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Rm 8, 24

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Matos Soares

24Com efeito, na esperança é que fomos salvos. Ora a esperança que se vê, não é esperança; porque, como esperar aquilo que se vê?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a beatitude pode ser alcançada nesta vida. Pois está escrito (Sl 118,1): «Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor». Ora, isso acontece nesta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 2:** Além disso, a participação imperfeita no Sumo Bem não destrói a natureza da beatitude; do contrário, um não seria mais bem-aventurado que outro. Ora, os homens podem participar do Sumo Bem nesta vida, conhecendo e amando a Deus, ainda que imperfeitamente. Logo, o homem pode ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 3:** Além disso, o que é dito por muitos não pode ser totalmente falso, pois o que está em muitos parece vir da natureza; e a natureza não falha totalmente. Ora, muitos dizem que a beatitude pode ser alcançada nesta vida, como aparece no Sl 143,15: «Chamaram bem-aventurado o povo que tem estas coisas», a saber, os bens desta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. **Em sentido contrário,** está escrito (Jó 14,1): «O homem nascido de mulher, vivendo por pouco tempo, é cheio de muitas misérias». Ora, a beatitude exclui a miséria. Logo, o homem não pode ser bem-aventurado nesta vida. **Respondo.** Uma certa participação da beatitude pode ser tida nesta vida, mas a beatitude perfeita e verdadeira não pode ser tida nesta vida. Isto se vê por uma dupla consideração. Primeiro, pela noção geral de beatitude. Pois, sendo a beatitude um «bem perfeito e suficiente», exclui todo mal e satisfaz todo desejo. Ora, nesta vida não se pode excluir todo mal, pois esta vida presente está sujeita a muitos males inevitáveis: à ignorância da parte do intelecto, à afeição desordenada da parte do apetite e a muitas penalidades da parte do corpo, como Agostinho expõe em *De Civ. Dei* XIX, 4. Do mesmo modo, também não se pode saciar nesta vida o desejo do bem. Pois o homem naturalmente deseja que o bem que possui seja duradouro. Ora, os bens da vida presente passam, como passa a própria vida, a qual naturalmente desejamos ter e que gostaríamos de conservar permanentemente, pois o homem naturalmente foge da morte. Por isso é impossível ter a verdadeira beatitude nesta vida. Segundo, pela consideração da natureza específica da beatitude, isto é, a visão da Essência Divina, que o homem não pode obter nesta vida, como foi mostrado na Primeira Parte (Q. 12, A. 11). Por conseguinte, fica evidente que ninguém pode alcançar nesta vida a beatitude verdadeira e perfeita. **Resposta à objeção 1:** Alguns são ditos bem-aventurados nesta vida, ou por causa da esperança de obter a beatitude na vida futura, segundo Rm 8,24: «Pela esperança fomos salvos», ou por causa de uma certa participação da beatitude, em razão de um certo gozo do Sumo Bem. **Resposta à objeção 2:** A imperfeição da beatitude participada se deve a uma de duas causas. Primeiro, da parte do objeto da beatitude, que não é visto em sua Essência; e essa imperfeição destrói a natureza da verdadeira beatitude. Segundo, a imperfeição pode ser da parte do participante, que atinge o objeto da beatitude em si mesmo, isto é, Deus, mas imperfeitamente, em comparação com o modo pelo qual Deus goza de Si mesmo. Essa imperfeição não destrói a verdadeira natureza da beatitude, porque, sendo a beatitude uma operação, como foi dito acima (Q. 3, A. 2), a verdadeira natureza da beatitude é tomada do objeto, que especifica o ato, e não do sujeito. **Resposta à objeção 3:** Os homens julgam que haja alguma espécie de beatitude nesta vida, por causa de uma certa semelhança com a verdadeira beatitude. E assim não falham totalmente em seu juízo.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether one can be happy in this life? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que em Cristo houve esperança. Pois está dito na Pessoa de Cristo (Sl 30,1): «Em Vós, Senhor, esperei». Ora, a virtude da esperança é aquela pela qual o homem espera em Deus. Logo, a virtude da esperança estava em Cristo. **Objeção 2:** Ademais, a esperança é a expectação da bem-aventurança vindoura, como foi demonstrado acima (SS, q. 17, a. 5, ad 3). Mas Cristo aguardava algo concernente à bem-aventurança, a saber, a glorificação do Seu corpo. Logo, parece que havia esperança nEle. **Objeção 3:** Além disso, todo homem pode esperar o que pertence à sua perfeição, se ainda está por vir. Ora, algo ainda estava por vir concernente à perfeição de Cristo, segundo Efésios 4,12: «Para a perfeição dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo». Donde parece que convinha a Cristo ter esperança. **Em contrário,** está escrito (Rm 8,24): «O que o homem vê, por que espera?». Assim, é claro que, assim como a fé é acerca do invisível, também o é a esperança. Ora, em Cristo não houve fé, como foi dito acima (a. 1): consequentemente, também não houve esperança. **Respondo:** Assim como é próprio da fé assentir ao que não se vê, assim é próprio da esperança esperar o que ainda não se possui; e como a fé, enquanto virtude teologal, não diz respeito a toda coisa invisível, mas somente a Deus, assim também a esperança, como virtude teologal, tem o próprio Deus por objeto, cuja fruição o homem espera principalmente pela virtude da esperança; contudo, por consequência, quem tem a virtude da esperança pode esperar o auxílio divino em outras coisas, assim como quem tem a virtude da fé crê em Deus não apenas nas coisas divinas, mas também em tudo quanto é divinamente revelado. Ora, desde o início da Sua conceição, Cristo teve plenamente a fruição divina, como será demonstrado (q. 34, a. 4), e, portanto, não teve a virtude da esperança. Não obstante, Ele teve esperança quanto àquelas coisas que ainda não possuía, embora não tivesse fé acerca de coisa alguma; porque, embora conhecesse todas as coisas plenamente, donde a fé Lhe faltou inteiramente, todavia não possuía ainda plenamente tudo o que pertencia à Sua perfeição, a saber, a imortalidade e a glória do corpo, as quais podia esperar. **Resposta à primeira objeção:** Isto se diz de Cristo com referência à esperança, não como virtude teologal, mas enquanto Ele esperava outras coisas ainda não possuídas, como foi dito acima. **Resposta à segunda objeção:** A glória do corpo não pertence à beatitude como aquilo em que a beatitude consiste principalmente, mas por uma certa efusão da glória da alma, como foi dito acima (FS, q. 4, a. 6). Por onde, a esperança, como virtude teologal, não diz respeito à bem-aventurança do corpo, mas à bem-aventurança da alma, que consiste na fruição divina. **Resposta à terceira objeção:** A edificação da Igreja pela conversão dos fiéis não pertence à perfeição de Cristo, pela qual Ele é perfeito em Si mesmo, senão enquanto leva outros a participar da Sua perfeição. E porque a esperança diz propriamente respeito ao que é esperado por quem espera, a virtude da esperança não pode, a rigor, ser dita em Cristo, pela razão já aduzida.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether in Christ there was hope? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nos bem-aventurados há esperança. Pois Cristo foi um perfeito compreensor desde o primeiro instante de sua conceição. Ora, Ele teve esperança, pois, segundo uma glosa, as palavras do Salmo 30,2: "Em Vós, Senhor, esperei", são ditas em sua pessoa. Logo, nos bem-aventurados pode haver esperança. Objeção 2: Ademais, assim como a obtenção da bem-aventurança é um bem árduo, também o é a sua continuação. Ora, antes de obterem a bem-aventurança, os homens esperam obtê-la. Logo, depois de a terem obtido, podem esperar continuar na sua posse. Objeção 3: Ademais, pela virtude da esperança, um homem pode esperar a bem-aventurança não só para si, mas também para outros, como foi dito acima (Q[17], A[3]). Ora, os bem-aventurados que estão no céu esperam a bem-aventurança dos outros; do contrário, não orariam por eles. Logo, neles pode haver esperança. Objeção 4: Ademais, a bem-aventurança dos santos implica não só a glória da alma, mas também a glória do corpo. Ora, as almas dos santos no céu ainda esperam a glória dos seus corpos (Apocalipse 6,10; Agostinho, Gen. ad lit. xii, 35). Logo, nos bem-aventurados pode haver esperança. Em sentido contrário, o Apóstolo diz (Romanos 8,24): "O que o homem vê, por que o espera?" Ora, os bem-aventurados gozam da visão de Deus. Logo, a esperança não tem lugar neles. Respondo que, se for removido o que dá a espécie a uma coisa, a espécie é destruída, e essa coisa não pode permanecer a mesma; assim como quando um corpo natural perde a sua forma, não permanece o mesmo especificamente. Ora, a esperança recebe sua espécie do seu objeto principal, assim como as outras virtudes, como foi mostrado acima (Q[17], AA[5],6; FS, Q[54], A[2]): e o seu objeto principal é a bem-aventurança eterna como possível de obter pelo auxílio de Deus, como foi dito acima (Q[17], A[2]). Visto que o bem árduo possível não pode ser objeto de esperança senão na medida em que é algo futuro, segue-se que, quando a bem-aventurança já não é futura, mas presente, é incompatível com a virtude da esperança. Consequentemente, a esperança, como a fé, é anulada no céu, e nenhuma delas pode estar nos bem-aventurados. Resposta à Objeção 1: Embora Cristo fosse compreensor e, portanto, bem-aventurado quanto à fruição de Deus, contudo era, ao mesmo tempo, viandante quanto à passibilidade da natureza, à qual ainda estava sujeito. Portanto, era-lhe possível esperar a glória da impassibilidade e da imortalidade, mas não quanto à virtude da esperança, cujo objeto principal não é a glória do corpo, mas a fruição de Deus. Resposta à Objeção 2: A bem-aventurança dos santos é chamada vida eterna, porque, fruindo de Deus, se tornam, por assim dizer, participantes da eternidade de Deus, que transcende todo o tempo; de modo que a continuação da bem-aventurança não difere quanto ao presente, passado e futuro. Portanto, os bem-aventurados não esperam a continuação da sua bem-aventurança (pois quanto a isso não há futuro), mas estão na posse atual dela. Resposta à Objeção 3: Enquanto dura a virtude da esperança, pela mesma esperança se espera a própria bem-aventurança e a dos outros. Mas quando a esperança é anulada nos bem-aventurados, pela qual esperavam a sua própria bem-aventurança, eles esperam a bem-aventurança dos outros, sim, mas não pela virtude da esperança, e sim pelo amor da caridade. Assim como aquele que tem a caridade divina, pela mesma caridade ama o próximo, sem ter a virtude da caridade, mas por algum outro amor. Resposta à Objeção 4: Visto que a esperança é uma virtude teologal que tem a Deus por objeto, o seu objeto principal é a glória da alma, que consiste na fruição de Deus, e não a glória do corpo. Além disso, embora a glória do corpo seja algo árduo em comparação com a natureza humana, não o é para aquele que tem a glória da alma; tanto porque a glória do corpo é uma coisa muito pequena comparada com a glória da alma, como porque aquele que tem a glória da alma já tem a causa suficiente da glória do corpo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether in the blessed there is hope? · séc. XIII

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Rm 8, 24 nos Padres da Igreja | Aurea