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Sb 11, 26

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Matos Soares

26E como poderia subsistir uma coisa, se tu o não quisesses? Ou de que modo se conservaria o que por ti não fosse chamado?

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que a vontade de Deus não é a causa das coisas. Porque Dionísio diz (Div. Nom. iv, 1): "Assim como o nosso sol, não por razão nem por pre-eleição, mas pelo seu próprio ser, ilumina todas as coisas que podem participar da sua luz, assim o bem divino pela sua própria essência derrama os raios da bondade sobre tudo o que existe." Ora, todo agente voluntário age por razão e por pre-eleição. Logo, Deus não age por vontade; e portanto a sua vontade não é a causa das coisas. Objecção 2: Além disso, o primeiro em qualquer ordem é aquilo que o é essencialmente; assim, na ordem das coisas que queimam, o primeiro é o fogo pela sua essência. Ora, Deus é o primeiro agente. Logo, Ele age pela sua essência; e esta é a sua natureza. Age, portanto, por natureza, e não por vontade. Logo, a vontade divina não é a causa das coisas. Objecção 3: Além disso, tudo o que é causa de alguma coisa por ser "tal" coisa, é causa por natureza, e não por vontade. Porque o fogo é causa do calor, por ser ele mesmo quente; ao passo que um arquiteto é causa de uma casa, porque quer construí-la. Ora, Agostinho diz (De Doctr. Christ. i, 32): "Porque Deus é bom, existimos." Logo, Deus é causa das coisas pela sua natureza, e não pela sua vontade. Objecção 4: Além disso, de uma só coisa há uma só causa. Ora, as coisas criadas são o conhecimento de Deus, como se disse antes (Q[14], A[8]). Logo, a vontade de Deus não pode ser considerada a causa das coisas. Em contrário, diz-se (Sab. 11, 26): "Como poderia alguma coisa durar, se Tu não quisesses?" Respondo que é necessário sustentar que a vontade de Deus é a causa das coisas; e que Ele age pela vontade, e não, como alguns supuseram, por uma necessidade da sua natureza. Isto pode ser mostrado de três modos: Primeiro, pela própria ordem das causas agentes. Pois tanto o intelecto como a natureza agem por um fim, como se prova na Física ii, 49; o agente natural deve ter o fim e os meios necessários predeterminados para ele por algum intelecto superior; assim como o fim e o movimento determinado são predeterminados para a flecha pelo arqueiro. Logo, o agente intelectual e voluntário deve preceder o agente que age por natureza. Portanto, como Deus é o primeiro na ordem dos agentes, Ele deve agir por intelecto e vontade. Isto mostra-se, segundo, pelo caráter de um agente natural, cuja propriedade é produzir um mesmo efeito; porque a natureza opera sempre do mesmo modo, a menos que seja impedida. Isto porque a natureza do ato está de acordo com a natureza do agente; e portanto, enquanto este tiver essa natureza, os seus atos estarão de acordo com ela; pois todo agente natural tem um ser determinado. Ora, como o Ser Divino é indeterminado e contém em Si mesmo a plenitude total do ser, não pode ser que Ele aja por uma necessidade da sua natureza, a menos que viesse a causar algo indeterminado e indefinido no ser; e que isto é impossível já se mostrou antes (Q[7], A[2]). Não age, portanto, por uma necessidade da sua natureza, mas os efeitos determinados procedem da sua própria perfeição infinita segundo a determinação da sua vontade e do seu intelecto. Terceiro, mostra-se pela relação dos efeitos com a sua causa. Pois os efeitos procedem do agente que os causa, enquanto preexistem no agente; visto que todo agente produz o seu semelhante. Ora, os efeitos preexistem na sua causa segundo o modo da causa. Portanto, como o Ser Divino é o seu próprio intelecto, os efeitos preexistem n'Ele segundo o modo do intelecto, e por isso procedem d'Ele segundo o mesmo modo. Consequentemente, procedem d'Ele segundo o modo da vontade, pois a sua inclinação a pôr em ato o que o seu intelecto concebeu pertence à vontade. Logo, a vontade de Deus é a causa das coisas. Resposta à Objecção 1: Dionísio, nestas palavras, não tenciona excluir totalmente a eleição de Deus; mas apenas em certo sentido, enquanto Ele comunica a sua bondade não apenas a certas coisas, mas a todas; e porque a eleição implica uma certa distinção. Resposta à Objecção 2: Porque a essência de Deus é o seu intelecto e a sua vontade; do facto de Ele agir pela sua essência, segue-se que age segundo o modo do intelecto e da vontade. Resposta à Objecção 3: O bem é o objeto da vontade. As palavras, portanto, "Porque Deus é bom, existimos", são verdadeiras na medida em que a sua bondade é a razão de Ele querer todas as outras coisas, como se disse antes (A[2], ad 2). Resposta à Objecção 4: Mesmo em nós, a causa de um mesmo efeito é o conhecimento como dirigindo-o, pelo qual a forma da obra é concebida, e a vontade como mandando-o, pois a forma como está apenas no intelecto não é determinada a existir ou não existir no efeito, senão pela vontade. Por isso, o intelecto especulativo nada tem a ver com a operação. Mas a potência é causa como executando o efeito, pois designa o princípio imediato da operação. Ora, em Deus, todas estas coisas são uma só.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether the will of God is the cause of things? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que as cinco expressões da vontade — a saber, proibição, preceito, conselho, operação e permissão — não são acertadamente atribuídas à vontade divina. Porque as mesmas coisas que Deus nos manda fazer pelo seu preceito ou conselho, essas mesmas Ele opera às vezes em nós; e as mesmas que Ele proíbe, essas às vezes permite. Não devem, portanto, ser enumeradas como distintas. **Objeção 2:** Além disso, Deus nada obra senão o que quer, como diz a Escritura (Sab. 11,26). Ora, a vontade de expressão é distinta da vontade de beneplácito. Logo, a operação não deve ser compreendida na vontade de expressão. **Objeção 3:** Além disso, a operação e a permissão dizem respeito a todas as criaturas em comum, pois Deus obra em todas elas e permite alguma ação em todas. Mas o preceito, o conselho e a proibição pertencem somente às criaturas racionais. Logo, não se classificam acertadamente sob uma mesma divisão, por não serem da mesma ordem. **Objeção 4:** Além disso, o mal se dá de mais modos que o bem, pois “o bem se dá de um modo, mas o mal de todos os modos”, como declara o Filósofo (Ética, II, 6) e Dionísio (Div. Nom. IV, 22). Não é, pois, acertado atribuir-se apenas uma expressão para o mal — a saber, a proibição — e duas — a saber, conselho e preceito — para o bem. **Respondo que:** Por estes sinais nomeamos a expressão da vontade pela qual costumamos mostrar que queremos alguma coisa. O homem pode mostrar que quer alguma coisa, ou por si mesmo ou por meio de outro. Pode mostrá-lo por si mesmo, fazendo alguma coisa diretamente, ou indireta e acidentalmente. Mostra-o diretamente quando obra em sua própria pessoa; e desse modo a expressão de sua vontade é o seu próprio operar. Mostra-o indiretamente, não impedindo que se faça uma coisa; pois aquilo que remove um impedimento é chamado motor acidental. Neste sentido a expressão se chama permissão. Declara a sua vontade por meio de outro quando ordena que outrem realize uma obra, quer insistindo nela como necessária, por preceito, e proibindo o contrário; quer por persuasão, que é parte do conselho. Visto que por estas maneiras a vontade do homem se dá a conhecer, as mesmas cinco são às vezes denominadas com respeito à vontade divina, como expressão daquela vontade. Que preceito, conselho e proibição se chamem vontade de Deus é claro pelas palavras de Mateus 6,10: “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.” Que permissão e operação se chamem vontade de Deus é claro por Agostinho (Enquirídio, 95), que diz: “Nada se faz, senão que o Todo-Poderoso quer que se faça, ou permitindo-o, ou efetivamente fazendo-o.” Ou pode-se dizer que permissão e operação se referem ao tempo presente — a permissão com respeito ao mal, a operação com respeito ao bem. Quanto ao tempo futuro, a proibição diz respeito ao mal, o preceito ao bem necessário, e o conselho ao bem de supererogação. **Resposta à Objeção 1:** Nada impede que alguém declare a sua vontade acerca da mesma matéria de modos diversos; assim, encontramos muitas palavras que significam a mesma coisa. Logo, não há razão para que a mesma coisa não seja objeto de preceito, operação e conselho; ou de proibição e permissão. **Resposta à Objeção 2:** Assim como Deus pode ser dito, por metáfora, querer o que pela sua vontade propriamente dita não quer; assim também pode ser dito, por metáfora, querer o que efetivamente faz, propriamente falando, querer. Portanto, nada impede que a mesma coisa seja objeto da vontade de beneplácito e da vontade de expressão. Mas a operação é sempre a mesma que a vontade de beneplácito; o preceito e o conselho, porém, não, tanto porque aquela se refere ao presente e estes ao futuro; como porque aquela é por si mesma o efeito da vontade, ao passo que estes são o efeito dela cumprido por meio de outro. **Resposta à Objeção 3:** As criaturas racionais são senhoras de seus próprios atos; e por isso se atribuem certas expressões especiais da vontade divina aos seus atos, na medida em que Deus ordena as criaturas racionais a agir voluntariamente e por si mesmas. As demais criaturas agem somente movidas pela operação divina; portanto, apenas a operação e a permissão lhes dizem respeito. **Resposta à Objeção 4:** Todo mal de pecado, embora aconteça de muitos modos, concorda em estar em desacordo com a vontade divina. Por isso, com respeito ao mal, atribui-se apenas uma expressão, que é a proibição. Ao contrário, o bem está em diversas relações com a bondade divina, pois há boas obras sem as quais não podemos alcançar a fruição daquela bondade, e estas são objeto de preceito; e há outras pelas quais a alcançamos mais perfeitamente, e estas são objeto de conselho. Ou pode-se dizer que o conselho não diz respeito somente à obtenção de um bem maior, mas também à evitação de males menores.

Summa Theologiae — First Part · Article. 12 - Whether five expressions of will are rightly assigned to the divine will? · séc. XIII

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Sb 11, 26 nos Padres da Igreja | Aurea