Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
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Citações internas
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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a prudência não toma conhecimento dos singulares. Pois a prudência está na razão, como foi dito acima (AA[1],2). Ora, "a razão trata dos universais", segundo a Física i, 5. Logo, a prudência não toma conhecimento senão dos universais.
Objeção 2: Ademais, os singulares são infinitos em número. Ora, a razão não pode compreender uma infinidade de coisas. Logo, a prudência, que é a reta razão, não é acerca dos singulares.
Objeção 3: Ademais, os particulares são conhecidos pelos sentidos. Ora, a prudência não está num sentido, pois muitas pessoas que têm sentidos externos agudos são desprovidas de prudência. Logo, a prudência não toma conhecimento dos singulares.
Em contrário, o Filósofo diz (Ética vi, 7) que "a prudência não trata apenas dos universais, mas também precisa tomar conhecimento dos singulares."
Respondo que, como foi dito acima (A[1], ad 3), à prudência pertence não só a consideração da razão, mas também a aplicação à ação, que é o fim da razão prática. Ora, ninguém pode aplicar convenientemente uma coisa a outra, a menos que conheça tanto a coisa a ser aplicada como aquilo a que tem de ser aplicada. Ora, as ações são em matérias singulares; e assim é necessário que o homem prudente conheça tanto os princípios universais da razão como os singulares acerca dos quais as ações se ocupam.
Resposta à objeção 1: A razão primeiro e principalmente se ocupa dos universais, e, contudo, é capaz de aplicar regras universais a casos particulares; daí as conclusões dos silogismos não serem apenas universais, mas também particulares, porque o intelecto, por uma espécie de reflexão, se estende à matéria, como se afirma em De Anima iii.
Resposta à objeção 2: É porque a infinidade dos singulares não pode ser compreendida pela razão humana que "os nossos conselhos são incertos" (Sb 9,14). Contudo, a experiência reduz a infinidade dos singulares a um certo número finito que ocorre como regra geral, e o conhecimento destes basta para a prudência humana.
Resposta à objeção 3: Como o Filósofo diz (Ética vi, 8), a prudência não reside nos sentidos externos pelos quais conhecemos os objetos sensíveis, mas no sentido interno, que é aperfeiçoado pela memória e pela experiência para julgar prontamente dos casos particulares. Isto não significa, contudo, que a prudência esteja no sentido interno como no seu sujeito principal, pois está principalmente na razão, mas por uma espécie de aplicação se estende a este sentido.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether prudence takes cognizance of singulars? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o conselho não deve ser contado entre os dons do Espírito Santo. Os dons do Espírito Santo são dados como auxílio às virtudes, segundo Gregório (Moral. ii, 49). Ora, para o ato de aconselhar-se, o homem é suficientemente aperfeiçoado pela virtude da prudência, ou mesmo da *euboulia* (bem deliberar), como é evidente pelo que foi dito (Q. 47, a. 1, ad 2; Q. 51, aa. 1,2). Logo, o conselho não deve ser contado entre os dons do Espírito Santo.
**Objeção 2:** Ademais, a diferença entre os sete dons do Espírito Santo e as graças gratuitas parece ser que estas não são dadas a todos, mas são distribuídas entre várias pessoas, enquanto os dons do Espírito Santo são dados a todos os que têm o Espírito Santo. Ora, o conselho parece ser uma daquelas coisas que são dadas pelo Espírito Santo especialmente a certas pessoas, conforme 1 Macabeus 2,65: "Eis que... vosso irmão Simão é homem de conselho". Portanto, o conselho deve ser enumerado entre as graças gratuitas, e não entre os sete dons do Espírito Santo.
**Objeção 3:** Além disso, está escrito (Rm 8,14): "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus". Ora, aconselhar-se não é compatível com ser guiado por outro. Como, pois, os dons do Espírito Santo convêm maximamente aos filhos de Deus, que "receberam o espírito de adoção de filhos", parece que o conselho não deve ser enumerado entre os dons do Espírito Santo.
**Em contrário,** está escrito (Is 11,2): "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor... espírito de conselho e de fortaleza".
**Respondo:** Como foi dito acima (I-II, Q. 68, a. 1), os dons do Espírito Santo são disposições pelas quais a alma se torna dócil ao movimento do Espírito Santo. Ora, Deus move cada coisa segundo o modo da coisa movida: assim, move a criatura corpórea pelo tempo e pelo lugar, e a criatura espiritual pelo tempo, mas não pelo lugar, como declara Agostinho (Gen. ad lit. viii, 20,22). Ademais, é próprio da criatura racional ser movida pela investigação da razão para realizar qualquer ação particular, e essa investigação se chama conselho. Por isso, diz-se que o Espírito Santo move a criatura racional por via de conselho; donde o conselho ser contado entre os dons do Espírito Santo.
**Resposta à objeção 1:** A prudência ou *euboulia* (bem deliberar), seja adquirida, seja infusa, dirige o homem na investigação do conselho segundo princípios que a razão pode apreender; portanto, a prudência ou *euboulia* faz o homem aconselhar-se bem, quer para si mesmo, quer para outrem. Contudo, como a razão humana é incapaz de apreender as coisas singulares e contingentes que podem ocorrer, resulta que "os pensamentos dos homens mortais são tímidos, e incertos os nossos conselhos" (Sb 9,14). Por isso, na investigação do conselho, o homem precisa ser dirigido por Deus, que tudo compreende; e isso se faz pelo dom do conselho, pelo qual o homem é dirigido como que aconselhado por Deus, assim como, nas coisas humanas, aqueles que não podem aconselhar-se por si mesmos buscam conselho dos mais sábios.
**Resposta à objeção 2:** Que um homem seja de tão bom conselho a ponto de aconselhar outros, pode ser devido a uma graça gratuita; mas que um homem seja aconselhado por Deus sobre o que deve fazer nas coisas necessárias para a salvação, é comum a todas as pessoas santas.
**Resposta à objeção 3:** Os filhos de Deus são movidos pelo Espírito Santo segundo o seu modo, sem prejuízo do seu livre-arbítrio, que é a "faculdade da vontade e da razão" (Sent. iii, D, 24). Desse modo, o dom do conselho convém aos filhos de Deus enquanto a razão é instruída pelo Espírito Santo sobre o que devemos fazer.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether counsel should be reckoned among the gifts of the Holy Ghost? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a prudência não é uma virtude necessária para se levar uma boa vida. Porque, assim como a arte se relaciona com as coisas que são feitas, das quais é a reta razão, assim a prudência se relaciona com as coisas que são feitas, no tocante às quais julgamos a vida de um homem: pois a prudência é a reta razão acerca dessas coisas, como se afirma na Ética, VI, 5. Ora, a arte não é necessária nas coisas que são feitas, senão para que sejam feitas, mas não depois de terem sido feitas. Logo, também a prudência não é necessária ao homem para levar uma boa vida, depois que ele se tornou virtuoso; mas talvez apenas para que ele se torne virtuoso.
Objeção 2: Ademais, "É pela prudência que somos de bom conselho", como se afirma na Ética, VI, 5. Ora, o homem pode agir não só pelo seu próprio conselho, mas também pelo bom conselho de outrem. Portanto, o homem não precisa da prudência para levar uma boa vida, mas basta-lhe seguir os conselhos dos homens prudentes.
Objeção 3: Ademais, uma virtude intelectual é aquela pela qual sempre se diz a verdade, e nunca a falsidade. Ora, isto não parece ser o caso da prudência: pois não é próprio do homem nunca errar ao tomar conselho sobre o que deve ser feito; visto que as ações humanas versam sobre coisas que podem ser de outra maneira do que são. Por isso está escrito (Sabedoria 9,14): "Os pensamentos dos homens mortais são temerosos, e os nossos conselhos incertos." Logo, parece que a prudência não deve ser considerada uma virtude intelectual.
Em contrário, ela é enumerada com as outras virtudes necessárias para a vida humana, quando está escrito (Sabedoria 8,7) acerca da Sabedoria divina: "Ela ensina a temperança, e a prudência, e a justiça, e a fortaleza, as quais são coisas tais que os homens nada têm mais proveitoso na vida."
Respondo que a prudência é uma virtude sumamente necessária para a vida humana. Pois uma boa vida consiste em boas ações. Ora, para fazer boas ações, não importa apenas o que o homem faz, mas também como o faz; a saber, que o faça por reta escolha e não meramente por impulso ou paixão. E, visto que a escolha é acerca das coisas em relação ao fim, a retidão da escolha requer duas coisas: a saber, o fim devido, e algo ordenado convenientemente a esse fim devido. Ora, o homem é convenientemente dirigido ao seu fim devido por uma virtude que aperfeiçoa a alma na parte apetitiva, cujo objeto é o bem e o fim. E para aquilo que é ordenado convenientemente ao fim devido, o homem precisa ser retamente disposto por um hábito em sua razão, porque o conselho e a escolha, que são acerca das coisas ordenadas ao fim, são atos da razão. Consequentemente, uma virtude intelectual é necessária na razão, para aperfeiçoar a razão e torná-la convenientemente afetada em relação às coisas ordenadas ao fim; e esta virtude é a prudência. Portanto, a prudência é uma virtude necessária para se levar uma boa vida.
Resposta à Objeção 1: O bem da arte encontra-se, não no artífice, mas no produto da arte, pois a arte é a reta razão acerca das coisas que devem ser feitas: porque, visto que a feitura de uma coisa passa para a matéria exterior, ela é uma perfeição, não do fazedor, mas da coisa feita, assim como o movimento é o ato da coisa movida; e a arte se ocupa da feitura das coisas. Por outro lado, o bem da prudência está no princípio ativo, cuja atividade é a sua perfeição: pois a prudência é a reta razão acerca das coisas a serem feitas, como foi dito acima (A.4). Portanto, a arte não exige do artífice que o seu ato seja um ato bom, mas que a sua obra seja boa. Antes seria necessário que a coisa feita agisse bem (por exemplo, que uma faca cortasse bem, ou que uma serra serrasse bem), se fosse próprio de tais coisas agir, em vez de serem agidas, porque elas não têm domínio sobre as suas ações. Por isso, o artífice precisa da arte, não para viver bem, mas para produzir uma boa obra de arte e tê-la em boa guarda; ao passo que a prudência é necessária ao homem, para que ele leve uma boa vida, e não apenas para que seja um homem bom.
Resposta à Objeção 2: Quando um homem faz uma boa ação, não por seu próprio conselho, mas movido pelo de outrem, a sua ação ainda não é totalmente perfeita, quanto à sua razão que o dirige e ao seu apetite que o move. Por isso, se ele faz uma boa ação, não age bem simplesmente; e contudo isto é necessário para que ele leve uma boa vida.
Resposta à Objeção 3: Como se afirma na Ética, VI, 2, a verdade não é a mesma para o intelecto prático e para o especulativo. Porque a verdade do intelecto especulativo depende da conformidade entre o intelecto e a coisa. E, visto que o intelecto não pode estar infalivelmente em conformidade com as coisas nas matérias contingentes, mas apenas nas matérias necessárias, portanto nenhum hábito especulativo acerca de coisas contingentes é uma virtude intelectual, mas apenas aquele que é acerca de coisas necessárias. Por outro lado, a verdade do intelecto prático depende da conformidade com o apetite reto. Esta conformidade não tem lugar nas matérias necessárias, que não são afetadas pela vontade humana; mas apenas nas matérias contingentes que podem ser efetuadas por nós, quer sejam matérias de ação interior, quer os produtos do trabalho exterior. Por isso, é apenas acerca de matérias contingentes que se atribui uma virtude intelectual ao intelecto prático, a saber, a arte, quanto às coisas a serem feitas, e a prudência, quanto às coisas a serem realizadas.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 5 - Whether prudence is a virtue necessary to man? · séc. XIII