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Sb 7, 27

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Matos Soares

27Sendo única, pode tudo; permanecendo a mesma, renova tudo; através das gerações, transfunde-se nas almas santas, e forma os amigos de Deus e os profetas.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 6 — Se a sétima bem-aventurança corresponde ao dom da sabedoria?** **Objeção 1:** Parece que a sétima bem-aventurança não corresponde ao dom da sabedoria. Pois a sétima bem-aventurança é: "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus". Ora, ambas estas coisas pertencem à caridade; visto que da paz está escrito (Sl 118,165): "Muita paz têm os que amam a Tua lei", e, como diz o Apóstolo (Rm 5,5), "a caridade de Deus é derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado", o qual é "o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai" (Rm 8,15). Logo, a sétima bem-aventurança deve ser atribuída antes à caridade do que à sabedoria. **Objeção 2:** Ademais, uma coisa é declarada pelo seu efeito próximo antes que pelo efeito remoto. Ora, o efeito próximo da sabedoria parece ser a caridade, conforme Sb 7,27: "Por meio das nações ela se transfere para as almas santas; torna os amigos de Deus e profetas"; ao passo que a paz e a adoção de filhos parecem ser efeitos remotos, já que resultam da caridade, como foi dito acima (Q. 29, a. 3). Logo, a bem-aventurança correspondente à sabedoria deveria ser determinada quanto ao amor da caridade antes do que quanto à paz. **Objeção 3:** Ademais, está escrito (Tg 3,17): "A sabedoria que é do alto, primeiro é casta, depois pacífica, modesta, fácil de ser persuadida, consentânea ao bem, cheia de misericórdia e de bons frutos, que julga sem dissimulação [*Vulg.: 'sem julgar, sem dissimulação']". Logo, a bem-aventurança correspondente à sabedoria não deveria referir-se à paz antes que aos outros efeitos da sabedoria celeste. **Ao contrário,** Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i, 4) que "a sabedoria é própria dos pacificadores, nos quais não há movimento de rebelião, mas somente obediência à razão". **Respondo:** A sétima bem-aventurança é convenientemente atribuída ao dom da sabedoria, tanto quanto ao mérito quanto ao prêmio. O mérito é indicado nas palavras: "Bem-aventurados os pacificadores". Ora, pacificador é aquele que faz a paz, seja em si mesmo, seja nos outros; e em ambos os casos isso resulta de ordenar devidamente aquelas coisas em que a paz se estabelece, pois "a paz é a tranquilidade da ordem", segundo Agostinho (De Civ. Dei xix, 13). Ora, pertence à sabedoria ordenar as coisas, como declara o Filósofo (Metaph. i, 2), donde a pacificabilidade é convenientemente atribuída à sabedoria. O prêmio é expresso nas palavras: "serão chamados filhos de Deus". Ora, os homens são chamados filhos de Deus na medida em que participam da semelhança do Filho unigênito e natural de Deus, segundo Rm 8,29: "Aos que de antemão conheceu... para serem conformes à imagem de Seu Filho", que é a Sabedoria Gerada. Portanto, participando do dom da sabedoria, o homem atinge a filiação divina. **Resposta à Objeção 1:** Pertence à caridade estar em paz, mas pertence à sabedoria fazer a paz ordenando as coisas. Da mesma forma, o Espírito Santo é chamado "Espírito de adoção" na medida em que recebemos d'Ele a semelhança do Filho natural, que é a Sabedoria Gerada. **Resposta à Objeção 2:** Estas palavras referem-se à Sabedoria Incriada, a qual em primeiro lugar se une a nós pelo dom da caridade, e consequentemente nos revela os mistérios cujo conhecimento é a sabedoria infusa. Portanto, a sabedoria infusa, que é um dom, não é a causa, mas o efeito da caridade. **Resposta à Objeção 3:** Como foi dito acima (A[3]), pertence à sabedoria, como dom, não só contemplar as coisas divinas, mas também regular os atos humanos. Ora, a primeira coisa a ser efetuada nesta direção dos atos humanos é a remoção dos males opostos à sabedoria: por isso se diz que o temor é "o princípio da sabedoria", porque nos faz evitar o mal, enquanto a última coisa é como um fim, pelo qual todas as coisas são reduzidas à sua devida ordem; e é isto que constitui a paz. Por isso, Tiago disse com razão que "a sabedoria que é do alto" (e esta é o dom do Espírito Santo) "primeiro é casta", porque evita a corrupção do pecado, e "depois pacífica", onde reside o efeito último da sabedoria, razão pela qual a paz é enumerada entre as bem-aventuranças. Quanto às coisas que se seguem, elas declaram em ordem conveniente os meios pelos quais a sabedoria conduz à paz. Pois quando um homem, pela castidade, evita a corrupção do pecado, a primeira coisa que tem a fazer é, tanto quanto pode, ser moderado em todas as coisas, e a este respeito a sabedoria é dita modesta. Em segundo lugar, naquelas matérias em que não é suficiente por si mesmo, deve ser guiado pelo conselho de outros, e quanto a isto nos é dito ainda que a sabedoria é "fácil de ser persuadida". Estas duas são condições requeridas para que o homem esteja em paz consigo mesmo. Mas para que o homem esteja em paz com os outros, requer-se além disso, primeiro, que não se oponha ao bem deles; isto é o que significa "consentânea ao bem". Segundo, que ele traga às deficiências do próximo, compaixão no coração e socorro nas ações, e isto é denotado pelas palavras "cheia de misericórdia e de bons frutos". Terceiro, que ele se esforce em toda caridade por corrigir os pecados dos outros, e isto é indicado pelas palavras "que julga sem dissimulação [*Vulg.: 'A sabedoria que é do alto... é... sem julgar, sem dissimulação']", para que não pretenda saciar o seu ódio sob o pretexto da correção.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether the seventh beatitude corresponds to the gift of wisdom? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que a Lei Nova é uma lei escrita. Porque a Lei Nova é o mesmo que o Evangelho. Ora, o Evangelho é apresentado por escrito, segundo João 20,31: «Estas porém estão escritas para que creiais.» Logo, a Lei Nova é uma lei escrita. **Objecção 2:** Além disso, a lei que é instilada no coração é a lei natural, conforme Romanos 2,14-15: «Os gentios fazem naturalmente as coisas que são da lei... têm a obra da lei escrita em seus corações.» Se, portanto, a lei do Evangelho fosse instilada em nossos corações, não seria distinta da lei da natureza. **Objecção 3:** Ademais, a lei do Evangelho é própria daqueles que estão no estado do Novo Testamento. Ora, a lei que é instilada no coração é comum aos que estão no Novo Testamento e aos que estão no Velho Testamento; pois está escrito (Sabedoria 7,27) que a Sabedoria divina «se transfunde através das nações nas almas santas, e faz os amigos de Deus e profetas.» Logo, a Lei Nova não é instilada em nossos corações. **Em contrário,** a Lei Nova é a lei do Novo Testamento. Mas a lei do Novo Testamento é instilada em nossos corações. Porque o Apóstolo, citando a autoridade de Jeremias 31,31.33: «Eis que dias virão, diz o Senhor, e aperfeiçoarei para a casa de Israel e para a casa de Judá um novo testamento», diz, explicando o que esta declaração significa (Hebreus 8,8.10): «Porque este é o testamento que farei para a casa de Israel... dando (Vulg.: 'darei') as minhas leis na sua mente, e no seu coração as escreverei.» Logo, a Lei Nova é instilada em nossos corações. **Respondo** que «cada coisa parece ser aquilo que nela predomina», como diz o Filósofo (Ética IX, 8). Ora, aquilo que predomina na lei do Novo Testamento, e em que se funda toda a sua eficácia, é a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé em Cristo. Consequentemente, a Lei Nova é principalmente a própria graça do Espírito Santo, que é dada aos que creem em Cristo. Isto é manifestamente afirmado pelo Apóstolo, que diz (Romanos 3,27): «Onde está, pois, a tua glória? Foi excluída. Por qual lei? Das obras? Não, mas pela lei da fé»; pois ele chama a própria graça da fé de «lei». E ainda mais claramente está escrito (Romanos 8,2): «A lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.» Donde diz Agostinho (De Spir. et Lit. XXIV) que «assim como a lei das obras foi escrita em tábuas de pedra, assim a lei da fé está inscrita nos corações dos fiéis»; e noutro lugar, no mesmo livro (XXI): «Que outra coisa são as leis divinas escritas pelo próprio Deus em nossos corações, senão a própria presença do Seu Espírito Santo?» Todavia, a Lei Nova contém certas coisas que nos dispõem a receber a graça do Espírito Santo e que pertencem ao uso dessa graça; tais coisas são, por assim dizer, de importância secundária na Lei Nova; e os fiéis precisam ser instruídos acerca delas, tanto por palavra como por escrito, tanto quanto ao que devem crer como quanto ao que devem fazer. Consequentemente, devemos dizer que a Lei Nova é, em primeiro lugar, uma lei inscrita em nossos corações, mas que, secundariamente, é uma lei escrita. **Resposta à Objecção 1:** Os escritos evangélicos contêm apenas coisas que pertencem à graça do Espírito Santo, seja dispondo-nos a ela, seja dirigindo-nos ao seu uso. Assim, quanto ao intelecto, o Evangelho contém certas matérias referentes à manifestação da Divindade ou da humanidade de Cristo, que nos dispõem por meio da fé, pela qual recebemos a graça do Espírito Santo; e quanto aos afetos, contém matérias tocantes ao desprezo do mundo, pelas quais o homem se torna apto a receber a graça do Espírito Santo; porque «o mundo», isto é, os mundanos, «não pode receber» o Espírito Santo (João 14,17). Quanto ao uso da graça espiritual, este consiste nas obras de virtude para as quais os escritos do Novo Testamento exortam os homens de diversas maneiras. **Resposta à Objecção 2:** Duas coisas podem ser instiladas no homem. Primeiro, por ser parte de sua natureza, e assim a lei natural é instilada no homem. Segundo, uma coisa é instilada no homem por ser, por assim dizer, acrescentada à sua natureza por um dom da graça. Deste modo, a Lei Nova é instilada no homem, não só indicando-lhe o que deve fazer, mas também ajudando-o a realizá-lo. **Resposta à Objecção 3:** Nunca ninguém teve a graça do Espírito Santo senão pela fé em Cristo, explícita ou implícita; e pela fé em Cristo o homem pertence ao Novo Testamento. Consequentemente, todos os que tiveram a lei da graça instilada em si pertenceram ao Novo Testamento.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the New Law is a written law? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a revelação profética não se dá por meio dos anjos. Porque está escrito (Sab. 7,27) que a sabedoria divina "se derrama nas almas santas" e "faz os amigos de Deus e os profetas". Ora, a sabedoria faz os amigos de Deus imediatamente. Logo, também faz os profetas imediatamente, e não por meio dos anjos. Objeção 2: Além disso, a profecia é contada entre as graças gratuitas. Mas as graças gratuitas procedem do Espírito Santo, segundo 1 Cor. 12,4: "Há diversidade de graças, mas o mesmo Espírito". Portanto, a revelação profética não se faz por intermédio de um anjo. Objeção 3: Ademais, Cassiodoro (Prólogo ao Saltério) diz que a profecia é uma "revelação divina"; se fosse transmitida pelos anjos, chamar-se-ia revelação angélica. Logo, a profecia não é concedida por meio dos anjos. Em sentido contrário, Dionísio (Hier. Cel. IV) diz: "Nossos gloriosos pais receberam visões divinas por meio das potências celestiais"; e ele fala ali das visões proféticas. Portanto, a revelação profética é transmitida por meio dos anjos. Respondo que, como diz o Apóstolo (Rom. 13,1), "as coisas que são de Deus são bem ordenadas" (Vulg.: "as que são, foram ordenadas por Deus"). Ora, a ordenação divina, segundo Dionísio (Hier. Cel. IV; Hier. Ecl. V), é tal que as coisas inferiores são dirigidas pelas médias. E os anjos ocupam uma posição média entre Deus e os homens, pois participam mais da perfeição da bondade divina do que os homens. Por isso, as iluminações e revelações divinas são transmitidas de Deus aos homens pelos anjos. Ora, o conhecimento profético é concedido por iluminação e revelação divina. Portanto, é evidente que ele é transmitido pelos anjos. Resposta à primeira objeção. A caridade, que faz o homem amigo de Deus, é uma perfeição da vontade, na qual só Deus pode imprimir uma moção; ao passo que a profecia é uma perfeição do intelecto, no qual também um anjo pode imprimir uma moção, como se disse na Primeira Parte, Questão 111, Artigo 1; portanto, a comparação entre ambas não procede. Resposta à segunda objeção. As graças gratuitas são atribuídas ao Espírito Santo como seu primeiro princípio; contudo, Ele obra esta espécie de graça nos homens por meio dos anjos. Resposta à terceira objeção. A obra do instrumento é atribuída ao agente principal, por cujo poder o instrumento age. E, como o ministro é como um instrumento, a revelação profética, que é transmitida pelo ministério dos anjos, é dita divina.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether prophetic revelation comes through the angels? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que uma vida boa é necessária para a profecia. Porquanto está escrito (Sb 7,27) que a Sabedoria de Deus “através das nações se transfere a si mesma nas almas santas” e “faz os amigos de Deus e os profetas”. Ora, não pode haver santidade sem uma vida boa e graça santificante. Logo, a profecia não pode existir sem uma vida boa e graça santificante. Objeção 2: Além disso, os segredos não são revelados senão ao amigo, segundo Jo 15,15: “Mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos dei a conhecer.” Ora, Deus revela os Seus segredos aos profetas (Am 3,7). Logo, parece que os profetas são amigos de Deus; o que é impossível sem a caridade. Portanto, aparentemente a profecia não pode existir sem a caridade; e a caridade é impossível sem a graça santificante. Objeção 3: Além disso, está escrito (Mt 7,15): “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos rapaces.” Ora, todos os que estão sem graça são semelhantes interiormente a um lobo rapaz, e consequentemente todos esses são falsos profetas. Logo, ninguém é verdadeiro profeta a não ser que seja bom pela graça. Objeção 4: Além disso, o Filósofo diz (Do Sono e da Vigília [*Cf. Da Adivinhação pelo Sonho i, que é anexo à obra citada]) que “se a interpretação dos sonhos vem de Deus, não convém que seja concedida senão aos melhores”. Ora, é evidente que o dom da profecia é de Deus. Portanto, o dom da profecia é concedido apenas aos melhores homens. Em contrário, Àqueles que disseram: “Senhor, não profetizamos nós em Teu nome?” é feita esta resposta: “Nunca vos conheci” (Mt 7,22-23). Ora, “o Senhor conhece quem são Seus” (2 Tm 2,19). Logo, a profecia pode estar naqueles que não são de Deus pela graça. Respondo que uma vida boa pode ser considerada de dois pontos de vista. Primeiro, quanto à sua raiz interior, que é a graça santificante. Segundo, quanto às paixões interiores da alma e às ações exteriores. Ora, a graça santificante é dada principalmente para que a alma do homem se una a Deus pela caridade. Por isso Agostinho diz (De Trin. xv, 18): “O homem não é transferido do lado esquerdo para o direito, a não ser que receba o Espírito Santo, por quem é feito amante de Deus e do próximo.” Portanto, tudo o que pode existir sem caridade pode existir sem graça santificante e, consequentemente, sem bondade de vida. Ora, a profecia pode existir sem caridade; e isto é claro por duas razões. Primeiro, por causa dos seus respectivos atos: pois a profecia pertence ao intelecto, cujo ato precede o ato da vontade, potência que é aperfeiçoada pela caridade. Por esta razão, o Apóstolo (1 Cor 13) enumera a profecia com outras coisas pertencentes ao intelecto, que podem ser possuídas sem caridade. Segundo, por causa dos seus respectivos fins. Pois a profecia, como outras graças gratuitas, é dada para o bem da Igreja, segundo 1 Cor 12,7: “A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito”; e não é diretamente destinada a unir as afeições do homem a Deus, que é o propósito da caridade. Portanto, a profecia pode existir sem uma vida boa, quanto à primeira raiz desta bondade. Se, porém, considerarmos uma vida boa quanto às paixões da alma e às ações exteriores, deste ponto de vista uma vida má é obstáculo à profecia. Pois a profecia requer que a mente seja elevada muito alto para contemplar as coisas espirituais, e isto é impedido por paixões fortes e pela busca desordenada das coisas exteriores. Por isso lemos dos filhos dos profetas (4 Rs 4,38) que “habitavam juntos com [Vulg.: ‘diante de’]” Eliseu, levando uma vida solitária, por assim dizer, para que a ocupação mundana não fosse um obstáculo ao dom da profecia. Resposta à primeira objeção: Às vezes o dom da profecia é dado a um homem tanto para o bem dos outros quanto para iluminar a sua própria mente; e tais são aqueles que a Sabedoria divina, “transferindo-se a si mesma” pela graça santificante às suas mentes, “faz os amigos de Deus e os profetas”. Outros, porém, recebem o dom da profecia somente para o bem dos outros. Por isso Jerônimo, comentando Mt 7,22, diz: “Às vezes, o profetizar, a operação de milagres e a expulsão de demônios são concedidos não ao mérito daqueles que fazem estas coisas, mas ou à invocação do nome de Cristo, ou à condenação daqueles que invocam, e para o bem dos que veem e ouvem.” Resposta à segunda objeção: Gregório [*Hom. xxvii in Ev.] expondo esta passagem [*Jo 15,15] diz: “Visto que amamos as coisas sublimes do céu logo que as ouvimos, conhecemo-las logo que as amamos, pois amar é conhecer. Assim, Ele lhes dera a conhecer todas as coisas, porque, renunciando aos desejos terrenos, foram inflamados pelas tochas do amor perfeito.” Deste modo, os segredos divinos não são sempre revelados aos profetas. Resposta à terceira objeção: Nem todos os homens maus são lobos rapaces, mas somente aqueles cujo propósito é prejudicar os outros. Pois Crisóstomo diz [*Opus Imperf. in Matth. Hom. xix, entre as obras de São João Crisóstomo, e falsamente a ele atribuído] que “os doutores católicos, ainda que sejam pecadores, são chamados escravos da carne, mas nunca lobos rapaces, porque não têm por propósito a destruição dos cristãos.” E visto que a profecia é ordenada ao bem dos outros, é manifesto que tais são falsos profetas, porque não são enviados por Deus para este fim. Resposta à quarta objeção: Os dons de Deus nem sempre são concedidos àqueles que são simplesmente os melhores, mas às vezes são outorgados àqueles que são melhores quanto ao recebimento deste ou daquele dom. Por conseguinte, Deus concede o dom da profecia àqueles a quem julga melhor concedê-lo.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a good life is requisite for prophecy? · séc. XIII

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