Referência

Sb 2, 24

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Matos Soares

24Por inveja do demônio, é que entrou no mundo a morte;

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o diabo não é a cabeça dos ímpios. Pois pertence à cabeça difundir o sentido e o movimento nos membros, como diz uma glosa sobre Efés. 1,22: «E o constituiu cabeça», etc. Mas o diabo não tem poder de espalhar o mal do pecado, que procede da vontade do pecador. Logo, o diabo não pode ser chamado cabeça dos ímpios. Objeção 2: Além disso, por todo pecado o homem se torna mau. Mas nem todo pecado vem do diabo; e isto é claro quanto aos demônios, que não pecaram por persuasão de outrem; assim também nem todo pecado do homem procede do diabo, pois se diz (De Eccles. Dogm. lxxxii): «Nem todos os nossos maus pensamentos são sempre suscitados pela sugestão do diabo; mas às vezes brotam do movimento de nossa vontade.» Portanto, o diabo não é cabeça de todos os ímpios. Objeção 3: Além disso, uma cabeça é colocada sobre um corpo. Mas toda a multidão dos ímpios não parece ter nada em que esteja unida, pois o mal é contrário ao mal e provém de diversos defeitos, como diz Dionísio (Div. Nom. iv). Logo, o diabo não pode ser chamado cabeça de todos os ímpios. Pelo contrário, uma glosa [*S. Gregório, Moral. xiv] sobre Jó 18,17: «Pereça a sua memória da terra», diz: «Isto se diz de todo ímpio, mas de modo a ser referido à cabeça», isto é, o diabo. Respondo que, como se disse acima (A[6]), a cabeça não só influi interiormente nos membros, mas também os governa exteriormente, dirigindo suas ações a um fim. Por isso pode-se dizer que alguém é cabeça de uma multidão, ou quanto a ambos, isto é, pela influência interior e pelo governo exterior, e assim Cristo é a Cabeça da Igreja, como foi dito (A[6]); ou quanto ao governo exterior, e assim todo príncipe ou prelado é cabeça da multidão a ele sujeita. E desta maneira o diabo é cabeça de todos os ímpios. Pois, como está escrito (Jó 41,25): «Ele é rei sobre todos os filhos da soberba.» Ora, pertence ao governante conduzir aqueles que governa ao seu fim. Mas o fim do diabo é a aversão da criatura racional de Deus; desde o princípio ele se esforçou por levar o homem a desobedecer ao preceito divino. Mas a aversão de Deus tem natureza de fim, na medida em que é buscada sob a aparência de liberdade, segundo Jer. 2,20: «Desde outrora quebraste o meu jugo, rompeste as minhas cadeias e disseste: Não servirei.» Portanto, na medida em que alguns são levados a este fim pelo pecado, caem sob o domínio e governo do diabo, e por isso ele é chamado sua cabeça. Resposta à Objeção 1: Embora o diabo não influa interiormente na mente racional, contudo a engana para o mal pela persuasão. Resposta à Objeção 2: Um governante nem sempre sugere aos seus súditos que obedeçam à sua vontade; mas propõe a todos o sinal da sua vontade, em consequência do qual uns são incitados por induzimento, e outros por seu próprio livre-arbítrio, como é claro no chefe de um exército, cujo estandarte todos os soldados seguem, embora ninguém os persuada. Portanto, do mesmo modo, o primeiro pecado do diabo, que «peca desde o princípio» (1 João 3,8), é proposto a todos para ser seguido, e uns o imitam por sugestão dele, e outros por vontade própria, sem sugestão alguma. E assim o diabo é cabeça de todos os ímpios, na medida em que o imitam, segundo Sab. 2,24-25: «Pela inveja do diabo entrou a morte no mundo. E os que são da sua parte o seguem.» Resposta à Objeção 3: Todos os pecados concordam na aversão de Deus, embora difiram pela conversão a diferentes bens mutáveis.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether the devil is the head of all the wicked? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a inveja não é um vício capital. Porque os vícios capitais são distintos das suas filhas. Ora, a inveja é filha da vanglória; pois o Filósofo diz (Rhet. ii, 10) que "os amantes da honra e da glória são mais invejosos". Logo, a inveja não é um vício capital. Objeção 2: Ademais, os vícios capitais parecem ser menos graves do que os outros vícios que deles procedem. Porquanto Gregório diz (Moral. xxxi, 45): "Os vícios principais parecem insinuar-se na mente enganada sob algum pretexto, mas os que os seguem provocam a alma a toda a sorte de ultrajes e confundem a mente com o seu clamor desordenado." Ora, a inveja é, ao que parece, um pecado gravíssimo, porque Gregório afirma (Moral. v, 46): "Embora em toda a ação má que se pratica o veneno do nosso antigo inimigo seja infundido no coração do homem, contudo, nesta maldade, a serpente agita todas as suas entranhas e expele o fel do rancor, apto a penetrar profundamente no espírito." Logo, a inveja não é um pecado capital. Objeção 3: Ademais, parece que as suas filhas são inadequadamente assinaladas por Gregório (Moral. xxxi, 45), que diz que da inveja nascem "o ódio, a murmuração, a detração, a alegria pelas desgraças do próximo e a tristeza pela sua prosperidade". Porque a alegria pelas desgraças do próximo e a tristeza pela sua prosperidade parecem ser a própria inveja, como se depreende do que foi dito acima (A[3]). Logo, estas não devem ser assinaladas como filhas da inveja. Em sentido contrário, está a autoridade de Gregório (Moral. xxxi, 45), que afirma ser a inveja um pecado capital e lhe assina as referidas filhas. Respondo que, assim como a preguiça é tristeza por um bem espiritual divino, assim a inveja é tristeza pelo bem do próximo. Ora, foi dito acima (Q[35], A[4]) que a preguiça é um vício capital por isso mesmo que incita o homem a fazer certas coisas, com o propósito de evitar a tristeza ou de satisfazer as suas exigências. Por onde, a inveja é considerada um vício capital pela mesma razão. Resposta à Objeção 1: Como diz Gregório (Moral. xxxi, 45), "os vícios capitais são tão próximos entre si que um nasce do outro. Pois a primeira prole do orgulho é a vanglória, a qual, corrompendo a mente que ocupa, gera a inveja; porque, enquanto anela pelo poder de um nome vão, ressente-se com medo de que outro adquira esse poder." Consequentemente, a noção de vício capital não exclui que ele se origine de outro vício, mas exige que tenha alguma razão principal para ser, ele mesmo, a origem de vários tipos de pecado. Contudo, talvez porque a inveja manifestamente nasça da vanglória, não seja considerada pecado capital, nem por Isidoro (De Summo Bono) nem por Cassiano (De Instit. Caenob. v, 1). Resposta à Objeção 2: Do texto citado não se segue que a inveja seja o maior dos pecados, mas que, quando o demônio nos tenta à inveja, está a incitar-nos àquilo que ocupa o lugar principal no seu coração, pois, como se cita mais adiante no mesmo passo, "pela inveja do diabo entrou a morte no mundo" (Sab. 2, 24). Há, todavia, uma espécie de inveja que é considerada entre os pecados mais graves, a saber, a inveja do bem espiritual alheio, inveja esta que é tristeza pelo aumento da graça de Deus, e não apenas pelo bem do próximo. Por isso é considerada pecado contra o Espírito Santo, porque, com ela, o homem inveja, por assim dizer, o próprio Espírito Santo, que é glorificado nas suas obras. Resposta à Objeção 3: O número das filhas da inveja pode entender-se pela razão de que, na luta suscitada pela inveja, há algo a modo de princípio, algo a modo de meio e algo a modo de termo. O princípio é que o homem se esforça por rebaixar a reputação alheia; e isto, ou secretamente, e então temos a "murmuração", ou abertamente, e então temos a "detração". O meio consiste em que, quando o homem visa difamar outrem, ou é capaz de o fazer, e então temos a "alegria pela desgraça alheia", ou não é capaz, e então temos a "tristeza pela prosperidade alheia". O termo é o próprio ódio, porque, assim como o bem que deleita causa amor, assim a tristeza causa ódio, como foi dito acima (Q[34], A[6]). A tristeza pela prosperidade alheia é, de um modo, a própria inveja, quando, a saber, o homem se entristece com a prosperidade alheia, na medida em que esta dá ao outro boa fama; mas, de outro modo, é filha da inveja, na medida em que o invejoso vê o seu próximo prosperar apesar dos seus esforços para o impedir. Por outro lado, a "alegria pela desgraça alheia" não é diretamente a mesma coisa que a inveja, mas é um resultado dela, porque a tristeza pelo bem do próximo, que é a inveja, dá origem à alegria no seu mal.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether envy is a capital vice? · séc. XIII

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