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Rm 8, 7

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Matos Soares

7Porque a aspiração da carne é inimiga de Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode estar.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a prudência da carne não é pecado. Pois a prudência é mais excelente que as outras virtudes morais, visto que as governa a todas. Ora, nenhuma justiça ou temperança é pecaminosa. Logo, também nenhuma prudência é pecado. Objeção 2: Ademais, não é pecado agir prudentemente para um fim que é lícito amar. Ora, é lícito amar a carne, «pois ninguém jamais odiou a sua própria carne» (Ef 5,29). Logo, a prudência da carne não é pecado. Objeção 3: Ademais, assim como o homem é tentado pela carne, também o é pelo mundo e pelo demónio. Ora, nenhuma prudência do mundo ou do demónio é considerada pecado. Logo, também nenhuma prudência da carne deve ser considerada entre os pecados. Em contrário, nenhum homem é inimigo de Deus senão pela maldade, segundo Sabedoria 14,9: «Igualmente aborrecíveis são para Deus o ímpio e a sua impiedade.» Ora, está escrito (Rm 8,7): «A prudência [Vulg.: 'sabedoria'] da carne é inimiga de Deus.» Portanto, a prudência da carne é pecado. Respondo que, como foi dito acima (Q.47, A.13), a prudência diz respeito às coisas ordenadas ao fim de toda a vida. Donde a prudência da carne significa propriamente a prudência de um homem que considera os bens carnais como o fim último da sua vida. Ora, é evidente que isto é pecado, porque envolve uma desordem no homem quanto ao seu fim último, que não consiste nos bens do corpo, como foi dito acima (I-II, Q.2, A.5). Portanto, a prudência da carne é pecado. Resposta à objeção 1: A justiça e a temperança incluem na sua própria natureza aquilo que as coloca entre as virtudes, a saber, a igualdade e o freio da concupiscência; por isso nunca são tomadas em mau sentido. Ao passo que a prudência é assim chamada por prever [providendo], como foi dito acima (Q.47, A.1; Q.49, A.6), o que pode estender-se também às coisas más. Portanto, embora a prudência seja tomada simplesmente em bom sentido, se lhe for acrescentado algo, pode ser tomada em mau sentido; e é assim que a prudência da carne é dita pecado. Resposta à objeção 2: A carne existe por causa da alma, como a matéria por causa da forma, e o instrumento por causa do agente principal. Portanto, a carne é amada licitamente se for ordenada ao bem da alma como seu fim. Se, porém, um homem colocar o seu fim último num bem da carne, o seu amor será desordenado e ilícito, e é assim que a prudência da carne é ordenada ao amor da carne. Resposta à objeção 3: O demónio tenta-nos não pelo bem do objeto apetecível, mas por via de sugestão. Por isso, visto que a prudência implica ordenação para um fim apetecível, não falamos de «prudência do demónio» como de uma prudência ordenada a um fim mau, que é o aspecto sob o qual o mundo e a carne nos tentam, na medida em que os bens mundanos ou carnais são propostos ao nosso apetite. Donde falamos de prudência «carnal» e também de prudência «mundana», segundo Lc 16,8: «Os filhos deste mundo são mais prudentes [Douay: 'sábios'] na sua geração», etc. O Apóstolo inclui tudo na «prudência da carne», porque cobiçamos as coisas externas do mundo por causa da carne. Podemos também responder que, visto que a prudência é chamada em certo sentido de «sabedoria», como foi dito acima (Q.47, A.2, ad 1), podemos distinguir uma tríplice prudência correspondente aos três tipos de tentação. Por isso está escrito (Tg 3,15) que há uma sabedoria que é «terrena, animal e diabólica», como foi explicado acima (Q.45, A.1, ad 1), quando tratávamos da sabedoria.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether prudence of the flesh is a sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a prudência da carne é pecado mortal. Pois é pecado mortal rebelar-se contra a lei divina, já que isso implica desprezo de Deus. Ora, «a prudência [Douay: 'sabedoria'] da carne... não está sujeita à lei de Deus» (Rm 8,7). Logo, a prudência da carne é pecado mortal. Objeção 2: Ademais, todo pecado contra o Espírito Santo é pecado mortal. Ora, a prudência da carne parece ser um pecado contra o Espírito Santo, pois «não pode sujeitar-se à lei de Deus» (Rm 8,7), e assim parece ser um pecado imperdoável, o que é próprio do pecado contra o Espírito Santo. Logo, a prudência da carne é pecado mortal. Objeção 3: Ademais, o maior mal opõe-se ao maior bem, como se diz na Ética VIII, 10. Ora, a prudência da carne opõe-se à prudência, que é a principal das virtudes morais. Logo, a prudência da carne é a principal entre os pecados mortais, portanto é pecado mortal. Em contrário, aquilo que diminui um pecado não tem por si natureza de pecado mortal. Ora, a busca refletida das coisas pertencentes ao cuidado da carne, que parece pertencer à prudência carnal, diminui o pecado [*Cf. Provérbios 6,30]. Logo, a prudência da carne não tem por si natureza de pecado mortal. Respondo que, como foi dito acima (Q.47, A.2, ad 1; A.13), diz-se que um homem é prudente de dois modos. Primeiro, simplesmente, isto é, em relação ao fim de toda a vida. Segundo, relativamente, isto é, em relação a algum fim particular; assim, diz-se que um homem é prudente nos negócios ou noutra coisa do género. Por conseguinte, se a prudência da carne for tomada como correspondente à prudência em sua significação absoluta, de modo que um homem coloque o fim último de toda a sua vida no cuidado da carne, é pecado mortal, porque se afasta de Deus por isso mesmo, visto que não pode ter vários fins últimos, como foi dito acima (I-II, Q.1, A.5). Se, por outro lado, a prudência da carne for tomada como correspondente à prudência particular, é pecado venial. Pois acontece às vezes que um homem tem uma afeição desordenada por algum prazer da carne, sem se afastar de Deus por pecado mortal; neste caso, ele não coloca o fim de toda a sua vida no prazer carnal. Aplicar-se para obter este prazer é pecado venial e pertence à prudência da carne. Se, porém, um homem refere realmente o cuidado da carne a um bom fim, como quando alguém é cuidadoso com a sua comida para sustentar o corpo, isso já não é prudência da carne, porque então usa o cuidado da carne como meio para um fim. Resposta à objeção 1: O Apóstolo fala daquela prudência carnal pela qual um homem coloca o fim de toda a sua vida nos bens da carne, e esta é pecado mortal. Resposta à objeção 2: A prudência da carne não implica pecado contra o Espírito Santo. Pois quando se diz que «não pode sujeitar-se à lei de Deus», não significa que aquele que tem a prudência da carne não possa converter-se e sujeitar-se à lei de Deus, mas que a própria prudência carnal não pode sujeitar-se à lei de Deus, assim como a injustiça não pode ser justa, nem o frio quente, embora aquilo que é quente possa tornar-se frio. Resposta à objeção 3: Todo pecado se opõe à prudência, assim como a prudência é participada por toda virtude. Mas não se segue que todo pecado oposto à prudência seja gravíssimo, mas apenas quando se opõe à prudência em matéria muito grave.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether prudence of the flesh is a mortal sin? · séc. XIII

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