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Sb 7, 11

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Matos Soares

11Todos os bens me vieram juntamente com ela, e inumeráveis riquezas estão nas suas mãos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os amigos são necessários para a Felicidade. Porque a Felicidade futura é frequentemente designada nas Escrituras sob o nome de "glória". Ora, a glória consiste em que o bem do homem seja levado ao conhecimento de muitos. Logo, a comunhão de amigos é necessária para a Felicidade. Objeção 2: Além disso, Boécio [*Sêneca, Ep. 6] diz que "não há deleite em possuir qualquer bem, sem alguém que o compartilhe conosco". Ora, o deleite é necessário para a Felicidade. Logo, a comunhão de amigos também é necessária. Objeção 3: Além disso, a caridade é aperfeiçoada na Felicidade. Mas a caridade inclui o amor de Deus e do próximo. Logo, parece que a comunhão de amigos é necessária para a Felicidade. Em contrário, está escrito (Sab. 7,11): "Todos os bens me vieram juntamente com ela", isto é, com a sabedoria divina, que consiste em contemplar a Deus. Logo, nenhuma outra coisa é necessária para a Felicidade. Respondo que, se falamos da felicidade desta vida, o homem feliz necessita de amigos, como diz o Filósofo (Ética, IX, 9), não, na verdade, para usá-los, pois ele basta a si mesmo; nem para neles deleitar-se, porque possui perfeito deleite na operação da virtude; mas para o fim de uma boa operação, a saber, que lhes faça o bem; que se deleite em vê-los fazer o bem; e também que seja ajudado por eles em sua boa obra. Pois para que o homem aja bem, quer nas obras da vida ativa, quer nas da vida contemplativa, necessita da comunhão de amigos. Mas se falamos da Felicidade perfeita que será na nossa Pátria celestial, a comunhão de amigos não é essencial à Felicidade; porque o homem tem toda a plenitude de sua perfeição em Deus. Mas a comunhão de amigos conduz ao bem-estar da Felicidade. Donde Agostinho diz (Gên. ad lit., VIII, 25) que "as criaturas espirituais não recebem outro auxílio interior para a felicidade senão a eternidade, a verdade e a caridade do Criador. Mas se podem ser ditas ajudadas exteriormente, talvez seja apenas por isto: que se veem umas às outras e se alegram em Deus pela sua comunhão." Resposta à objeção 1: Essa glória que é essencial à Felicidade é aquela que o homem tem, não com o homem, mas com Deus. Resposta à objeção 2: Essa afirmação deve ser entendida a respeito da posse de um bem que não satisfaz plenamente. Isso não se aplica à questão em consideração; porque o homem possui em Deus uma suficiência de todo bem. Resposta à objeção 3: A perfeição da caridade é essencial à Felicidade quanto ao amor de Deus, mas não quanto ao amor do próximo. Por isso, se houvesse uma só alma gozando de Deus, seria feliz, embora não tivesse nenhum próximo para amar. Mas supondo que haja um próximo, o amor dele resulta do perfeito amor de Deus. Consequentemente, a amizade é, por assim dizer, concomitante com a Felicidade perfeita.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether the fellowship of friend is necessary for happiness? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Felicidade pode ser perdida. Pois a Felicidade é uma perfeição. Mas toda perfeição está na coisa perfeita segundo o modo desta. Ora, o homem é, por sua natureza, mutável. Logo, parece que a Felicidade é participada pelo homem de modo mutável. E, por consequência, parece que o homem pode perder a Felicidade. **Objeção 2:** Além disso, a Felicidade consiste num ato do intelecto; e o intelecto está sujeito à vontade. Mas a vontade pode dirigir-se a opostos. Logo, parece que pode desistir da operação pela qual o homem se torna feliz; e assim o homem cessará de ser feliz. **Objeção 3:** Ademais, o fim corresponde ao princípio. Mas a Felicidade do homem tem um princípio, pois o homem nem sempre foi feliz. Logo, parece que tem um fim. **Pelo contrário,** está escrito (Mat. 25,46) dos justos: «Irão para a vida eterna», a qual, como se disse acima (A[2]), é a Felicidade dos santos. Ora, o que é eterno não cessa. Portanto, a Felicidade não pode ser perdida. **Respondo que,** se falarmos da felicidade imperfeita, tal como pode existir nesta vida, neste sentido ela pode ser perdida. Isto é evidente quanto à felicidade contemplativa, que se perde ou pelo esquecimento, por exemplo, quando o conhecimento se perde por doença; ou ainda por certas ocupações, pelas quais o homem é totalmente afastado da contemplação. Isto é também evidente quanto à felicidade ativa: pois a vontade do homem pode ser mudada de modo a cair no vício a partir da virtude, em cujo ato essa felicidade consiste principalmente. Se, contudo, a virtude permanecer íntegra, as mudanças exteriores podem de fato perturbar tal felicidade, na medida em que impedem muitos atos de virtude; mas não podem tirá-la por completo, porque ainda permanece um ato de virtude, pelo qual o homem suporta estas provações de modo louvável. E porque a felicidade desta vida pode ser perdida, circunstância que parece contrária à natureza da felicidade, por isso o Filósofo afirmou (Ética i, 10) que alguns são felizes nesta vida não simplesmente, mas «como homens», cuja natureza está sujeita à mudança. Mas se falarmos daquela Felicidade perfeita que esperamos depois desta vida, deve-se observar que Orígenes (*Peri Archon.* ii, 3), seguindo o erro de certos Platônicos, sustentou que o homem pode tornar-se infeliz após a Felicidade final. Isto, porém, é evidentemente falso, por duas razões. Primeiro, pela noção geral de felicidade. Pois, como a felicidade é o «bem perfeito e suficiente», ela deve necessariamente sossegar o desejo do homem e excluir todo mal. Ora, o homem deseja naturalmente reter o bem que tem e ter a certeza de sua retenção; caso contrário, ele deve necessariamente ser perturbado pelo medo de perdê-lo, ou pela tristeza de saber que o perderá. Portanto, é necessário para a verdadeira Felicidade que o homem tenha a opinião assegurada de nunca perder o bem que possui. Se esta opinião é verdadeira, segue-se que ele nunca perderá a felicidade; mas se é falsa, é em si um mal que ele tenha uma opinião falsa: porque o falso é o mal do intelecto, assim como o verdadeiro é o seu bem, como se afirma na *Ética* vi, 2. Consequentemente, ele não será mais verdadeiramente feliz, se houver mal nele. Em segundo lugar, é novamente evidente se considerarmos a natureza específica da Felicidade. Pois foi mostrado acima (Q[3], A[8]) que a perfeita Felicidade do homem consiste na visão da Essência Divina. Ora, é impossível que alguém que veja a Essência Divina queira não vê-la. Porque todo bem que alguém possui e, contudo, deseja não ter, ou é insuficiente, desejando-se algo mais suficiente em seu lugar; ou tem algum incómodo associado a ele, por cuja razão se torna enfadonho. Mas a visão da Essência Divina enche a alma de todos os bens, pois a une à fonte de toda bondade; por isso está escrito (Sl 16,15): «Satisfar-me-ei quando aparecer a Tua glória»; e (Sb 7,11): «Todos os bens me vieram juntamente com ela», isto é, com a contemplação da sabedoria. Do mesmo modo, não tem nenhum incómodo associado; porque está escrito sobre a contemplação da sabedoria (Sb 8,16): «A sua conversação não tem amargura, nem a sua companhia, enfado». É, portanto, evidente que o homem feliz não pode abandonar a Felicidade por sua própria vontade. Além disso, também não pode perder a Felicidade por Deus lha tirar. Porque, sendo a privação da Felicidade um castigo, não pode ser infligida por Deus, justo Juiz, a não ser por alguma culpa; e aquele que vê a Deus não pode cair em culpa, pois a retidão da vontade resulta necessariamente dessa visão, como foi mostrado acima (Q[4], A[4]). Nem pode ser tirada por qualquer outro agente. Porque a mente que está unida a Deus é elevada acima de todas as outras coisas; e, consequentemente, nenhum outro agente pode separar a mente dessa união. Portanto, parece irrazoável que, com o tempo, o homem passe da felicidade à miséria, e vice-versa; porque tais vicissitudes do tempo só podem existir para as coisas que estão sujeitas ao tempo e ao movimento. **Resposta à Objeção 1:** A Felicidade é a perfeição consumada, que exclui todo defeito do feliz. E, portanto, quem tem a felicidade a possui de modo totalmente imutável: isso é feito pelo poder Divino, que eleva o homem à participação da eternidade, que transcende toda mudança. **Resposta à Objeção 2:** A vontade pode dirigir-se a opostos nas coisas que são ordenadas ao fim; mas está ordenada, por necessidade natural, ao fim último. Isto é evidente pelo fato de o homem não poder não desejar ser feliz. **Resposta à Objeção 3:** A Felicidade tem um princípio devido à condição do participante; mas não tem fim por causa da condição do bem, cuja participação faz o homem feliz. Daí que o princípio da felicidade provém de uma causa, a sua interminabilidade de outra.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether happiness once had can be lost? · séc. XIII

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