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Sb 1, 4

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Matos Soares

4E assim na alma maligna não entrará a sabedoria, nem habitará no corpo sujeito ao pecado,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que, ao ser santificada no ventre, a Bem-aventurada Virgem não foi preservada de todo pecado atual. Pois, como já dissemos (A[3]), após a sua primeira santificação, o fomes permaneceu na Virgem. Ora, o movimento do fomes, ainda que preceda o ato da razão, é pecado venial, embora levíssimo, como diz Agostinho em sua obra *De Trinitate* [*Cf. Sent. ii, D, 24]. Logo, houve algum pecado venial na Bem-aventurada Virgem. **Objeção 2:** Ademais, Agostinho (Qq. Nov. et Vet. Test. lxxiii sobre Lc 2,35: "Uma espada traspassará a tua alma") diz que a Bem-aventurada Virgem "foi perturbada por uma dúvida de admiração na morte de Nosso Senhor". Ora, a dúvida nas coisas da fé é pecado. Portanto, a Bem-aventurada Virgem não foi preservada de todo pecado atual. **Objeção 3:** Ademais, Crisóstomo (Hom. xlv in Matth.), comentando o texto: "Eis que tua mãe e teus irmãos estão fora, e te buscam", diz: "É claro que fizeram isto por mera vanglória." Ainda sobre Jo 2,3: "Não têm vinho", o mesmo Crisóstomo diz que "ela desejava fazer-lhes um favor e elevar-se na estima deles por meio de seu Filho; e talvez sucumbiu à fraqueza humana, assim como fizeram seus irmãos quando disseram: 'Manifesta-te ao mundo.'" E um pouco adiante diz: "Porque ainda não cria nele como devia." Ora, é bastante claro que tudo isto era pecaminoso. Logo, a Bem-aventurada Virgem não foi preservada de todo pecado. **Ao contrário,** Agostinho diz (De Nat. et Grat. xxxvi): "Em matéria de pecado, é meu desejo excluir absolutamente todas as questões concernentes à santa Virgem Maria, por causa da honra devida a Cristo. Pois, como ela concebeu e deu à luz Àquele que certissimamente não era réu de pecado algum, sabemos que lhe foi dada uma abundância de graça, para que fosse de todo modo vencedora do pecado." **Respondo que:** Deus prepara e adorna aqueles que escolhe para algum ofício particular de modo que sejam tornados capazes de cumpri-lo, segundo 2 Coríntios 3,6: "(O qual) nos fez ministros idôneos do Novo Testamento." Ora, a Bem-aventurada Virgem foi escolhida por Deus para ser sua Mãe. Portanto, não pode haver dúvida de que Deus, por sua graça, a tornou digna daquele ofício, segundo as palavras que lhe foram ditas pelo anjo (Lc 1,30-31): "Achaste graça diante de Deus: eis que conceberás," etc. Mas ela não teria sido digna de ser a Mãe de Deus, se alguma vez tivesse pecado. Primeiro, porque a honra dos pais reflete sobre o filho, segundo Provérbios 17,6: "A glória dos filhos são os pais"; e, consequentemente, por outro lado, a vergonha da Mãe teria refletido sobre seu Filho. Segundo, por causa da singular afinidade entre ela e Cristo, que dela tomou a carne, e está escrito (2 Coríntios 6,15): "Que concórdia há entre Cristo e Belial?" Terceiro, por causa do modo singular pelo qual o Filho de Deus, que é a "Sabedoria Divina" (1 Coríntios 1,24), habitou nela, não só na alma, mas no ventre. E está escrito (Sabedoria 1,4): "A sabedoria não entrará na alma maliciosa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado." Devemos, portanto, confessar simplesmente que a Bem-aventurada Virgem não cometeu nenhum pecado atual, nem mortal nem venial; de modo que se cumpre o que está escrito (Cânticos 4,7): "Toda formosa és, amiga minha, e não há mácula em ti," etc. **Resposta à objeção 1:** Após a sua santificação, o fomes permaneceu na Bem-aventurada Virgem, mas atado, para que não fosse surpreendida por algum ato desordenado súbito, anterior ao ato da razão. E embora a graça da sua santificação contribuísse para esse efeito, todavia não bastava; pois de outro modo o resultado da sua santificação teria sido tornar impossível nela qualquer movimento sensível não precedido por um ato da razão, e assim ela não teria tido o fomes, o que é contrário ao que dissemos acima (A[3]). Devemos, portanto, dizer que o referido atamento (do fomes) foi aperfeiçoado pela divina providência, não permitindo que do fomes resultasse nenhum movimento desordenado. **Resposta à objeção 2:** Orígenes (Hom. xvii in Luc.) e certos outros doutores expõem estas palavras de Simeão como referindo-se à dor que ela sofreu por ocasião da Paixão de Nosso Senhor. Ambrósio (in Luc. 2,35) diz que a espada significa "a prudência de Maria, que tomava nota do mistério celeste. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes" (Hebreus 4,12). Outros, ainda, tomam a espada como significando dúvida. Mas isto se deve entender da dúvida, não de incredulidade, mas de admiração e discussão. Assim, Basílio diz (Ep. ad Optim.) que "a Bem-aventurada Virgem, estando junto à cruz e observando cada detalhe, após a mensagem de Gabriel e o inefável conhecimento da Concepção Divina, após aquela maravilhosa manifestação de milagres, foi perturbada em sua mente": isto é, por um lado vendo-O sofrer tamanha humilhação, e por outro considerando suas obras maravilhosas. **Resposta à objeção 3:** Nessas palavras, Crisóstomo vai longe demais. Podem, contudo, ser explicadas como significando que Nosso Senhor corrigiu nela, não o movimento desordenado de vanglória a respeito de si mesma, mas o que poderia estar nos pensamentos de outros.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether by being sanctified in the womb the Blessed Virgin was preserved from all actual sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a sabedoria pode existir sem graça e com pecado mortal. Porque os santos se gloriam principalmente naquelas coisas que são incompatíveis com o pecado mortal, conforme 2 Cor 1,12: «A nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência.» Ora, não se deve gloriar alguém na sua sabedoria, conforme Jer 9,23: «Não se glorie o sábio na sua sabedoria.» Portanto, a sabedoria pode existir sem graça e com pecado mortal. Objeção 2: Além disso, sabedoria denota conhecimento das coisas divinas, como foi dito acima (A[1]). Ora, quem está em pecado mortal pode ter conhecimento da verdade divina, conforme Rom 1,18: «Homens que detêm a verdade de Deus em injustiça.» Portanto, a sabedoria é compatível com o pecado mortal. Objeção 3: Além disso, Agostinho diz (De Trin. xv, 18), falando da caridade: «Nada supera este dom de Deus; é ele só que separa os filhos do reino eterno dos filhos da perdição eterna.» Mas a sabedoria é distinta da caridade. Logo, ela não divide os filhos do reino dos filhos da perdição. Portanto, é compatível com o pecado mortal. Ao contrário, está escrito (Sb 1,4): «A sabedoria não entrará na alma maliciosa, nem habitará no corpo sujeito a pecados.» Respondo: A sabedoria que é um dom do Espírito Santo, como foi dito acima (A[1]), nos capacita a julgar retamente das coisas divinas, ou das outras coisas segundo as regras divinas, por uma certa comaturalidade ou união com as coisas divinas, que é efeito da caridade, como foi dito acima (A[2]; Q[23], A[5]). Portanto, a sabedoria de que falamos pressupõe a caridade. Ora, a caridade é incompatível com o pecado mortal, como foi demonstrado acima (Q[24], A[12]). Donde se segue que a sabedoria de que falamos não pode existir juntamente com o pecado mortal. Resposta à Objeção 1: Estas palavras devem ser entendidas como referindo-se à sabedoria mundana, ou à sabedoria nas coisas divinas adquirida por razões humanas. Em tal sabedoria não se gloriam os santos, conforme Prov 30,2: «A sabedoria dos homens não está comigo»; mas eles se gloriam na sabedoria divina, conforme 1 Cor 1,30: «O qual, por Deus, nos foi feito sabedoria.» Resposta à Objeção 2: Este argumento considera, não a sabedoria de que falamos, mas aquela que é adquirida pelo estudo e investigação da razão, e é compatível com o pecado mortal. Resposta à Objeção 3: Embora a sabedoria seja distinta da caridade, ela a pressupõe, e por essa mesma razão divide os filhos da perdição dos filhos do reino.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether wisdom can be without grace, and with mortal sin? · séc. XIII

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Sb 1, 4 nos Padres da Igreja | Aurea