Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o conselho não deve ser contado entre os dons do Espírito Santo. Os dons do Espírito Santo são dados como auxílio às virtudes, segundo Gregório (Moral. ii, 49). Ora, para o ato de aconselhar-se, o homem é suficientemente aperfeiçoado pela virtude da prudência, ou mesmo da *euboulia* (bem deliberar), como é evidente pelo que foi dito (Q. 47, a. 1, ad 2; Q. 51, aa. 1,2). Logo, o conselho não deve ser contado entre os dons do Espírito Santo. **Objeção 2:** Ademais, a diferença entre os sete dons do Espírito Santo e as graças gratuitas parece ser que estas não são dadas a todos, mas são distribuídas entre várias pessoas, enquanto os dons do Espírito Santo são dados a todos os que têm o Espírito Santo. Ora, o conselho parece ser uma daquelas coisas que são dadas pelo Espírito Santo especialmente a certas pessoas, conforme 1 Macabeus 2,65: "Eis que... vosso irmão Simão é homem de conselho". Portanto, o conselho deve ser enumerado entre as graças gratuitas, e não entre os sete dons do Espírito Santo. **Objeção 3:** Além disso, está escrito (Rm 8,14): "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus". Ora, aconselhar-se não é compatível com ser guiado por outro. Como, pois, os dons do Espírito Santo convêm maximamente aos filhos de Deus, que "receberam o espírito de adoção de filhos", parece que o conselho não deve ser enumerado entre os dons do Espírito Santo. **Em contrário,** está escrito (Is 11,2): "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor... espírito de conselho e de fortaleza". **Respondo:** Como foi dito acima (I-II, Q. 68, a. 1), os dons do Espírito Santo são disposições pelas quais a alma se torna dócil ao movimento do Espírito Santo. Ora, Deus move cada coisa segundo o modo da coisa movida: assim, move a criatura corpórea pelo tempo e pelo lugar, e a criatura espiritual pelo tempo, mas não pelo lugar, como declara Agostinho (Gen. ad lit. viii, 20,22). Ademais, é próprio da criatura racional ser movida pela investigação da razão para realizar qualquer ação particular, e essa investigação se chama conselho. Por isso, diz-se que o Espírito Santo move a criatura racional por via de conselho; donde o conselho ser contado entre os dons do Espírito Santo. **Resposta à objeção 1:** A prudência ou *euboulia* (bem deliberar), seja adquirida, seja infusa, dirige o homem na investigação do conselho segundo princípios que a razão pode apreender; portanto, a prudência ou *euboulia* faz o homem aconselhar-se bem, quer para si mesmo, quer para outrem. Contudo, como a razão humana é incapaz de apreender as coisas singulares e contingentes que podem ocorrer, resulta que "os pensamentos dos homens mortais são tímidos, e incertos os nossos conselhos" (Sb 9,14). Por isso, na investigação do conselho, o homem precisa ser dirigido por Deus, que tudo compreende; e isso se faz pelo dom do conselho, pelo qual o homem é dirigido como que aconselhado por Deus, assim como, nas coisas humanas, aqueles que não podem aconselhar-se por si mesmos buscam conselho dos mais sábios. **Resposta à objeção 2:** Que um homem seja de tão bom conselho a ponto de aconselhar outros, pode ser devido a uma graça gratuita; mas que um homem seja aconselhado por Deus sobre o que deve fazer nas coisas necessárias para a salvação, é comum a todas as pessoas santas. **Resposta à objeção 3:** Os filhos de Deus são movidos pelo Espírito Santo segundo o seu modo, sem prejuízo do seu livre-arbítrio, que é a "faculdade da vontade e da razão" (Sent. iii, D, 24). Desse modo, o dom do conselho convém aos filhos de Deus enquanto a razão é instruída pelo Espírito Santo sobre o que devemos fazer.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether counsel should be reckoned among the gifts of the Holy Ghost? · séc. XIII
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