Referência

Sb 8, 16

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Matos Soares

16Entrando em minha casa, encontrarei nela o meu descanso, porque o contacto com ela não tem nada de desagradável, nem a sua companhia nada de fastidioso, mas tudo é satisfação e alegria.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Felicidade pode ser perdida. Pois a Felicidade é uma perfeição. Mas toda perfeição está na coisa perfeita segundo o modo desta. Ora, o homem é, por sua natureza, mutável. Logo, parece que a Felicidade é participada pelo homem de modo mutável. E, por consequência, parece que o homem pode perder a Felicidade. **Objeção 2:** Além disso, a Felicidade consiste num ato do intelecto; e o intelecto está sujeito à vontade. Mas a vontade pode dirigir-se a opostos. Logo, parece que pode desistir da operação pela qual o homem se torna feliz; e assim o homem cessará de ser feliz. **Objeção 3:** Ademais, o fim corresponde ao princípio. Mas a Felicidade do homem tem um princípio, pois o homem nem sempre foi feliz. Logo, parece que tem um fim. **Pelo contrário,** está escrito (Mat. 25,46) dos justos: «Irão para a vida eterna», a qual, como se disse acima (A[2]), é a Felicidade dos santos. Ora, o que é eterno não cessa. Portanto, a Felicidade não pode ser perdida. **Respondo que,** se falarmos da felicidade imperfeita, tal como pode existir nesta vida, neste sentido ela pode ser perdida. Isto é evidente quanto à felicidade contemplativa, que se perde ou pelo esquecimento, por exemplo, quando o conhecimento se perde por doença; ou ainda por certas ocupações, pelas quais o homem é totalmente afastado da contemplação. Isto é também evidente quanto à felicidade ativa: pois a vontade do homem pode ser mudada de modo a cair no vício a partir da virtude, em cujo ato essa felicidade consiste principalmente. Se, contudo, a virtude permanecer íntegra, as mudanças exteriores podem de fato perturbar tal felicidade, na medida em que impedem muitos atos de virtude; mas não podem tirá-la por completo, porque ainda permanece um ato de virtude, pelo qual o homem suporta estas provações de modo louvável. E porque a felicidade desta vida pode ser perdida, circunstância que parece contrária à natureza da felicidade, por isso o Filósofo afirmou (Ética i, 10) que alguns são felizes nesta vida não simplesmente, mas «como homens», cuja natureza está sujeita à mudança. Mas se falarmos daquela Felicidade perfeita que esperamos depois desta vida, deve-se observar que Orígenes (*Peri Archon.* ii, 3), seguindo o erro de certos Platônicos, sustentou que o homem pode tornar-se infeliz após a Felicidade final. Isto, porém, é evidentemente falso, por duas razões. Primeiro, pela noção geral de felicidade. Pois, como a felicidade é o «bem perfeito e suficiente», ela deve necessariamente sossegar o desejo do homem e excluir todo mal. Ora, o homem deseja naturalmente reter o bem que tem e ter a certeza de sua retenção; caso contrário, ele deve necessariamente ser perturbado pelo medo de perdê-lo, ou pela tristeza de saber que o perderá. Portanto, é necessário para a verdadeira Felicidade que o homem tenha a opinião assegurada de nunca perder o bem que possui. Se esta opinião é verdadeira, segue-se que ele nunca perderá a felicidade; mas se é falsa, é em si um mal que ele tenha uma opinião falsa: porque o falso é o mal do intelecto, assim como o verdadeiro é o seu bem, como se afirma na *Ética* vi, 2. Consequentemente, ele não será mais verdadeiramente feliz, se houver mal nele. Em segundo lugar, é novamente evidente se considerarmos a natureza específica da Felicidade. Pois foi mostrado acima (Q[3], A[8]) que a perfeita Felicidade do homem consiste na visão da Essência Divina. Ora, é impossível que alguém que veja a Essência Divina queira não vê-la. Porque todo bem que alguém possui e, contudo, deseja não ter, ou é insuficiente, desejando-se algo mais suficiente em seu lugar; ou tem algum incómodo associado a ele, por cuja razão se torna enfadonho. Mas a visão da Essência Divina enche a alma de todos os bens, pois a une à fonte de toda bondade; por isso está escrito (Sl 16,15): «Satisfar-me-ei quando aparecer a Tua glória»; e (Sb 7,11): «Todos os bens me vieram juntamente com ela», isto é, com a contemplação da sabedoria. Do mesmo modo, não tem nenhum incómodo associado; porque está escrito sobre a contemplação da sabedoria (Sb 8,16): «A sua conversação não tem amargura, nem a sua companhia, enfado». É, portanto, evidente que o homem feliz não pode abandonar a Felicidade por sua própria vontade. Além disso, também não pode perder a Felicidade por Deus lha tirar. Porque, sendo a privação da Felicidade um castigo, não pode ser infligida por Deus, justo Juiz, a não ser por alguma culpa; e aquele que vê a Deus não pode cair em culpa, pois a retidão da vontade resulta necessariamente dessa visão, como foi mostrado acima (Q[4], A[4]). Nem pode ser tirada por qualquer outro agente. Porque a mente que está unida a Deus é elevada acima de todas as outras coisas; e, consequentemente, nenhum outro agente pode separar a mente dessa união. Portanto, parece irrazoável que, com o tempo, o homem passe da felicidade à miséria, e vice-versa; porque tais vicissitudes do tempo só podem existir para as coisas que estão sujeitas ao tempo e ao movimento. **Resposta à Objeção 1:** A Felicidade é a perfeição consumada, que exclui todo defeito do feliz. E, portanto, quem tem a felicidade a possui de modo totalmente imutável: isso é feito pelo poder Divino, que eleva o homem à participação da eternidade, que transcende toda mudança. **Resposta à Objeção 2:** A vontade pode dirigir-se a opostos nas coisas que são ordenadas ao fim; mas está ordenada, por necessidade natural, ao fim último. Isto é evidente pelo fato de o homem não poder não desejar ser feliz. **Resposta à Objeção 3:** A Felicidade tem um princípio devido à condição do participante; mas não tem fim por causa da condição do bem, cuja participação faz o homem feliz. Daí que o princípio da felicidade provém de uma causa, a sua interminabilidade de outra.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether happiness once had can be lost? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a terceira bem-aventurança, “Bem-aventurados os que choram”, etc., não corresponde ao dom de ciência. Pois, assim como o mal é causa de tristeza e dor, assim o bem é causa de alegria. Ora, a ciência traz à luz o bem antes que o mal, visto que este é conhecido através do mal: pois “a linha reta julga-se a si mesma e à linha curva” (De Anima i, 5). Logo, a referida bem-aventurança não corresponde adequadamente ao dom de ciência. Objeção 2: Além disso, a consideração da verdade é um ato de ciência. Ora, não há tristeza na consideração da verdade; antes há alegria, pois está escrito (Sb. 8,16): “A sua conversação não tem amargura, nem a sua companhia tédio, mas alegria e gozo.” Logo, a referida bem-aventurança não corresponde adequadamente ao dom de ciência. Objeção 3: Além disso, o dom de ciência consiste na especulação, antes que na operação. Ora, na medida em que consiste na especulação, a tristeza não lhe corresponde, pois “o intelecto especulativo não se ocupa das coisas a buscar ou a evitar” (De Anima iii, 9). Logo, a referida bem-aventurança não é adequadamente considerada como correspondente ao dom de ciência. Em contrário, Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte iv): “A ciência convém ao enlutado, que descobriu que foi dominado pelo mal que cobiçava como se fosse bem.” Respondo: O juízo reto acerca das criaturas pertence propriamente à ciência. Ora, é através das criaturas que se ocasiona a aversão do homem de Deus, segundo Sb. 14,11: “As criaturas . . . são tornadas em abominação . . . e laço para os pés dos insensatos”, daqueles, isto é, que não julgam retamente acerca das criaturas, pois julgam que o bem perfeito consiste nelas. Por isso, pecam colocando nelas o seu fim último e perdem o verdadeiro bem. É formando um juízo reto acerca das criaturas que o homem se torna cônscio da perda (da qual elas podem ser ocasião), juízo que ele exerce através do dom de ciência. Por isso, a bem-aventurança da tristeza é dita corresponder ao dom de ciência. Resposta à Objeção 1: Os bens criados não causam alegria espiritual, a não ser na medida em que são referidos ao bem divino, que é a causa própria da alegria espiritual. Por isso, a paz espiritual e a alegria resultante correspondem diretamente ao dom de sabedoria; mas ao dom de ciência corresponde, primeiramente, a tristeza pelos erros passados e, em consequência, a consolação, pois, pelo seu reto juízo, o homem dirige as criaturas para o bem divino. Por esta razão, a tristeza é apresentada nesta bem-aventurança como mérito, e a consolação resultante como prêmio; o qual se inicia nesta vida e se aperfeiçoa na vida futura. Resposta à Objeção 2: O homem se alegra na própria consideração da verdade; contudo, pode às vezes se entristecer pela coisa cuja verdade considera; é assim que a tristeza é atribuída à ciência. Resposta à Objeção 3: Nenhuma bem-aventurança corresponde à ciência na medida em que consiste na especulação, porque a bem-aventurança do homem não consiste em considerar as criaturas, mas em contemplar a Deus. Contudo, a bem-aventurança do homem consiste de algum modo no uso reto das criaturas e no amor bem ordenado delas; e isto digo quanto à bem-aventurança de um viajante. Por isso, a bem-aventurança relativa à contemplação não é atribuída à ciência, mas ao entendimento e à sabedoria, que são acerca das coisas divinas.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether the third beatitude, 'Blessed are they that mourn,' etc. corresponds to the gift of knowledge? · séc. XIII

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Sb 8, 16 nos Padres da Igreja | Aurea