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Rm 8, 28

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Matos Soares

28Ora nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, para o bem daqueles que, segundo o seu desígnio, foram chamados.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Agostinho

Visto que há dois mandamentos — o amor de Deus e o amor do próximo — dos quais dependem a Lei e os Profetas, não sem razão coloca a Escritura um por ambos: às vezes o amor de Deus, como naquele: «Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus»; e às vezes o amor do próximo, como naquele: «Toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.» E isto porque, se alguém ama o seu próximo, disso se segue que também ama a Deus; pois é um mesmo e idêntico afeto pelo qual amamos a Deus e pelo qual amamos o nosso próximo, salvo que amamos a Deus por Si mesmo, mas a nós mesmos e ao nosso próximo por amor de Deus.

de Trin. · de Trin., viii. 7 · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nem tudo está sujeito à providência divina. Pois nada que é previsto pode acontecer por acaso. Se, então, tudo foi previsto por Deus, nada aconteceria por acaso. E assim o acaso e a sorte desapareceriam; o que é contra a opinião comum. Objeção 2: Ademais, um provedor sábio exclui todo defeito ou mal, tanto quanto pode, daqueles sobre os quais tem cuidado. Mas vemos existirem muitos males. Ou, então, Deus não pode impedi-los, e assim não é onipotente; ou Ele não tem cuidado de tudo. Objeção 3: Ademais, tudo o que acontece por necessidade não requer providência ou prudência. Donde, segundo o Filósofo (Ética, VI, 5, 9, 10, 11): "A prudência é a razão reta das coisas contingentes acerca das quais há conselho e escolha." Visto que, então, muitas coisas acontecem por necessidade, nem tudo pode estar sujeito à providência. Objeção 4: Ademais, tudo o que é deixado a si mesmo não pode estar sujeito à providência de um governador. Mas os homens são deixados a si mesmos por Deus, conforme as palavras: "Deus fez o homem desde o início e o deixou na mão do seu próprio conselho" (Eclo 15,14). E particularmente a respeito dos ímpios: "Deixei-os andar segundo os desejos do seu coração" (Sl 80,13). Logo, nem tudo pode estar sujeito à providência divina. Objeção 5: Ademais, o Apóstolo diz (1Cor 9,9): "Deus não cuida dos bois" (Vulg. "Porventura Deus tem cuidado dos bois?"); e o mesmo podemos dizer das outras criaturas irracionais. Assim, nem tudo está sob o cuidado da providência divina. Ao contrário, diz-se da Sabedoria divina: "Ela atinge com poder de uma extremidade à outra, e ordena todas as coisas suavemente" (Sb 8,1). Respondo que certas pessoas negaram totalmente a existência da providência, como Demócrito e os epicureus, sustentando que o mundo foi feito ao acaso. Outros ensinaram que somente as coisas incorruptíveis estavam sujeitas à providência, e as corruptíveis não em seus indivíduos, mas apenas quanto às suas espécies; pois nesse aspecto são incorruptíveis. Representam-se eles dizendo (Jó 22,14): "As nuvens são o seu esconderijo; e Ele não considera as nossas coisas; e passeia pelos polos do céu." O Rabi Moisés, porém, excluiu os homens do conjunto das coisas corruptíveis, por causa da excelência do intelecto que possuem, mas quanto a tudo o mais que sofre corrupção, aderiu à opinião dos outros. Devemos dizer, contudo, que todas as coisas estão sujeitas à providência divina, não só em geral, mas até mesmo em seus próprios indivíduos. Isto se torna evidente assim. Pois, como todo agente age por um fim, a ordenação dos efeitos para esse fim se estende tanto quanto se estende a causalidade do primeiro agente. Donde acontece que nos efeitos de um agente algo se dá que não tem referência ao fim, porque o efeito provém de uma causa diversa e fora da intenção do agente. Mas a causalidade de Deus, que é o primeiro agente, estende-se a todo o ser, não só quanto aos princípios constitutivos da espécie, mas também quanto aos princípios individuantes; não só das coisas incorruptíveis, mas também das corruptíveis. Portanto, todas as coisas que existem de qualquer modo são necessariamente dirigidas por Deus para algum fim; como diz o Apóstolo: "As coisas que são de Deus são ordenadas [*Vulg. 'As potestades que existem são ordenadas por Deus': 'Quae autem sunt, a Deo ordinatae sunt.' São Tomás cita frequentemente esta passagem, e invariavelmente lê: 'Quae a Deo sunt, ordinata sunt.']" (Rm 13,1). Visto que, portanto, a providência de Deus não é senão a razão da ordenação das coisas para um fim, como dissemos, segue-se necessariamente que todas as coisas, na medida em que participam da existência, devem igualmente estar sujeitas à providência divina. Também foi demonstrado (Q. 14, arts. 6 e 11) que Deus conhece todas as coisas, tanto universais como particulares. E como o seu conhecimento pode ser comparado às próprias coisas, assim como o conhecimento da arte aos objetos da arte, todas as coisas devem necessariamente cair sob a sua ordenação, assim como todas as coisas feitas pela arte estão sujeitas à ordenação dessa arte. Resposta à objeção 1: Há diferença entre causas universais e particulares. Uma coisa pode escapar à ordem de uma causa particular, mas não à ordem de uma causa universal. Pois nada escapa à ordem de uma causa particular, senão por intervenção e impedimento de alguma outra causa particular; como, por exemplo, a madeira pode ser impedida de queimar pela ação da água. Visto que, então, todas as causas particulares estão incluídas sob a causa universal, não poderia ocorrer que algum efeito se desse fora do alcance dessa causa universal. Portanto, na medida em que um efeito escapa à ordem de uma causa particular, diz-se casual ou fortuito em relação a essa causa; mas, se considerarmos a causa universal, fora de cujo alcance nenhum efeito pode acontecer, diz-se previsto. Assim, por exemplo, o encontro de dois servos, embora para eles pareça uma circunstância casual, foi plenamente previsto pelo seu senhor, que os enviou propositadamente para se encontrarem no mesmo lugar, de modo que um não sabe do outro. Resposta à objeção 2: De outro modo se dá com quem tem cuidado de uma coisa particular, e com aquele cuja providência é universal; porque um provedor particular exclui todos os defeitos do que está sob seu cuidado, tanto quanto pode; enquanto aquele que provê universalmente permite que permaneça algum pequeno defeito, para que não seja impedido o bem do todo. Portanto, diz-se que a corrupção e os defeitos nas coisas naturais são contrários a alguma natureza particular; contudo, estão de acordo com o plano da natureza universal; na medida em que o defeito de uma coisa cede ao bem de outra, ou mesmo ao bem universal: pois a corrupção de uma é a geração de outra, e por isso a espécie se mantém na existência. Visto que Deus, então, provê universalmente para todo o ser, pertence à sua providência permitir certos defeitos em efeitos particulares, para que o bem perfeito do universo não seja impedido; pois se todo mal fosse impedido, muito bem estaria ausente do universo. Um leão deixaria de viver, se não houvesse matança de animais; e não haveria paciência dos mártires se não houvesse perseguição tirânica. Assim, Agostinho diz (Enquirídio, cap. 2): "Deus onipotente de modo algum permitiria que existisse mal em suas obras, a menos que fosse tão onipotente e tão bom que pudesse produzir bem até mesmo do mal." Parece que foi por causa desses dois argumentos aos quais acabamos de responder que alguns foram persuadidos a considerar as coisas corruptíveis — como as casuais e más — como removidas do cuidado da providência divina. Resposta à objeção 3: O homem não é o autor da natureza; mas usa as coisas naturais aplicando a arte e a virtude para o seu próprio uso. Donde a providência humana não atinge o que acontece na natureza por necessidade; mas a providência divina estende-se até aí, pois Deus é o autor da natureza. Aparentemente foi este argumento que moveu aqueles que retiraram o curso da natureza do cuidado da providência divina, atribuindo-o antes à necessidade da matéria, como Demócrito e outros dos antigos. Resposta à objeção 4: Quando se diz que Deus deixou o homem a si mesmo, isso não significa que o homem esteja isento da providência divina; mas apenas que ele não tem uma força operante prefixada determinada a um único efeito; como no caso das coisas naturais, que são apenas movidas como que dirigidas por outro para um fim, e não agem por si mesmas, como se se dirigissem a um fim, à maneira das criaturas racionais, pela posse do livre-arbítrio, pelo qual estas podem tomar conselho e fazer escolha. Por isso se diz significativamente: "Na mão do seu próprio conselho." Mas, como o próprio ato do livre-arbítrio é remontado a Deus como a uma causa, segue-se necessariamente que tudo o que acontece pelo exercício do livre-arbítrio deve estar sujeito à providência divina. Pois a providência humana está incluída sob a providência de Deus, como uma particular sob uma causa universal. Deus, contudo, estende a sua providência sobre os justos de um modo mais excelente do que sobre os ímpios; na medida em que impede que aconteça algo que impeça a sua salvação final. Pois "para aqueles que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o bem" (Rm 8,28). Mas pelo fato de não conter os ímpios do mal do pecado, diz-se que os abandona; não que retire totalmente deles a sua providência; de outro modo, voltariam ao nada, se não fossem conservados na existência pela sua providência. Esta foi a razão que pesou para Túlio, que retirou do cuidado da providência divina os assuntos humanos sobre os quais tomamos conselho. Resposta à objeção 5: Visto que a criatura racional, pelo seu livre-arbítrio, tem controle sobre as suas ações, como foi dito acima (Q. 19, art. 10), está sujeita à providência divina de modo especial, de modo que algo lhe é imputado como falta ou como mérito; e se lhe dá algo em consequência a título de castigo ou recompensa. Deste modo, o Apóstolo exclui os bois do cuidado de Deus; não, porém, que as criaturas irracionais individuais escapem ao cuidado da providência divina; como era a opinião do Rabi Moisés.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether everything is subject to the providence of God? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o número dos predestinados não é certo. Porque um número ao qual se pode acrescentar não é certo. Ora, pode-se acrescentar ao número dos predestinados, segundo parece; pois está escrito (Dt 1,11): «O Senhor vosso Deus acrescente a este número muitos milhares», e uma glosa acrescenta: «fixado por Deus, que conhece os que Lhe pertencem.» Logo, o número dos predestinados não é certo. **Objeção 2:** Ademais, não se pode dar razão por que Deus preordenou para a salvação um número de homens antes que outro. Ora, nada é disposto por Deus sem razão. Logo, o número dos que hão de ser salvos, preordenado por Deus, não pode ser certo. **Objeção 3:** Ademais, as operações de Deus são mais perfeitas do que as da natureza. Ora, nas obras da natureza, o bem se encontra na maioria das coisas; o defeito e o mal, na minoria. Se, pois, o número dos salvos fosse fixado por Deus em uma certa quantidade, haveria mais salvos do que perdidos. Contudo, segue-se o contrário de Mt 7,13-14: «Porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Quão estreita é a porta, e quão apertado o caminho que leva à vida! e poucos há que o encontrem!» Logo, o número dos que foram preordenados por Deus para a salvação não é certo. **Em contrário,** diz Agostinho (De Corr. et Grat. 13): «O número dos predestinados é certo, e não pode ser aumentado nem diminuído.» **Respondo que** o número dos predestinados é certo. Alguns disseram que é certo formalmente, mas não materialmente; como se disséssemos que é certo que cem ou mil serão salvos, mas não estes ou aqueles indivíduos. Mas isso destrói a certeza da predestinação, da qual falamos acima (A[6]). Portanto, devemos dizer que para Deus o número dos predestinados é certo, não só formalmente, mas também materialmente. Deve-se, contudo, observar que o número dos predestinados se diz certo para Deus, não por causa do seu conhecimento, isto é, pelo fato de saber quantos se salvarão (pois desse modo o número das gotas de chuva e das areias do mar é certo para Deus); mas por causa da sua escolha e determinação deliberadas. Para maior evidência disso, devemos lembrar que todo agente intenta fazer algo finito, como é claro pelo que foi dito acima quando tratamos do infinito (Q[7], AA[2],3). Ora, todo aquele que intenta uma certa medida em seu efeito concebe um número definido nas partes essenciais, que são por sua própria natureza requeridas para a perfeição do todo. Pois, daquelas coisas que não são requeridas principalmente, mas apenas por causa de outra, ele não seleciona um número definido *per se*; mas aceita e usa tantas quantas forem necessárias por causa daquela outra. Por exemplo, um construtor concebe as medidas definidas de uma casa, e também o número definido de cômodos que deseja fazer na casa; e medidas definidas das paredes e do teto; não seleciona, porém, um número definido de pedras, mas aceita e usa exatamente tantas quantas forem suficientes para as medidas requeridas da parede. Assim também devemos considerar a respeito de Deus em relação a todo o universo, que é seu efeito. Pois Ele preordenou as medidas de todo o universo, e qual número conviria às partes essenciais desse universo — isto é, que de algum modo foram ordenadas em perpetuidade; quantos céus, quantas estrelas, quantos elementos e quantas espécies. Os indivíduos, porém, que sofrem corrupção, não são ordenados como que principalmente para o bem do universo, mas de modo secundário, na medida em que o bem da espécie é preservado através deles. Por isso, embora Deus conheça o número total de indivíduos, o número de bois, moscas e coisas semelhantes não é preordenado por Deus *per se*; mas a providência divina produz exatamente tantos quantos são suficientes para a preservação da espécie. Ora, de todas as criaturas, a criatura racional é principalmente ordenada para o bem do universo, sendo como tal incorruptível; especialmente aqueles que alcançam a felicidade eterna, pois atingem mais imediatamente o fim último. Por isso, o número dos predestinados é certo para Deus; não só por modo de conhecimento, mas também por modo de uma preordenação principal. Não ocorre exatamente o mesmo no caso do número dos réprobos, que parecem ser preordenados por Deus para o bem dos eleitos, a respeito dos quais «todas as coisas cooperam para o bem» (Rm 8,28). Quanto ao número de todos os predestinados, alguns dizem que tantos homens se salvarão quantos anjos caíram; outros, tantos quantos foram os anjos que permaneceram; outros, tantos quantos foi o número de anjos criados por Deus. É, porém, melhor dizer que «só a Deus é conhecido o número daqueles a quem está reservada a felicidade eterna» [*Da oração 'secreta' do missal, *pro vivis et defunctis*]. **Resposta à Objeção 1:** Estas palavras do Deuteronômio devem ser tomadas como referidas àqueles que são designados por Deus de antemão em relação à justiça presente. Pois o número destes é aumentado e diminuído, mas não o número dos predestinados. **Resposta à Objeção 2:** A razão da quantidade de qualquer parte deve ser julgada pela proporção dessa parte para o todo. Assim, em Deus, a razão por que fez tantas estrelas, ou tantas espécies de coisas, ou predestinou tantos, é segundo a proporção das partes principais para o bem de todo o universo. **Resposta à Objeção 3:** O bem que é proporcionado ao estado comum da natureza encontra-se na maioria; e falta na minoria. O bem que excede o estado comum da natureza encontra-se na minoria; e falta na maioria. Assim, é claro que a maioria dos homens tem um conhecimento suficiente para a direção da vida; e aqueles que não têm este conhecimento são chamados débeis mentais ou tolos; mas os que atingem um conhecimento profundo das coisas inteligíveis são uma minoria muito pequena em relação aos restantes. Visto que a sua felicidade eterna, consistindo na visão de Deus, excede o estado comum da natureza, especialmente na medida em que esta é privada da graça pela corrupção do pecado original, os que são salvos estão em minoria. Nisto, porém, aparece especialmente a misericórdia de Deus, que escolheu alguns para aquela salvação, da qual muitos, segundo o curso e a tendência comuns da natureza, ficam aquém.

Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether the number of the predestined is certain? · séc. XIII

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