Referência

Ct 2, 4

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Matos Soares

4Ele introduziu-me na sala do festim, desfraldou contra mim a bandeira do amor.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não há ordem na caridade. Pois a caridade é uma virtude. Ora, nenhuma ordem é atribuída às outras virtudes. Logo, também não se deve atribuir nenhuma ordem à caridade. Objeção 2: Ademais, assim como o objeto da fé é a Primeira Verdade, assim o objeto da caridade é o Sumo Bem. Ora, na fé não se estabelece ordem alguma, mas todas as coisas são igualmente cridas. Logo, também na caridade não deve haver ordem alguma. Objeção 3: Ademais, a caridade está na vontade; ordenar, porém, não pertence à vontade, mas à razão. Logo, nenhuma ordem deve ser atribuída à caridade. Ao contrário, está escrito (Ct 2,4): "Introduziu-me na adega do vinho, pôs em ordem em mim a caridade." Respondo que, como diz o Filósofo (Metaf. V, texto 16), os termos "antes" e "depois" são empregados com referência a algum princípio. Ora, a ordem implica que certas coisas estejam, de algum modo, antes ou depois. Portanto, onde quer que haja um princípio, necessariamente também há algum tipo de ordem. Mas já foi dito acima (q.23, a.1; q.25, a.12) que o amor de caridade tende a Deus como ao princípio da bem-aventurança, na comunhão da qual se funda a amizade da caridade. Por conseguinte, é necessário que haja alguma ordem nas coisas amadas por caridade, ordem essa que se refere ao primeiro princípio desse amor, que é Deus. Resposta à objeção 1: A caridade tende ao fim último considerado como fim último; e isso não se aplica a nenhuma outra virtude, como foi dito acima (q.23, a.6). Ora, o fim tem caráter de princípio nas coisas do apetite e da ação, como foi demonstrado acima (q.23, a.7, ad 2; FS, a.1, ad 1). Por onde, a caridade, acima de tudo, implica relação ao Primeiro Princípio e, consequentemente, na caridade, acima de tudo, encontramos uma ordem referente ao Primeiro Princípio. Resposta à objeção 2: A fé pertence à potência cognitiva, cuja operação depende de a coisa conhecida estar no conhecedor. A caridade, ao contrário, está numa potência apetitiva, cuja operação consiste na alma tender para as próprias coisas. Ora, a ordem encontra-se nas próprias coisas e delas flui para o nosso conhecimento. Por isso, a ordem é mais apropriada à caridade do que à fé. E, no entanto, há certa ordem também na fé, enquanto ela diz respeito principalmente a Deus e secundariamente às coisas referidas a Deus. Resposta à objeção 3: A ordem pertence à razão como à faculdade que ordena, e à potência apetitiva como à faculdade que é ordenada. É dessa maneira que se diz que a ordem está na caridade.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether there is order in charity? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a ordem da caridade não está incluída no preceito. Porque todo aquele que transgride um preceito comete uma injúria. Ora, se um homem ama a alguém tanto quanto deve, e ama a outro mais, a ninguém injuria. Logo, não transgride o preceito. Portanto, a ordem da caridade não está incluída no preceito. Objeção 2: Demais, tudo quanto é matéria de preceito é-nos suficientemente transmitido na Sagrada Escritura. Ora, a ordem da caridade, que foi dada acima (Q[26]), em parte alguma é indicada na Sagrada Escritura. Logo, não está incluída no preceito. Objeção 3: Demais, a ordem implica alguma distinção. Ora, o amor do próximo é prescrito sem distinção alguma, nas palavras: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo.» Logo, a ordem da caridade não está incluída no preceito. Em contrário, Tudo o que Deus opera em nós pela sua graça, primeiro no-lo ensina por sua Lei, segundo Jeremias 31,33: «Porei a minha Lei no seu coração [*Vulg.: ‘nas suas entranhas, e a escreverei no seu coração’].» Ora, Deus causa em nós a ordem da caridade, segundo o Cântico dos Cânticos 2,4: «Ordenou em mim a caridade.» Logo, a ordem da caridade cai sob o preceito da Lei. Respondo que, como foi dito acima (A[4], ad 1), o modo que é essencial a um ato de virtude cai sob o preceito que prescreve aquele ato virtuoso. Ora, a ordem da caridade é essencial à virtude, pois se baseia na proporção do amor ao objeto amado, como foi mostrado acima (Q[25], A[12]; Q[26], AA[1],2). É, portanto, evidente que a ordem da caridade deve cair sob o preceito. Resposta à Objeção 1: Um homem gratifica mais a pessoa que ama mais; de modo que, se amasse menos aquele que devia amar mais, desejaria gratificar mais aquele que devia gratificar menos, e assim faria injúria àquele que devia amar mais. Resposta à Objeção 2: A ordem das quatro coisas que devemos amar por caridade é expressa na Sagrada Escritura. Pois, quando nos é mandado amar a Deus de «todo o nosso coração», dá-se-nos a entender que O devemos amar acima de todas as coisas. Quando nos é mandado amar o próximo «como a nós mesmos», o amor de si mesmo é posto antes do amor do próximo. De igual modo, quando nos é mandado (1 João 3,16) «dar a vida», isto é, a vida do corpo, «pelos irmãos», dá-se-nos a entender que o homem deve amar o próximo mais do que o próprio corpo; e novamente, quando nos é mandado (Gálatas 6,10) «fazer o bem… especialmente aos que são da família da fé», e quando um homem é repreendido (1 Timóteo 5,8) se não «tem cuidado dos seus, e especialmente dos de sua casa», significa que devemos amar mais aqueles dos nossos próximos que são mais virtuosos ou mais chegados a nós. Resposta à Objeção 3: Segue-se das próprias palavras: «Amarás o teu próximo» que os que nos são mais próximos devem ser mais amados.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether the order of charity is included in the precept? · séc. XIII

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