esta, na verdade, é uma virtude celeste. Por isso, quando Cristo foi batizado, o céu se abriu, para mostrar que dali em diante a virtude celeste santificaria o batismo. Segundo, a fé da Igreja e da pessoa batizada concorre para a eficácia do batismo: por isso os que são batizados fazem profissão de fé, e o batismo é chamado "sacramento da fé". Ora, pela fé contemplamos as coisas celestes, que excedem os sentidos e a razão humana. E para significar isto, os céus se abriram quando Cristo foi batizado. Terceiro, porque a entrada do reino celeste foi aberta para nós pelo batismo de Cristo de modo especial, entrada que estava fechada ao primeiro homem pelo pecado. Por isso, quando Cristo foi batizado, os céus se abriram, para mostrar que o caminho do céu está aberto aos batizados. Ora, depois do batismo o homem precisa orar continuamente para entrar no céu: porque, embora os pecados sejam remidos pelo batismo, permanece ainda o fomento do pecado que nos assalta interiormente, e o mundo e os demônios que nos assaltam exteriormente. E por isso se diz expressamente (Lc. 3,21) que "batizado Jesus e orando, abriu-se o céu": porque, a saber, os fiéis depois do batismo necessitam da oração. Ou também, para que se entenda que o próprio fato de, pelo batismo, o céu estar aberto aos crentes é em virtude da oração de Cristo. Por isso se diz expressamente (Mt. 3,16) que "o céu se abriu a Ele" — isto é, "a todos por amor d'Ele". Assim, por exemplo, o Imperador poderia dizer a quem pedia um favor para outro: "Eis que concedo este favor, não a ele, mas a ti" — isto é, "a ele por amor de ti", como diz Crisóstomo (Hom. IV in Matth. [do suposto Opus Imperfectum]). **Resposta à primeira objeção:** Segundo Crisóstomo (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum), assim como Cristo foi batizado por amor dos homens, embora não necessitasse de batismo por Si mesmo, assim os céus se abriram a Ele como homem, enquanto pela Sua Natureza Divina estava sempre no céu. **Resposta à segunda objeção:** Como diz Jerônimo sobre Mt. 3,16-17, os céus se abriram a Cristo quando foi batizado, não por uma separação dos elementos, mas por uma visão espiritual: assim Ezequiel narra a abertura dos céus no início do seu livro. E Crisóstomo prova isso (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum) dizendo que "se a criatura" — isto é, o céu — "tivesse sido fendida, não teria dito 'foram abertos a Ele', pois o que se abre corporalmente está aberto a todos." Por isso se diz expressamente (Mc. 1,10) que Jesus "saindo logo da água, viu os céus abertos"; como se a abertura dos céus fosse considerada como vista por Cristo. Alguns, de fato, referem isto à visão corporal, e dizem que tão brilhante luz resplandeceu ao redor de Cristo quando foi batizado, que os céus pareceram abertos. Pode também referir-se à visão imaginária, do modo como Ezequiel viu os céus abertos: pois tal visão foi formada na imaginação de Cristo pela potência divina e pela Sua vontade racional, para significar que a entrada do céu está aberta aos homens pelo batismo. Finalmente, pode referir-se à visão intelectual: enquanto Cristo, tendo santificado o batismo, viu que o céu estava aberto aos homens; contudo, já vira antes que isso se realizaria. **Resposta à terceira objeção:** A Paixão de Cristo é a causa comum da abertura do céu aos homens. Mas é necessário que esta causa seja aplicada a cada um, para que entre no céu. E isto é efetuado pelo batismo, segundo Rm. 6,3: "Todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na Sua morte." Por isso se faz menção da abertura dos céus no Seu batismo antes que na Sua Paixão. Ou, como diz Crisóstomo (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum): "Quando Cristo foi batizado, os céus foram simplesmente abertos; mas depois que venceu o tirano pela cruz, como já não eram necessárias portas para um céu que dali em diante nunca mais se fecharia, os anjos disseram, não 'abri as portas', mas 'tirai-as'." Assim Crisóstomo nos dá a entender que os obstáculos que até então impediam as almas dos defuntos de entrar no céu foram inteiramente removidos pela Paixão; mas no batismo de Cristo foram abertos, como se tivesse sido mostrado o caminho pelo qual os homens haviam de entrar no céu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the heavens should have been opened unto Christ at His baptism? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Porque diz o Apóstolo (1 Tm 4,8): «O exercício corporal para pouco é proveitoso». Ora, o uso dos sacramentos pertence ao exercício corporal; pois os sacramentos se aperfeiçoam na significação de coisas sensíveis e palavras, como acima se disse (Q. 60, a. 6). Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Objeção 2: Demais, foi dito ao Apóstolo (2 Cor 12,9): «Basta-te a minha graça». Ora, ela não bastaria se os sacramentos fossem necessários para a salvação. Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Objeção 3: Demais, dada uma causa suficiente, nada mais parece ser exigido para o efeito. Ora, a Paixão de Cristo é a causa suficiente da nossa salvação; pois diz o Apóstolo (Rm 5,10): «Se, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho; muito mais, reconciliados já, seremos salvos por sua vida». Logo, os sacramentos não são necessários para a salvação do homem. Em contrário, diz Agostinho (Contra Fausto, XIX): «É impossível conservar os homens unidos numa mesma denominação religiosa, seja verdadeira, seja falsa, a menos que sejam congregados por meio de sinais visíveis ou sacramentos». Ora, é necessário para a salvação que os homens estejam unidos no nome da única religião verdadeira. Logo, os sacramentos são necessários para a salvação do homem. Respondo que os sacramentos são necessários para a salvação do homem por três razões. A primeira é tirada da condição da natureza humana, que é tal que deve ser conduzida pelas coisas corpóreas e sensíveis às espirituais e inteligíveis. Ora, pertence à Divina Providência prover a cada um conforme sua condição requer. Por isso, a sabedoria divina convenientemente provê ao homem meios de salvação sob a forma de sinais corpóreos e sensíveis, que se chamam sacramentos. A segunda razão é tirada do estado do homem, que, pecando, sujeitou-se pelas suas afeições às coisas corpóreas. Ora, o remédio curativo deve ser dado ao homem de modo a atingir a parte afetada pela doença. Consequentemente, convinha que Deus provesse ao homem uma medicina espiritual por meio de certos sinais corpóreos; porque, se as coisas espirituais lhe fossem oferecidas sem véu, sua mente, ocupada com o mundo material, não poderia aplicarse a elas. A terceira razão é tirada do fato de que o homem é propenso a dirigir sua atividade principalmente para as coisas materiais. Para que, portanto, não fosse demasiado difícil ao homem ser inteiramente arrancado das ações corporais, foi-lhe oferecido nos sacramentos um exercício corporal, pelo qual pudesse ser treinado para evitar práticas supersticiosas, consistentes no culto dos demônios, e toda sorte de ação nociva, consistente em atos pecaminosos. Segue-se, portanto, que, mediante a instituição dos sacramentos, o homem, conforme sua natureza, é instruído através das coisas sensíveis; é humilhado, confessando que está sujeito às coisas corpóreas, visto que recebe auxílio por meio delas; e é até mesmo preservado de dano corporal, pelo salutar exercício dos sacramentos. Resposta à Objeção 1: O exercício corporal, como tal, não é muito proveitoso; mas o exercício tomado no uso dos sacramentos não é meramente corporal, mas, em certa medida, espiritual, isto é, na sua significação e na sua causalidade. Resposta à Objeção 2: A graça de Deus é causa suficiente da salvação do homem. Mas Deus dá a graça ao homem de um modo que lhe é conveniente. Por isso, o homem necessita dos sacramentos para obter a graça. Resposta à Objeção 3: A Paixão de Cristo é causa suficiente da salvação do homem. Mas não se segue que os sacramentos não sejam também necessários para esse fim, porque eles obtêm o seu efeito pelo poder da Paixão de Cristo; e a Paixão de Cristo é, por assim dizer, aplicada ao homem através dos sacramentos, segundo o Apóstolo (Rm 6,3): «Todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte».

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether sacraments are necessary for man's salvation? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo. Porque a causa precede o efeito. Ora, a Paixão de Cristo opera nos sacramentos da Nova Lei. Logo a Paixão de Cristo precede a instituição dos sacramentos da Nova Lei; especialmente o sacramento do Batismo, pois o Apóstolo diz (Rm. 6,3): «Todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte», etc. Objeção 2: Além disso, os sacramentos da Nova Lei derivam a sua eficácia do mandato de Cristo. Ora, Cristo deu aos discípulos o mandato do Batismo depois da sua Paixão e Ressurreição, quando disse: «Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai», etc. (Mt. 28,19). Portanto, parece que o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo. Objeção 3: Além disso, o Batismo é um sacramento necessário, como foi dito acima (Q. 65, A. 4): por onde, parece que devia obrigar o homem logo que foi instituído. Mas antes da Paixão de Cristo os homens não eram obrigados a batizar-se; porque a Circuncisão ainda vigorava, a qual foi substituída pelo Batismo. Portanto, parece que o Batismo não foi instituído antes da Paixão de Cristo. Ao contrário, diz Agostinho num sermão sobre a Epifania (Apênd. Serm. clxxxv): «Logo que Cristo foi mergulhado nas águas, as águas lavaram os pecados de todos.» Ora, isto foi antes da Paixão de Cristo. Portanto, o Batismo foi instituído antes da Paixão de Cristo. Respondo que, como foi dito acima (Q. 62, A. 1), os sacramentos recebem da sua instituição o poder de conferir a graça. Por onde, parece que um sacramento é então instituído quando recebe o poder de produzir o seu efeito. Ora, o Batismo recebeu este poder quando Cristo foi batizado. Consequentemente, o Batismo foi verdadeiramente instituído então, se o considerarmos como sacramento. Mas a obrigação de receber este sacramento foi proclamada aos homens depois da Paixão e Ressurreição. Primeiro, porque a Paixão de Cristo pôs fim aos sacramentos figurativos, que foram substituídos pelo Batismo e pelos outros sacramentos da Nova Lei. Segundo, porque pelo Batismo o homem é «tornado conforme» à Paixão e Ressurreição de Cristo, na medida em que morre para o pecado e começa a viver de novo para a justiça. Por consequência, convinha que Cristo padecesse e ressuscitasse, antes de proclamar ao homem a sua obrigação de se conformar à Morte e Ressurreição de Cristo. Resposta à Objeção 1: Mesmo antes da Paixão de Cristo, o Batismo, enquanto a prefigurava, dela derivava a sua eficácia; mas não do mesmo modo que os sacramentos da Lei Antiga. Porque estes eram meras figuras; ao passo que o Batismo derivava o poder de justificar do próprio Cristo, de cujo poder a própria Paixão recebia a sua virtude salvífica. Resposta à Objeção 2: Não convinha que os homens fossem restringidos a um número de figuras por Cristo, que veio cumprir e substituir a figura pela sua realidade. Portanto, antes da sua Paixão Ele não tornou o Batismo obrigatório logo que foi instituído; mas quis que os homens se acostumassem ao seu uso; especialmente quanto aos judeus, para quem todas as coisas eram figuras, como diz Agostinho (Contra Faust. iv). Porém, depois da sua Paixão e Ressurreição, tornou o Batismo obrigatório não só para os judeus, mas também para os gentios, quando deu o mandamento: «Ide, ensinai todas as nações.» Resposta à Objeção 3: Os sacramentos não são obrigatórios senão quando somos mandados recebê-los. E isto não foi antes da Paixão, como foi dito acima. Porquanto as palavras do Senhor a Nicodemos (Jo. 3,5): «Se alguém não nascer de novo da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus», parecem referir-se ao futuro, e não ao presente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Baptism was instituted after Christ's Passion? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a imersão na água é necessária para o Batismo. Porque está escrito (Efés. 4:5): «Uma só fé, um só batismo». Ora, em muitas partes do mundo, a maneira ordinária de batizar é por imersão. Logo, parece que não pode haver Batismo sem imersão. **Objeção 2:** Além disso, o Apóstolo diz (Rom. 6:3,4): «Todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte; porque fomos sepultados com ele pelo batismo na morte». Ora, isto se faz por imersão; pois Crisóstomo diz sobre Jo. 3:5: «Se alguém não nascer de novo da água e do Espírito Santo», etc.: «Quando mergulhamos a cabeça debaixo da água, como em uma espécie de sepultura, o nosso homem velho é sepultado, e, submerso, fica oculto debaixo, e dali se levanta de novo renovado». Logo, parece que a imersão é essencial ao Batismo. **Objeção 3:** Além disso, se o Batismo é válido sem a imersão total do corpo, seguir-se-ia que seria igualmente suficiente derramar água sobre qualquer parte do corpo. Ora, isto parece irrazoável, pois o pecado original, para cujo remédio o Batismo se ordena principalmente, não está em uma só parte do corpo. Logo, parece que a imersão é necessária para o Batismo, e que a mera aspersão não é suficiente. **Em contrário,** está escrito (Heb. 10:22): «Cheguemo-nos com verdadeiro coração em plenitude de fé, tendo os corações aspergidos da má consciência e o corpo lavado com água limpa». **Respondo que,** no sacramento do Batismo, a água é usada para lavar o corpo, significando a lavagem interior dos pecados. Ora, a lavagem pode ser feita com água não só por imersão, mas também por aspersão ou derramamento. E, portanto, embora seja mais seguro batizar por imersão, por ser este o modo mais ordinário, contudo o Batismo pode ser conferido por aspersão ou também por derramamento, conforme Ezeq. 36:25: «Derramarei sobre vós água pura», como também se relata que o bem-aventurado Lourenço batizou. E isto especialmente em casos de urgência: seja porque há grande número de pessoas a batizar, como claramente se vê em Atos 2 e 4, onde lemos que num dia acreditaram três mil, e noutro cinco mil; seja por haver pouca quantidade de água; seja por fraqueza do ministro, que não pode sustentar o candidato ao Batismo; seja por fraqueza do candidato, cuja vida poderia estar em perigo pela imersão. Devemos, portanto, concluir que a imersão não é necessária para o Batismo. **Resposta à Objeção 1:** O que é acidental a uma coisa não diversifica a sua essência. Ora, a lavagem corporal com água é essencial ao Batismo; por isso o Batismo é chamado de «lavacro», segundo Efés. 5:26: «Purificando-a com o lavacro da água pela palavra da vida». Mas que a lavagem seja feita deste ou daquele modo é acidental ao Batismo. E, consequentemente, tal diversidade não destrói a unidade do Batismo. **Resposta à Objeção 2:** A sepultura de Cristo é representada mais claramente pela imersão; por isso esta maneira de batizar é mais frequentemente usada e mais louvável. Contudo, nas outras maneiras de batizar, ela é representada de algum modo, ainda que não tão claramente; pois, não importa como a lavagem seja feita, o corpo do homem, ou alguma parte dele, é colocado debaixo d'água, assim como o corpo de Cristo foi posto debaixo da terra. **Resposta à Objeção 3:** A parte principal do corpo, especialmente em relação aos membros exteriores, é a cabeça, na qual florescem todos os sentidos, tanto interiores como exteriores. E, portanto, se o corpo inteiro não pode ser coberto de água, por escassez de água ou por alguma outra razão, é necessário derramar água sobre a cabeça, na qual se manifesta o princípio da vida animal. E embora o pecado original seja transmitido pelos membros que servem à procriação, todavia não se devem aspergir esses membros de preferência à cabeça, porque pelo Batismo não se remove a transmissão do pecado original à prole pelo ato da procriação, mas a alma é libertada da mancha e da dívida do pecado que contraiu. Consequentemente, deve ser lavada de preferência aquela parte do corpo na qual se manifestam as obras da alma. Todavia, na Lei Antiga, o remédio contra o pecado original estava aposto ao membro da procriação; porque Aquele por meio de Quem o pecado original havia de ser removido, ainda havia de nascer da semente de Abraão, cuja fé foi significada pela circuncisão, segundo Rom. 4:11.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether immersion in water is necessary for Baptism? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que o Batismo pode ser reiterado. Pois o Batismo foi instituído, ao que parece, para lavar os pecados. Mas os pecados são reiterados. Logo, muito mais deveria o Batismo ser reiterado: porque a misericórdia de Cristo supera a culpa do homem. Objecção 2: Ademais, João Batista recebeu especial louvor de Cristo, que disse dele (Mat. 11:11): “Não se levantou entre os nascidos de mulheres outro maior que João Batista.” Ora, aqueles que João havia batizado foram batizados de novo, segundo Atos 19:1-7, onde se afirma que Paulo rebatizou os que haviam recebido o Batismo de João. Muito mais, portanto, devem ser rebatizados aqueles que foram batizados por hereges ou pecadores. Objecção 3: Ademais, foi decretado no Concílio de Niceia (Cân. xix) que, se “algum dos paulinianos ou catafrígios se convertesse à Igreja Católica, fosse batizado”; e isto aparentemente se deveria dizer quanto aos outros hereges. Portanto, aqueles que os hereges batizaram devem ser batizados de novo. Objecção 4: Ademais, o Batismo é necessário para a salvação. Mas às vezes há dúvida acerca do batismo daqueles que realmente foram batizados. Logo, parece que devem ser batizados de novo. Objecção 5: Ademais, a Eucaristia é um sacramento mais perfeito que o Batismo, como foi dito acima (Q[65], A[3]). Ora, o sacramento da Eucaristia é reiterado. Muito mais razão, portanto, há para que o Batismo seja reiterado. Em contrário, está escrito (Ef. 4:5): “Uma só fé, um só Batismo.” Respondo que o Batismo não pode ser reiterado. Primeiro, porque o Batismo é uma regeneração espiritual; enquanto o homem morre para a vida antiga e começa a levar a vida nova. Donde está escrito (Jo. 3:5): “Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não pode ver [Vulg.: ‘entrar no’] o reino de Deus.” Ora, um homem pode ser gerado uma só vez. Por isso o Batismo não pode ser reiterado, assim como também não pode a geração carnal. Por isso Agostinho diz sobre Jo. 3:4: “‘Pode ele entrar segunda vez no ventre de sua mãe e nascer de novo?’ Assim tu”, diz ele, “deves entender o nascimento do Espírito, como Nicodemos entendeu o nascimento da carne… Assim como não há retorno ao ventre, assim também não o há ao Batismo.” Segundo, porque “somos batizados na morte de Cristo”, pela qual morremos ao pecado e ressuscitamos para a “novidade de vida” (cf. Rom. 6:3-4). Ora, Cristo “morreu” uma só vez (Rom. 6:10). Portanto, nem o Batismo deve ser reiterado. Por esta razão se diz (Heb. 6:6) contra alguns que queriam ser batizados de novo: “Crucificando novamente para si o Filho de Deus”; sobre o que a glosa observa: “A única morte de Cristo santificou o único Batismo.” Terceiro, porque o Batismo imprime um caráter indelével, e é conferido com uma certa consagração. Por isso, assim como outras consagrações não se reiteram na Igreja, assim também o Batismo. Esta é a opinião expressa por Agostinho, que diz (Contra a Epístola de Parmênio, ii) que “o caráter militar não se renova”, e que “o sacramento de Cristo não é menos duradouro que esta marca corporal, pois vemos que nem mesmo os apóstatas são privados do Batismo, já que quando se arrependem e voltam, não são batizados de novo.” Quarto, porque o Batismo é conferido principalmente como remédio contra o pecado original. Portanto, assim como o pecado original não se renova, também o Batismo não se reitera, pois como está escrito (Rom. 5:18): “Assim como por uma só ofensa veio sobre todos os homens a condenação, assim também por um só ato de justiça veio sobre todos os homens a justificação da vida.” Resposta à Objecção 1: O Batismo deriva a sua eficácia da Paixão de Cristo, como foi dito acima (A[2], ad 1). Portanto, assim como os pecados subsequentes não cancelam a virtude da Paixão de Cristo, assim também não cancelam o Batismo, de modo a exigir sua repetição. Por outro lado, o pecado que impedia o efeito do Batismo é apagado ao ser submetido à Penitência. Resposta à Objecção 2: Como diz Agostinho sobre Jo. 1:33: “‘E eu não o conhecia’: Eis que, depois de João batizar, administrou-se o Batismo; depois de um assassino batizar, não se administra: porque João deu o seu próprio Batismo; o assassino, o de Cristo; pois esse sacramento é tão sagrado, que nem a administração de um assassino o contamina.” Resposta à Objecção 3: Os paulinianos e catafrígios não costumavam batizar em nome da Trindade. Por isso Gregório, escrevendo ao Bispo Quirico, diz: “Aqueles hereges que não são batizados em nome da Trindade, tais como os bonosianos e catafrígios” (que eram da mesma opinião que os paulinianos), “pois os primeiros não creem que Cristo é Deus” (tendo-O por mero homem), “enquanto os últimos”, isto é, os catafrígios, “são tão perversos que julgam um mero homem, a saber, Montano, ser o Espírito Santo: todos estes são batizados quando vêm à santa Igreja, pois o batismo que receberam enquanto naquele estado de erro não foi Batismo algum, por não ter sido conferido em nome da Trindade.” Por outro lado, como está estabelecido em De Eccles. Dogm. xxii: “Aqueles hereges que foram batizados na confissão do nome da Trindade devem ser recebidos como já batizados quando vêm para a Fé Católica.” Resposta à Objecção 4: Segundo o Decretal de Alexandre III: “Aqueles acerca de cujo Batismo há dúvida devem ser batizados com estas palavras prefixadas à forma: ‘Se estás batizado, não te rebatizo; mas se não estás batizado, batizo-te,’ etc.: pois não parece ser repetido o que não se sabe ter sido feito.” Resposta à Objecção 5: Ambos os sacramentos, a saber, o Batismo e a Eucaristia, são uma representação da morte e Paixão de nosso Senhor, mas não do mesmo modo. Pois o Batismo é uma comemoração da morte de Cristo enquanto o homem morre com Cristo, para que renasça para uma vida nova. Mas a Eucaristia é uma comemoração da morte de Cristo, enquanto o próprio Cristo sofredor nos é oferecido como banquete pascal, segundo 1 Cor. 5:7-8: “Cristo, nossa páscoa, foi imolado; celebremos, pois, a festa.” E porquanto o homem nasce uma vez, mas come muitas vezes, assim o Batismo é dado uma vez, mas a Eucaristia frequentemente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 9 - Whether Baptism may be reiterated? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a Igreja observa um rito inadequado no batizar. Pois, como diz Crisóstomo (Chromácio, em Mt 3,15): «As águas do Batismo nunca seriam eficazes para purgar os pecados dos que creem, se não tivessem sido santificadas pelo toque do corpo do Senhor.» Ora, isto ocorreu no Batismo de Cristo, que é comemorado na Festa da Epifania. Portanto, o Batismo solene deveria ser celebrado na Festa da Epifania, e não nas vésperas da Páscoa e do Pentecostes. Objecção 2: Além disso, parece que várias matérias não deveriam ser usadas no mesmo sacramento. Ora, a água é usada para lavar no Batismo. Logo, é inconveniente que o batizado seja ungido três vezes com óleo santo: primeiro no peito, depois entre as espáduas, e uma terceira vez com crisma no alto da cabeça. Objecção 3: Além disso, «em Cristo Jesus... não há homem nem mulher» (Gl 3,28)... «nem bárbaro nem cita» (Cl 3,11), nem, da mesma forma, qualquer outra distinção semelhante. Muito menos, portanto, pode uma diferença de vestuário ter alguma eficácia na Fé de Cristo. Consequentemente, é inconveniente conceder uma veste branca aos que foram batizados. Objecção 4: Além disso, o Batismo pode ser celebrado sem tais cerimônias. Logo, parece que as mencionadas acima são supérfluas; e, consequentemente, que são inseridas inadequadamente pela Igreja no rito batismal. Em contrário, a Igreja é governada pelo Espírito Santo, que nada faz desordenadamente. Respondo: No sacramento do Batismo, algo se faz que é essencial ao sacramento, e algo que pertence a uma certa solenidade do sacramento. Essencial ao sacramento são, com efeito, tanto a forma, que designa a causa principal do sacramento, como o ministro, que é a causa instrumental, e o uso da matéria, isto é, a ablução com água, que designa o efeito sacramental principal. Todas as outras coisas que a Igreja observa no rito batismal pertencem antes a uma certa solenidade do sacramento. E estas, com efeito, são usadas em conjunto com o sacramento por três razões. Primeiro, para despertar a devoção dos fiéis e sua reverência para com o sacramento. Pois se nada mais se fizesse senão uma mera ablução com água, sem qualquer solenidade, alguns poderiam facilmente pensar que se trata de uma lavagem comum. Segundo, para instrução dos fiéis. Porque as pessoas simples e iletradas necessitam ser ensinadas por alguns sinais sensíveis, por exemplo, pinturas e coisas semelhantes. E deste modo, por meio das cerimônias sacramentais, são instruídas ou incitadas a buscar a significação de tais sinais sensíveis. E consequentemente, visto que, além do efeito sacramental principal, outras coisas devem ser conhecidas sobre o Batismo, foi conveniente que estas também fossem representadas por alguns sinais exteriores. Terceiro, porque o poder do diabo é refreado, por orações, bênçãos e coisas semelhantes, para que não impeça o efeito sacramental. Resposta à primeira objeção: Cristo foi batizado na Epifania com o batismo de João, como foi dito acima (Q. 39, A. 2); com este batismo, com efeito, os fiéis não são batizados, antes são batizados com o Batismo de Cristo. Este tem sua eficácia da Paixão de Cristo, segundo Rm 6,3: «Nós que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte»; e no Espírito Santo, segundo Jo 3,5: «Se alguém não nascer de novo da água e do Espírito Santo». Por isso é que o Batismo solene é celebrado na Igreja tanto na Vigília da Páscoa, quando comemoramos o sepultamento e a ressurreição do Senhor; por esta razão, o Senhor deu aos discípulos o mandamento sobre o Batismo, como relata Mateus (28,19); como também na Vigília do Pentecostes, quando começa a celebração da Festa do Espírito Santo; por esta razão, os apóstolos são descritos como tendo batizado três mil no próprio dia de Pentecostes, após terem recebido o Espírito Santo. Resposta à segunda objeção: O uso da água no Batismo é parte da substância do sacramento; mas o uso do óleo ou crisma é parte da solenidade. Pois o candidato é primeiro ungido com óleo santo no peito e entre as espáduas, como «quem luta por Deus», para usar a expressão de Ambrósio (De Sacram. i); assim os atletas costumam untar-se com óleo. Ou, como diz Inocêncio III em um decreto sobre a Santa Unção: «O candidato é ungido no peito, para receber o dom do Espírito Santo, para repelir o erro e a ignorância, e reconhecer a verdadeira fé, pois "o justo vive pela fé"; e é ungido entre as espáduas, para que seja revestido da graça do Espírito Santo, deixe de lado a indolência e a preguiça, e se torne ativo nas boas obras; de modo que o sacramento da fé purifique os pensamentos do seu coração e fortaleça os seus ombros para o fardo do trabalho.» Mas depois do Batismo, como diz Rabano (De Sacram. iii), «é imediatamente ungido na cabeça pelo sacerdote com o Santo Crisma, que logo apresenta uma oração para que o neófito tenha parte no reino de Cristo e seja chamado cristão por causa de Cristo.» Ou, como diz Ambrósio (De Sacram. iii), a cabeça é ungida, porque «os sentidos do sábio estão na sua cabeça» (Ecl 2,14); a saber, para que esteja «pronto a satisfazer a todo aquele que lhe pedir» a razão da sua fé (cf. 1 Pd 3,15; Inocêncio III, Decreto sobre a Santa Unção). Resposta à terceira objeção: Esta veste branca é dada, não como se fosse ilícito ao neófito usar outras; mas como sinal da ressurreição gloriosa, para a qual os homens renascem pelo Batismo; e para designar a pureza de vida, à qual estará obrigado depois de batizado, segundo Rm 6,4: «Para que andemos em novidade de vida.» Resposta à quarta objeção: Embora aquelas coisas que pertencem à solenidade de um sacramento não sejam essenciais a ele, contudo não são supérfluas, pois dizem respeito ao bem-estar do sacramento, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 10 - Whether the Church observes a suitable rite in baptizing? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que obras de satisfação devem ser impostas aos pecadores que foram batizados. Porque a justiça de Deus parece exigir que o homem seja punido por cada um dos seus pecados, segundo Eclesiastes 12,14: «Deus trará a juízo todas as coisas que se fazem.» Ora, obras de satisfação são impostas aos pecadores em castigo dos pecados passados. Logo, parece que obras de satisfação devem ser impostas aos pecadores que foram batizados. **Objeção 2:** Ademais, por meio de obras de satisfação, os pecadores recentemente convertidos são exercitados na justiça e levados a evitar as ocasiões de pecado; «porque a satisfação consiste em extirpar as causas do vício e fechar as portas ao pecado» (De Eccl. Dogm. iv). Ora, isto é sumamente necessário no caso dos que foram batizados recentemente. Logo, parece que obras de satisfação devem ser impostas aos pecadores. **Objeção 3:** Além disso, o homem deve satisfação a Deus não menos que ao próximo. Ora, se os que foram recentemente batizados prejudicaram o próximo, devem ser mandados a reparar o dano para com Deus por obras de penitência. **Em contrário,** Ambrósio, comentando Romanos 11,29 («Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento»), diz: «A graça de Deus não requer no Batismo suspiros nem gemidos, nem, na verdade, obra alguma, mas só a fé; e remite tudo de graça.» **Respondo que,** como diz o Apóstolo (Rm 6,3-4), «todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte; porque fomos sepultados com ele pelo batismo na morte»; o que significa que, pelo Batismo, o homem é incorporado na própria morte de Cristo. Ora, é manifesto pelo que foi dito acima (Q. 48, Aa. 2 e 4; Q. 49, A. 3) que a morte de Cristo satisfez suficientemente pelos pecados, «não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo», segundo 1 João 2,2. Consequentemente, nenhuma espécie de satisfação deve ser imposta ao que está sendo batizado por quaisquer pecados que seja; e isto seria desonrar a Paixão e a morte de Cristo, como se fossem insuficientes para a satisfação plenária dos pecados dos que haviam de ser batizados. **Resposta à primeira objeção:** Como diz Agostinho no seu livro sobre o Batismo das Crianças (De Pecc. Merit. et Remiss. I), «o efeito do Batismo é fazer com que os batizados sejam incorporados em Cristo como seus membros». Por onde, as próprias dores de Cristo foram satisfatórias pelos pecados dos que haviam de ser batizados; assim como a dor de um membro pode ser satisfatória pelo pecado de outro membro. Por isso está escrito (Is 53,4): «Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores.» **Resposta à segunda objeção:** Os que foram batizados recentemente devem ser exercitados na justiça, não por obras penais, mas por «obras fáceis, para que avancem à perfeição tomando exercício, como as crianças que tomam leite», como diz uma glosa ao Salmo 130,2: «Como o menino desmamado para com sua mãe.» Por esta razão o Senhor escusou seus discípulos de jejuar quando foram recentemente convertidos, como lemos em Mateus 9,14-15; e o mesmo está escrito em 1 Pedro 2,2: «Como meninos recém-nascidos, desejai o leite … para que por ele cresçais para a salvação.» **Resposta à terceira objeção:** Restituir o que foi mal tomado ao próximo e fazer satisfação pela ofensa feita a ele é cessar do pecado; porque o próprio fato de reter o que é de outrem e não se reconciliar com o próximo é pecado. Por onde, os que são batizados devem ser mandados a fazer satisfação ao próximo, assim como a dessistir do pecado. Mas não se lhes deve impor que sofram qualquer castigo pelos pecados passados.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether works of satisfaction should be enjoined on sinners that have been baptized? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nem todos os pecados são removidos pelo Batismo. Porque o Batismo é uma regeneração espiritual, que corresponde à geração carnal. Ora, pela geração carnal o homem contrai apenas o pecado original. Logo, pelo Batismo é removido apenas o pecado original. Objeção 2: Além disso, a Penitência é causa suficiente da remissão dos pecados atuais. Ora, a penitência é exigida dos adultos antes do Batismo, segundo Atos 2,38: «Fazei penitência e cada um de vós seja batizado.» Logo, o Batismo nada tem a ver com a remissão dos pecados atuais. Objeção 3: Além disso, diversas doenças exigem diversos remédios, porque, como diz Jerônimo sobre Mc 9,27-28: «O que é remédio para o calcanhar não o é para o olho.» Ora, o pecado original, que é removido pelo Batismo, é genericamente distinto do pecado atual. Logo, nem todos os pecados são removidos pelo Batismo. Em contrário, está escrito (Ez 36,25): «Derramarei sobre vós água pura, e sereis purificados de todas as vossas imundícies.» Respondo que, como diz o Apóstolo (Rm 6,3): «Todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte.» E mais adiante conclui (Rm 6,11): «Assim também vós considerai-vos como mortos ao pecado, e vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.» Donde é claro que pelo Batismo o homem morre para a velhice do pecado e começa a viver para a novidade da graça. Ora, todo pecado pertence à primitiva velhice. Conseqüentemente, todo pecado é removido pelo Batismo. Resposta à objeção primeira: Como diz o Apóstolo (Rm 5,15-16), o pecado de Adão não foi tão abrangente quanto o dom de Cristo, que é concedido no Batismo: «porque o juízo veio de um só para condenação; mas a graça veio de muitas ofensas para justificação.» Por isso, Agostinho, em seu livro sobre o Batismo das Crianças (De Pecc. Merit. et Remiss. I), diz que «na geração carnal contrai-se apenas o pecado original; mas quando renascemos do Espírito, não só o pecado original, mas também o pecado voluntário é perdoado.» Resposta à objeção segunda: Nenhum pecado pode ser perdoado senão pelo poder da Paixão de Cristo; por isso o Apóstolo diz (Hb 9,22) que «sem derramamento de sangue não há remissão.» Conseqüentemente, nenhum movimento da vontade humana basta para a remissão do pecado, a não ser que haja fé na Paixão de Cristo e o propósito de nela participar, seja recebendo o Batismo, seja submetendo-se às chaves da Igreja. Portanto, quando um adulto se aproxima do Batismo, ele recebe de fato o perdão de todos os seus pecados por meio de seu propósito de ser batizado, mas de modo mais perfeito pela recepção efetiva do Batismo. Resposta à objeção terceira: Este argumento é verdadeiro para remédios especiais. Mas o Batismo opera pelo poder da Paixão de Cristo, que é o remédio universal para todos os pecados; e assim, pelo Batismo, todos os pecados são desatados.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether all sins are taken away by Baptism? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a forma própria deste sacramento não é: «Eu te assinalo com o sinal da cruz, eu te confirmo com o crisma da salvação, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.» Porque o uso dos sacramentos deriva de Cristo e dos apóstolos. Ora, nem Cristo instituiu esta forma, nem lemos que os apóstolos dela fizessem uso. Logo, não é a forma própria deste sacramento. Objeção 2: Além disso, assim como o sacramento é o mesmo em toda parte, assim também a forma deve ser a mesma: porque cada coisa tem unidade, assim como tem ser, pela sua forma. Ora, esta forma não é usada por todos: pois alguns dizem: «Eu te confirmo com o crisma da santificação.» Logo, a forma acima referida não é a forma própria deste sacramento. Objeção 3: Além disso, este sacramento deve estar conforme ao Batismo, assim como o perfeito ao que é aperfeiçoado, como foi dito acima (A[2], OBJ[2]). Ora, na forma do Batismo não se faz menção de assinalar o caráter; nem tampouco da cruz de Cristo, embora no Batismo o homem morra com Cristo, como diz o Apóstolo (Rom. VI, 3-8); nem do efeito que é a salvação, se bem que o Batismo seja necessário para a salvação. Além disso, na forma batismal, inclui-se apenas uma ação; e a pessoa do batizante exprime-se nas palavras: «Eu te batizo», ao passo que se observa o contrário na forma acima. Logo, não é a forma própria deste sacramento. Ao contrário, está a autoridade da Igreja, que sempre usa esta forma. Respondo que a forma acima referida é apropriada a este sacramento. Pois assim como a forma de uma coisa natural lhe dá a espécie, assim a forma sacramental deve conter tudo o que pertence à espécie do sacramento. Ora, como é evidente pelo que já foi dito (AA[1],2), neste sacramento o Espírito Santo é dado para a fortaleza no combate espiritual. Portanto, neste sacramento três coisas são necessárias; e elas estão contidas na forma acima. A primeira delas é a causa que confere a plenitude da fortaleza espiritual, a qual causa é a Santíssima Trindade; e isto se exprime nas palavras: «Em nome do Pai», etc. A segunda é a própria fortaleza espiritual concedida ao homem para a salvação pelo sacramento da matéria visível; e a isto se referem as palavras: «Eu te confirmo com o crisma da salvação.» A terceira é o sinal que é dado ao combatente, como num combate corporal: assim os soldados são marcados com o sinal de seus chefes. E a isto se referem as palavras: «Eu te assinalo com o sinal da cruz», sinal no qual, a saber, o nosso Rei triunfou (cf. Col. II, 15). Resposta à Objeção 1: Como foi dito acima (A[2], ad 1), algumas vezes o efeito deste sacramento, isto é, a plenitude do Espírito Santo, era dado pelo ministério dos apóstolos, sob certos sinais visíveis, realizados miraculosamente por Deus, que pode conferir o efeito sacramental independentemente do sacramento. Nestes casos, não havia necessidade nem da matéria nem da forma deste sacramento. Por outro lado, algumas vezes eles conferiam este sacramento como ministros dos sacramentos. E então usavam tanto a matéria como a forma segundo o mandamento de Cristo. Pois os apóstolos, ao conferirem os sacramentos, observaram muitas coisas que não estão transmitidas naquelas Escrituras de uso geral. Por isso Dionísio diz, no final do seu tratado sobre a Hierarquia Eclesiástica (cap. VII): «Não é permitido explicar por escrito as orações que se usam nos sacramentos, nem publicar o seu significado místico, ou o poder que, vindo de Deus, lhes dá eficácia; aprendemos estas coisas pela santa tradição sem ostentação», i.e., secretamente. Por isso o Apóstolo, falando da celebração da Eucaristia, escreve (I Cor. XI, 34): «O mais porei em ordem quando vier.» Resposta à Objeção 2: A santidade é a causa da salvação. Portanto, vem a ser o mesmo que digamos «crisma da salvação» ou «da santificação». Resposta à Objeção 3: O Batismo é a regeneração para a vida espiritual, pela qual o homem vive em si mesmo. E, portanto, na forma batismal exprime-se apenas aquela ação que se refere ao homem que há de ser santificado. Mas este sacramento é ordenado não só para a santificação do homem em si mesmo, mas também para o fortalecer no combate exterior. Consequentemente, não só se faz menção da santificação interior, nas palavras: «Eu te confirmo com o crisma da salvação»; mas além disso o homem é assinalado exteriormente, como que com o estandarte da cruz, para o combate espiritual exterior; e isto é significado pelas palavras: «Eu te assinalo com o sinal da cruz.» Ora, na própria palavra «batizar», que significa «purificar», podemos entender tanto a matéria, que é a água purificadora, como o efeito, que é a salvação. Ao passo que estas coisas não estão entendidas na palavra «confirmar»; e consequentemente tiveram que ser expressas. Além disso, foi dito acima (Q[66], A[5], ad 1) que o pronome «eu» não é necessário na forma batismal, porque está incluído na primeira pessoa do verbo. Contudo, é incluído para exprimir a intenção. Mas isto não parece tão necessário na Confirmação, que é conferida somente por um ministro de excelência, como afirmaremos adiante (A[11]).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the proper form of this sacrament is: 'I sign thee with the sign of the cross,' etc.? · séc. XIII

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Rm 6, 3 nos Padres da Igreja | Aurea