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Sb 7, 25

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Matos Soares

25Ela é um sopro do poder de Deus, uma pura emanação da glória do Omnipotente: por isso não se pode encontrar nela a menor Impureza.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Bem-aventurada Virgem foi santificada antes da animação. Porque, como dissemos (A[1]), foi concedida mais graça à Virgem Mãe de Deus do que a qualquer santo. Ora, parece que a alguns foi concedido serem santificados antes da animação. Pois está escrito (Jer. 1,5): "Antes que te formasse no ventre de tua mãe, te conheci"; e a alma não é infundida senão depois da formação do corpo. Do mesmo modo, Ambrósio diz de João Batista (Comentário sobre Lucas 1,15): "Ainda não estava nele o espírito de vida, e já possuía o Espírito de graça." Muito mais, portanto, pôde a Bem-aventurada Virgem ser santificada antes da animação. **Objeção 2:** Além disso, como diz Anselmo (Da Conceição da Virgem, XVIII), "convinha que esta Virgem brilhasse com tal pureza que, abaixo de Deus, não se possa imaginar maior"; por isso está escrito (Cânticos 4,7): "Toda formosa és, ó minha amiga, e não há mancha em ti." Mas a pureza da Bem-aventurada Virgem teria sido maior se ela nunca tivesse sido manchada pelo contágio do pecado original. Logo, foi-lhe concedido ser santificada antes que sua carne fosse animada. **Objeção 3:** Além disso, como se disse acima, nenhuma festa se celebra senão de algum santo. Ora, alguns celebram a festa da Conceição da Bem-aventurada Virgem. Portanto, parece que na própria Conceição ela foi santa; e, por conseguinte, que foi santificada antes da animação. **Objeção 4:** Além disso, o Apóstolo diz (Rm 11,16): "Se a raiz é santa, também os ramos." Ora, a raiz dos filhos são seus pais. Portanto, a Bem-aventurada Virgem pôde ser santificada até mesmo em seus pais, antes da animação. **Em contrário,** As coisas do Antigo Testamento eram figuras do Novo, conforme 1 Cor 10,11: "Todas estas coisas lhes sucederam em figura." Ora, a santificação do tabernáculo, do qual está escrito (Sl 45,5): "O Altíssimo santificou o seu tabernáculo", parece significar a santificação da Mãe de Deus, que é chamada "Tabernáculo de Deus", segundo o Sl 18,6: "Pôs o seu tabernáculo no sol." Mas do tabernáculo está escrito (Ex 40,31-32): "Depois de todas as coisas perfeitas, a nuvem cobriu o tabernáculo do testemunho, e a glória do Senhor o encheu." Portanto, também a Bem-aventurada Virgem não foi santificada senão depois que tudo nela foi aperfeiçoado, isto é, corpo e alma. **Respondo que** A santificação da Bem-aventurada Virgem não pode ser entendida como tendo ocorrido antes da animação, por duas razões. Primeiro, porque a santificação de que falamos não é senão a purificação do pecado original; pois a santificação é uma "purificação perfeita", como diz Dionísio (Dos Nomes Divinos, XII). Ora, o pecado não pode ser removido senão pela graça, cujo sujeito é apenas a criatura racional. Portanto, antes da infusão da alma racional, a Bem-aventurada Virgem não foi santificada. Segundo, porque, sendo apenas a criatura racional capaz de pecado, antes da infusão da alma racional a prole concebida não é passível de pecado. E assim, de qualquer modo que a Bem-aventurada Virgem tivesse sido santificada antes da animação, ela nunca poderia ter contraído a mancha do pecado original; e, portanto, não teria necessitado de redenção e salvação, que vem por Cristo, de quem está escrito (Mt 1,21): "Ele salvará o seu povo dos seus pecados." Mas isso é inconveniente, pois implica que Cristo não é o "Salvador de todos os homens", como é chamado (1Tm 4,10). Fica, portanto, que a Bem-aventurada Virgem foi santificada depois da animação. **Resposta à Objeção 1:** O Senhor diz que "conheceu" Jeremias antes de ser formado no ventre, por conhecimento, isto é, de predestinação; mas diz que o "santificou", não antes da formação, mas antes de "sair do ventre", etc. Quanto ao que diz Ambrósio, isto é, que em João Batista não havia o espírito de vida quando já havia o Espírito de graça, por espírito de vida não se deve entender a alma vivificante, mas o ar que respiramos. Ou pode-se dizer que nele ainda não havia o espírito de vida, isto é, a alma, quanto às suas operações manifestas e completas. **Resposta à Objeção 2:** Se a alma da Bem-aventurada Virgem nunca tivesse contraído a mancha do pecado original, isso seria em detrimento da dignidade de Cristo, por ser Ele o Salvador universal de todos. Por conseguinte, depois de Cristo, que, como Salvador universal de todos, não necessitou ser salvo, a pureza da Bem-aventurada Virgem ocupa o lugar mais alto. Pois Cristo não contraiu de modo algum o pecado original, mas foi santo na sua própria Conceição, segundo Lc 1,35: "O Santo que de ti nascerá, será chamado Filho de Deus." Mas a Bem-aventurada Virgem, na verdade, contraiu o pecado original, mas foi purificada dele antes de seu nascimento do ventre. Isto é o que se significa em Jó 3,9, onde está escrito da noite do pecado original: "Espere a luz", isto é, Cristo, "e não a veja" — (porque "nenhuma coisa manchada entra nela", como está escrito Sb 7,25) — "nem o raiar da aurora do dia", isto é, da Bem-aventurada Virgem, que em seu nascimento foi imune ao pecado original. **Resposta à Objeção 3:** Embora a Igreja de Roma não celebre a Conceição da Bem-aventurada Virgem, tolera, contudo, o costume de algumas igrejas que celebram essa festa; por isso, não se deve reprová-la inteiramente. Todavia, a celebração dessa festa não nos dá a entender que ela foi santa em sua concepção. Mas, porque não se sabe quando foi santificada, celebra-se a festa de sua Santificação, antes que a festa de sua Conceição, no dia de sua concepção. **Resposta à Objeção 4:** A santificação é dupla. Uma é a de toda a natureza: na medida em que toda a natureza humana é libertada de toda corrupção de pecado e pena. Isso se dará na ressurreição. A outra é a santificação pessoal. Esta não se transmite aos filhos gerados segundo a carne, porque não diz respeito à carne, mas ao espírito. Consequentemente, embora os pais da Bem-aventurada Virgem tivessem sido purificados do pecado original, ela, no entanto, contraiu o pecado original, por ter sido concebida por via da concupiscência carnal e do comércio do homem e da mulher; pois Agostinho diz (Das Núpcias e da Concupiscência, I): "Toda carne nascida do comércio carnal é pecaminosa."

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the Blessed Virgin was sanctified before animation? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que a matéria do corpo de Cristo não devia ser tomada de uma mulher. Porque o sexo masculino é mais nobre que o feminino. Ora, era da máxima conveniência que Cristo assumisse o que há de perfeito na natureza humana. Logo, parece que não devia tomar carne de uma mulher, mas antes de um homem, assim como Eva foi formada da costela de um homem. **Objecção 2:** Além disso, quem é concebido de uma mulher fica encerrado no seu ventre. Ora, não convém a Deus, que enche o céu e a terra, como está escrito (Jer. 23,24), ficar encerrado nos estreitos limites do ventre. Logo, parece que não devia ser concebido de uma mulher. **Objecção 3:** Além disso, os que são concebidos de uma mulher contraem uma certa imundície, como está escrito (Job 25,4): «Pode o homem ser justificado diante de Deus? Ou o que nasce de mulher parecer limpo?» Ora, não convinha que houvesse em Cristo qualquer imundície, porque Ele é a Sabedoria de Deus, de quem está escrito (Sab. 7,25) que «nenhuma coisa manchada entra nela». Logo, não parece que devesse tomar carne de uma mulher. **Em contrário,** está escrito (Gál. 4,4): «Deus enviou o Seu Filho, feito de mulher.» **Respondo.** Embora o Filho de Deus pudesse tomar carne de qualquer matéria que quisesse, foi, todavia, da máxima conveniência que a tomasse de uma mulher. Primeiro, porque assim toda a natureza humana foi enobrecida. Donde diz Agostinho (Quest. 83, q. 11): «Convinha que a libertação do homem se manifestasse em ambos os sexos. Portanto, como cumpria que o homem, sendo do sexo mais nobre, assumisse a natureza humana, era conveniente que a libertação do sexo feminino se manifestasse por ser o homem nascido de uma mulher.» Segundo, porque assim se torna evidente a verdade da Encarnação. Por isso Ambrósio diz (Sobre a Encarnação, VI): «Encontrarás em Cristo muitas coisas naturais e sobrenaturais. Segundo a natureza, esteve no ventre», a saber, do corpo de uma mulher; «mas foi sobrenatural que uma virgem concebesse e desse à luz; para que acredites que era Deus, que renovava a natureza; e que era homem, que, segundo a natureza, nascia de um homem.» E Agostinho diz (Carta a Volusiano, CXXXVII): «Se Deus Todo-Poderoso tivesse criado um homem formado de outro modo que não no ventre de uma mãe, e de repente o fizesse aparecer aos olhos... não teria fortalecido uma opinião errônea, e tornado impossível para nós crermos que Ele se tornara verdadeiro homem? E, enquanto faz todas as coisas maravilhosamente, teria Ele tirado aquilo que realizou em misericórdia? Mas, agora, Ele, o mediador entre Deus e os homens, mostrou-Se de tal modo que, unindo ambas as naturezas na unidade de uma só pessoa, deu dignidade às coisas ordinárias pelas extraordinárias, e temperou as extraordinárias pelas ordinárias.» Terceiro, porque desta maneira se cumpre a geração do homem em toda a variedade de modos. Pois o primeiro homem foi feito do «limo da terra», sem concurso de homem ou mulher; Eva foi feita do homem, mas não da mulher; e os outros homens são feitos de homem e mulher. De modo que este quarto modo ficou como que próprio de Cristo: que Ele fosse feito de uma mulher, sem concurso de homem. **Resposta à Objecção 1:** O sexo masculino é mais nobre que o feminino, e por isso Ele assumiu a natureza humana no sexo masculino. Mas, para que o sexo feminino não fosse desprezado, convinha que Ele tomasse carne de uma mulher. Donde diz Agostinho (Sobre o Combate Cristão, XI): «Homens, não vos desprezeis a vós mesmos: o Filho de Deus fez-Se homem; mulheres, não vos desprezeis a vós mesmas: o Filho de Deus nasceu de uma mulher.» **Resposta à Objecção 2:** Agostinho assim responde a Fausto (Contra Fausto, XXIII), que objetava isto: «De modo nenhum», diz ele, «a fé católica, que crê que Cristo Filho de Deus nasceu de uma virgem segundo a carne, supõe que o mesmo Filho de Deus estivesse tão encerrado no ventre de Sua Mãe que deixasse de estar em outro lugar, como se Ele já não continuasse a governar o céu e a terra, e como se Se tivesse retirado do Pai. Mas vós, maniqueus, sendo de uma mente que não admite senão imagens materiais, sois completamente incapazes de compreender estas coisas.» Pois, como ele diz ainda (Carta a Volusiano, CXXXVII), «pertence ao sentido do homem formar conceitos apenas através de corpos tangíveis, nenhum dos quais pode estar inteiro em toda parte, porque necessariamente se difundem por suas inúmeras partes em vários lugares... De modo muito diferente é a natureza da alma da natureza do corpo; quanto mais a natureza de Deus, Criador da alma e do corpo!... Ele pode estar inteiro em toda parte e não ser contido em lugar nenhum. Pode vir sem se mover do lugar onde estava; e ir sem deixar o lugar de onde veio.» **Resposta à Objecção 3:** Na concepção do homem de uma mulher não há imundície, enquanto esta é obra de Deus; donde está escrito (Atos 10,15): «O que Deus purificou, não o chames tu de comum», isto é, imundo. Há, porém, nela uma certa imundície resultante do pecado, enquanto o desejo lascivo acompanha a concepção por união sexual. Mas este não foi o caso de Cristo, como acima se mostrou (Q. 28, A. 1). Mas se houvesse nela alguma imundície, o Verbo de Deus não seria por ela manchado, porque Ele é absolutamente imutável. Donde diz Agostinho (Contra as Cinco Heresias, V): «Diz Deus, o Criador do homem: Que te perturba no Meu Nascimento? Não fui concebido por desejo lascivo. Fiz para Mim uma mãe de quem nascer. Se os raios do sol podem secar a imundície no esgoto e não se mancham, muito mais o Esplendor da luz eterna pode limpar tudo o que ilumina, mas não pode ser manchado.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the matter of Christ's body should have been taken from a woman? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a carne de Cristo não foi infectada pelo pecado nos patriarcas. Porque está escrito (Sab 7,25) que «nenhuma coisa imunda entra na Sabedoria de Deus». Ora, Cristo é a Sabedoria de Deus, segundo 1 Cor 1,24. Logo, a carne de Cristo nunca foi maculada pelo pecado. **Objeção 2:** Além disso, Damasceno diz (De Fide Orth. iii) que Cristo «assumiu as primícias da nossa natureza». Mas, no estado primitivo, a carne humana não estava infectada pelo pecado. Portanto, a carne de Cristo também não estava infectada nem em Adão nem nos outros patriarcas. **Objeção 3:** Ademais, Agostinho diz (Gen. ad lit. x) que «a natureza humana teve sempre, juntamente com a ferida, o bálsamo para curá-la». Ora, o que está infectado não pode curar uma ferida; antes, precisa ser curado. Logo, na natureza humana houve sempre algo preservado da infecção, do qual mais tarde foi formado o corpo de Cristo. **Em contrário,** o corpo de Cristo não se relaciona com Adão e os outros patriarcas senão por meio do corpo da Virgem Santíssima, de quem Ele tomou a carne. Ora, o corpo da Virgem Santíssima foi inteiramente concebido em pecado original, como se disse acima (Q.14, A.3, ad 1); e assim, enquanto estava nos patriarcas, estava sujeito ao pecado. Portanto, a carne de Cristo, enquanto estava nos patriarcas, estava sujeita ao pecado. **Respondo que:** Quando dizemos que Cristo ou a sua carne estava em Adão e nos outros patriarcas, comparamo-Lo, ou a sua carne, a Adão e aos outros patriarcas. Ora, é manifesto que a condição dos patriarcas diferia da de Cristo: pois os patriarcas estavam sujeitos ao pecado, ao passo que Cristo era absolutamente livre do pecado. Por conseguinte, pode ocorrer um duplo erro neste ponto. Primeiro, atribuindo a Cristo, ou à sua carne, aquela condição que estava nos patriarcas; dizendo, por exemplo, que Cristo pecou em Adão, visto que de certo modo estava nele. Mas isto é falso; porque Cristo não estava em Adão de tal modo que o pecado de Adão pertencesse a Cristo; porquanto não descende dele segundo a lei da concupiscência, nem segundo a virtude seminal, como se disse acima (A.1, ad 3; A.6, ad 1; Q.15, A.1, ad 2). Em segundo lugar, o erro pode ocorrer atribuindo a condição de Cristo ou da sua carne àquilo que estava realmente nos patriarcas; dizendo, por exemplo, que, porque a carne de Cristo, enquanto existente em Cristo, não estava sujeita ao pecado, por isso também em Adão e nos patriarcas houve alguma parte do seu corpo que não estava sujeita ao pecado, e da qual mais tarde foi formado o corpo de Cristo, como alguns, de fato, sustentaram. Ora, isto é totalmente impossível. Primeiro, porque a carne de Cristo não estava em Adão e nos outros patriarcas segundo algo signato, distinguível do resto da sua carne, como pura da impura, como já se disse (A.6). Segundo, porque, sendo a carne humana infectada pelo pecado por ser concebida na concupiscência, assim como toda a carne do homem é concebida na concupiscência, assim também é inteiramente maculada pelo pecado. Consequentemente, devemos dizer que toda a carne dos patriarcas estava sujeita ao pecado, nem havia neles nada que estivesse livre do pecado, e do qual depois pudesse ser formado o corpo de Cristo. **Resposta à Objeção 1:** Cristo não assumiu a carne do gênero humano sujeita ao pecado, mas purificada de toda infecção do pecado. Assim é que «nenhuma coisa imunda entra na Sabedoria de Deus». **Resposta à Objeção 2:** Diz-se que Cristo assumiu as primícias da nossa natureza, quanto à semelhança de condição; porquanto assumiu a carne não infectada pelo pecado, semelhante à carne do homem antes do pecado. Mas isto não se deve entender como uma continuação daquela pureza primitiva, como se a carne do homem inocente tivesse sido preservada na sua liberdade do pecado até à formação do corpo de Cristo. **Resposta à Objeção 3:** Antes de Cristo, havia realmente na natureza humana uma ferida, isto é, a infecção do pecado original. Mas o bálsamo para curar a ferida não estava ali realmente, mas apenas por uma certa virtude de origem, porquanto daqueles patriarcas havia de ser propagada a carne de Cristo.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether Christ's flesh in the patriarchs was infected by sin? · séc. XIII

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Sb 7, 25 nos Padres da Igreja | Aurea