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Sb 6, 21

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Matos Soares

21desta forma o desejo da sabedoria conduz à realeza.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que a concupiscência não está só no apetite sensitivo. Pois há uma concupiscência da sabedoria, segundo Sab. 6,21: «A concupiscência da sabedoria conduz ao reino eterno.» Ora, o apetite sensitivo não pode ter tendência para a sabedoria. Logo, a concupiscência não está só no apetite sensitivo. **Objecção 2:** Além disso, o desejo dos mandamentos de Deus não está no apetite sensitivo; com efeito, o Apóstolo diz (Rom. 7,18): «Não habita em mim, isto é, na minha carne, o bem.» Ora, o desejo dos mandamentos de Deus é um acto de concupiscência, segundo o Sl. 118,20: «A minha alma cobiçou desejar as tuas justificações.» Logo, a concupiscência não está só no apetite sensitivo. **Objecção 3:** Além disso, a cada potência é objecto de concupiscência o seu bem próprio. Logo, a concupiscência está em cada potência da alma, e não só no apetite sensitivo. **Em contrário,** diz Damasceno (De Fide Orth. II,12) que «a parte irracional, que está sujeita e é dócil à razão, divide-se nas faculdades da concupiscência e da ira. Esta é a parte irracional da alma, passiva e apetitiva.» Portanto, a concupiscência está no apetite sensitivo. **Respondo que,** como diz o Filósofo (Rhet. I,11), «a concupiscência é um anelo pelo que é prazeroso.» Ora, o prazer é duplo, como adiante se dirá (Q.31, AA.3 e 4): um, no bem inteligível, que é o bem da razão; outro, no bem perceptível pelos sentidos. O primeiro prazer parece pertencer só à alma; o segundo, porém, pertence à alma e ao corpo, porque o sentido é uma potência radicada num órgão corporal; por onde, o bem sensível é o bem do composto todo. Ora, a concupiscência parece ser o anelo por este último prazer, pois pertence à alma e ao corpo unidos, como o implica a palavra latina «concupiscentia». Portanto, propriamente falando, a concupiscência está no apetite sensitivo, e na faculdade concupiscível, que dela toma o nome. **Resposta à objecção 1:** O anelo pela sabedoria, ou por outros bens espirituais, chama-se algumas vezes concupiscência; ou por certa semelhança; ou por causa do anelo na parte superior da alma ser tão veemente que transborda para o apetite inferior, de modo que também este, a seu modo, tende ao bem espiritual, seguindo o impulso do apetite superior, resultando daí que o próprio corpo presta serviço nas coisas espirituais, segundo o Sl. 83,3: «O meu coração e a minha carne exultaram no Deus vivo.» **Resposta à objecção 2:** Propriamente falando, o desejo pode estar não só no apetite inferior, mas também no superior. Pois ele não implica comunhão no anelo, como a concupiscência; mas simplesmente movimento para a coisa desejada. **Resposta à objecção 3:** Pertence a cada potência da alma buscar o seu bem próprio pelo apetite natural, que não nasce da apreensão. Mas o anelo pelo bem, pelo apetite animal, que nasce da apreensão, pertence só à potência apetitiva. E anelar uma coisa sob a razão de algo deleitável aos sentidos, no que consiste propriamente a concupiscência, pertence à potência concupiscível.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether concupiscence is in the sensitive appetite only? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que devemos distinguir as partes irascível e concupiscível no apetite superior, que é a vontade. Pois a potência concupiscível é assim chamada de "concupiscere" [desejar], e a parte irascível de "irasci" [irar-se]. Mas há uma concupiscência que não pode pertencer ao apetite sensitivo, mas apenas ao intelectual, que é a vontade; como a concupiscência da sabedoria, da qual se diz (Sab. 6,21): "A concupiscência da sabedoria conduz ao reino eterno." Há também uma certa ira que não pode pertencer ao apetite sensitivo, mas apenas ao intelectual; como quando a nossa ira se dirige contra o vício. Por isso, Jerônimo, comentando Mateus 13,33, adverte-nos "a ter o ódio do vício na parte irascível." Portanto, devemos distinguir partes irascível e concupiscível na alma intelectual, assim como na sensitiva. Objeção 2: Além disso, como se diz comumente, a caridade está no concupiscível, e a esperança no irascível. Mas estas não podem estar no apetite sensitivo, porque seus objetos não são sensíveis, mas intelectuais. Portanto, devemos atribuir uma potência irascível e concupiscível à parte intelectual. Objeção 3: Ademais, diz-se no livro "Do Espírito e da Alma" que "a alma possui estas potências" – a saber, irascível, concupiscível e racional – "antes de se unir ao corpo." Ora, nenhuma potência da parte sensitiva pertence apenas à alma, mas à alma e ao corpo unidos, como dissemos acima (Q. 78, A. 5 e 8). Logo, as potências irascível e concupiscível estão na vontade, que é o apetite intelectual. Em contrário, Gregório de Nissa (Nemésio, De Nat. Hom.) diz que a parte irracional da alma se divide em desiderativa e irascível, e Damasceno diz o mesmo (De Fide Orth. ii, 12). E o Filósofo diz (De Anima iii, 9) que "a vontade está na razão, enquanto na parte irracional da alma estão a concupiscência e a ira," ou "o desejo e o ânimo." Respondo que o irascível e o concupiscível não são partes do apetite intelectual, que se chama vontade. Porque, como foi dito acima (Q. 59, A. 4; Q. 79, A. 7), uma potência que se dirige a um objeto segundo alguma noção comum não se diferencia por diferenças especiais que estão contidas sob essa noção comum. Por exemplo, porque a visão considera a coisa visível sob a noção comum de algo colorido, a potência visiva não se multiplica segundo as diferentes espécies de cor; mas se houvesse uma potência que considerasse o branco enquanto branco, e não enquanto algo colorido, ela seria distinta de uma potência que considerasse o preto enquanto preto. Ora, o apetite sensitivo não considera a noção comum de bem, porque nem os sentidos apreendem o universal. E, portanto, as partes do apetite sensitivo se diferenciam pelas diferentes noções de bem particular: pois o concupiscível considera como própria a noção de bem, como algo agradável aos sentidos e conveniente à natureza; enquanto o irascível considera a noção de bem como algo que afasta e repele o que é nocivo. Mas a vontade considera o bem segundo a noção comum de bem, e, portanto, na vontade, que é o apetite intelectual, não há diferenciação de potências apetitivas, de modo que haja no apetite intelectual uma potência irascível distinta de uma potência concupiscível: assim como nem da parte do intelecto as potências apreensivas se multiplicam, embora se multipliquem da parte dos sentidos. Resposta à 1ª objeção: O amor, a concupiscência e coisas semelhantes podem ser entendidos de dois modos. Às vezes são tomados como paixões – surgindo, isto é, com uma certa comoção da alma. E assim são comumente entendidos, e neste sentido estão apenas no apetite sensitivo. Podem, todavia, ser tomados de outro modo, enquanto são simples afeições, sem paixão ou comoção da alma, e assim são atos da vontade. E neste sentido também são atribuídos aos anjos e a Deus. Mas, se tomados neste sentido, não pertencem a potências diversas, mas apenas a uma potência, que se chama vontade. Resposta à 2ª objeção: A própria vontade pode ser dita irascível, enquanto quer repelir o mal, não por algum movimento súbito de uma paixão, mas por um juízo da razão. E do mesmo modo a vontade pode ser dita concupiscível por causa do seu desejo do bem. E assim estão no irascível e no concupiscível a caridade e a esperança – isto é, na vontade enquanto ordenada para tais atos. E deste modo também podemos entender as palavras citadas (Do Espírito e da Alma); que as potências irascível e concupiscível estão na alma antes de se unir ao corpo (desde que entendamos prioridade de natureza, e não de tempo), embora não seja necessário dar fé ao que aquele livro diz. Donde é clara a resposta à terceira objeção.

Summa Theologiae — First Part · Article. 5 - Whether we should distinguish irascible and concupiscible parts in the superior appetite? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os outros seis preceitos do decálogo são inadequadamente expressos. Pois não basta para a salvação que alguém se abstenha de prejudicar o próximo; mas exige-se que pague as suas dívidas, segundo Rom. 13,7: «Dai a todos o que lhes é devido.» Ora, os últimos seis preceitos apenas proíbem prejudicar o próximo. Portanto, estes preceitos são inadequadamente expressos. Objeção 2: Além disso, estes preceitos proíbem o homicídio, o adultério, o furto e o falso testemunho. Mas muitas outras injúrias podem ser infligidas ao próximo, como se vê daquelas que foram especificadas acima (QQ[72], ss.). Portanto, parece que os referidos preceitos são inadequadamente expressos. Objeção 3: Ademais, a concupiscência pode ser tomada de dois modos. Primeiro, como denotando um ato da vontade, como em Sab. 6,21: «O desejo [concupiscentia] da sabedoria conduz ao reino eterno»; segundo, como denotando um ato da sensualidade, como em Tiago 4,1: «Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não… das vossas concupiscências que guerreiam em vossos membros?» Ora, a concupiscência da sensualidade não é proibida por um preceito do decálogo; do contrário, os primeiros movimentos seriam pecados mortais, por serem contra um preceito do decálogo. Tampouco é proibida a concupiscência da vontade, pois está incluída em todo pecado. Portanto, é inadequado que os preceitos do decálogo incluam alguns que proíbam a concupiscência. Objeção 4: Ademais, o homicídio é pecado mais grave que o adultério ou o furto. Mas não há preceito que proíba o desejo do homicídio. Logo, também não era conveniente haver preceitos proibindo o desejo do furto e do adultério. Em sentido contrário, está a autoridade da Escritura. Respondo que, assim como pelas partes da justiça o homem paga o que é devido a certas pessoas determinadas, às quais está obrigado por alguma razão especial, também pela justiça propriamente dita paga o que é devido a todos em geral. Por isso, depois dos três preceitos pertencentes à religião, pelos quais o homem paga o que é devido a Deus, e depois do quarto preceito pertencente à piedade, pelo qual paga o que é devido a seus pais — cujo dever inclui o pagamento de tudo o que é devido por alguma razão especial — foi necessário, na devida sequência, dar certos preceitos pertencentes à justiça propriamente dita, que paga indistintamente a todos o que lhes é devido. Resposta à Objeção 1: O homem está obrigado para com todas as pessoas em geral a não infligir injúria a ninguém; por isso, os preceitos negativos, que proíbem a prática daquelas injúrias que podem ser infligidas ao próximo, deviam ter lugar, como preceitos gerais, entre os preceitos do decálogo. Por outro lado, os deveres que devemos ao próximo são pagos de diferentes modos a diferentes pessoas; por isso, não convinha incluir preceitos afirmativos sobre esses deveres entre os preceitos do decálogo. Resposta à Objeção 2: Todas as demais injúrias que se infligem ao nosso próximo se reduzem àquelas que são proibidas por estes preceitos, por terem precedência sobre as outras em geral e importância. Pois todas as injúrias que se infligem à pessoa do próximo entendem-se proibidas sob o título de homicídio, como sendo o principal de todos. Aquelas que se infligem a uma pessoa ligada ao próximo, especialmente por via da concupiscência, entendem-se proibidas juntamente com o adultério; as que caem sob o título de dano causado à propriedade entendem-se proibidas juntamente com o furto; e as que se compreendem sob a palavra, como detrações, insultos e assim por diante, entendem-se proibidas juntamente com o falso testemunho, que é mais diretamente oposto à justiça. Resposta à Objeção 3: Os preceitos que proíbem a concupiscência não incluem a proibição dos primeiros movimentos da concupiscência, que não vão além dos limites da sensualidade. O objeto direto de sua proibição é o consentimento da vontade, que se dirige ao ato ou ao prazer. Resposta à Objeção 4: O homicídio em si mesmo não é objeto de concupiscência, mas de horror, pois não tem em si a razão de bem. Por outro lado, o adultério tem a razão de um certo bem, isto é, de algo prazeroso, e o furto tem a razão de bem, isto é, de algo útil; e o bem, por sua própria natureza, tem a razão de algo apetecível. Por isso, a concupiscência do furto e do adultério devia ser proibida por preceitos especiais, mas não a concupiscência do homicídio.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether the other six precepts of the decalogue are fittingly expressed? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a concupiscência não está apenas no apetite sensitivo. Pois há uma concupiscência da sabedoria, segundo Sb 6,21: "A concupiscência [desejo] da sabedoria conduz ao reino eterno." Ora, o apetite sensitivo não pode ter tendência para a sabedoria. Logo, a concupiscência não está apenas no apetite sensitivo. Objeção 2: Ademais, o desejo dos mandamentos de Deus não está no apetite sensitivo; de fato, o Apóstolo diz (Rm 7,18): "Em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem." Ora, o desejo dos mandamentos de Deus é um ato de concupiscência, segundo o Sl 118,20: "A minha alma desejou ardentemente [concupivit] ansiar pelas tuas justificações." Logo, a concupiscência não está apenas no apetite sensitivo. Objeção 3: Ademais, a cada potência, o seu bem próprio é objeto de concupiscência. Portanto, a concupiscência está em cada potência da alma, e não apenas no apetite sensitivo. Em sentido contrário, Damasceno diz (De Fide Orth., II, 12) que "a parte irracional, que é sujeita e dócil à razão, divide-se nas faculdades da concupiscência e da ira. Esta é a parte irracional da alma, passiva e apetitiva." Logo, a concupiscência está no apetite sensitivo. Respondo que, como diz o Filósofo (Retórica, I, 11), "a concupiscência é um anelo pelo que é prazeroso". Ora, o prazer é duplo, como diremos adiante (Q[31], AA[3],4): um está no bem inteligível, que é o bem da razão; o outro está no bem perceptível aos sentidos. O primeiro prazer parece pertencer só à alma; o segundo pertence à alma e ao corpo, porque o sentido é uma potência radicada num órgão corporal; por isso o bem sensível é o bem do composto inteiro. Ora, a concupiscência parece ser o anelo por este último prazer, pois pertence à alma e ao corpo unidos, como implica a palavra latina "concupiscentia". Portanto, propriamente falando, a concupiscência está no apetite sensitivo, e na faculdade concupiscível, que dela toma o nome. Resposta à objeção 1: O anelo pela sabedoria, ou por outros bens espirituais, chama-se às vezes concupiscência; ou por certa semelhança; ou devido ao anelo na parte superior da alma ser tão veemente que transborda para o apetite inferior, de modo que este também, a seu modo, tende para o bem espiritual, seguindo a direção do apetite superior, resultando que o próprio corpo presta o seu serviço nas coisas espirituais, segundo o Sl 83,3: "O meu coração e a minha carne exultaram no Deus vivo." Resposta à objeção 2: Propriamente falando, o desejo pode estar não só no apetite inferior, mas também no superior. Pois não implica comunhão no anelo, como a concupiscência; mas simplesmente movimento para a coisa desejada. Resposta à objeção 3: Pertence a cada potência da alma buscar o seu bem próprio pelo apetite natural, que não nasce da apreensão. Mas o anelo pelo bem, pelo apetite animal, que nasce da apreensão, pertence só à potência apetitiva. E anelar uma coisa sob a razão de algo deleitável aos sentidos, no que consiste propriamente a concupiscência, pertence à potência concupiscível.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether concupiscence is in the sensitive appetite only? · séc. XIII

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