Referência

Rm 9, 16

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

2

Comentários diretos

0

Autores distintos

2

Matos Soares

16Logo (isto) não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

2

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que fora conveniente que Deus se encarnasse no princípio do gênero humano. Porque a obra da Encarnação procedeu da imensidade da caridade divina, conforme Efésios 2,4-5: «Mas Deus (que é rico em misericórdia), pela sua excessiva caridade com que nos amou…, ainda nós estávamos mortos em pecados, nos vivificou juntamente em Cristo.» Ora, a caridade não tarda em socorrer o amigo que padece necessidade, segundo Provérbios 3,28: «Não digas ao teu amigo: Vai e volta, e amanhã to darei, podendo dar-lhe desde logo.» Logo, Deus não devia ter diferido a obra da Encarnação, mas desde o princípio devia ter aliviado o gênero humano. **Objeção 2:** Demais, está escrito (1 Timóteo 1,15): «Cristo Jesus veio a este mundo para salvar os pecadores.» Ora, mais se salvariam se Deus se encarnasse no princípio do gênero humano; porque nos vários séculos muitos, por não conhecerem a Deus, pereceram no seu pecado. Logo, era conveniente que Deus se encarnasse no princípio do gênero humano. **Objeção 3:** Ademais, a obra da graça não é menos ordenada que a obra da natureza. Porém a natureza começa pelo mais perfeito, como diz Boécio (Da Consolação, III). Logo, a obra de Cristo devia ser perfeita desde o princípio. Ora, na obra da Encarnação vemos a perfeição da graça, segundo João 1,14: «O Verbo se fez carne»; e depois se acrescenta: «Cheio de graça e de verdade.» Portanto, Cristo devia ter-se encarnado no princípio do gênero humano. **Ao contrário,** está escrito (Gálatas 4,4): «Mas, vindo a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, feito de mulher, feito debaixo da lei»; sobre o que diz uma glosa que «a plenitude do tempo é quando foi decretado por Deus Pade enviar o seu Filho». Ora, Deus decretou todas as coisas pela sua sabedoria. Logo, Deus se encarnou no tempo mais conveniente; e não era conveniente que Deus se encarnasse no princípio do gênero humano. **Respondo** que, sendo a obra da Encarnação ordenada principalmente à restauração do gênero humano mediante a abolição do pecado, é manifesto que não foi conveniente que Deus se encarnasse no princípio do gênero humano antes do pecado. Porque o remédio só se dá aos enfermos. Donde o próprio Senhor diz (Mateus 9,12-13): «Os sãos não necessitam de médico, mas sim os doentes… Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores.» Nem foi conveniente que Deus se encarnasse imediatamente após o pecado. Primeiro, pelo modo do pecado do homem, que proviera da soberba; por isso convinha que o homem fosse libertado de modo que se humilhasse e visse que precisava de um libertador. Donde, sobre as palavras em Gálatas 3,19, «Ordenada por anjos na mão de um mediador», diz uma glosa: «Com grande sabedoria foi assim ordenado, que o Filho do homem não fosse enviado imediatamente após a queda do homem. Pois primeiramente deixou Deus o homem sob a lei natural, com a liberdade de seu arbítrio, para que conhecesse as suas forças naturais; e, falhando nelas, recebeu a lei; donde, por culpa não da lei, mas da sua natureza, a doença se fortaleceu; a fim de que, reconhecida a sua enfermidade, clamasse pelo médico e rogasse o auxílio da graça.» Segundo, pela ordem do progresso no bem, pelo qual procedemos da imperfeição para a perfeição. Donde o Apóstolo diz (1 Coríntios 15,46-47): «O que é espiritual não foi primeiro, mas o que é natural; depois o que é espiritual… O primeiro homem, da terra, terreno; o segundo homem, do céu, celestial.» Terceiro, pela dignidade do Verbo encarnado; pois sobre as palavras (Gálatas 4,4), «Mas, vindo a plenitude do tempo», diz uma glosa: «Quanto maior era o juiz que vinha, tanto mais numeroso devia ser o bando de arautos que o precedesse.» Quarto, para que o fervor da fé não esmorecesse pela longura do tempo, porque a caridade de muitos se esfriará no fim do mundo. Donde (Lucas 18,8) está escrito: «Mas o Filho do homem, quando vier, porventura achará fé sobre a terra?» **Resposta à objeção 1:** A caridade não tarda em socorrer o amigo, atendendo sempre às circunstâncias e ao estado das pessoas. Porque se o médico desse o remédio logo no começo da doença, faria menos proveito e antes prejudicaria que beneficiaria. Por isso o Senhor não concedeu ao gênero humano o remédio da Encarnação no princípio, para que não o desprezassem por soberba, se já não reconhecessem a sua doença. **Resposta à objeção 2:** Agostinho responde a isto (Das Seis Questões dos Pagãos, Epístola 102, questão 2), dizendo que «Cristo quis aparecer aos homens e fazer-lhes pregar a sua doutrina quando e onde sabia que estavam os que haviam de crer nele. Mas nos tempos e lugares em que o seu Evangelho não foi pregado, previu que nem todos, na verdade, mas muitos se portariam de tal modo diante da sua pregação, que não creriam na sua presença corporal, ainda que ressuscitasse os mortos.» Porém o mesmo Agostinho, objetando a esta resposta no livro Da Perseverança (cap. 9), diz: «Como podemos dizer que os habitantes de Tiro e de Sidom não creriam, quando tais grandes maravilhas foram feitas no meio deles, ou que não creriam se fossem feitas, quando o próprio Deus testemunha que eles teriam feito penitência com grande humildade se estes sinais do poder divino tivessem sido feitos no meio deles?» E acrescenta em resposta (cap. 11): «Donde, como diz o Apóstolo (Romanos 9,16), “não é do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia”; o qual (socorre a quem quer) daqueles que, como previu, creriam nos seus milagres se fossem feitos entre eles, (a outros) não socorre, julgando-os na sua predestinação oculta, mas justa. Portanto, creiamos sem hesitação a sua misericórdia estar com os que são libertados, e a sua verdade com os que são condenados.» **Resposta à objeção 3:** A perfeição é anterior à imperfeição, no tempo e na natureza, nas coisas diversas (pois o que leva outras à perfeição deve ser perfeito); mas no mesmo ser, a imperfeição é anterior no tempo, embora posterior na natureza. Assim, a perfeição eterna de Deus precede na duração a imperfeição da natureza humana; mas a perfeição última desta, na união com Deus, é subsequente.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether it was fitting that God should become incarnate in the beginning of the human race? · séc. XIII

tradução automática

Beato Rabano Mauro

O Senhor olhou para ele e o conduziu ao arrependimento; estendeu a mão e lhe perdoou, e assim o discípulo encontrou a salvação, a qual «não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.» [Rom 9,16]

séc. IX

tradução automática