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Rm 7, 24

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Matos Soares

24Infeliz de mim! Quem me livrará deste corpo de morte (isto é, em que habita o pecado, que é causa de morte espiritual)?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Agostinho

Isto é o que está significado no salmo undécimo: "Agirei poderosamente em favor dele; as palavras do Senhor são palavras puras, prata acrisolada no fogo, purificada da terra, depurada sete vezes." A menção deste número adverte-me aqui a referir todos estes preceitos àquelas sete sentenças que Ele pôs no princípio deste Sermão; aquelas, digo, concernentes às bem-aventuranças. Pois irar-se contra o irmão sem causa, ou dizer-lhe Raca, ou chamá-lo de louco, é pecado de extrema soberba, contra o qual há um só remédio, que é, com espírito suplicante, buscar o perdão e não inchar-se com espírito de jactância. "Bem-aventurados", portanto, "os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus." Concorda com o seu adversário, isto é, mostrando reverência à palavra de Deus, aquele que vai ao desvendamento da vontade de seu Pai não com a contenciosidade da lei, mas com a mansidão da religião; por isso, "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra." Também todo aquele que sentir o deleite carnal rebelar-se contra a sua reta vontade clamará: "Ó homem infeliz que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" E, assim chorando, implorará o auxílio do consolador; donde: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados." Que coisa pode ser pensada como mais laboriosa do que, ao vencer um mau hábito, cortar aqueles membros dentro de nós que impedem o reino dos céus, e não desfalecer com a dor de assim fazer? Suportar no fiel matrimônio todas as coisas, até as mais penosas, e contudo evitar toda acusação de fornicação. Dizer a verdade, e comprová-la não por frequentes juramentos, mas pela probidade da vida. Mas quem ousaria suportar tais labores, a não ser que ardesse no amor da justiça como por fome e sede? "Bem-aventurados", portanto, "os que têm fome e sede, porque serão fartos." Quem pode estar pronto a receber injúria dos fracos, a oferecer-se a quem lho pedir, a amar os seus inimigos, a fazer o bem aos que o odeiam, a orar pelos que o perseguem, senão aquele que é perfeitamente misericordioso? Portanto, "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." Conserva puro o olho do seu coração aquele que põe o fim das suas boas ações não em agradar aos homens, nem em obter as coisas necessárias a esta vida, e que não condena temerariamente o coração de nenhum homem, e tudo o que dá a outrem dá com aquela intenção com que quereria que outros lhe dessem. "Bem-aventurados", portanto, "os puros de coração, porque verão a Deus." É necessário, além disso, que pelo coração puro se descubra o caminho estreito da sabedoria, ao qual a astúcia dos homens corruptos é obstáculo; "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus." Mas, quer adotemos esta disposição, quer qualquer outra, as coisas que ouvimos do Senhor devem ser praticadas, se quisermos edificar sobre a rocha.

Serm. in Mont. ii · Serm. in Mont. ii, 40. i. 10. et. seq · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o homem não deve amar o seu corpo por caridade. Pois não amamos aquele com quem não queremos associar-nos. Ora, os que têm caridade fogem da sociedade do corpo, conforme Rom. 7,24: “Quem me livrará do corpo desta morte?” e Fil. 1,23: “Tendo desejo de ser desatado e de estar com Cristo.” Logo, nossos corpos não devem ser amados por caridade. **Objeção 2:** Ademais, a amizade da caridade se funda na comunhão da fruição de Deus. Ora, o corpo não pode ter parte nessa fruição. Logo, o corpo não deve ser amado por caridade. **Objeção 3:** Ademais, sendo a caridade uma espécie de amizade, dirige-se àqueles que são capazes de retribuir o amor. Ora, nosso corpo não pode amar-nos por caridade. Portanto, não deve ser amado por caridade. **Ao contrário,** Agostinho diz (Doutr. Crist. I, 23,26) que há quatro coisas que devemos amar por caridade, e entre elas enumera o nosso próprio corpo. **Respondo:** Nosso corpo pode ser considerado de dois modos: primeiro, quanto à sua natureza; segundo, quanto à corrupção do pecado e sua pena. Ora, a natureza do nosso corpo foi criada, não por um princípio mau, como fingem os maniqueus, mas por Deus. Portanto, podemos usá-lo para o serviço de Deus, conforme Rom. 6,13: “Apresentai vossos membros como instrumentos de justiça a Deus.” Consequentemente, pelo amor da caridade com que amamos a Deus, devemos amar também nossos corpos; mas não devemos amar os maus efeitos do pecado e a corrupção da pena; antes, pelo desejo da caridade, devemos ansiar pela remoção de tais coisas. **Resposta à objeção 1:** O Apóstolo não fugia da sociedade do seu corpo quanto à natureza do corpo; com efeito, sob esse aspecto, ele relutava em ser privado dela, conforme 2 Cor. 5,4: “Não queremos ser despojados, mas revestidos.” Ele desejava, porém, escapar da mancha da concupiscência, que permanece no corpo, e da corrupção do corpo que oprime a alma, impedindo-a de ver a Deus. Por isso diz expressamente: “Do corpo desta morte.” **Resposta à objeção 2:** Embora nossos corpos não possam fruir de Deus conhecendo-O e amando-O, todavia, pelas obras que fazemos por meio do corpo, podemos alcançar o perfeito conhecimento de Deus. Por isso, da fruição na alma transborda uma certa felicidade para o corpo, a saber, “a saúde e a incorrupção”, como diz Agostinho (Ep. ad Dióscoro, CXVIII). Portanto, visto que o corpo tem, de certo modo, uma participação na felicidade, pode ser amado com o amor da caridade. **Resposta à objeção 3:** O amor mútuo encontra-se na amizade que se tem por outrem, mas não naquela que um homem tem por si mesmo, seja quanto à sua alma, seja quanto ao seu corpo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether a man ought to love his body out of charity? · séc. XIII

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Rm 7, 24 nos Padres da Igreja | Aurea