Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.
Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
J
São Jerônimo
Muitos, medindo os mandamentos de Deus por sua própria fraqueza, e não pela força dos santos, têm estes preceitos por impossíveis, e dizem que é virtude bastante não odiar os nossos inimigos; mas amá-los é um mandamento que excede a natureza humana cumprir. Cumpre, porém, entender que Cristo não impõe impossibilidades, mas a perfeição. Tal foi a disposição de Davi para com Saul e Absalão; o mártir Estêvão também orou por seus inimigos enquanto o apedrejavam, e Paulo desejava ser ele mesmo anátema pelos seus perseguidores. Jesus tanto ensinou como praticou o mesmo, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem."
séc. V
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que é mais meritório amar o próximo do que amar a Deus. Pois o que é mais meritório parece ser o que o Apóstolo preferiu. Ora, o Apóstolo preferiu o amor do próximo ao amor de Deus, segundo Rm 9,3: "Eu desejaria ser anátema de Cristo por meus irmãos." Logo, é mais meritório amar o próximo do que amar a Deus.
Objeção 2: Ademais, de certo modo parece ser menos meritório amar o amigo, como foi dito acima (A[7]). Ora, Deus é o nosso principal amigo, visto que "Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4,10). Logo, parece menos meritório amar a Deus.
Objeção 3: Ademais, o que é mais difícil parece ser mais virtuoso e meritório, pois "a virtude versa sobre o que é difícil e bom" (Ethic. ii, 3). Ora, é mais fácil amar a Deus do que amar o próximo, tanto porque todas as coisas amam a Deus naturalmente, como porque não há nada em Deus que não seja amável, e isto não se pode dizer do próximo. Logo, é mais meritório amar o próximo do que amar a Deus.
Em contrário, Aquilo por causa do qual uma coisa é tal, é ainda mais tal. Ora, o amor do próximo não é meritório, senão por ser amado por amor de Deus. Logo, o amor de Deus é mais meritório do que o amor do próximo.
Respondo: Esta comparação pode ser tomada de dois modos. Primeiro, considerando ambos os amores separadamente; e então, sem dúvida, o amor de Deus é o mais meritório, porque uma recompensa é devida a ele por si mesmo, visto que a recompensa última é o gozo de Deus, para o qual tende o movimento do amor divino; por isso, uma recompensa é prometida àquele que ama a Deus (Jo 14,21): "Aquele que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu Me manifestarei a ele." Segundo, a comparação pode ser entendida entre o amor de Deus apenas, de um lado, e o amor do próximo por amor de Deus, do outro. Deste modo, o amor do próximo inclui o amor de Deus, enquanto o amor de Deus não inclui o amor do próximo. Por isso, a comparação será entre o amor perfeito de Deus, que se estende também ao próximo, e o amor inadequado e imperfeito de Deus, pois "d'Ele recebemos este mandamento: quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1 Jo 4,21).
Resposta à Objeção 1: Segundo uma glosa, o Apóstolo não desejou isto, isto é, ser separado de Cristo por seus irmãos, quando estava em estado de graça, mas tinha-o desejado anteriormente quando estava em estado de incredulidade, de modo que não devemos imitá-lo a este respeito.
Podemos também responder, com Crisóstomo (De Compunct. i, 8) [*Hom. xvi in Ep. ad Rom.], que isto não prova que o Apóstolo amou mais o próximo do que a Deus, mas que amou mais a Deus do que a si mesmo. Pois desejou ser privado por um tempo da fruição divina, que pertence ao amor de si mesmo, para que Deus fosse honrado no próximo, o que pertence ao amor de Deus.
Resposta à Objeção 2: O amor de um homem pelos seus amigos é por vezes menos meritório na medida em que os ama por si mesmos, de modo a faltar à verdadeira razão da amizade da caridade, que é Deus. Por isso, que Deus seja amado por Si mesmo não diminui o mérito, mas é toda a razão do mérito.
Resposta à Objeção 3: O "bem" tem mais a ver com a razão do mérito e da virtude do que o "difícil". Portanto, não se segue que tudo o que é mais difícil é mais meritório, mas apenas o que é mais difícil e, ao mesmo tempo, melhor.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether it is more meritorious to love one's neighbor than to love God? · séc. XIII