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Zc 9, 11

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Matos Soares

11Quanto a ti, também, por causa do sangue da tua aliança, farei sair os teus cativos da fossa em que não há água.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que não é necessário para a salvação de todos que creiam explicitamente no mistério de Cristo. Pois o homem não está obrigado a crer explicitamente naquilo que os anjos ignoram, visto que o desenvolvimento da fé resulta da revelação divina, a qual chega ao homem por meio dos anjos, como foi dito acima (A[6]; FP, Q[111], A[1]). Ora, também os anjos ignoravam o mistério da Encarnação; por isso, segundo o comentário de Dionísio (Coel. Hier. vii), são eles que perguntam (Sl 23,8): «Quem é este Rei da glória?» e (Is 63,1): «Quem é este que vem de Edom?». Logo, os homens não estavam obrigados a crer explicitamente no mistério da Encarnação de Cristo. **Objeção 2:** Ademais, é evidente que João Batista era um dos doutores e o mais próximo de Cristo, do qual Ele disse (Mt 11,11) que «entre os nascidos de mulher não surgiu maior do que ele». Ora, João Batista não parece ter conhecido explicitamente o mistério de Cristo, pois perguntou a Cristo (Mt 11,3): «És Tu Aquele que hás de vir, ou esperamos nós outro?». Portanto, nem mesmo os doutores estavam obrigados a uma fé explícita em Cristo. **Objeção 3:** Ademais, muitos gentios obtiveram a salvação por ministério dos anjos, como afirma Dionísio (Coel. Hier. ix). Ora, parece que os gentios não tiveram fé explícita nem implícita em Cristo, pois não receberam revelação alguma. Logo, parece que não era necessário para a salvação de todos crer explicitamente no mistério de Cristo. **Em contrário,** Agostinho diz (De Corr. et Gratia vii; Ep. cxc): «A nossa fé é sã se cremos que nenhum homem, velho ou jovem, é livrado do contágio da morte e dos laços do pecado, senão pelo único Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo.» **Respondo que,** como foi dito acima (A[5]; Q[1], A[8]), o objeto da fé inclui, própria e diretamente, aquilo mediante o qual o homem obtém a beatitude. Ora, o mistério da Encarnação e Paixão de Cristo é o caminho pelo qual os homens obtêm a beatitude; pois está escrito (At 4,12): «Não há outro nome debaixo do céu dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» Portanto, a crença de algum modo no mistério da Encarnação de Cristo foi necessária em todos os tempos e para todas as pessoas, mas essa crença diferiu segundo a diferença dos tempos e das pessoas. A razão disto é que, antes do estado de pecado, o homem cria explicitamente na Encarnação de Cristo, enquanto ordenada para a consumação da glória, mas não enquanto ordenada a livrar o homem do pecado pela Paixão e Ressurreição, pois o homem não tinha presciência do seu futuro pecado. Todavia, parece que ele teve presciência da Encarnação de Cristo, pelo fato de ter dito (Gn 2,24): «Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher», do qual diz o Apóstolo (Ef 5,32) que «este é um grande sacramento [...] em Cristo e na Igreja», e é incrível que o primeiro homem ignorasse este sacramento. Mas depois do pecado, o homem creu explicitamente em Cristo, não só quanto à Encarnação, mas também quanto à Paixão e Ressurreição, pelas quais o gênero humano é livrado do pecado e da morte; do contrário, não teriam prefigurado a Paixão de Cristo mediante certos sacrifícios, tanto antes como depois da Lei, cujo significado era conhecido explicitamente pelos doutos, enquanto os simples, sob o véu daqueles sacrifícios, criam que eles eram ordenados por Deus em referência à vinda de Cristo, e assim o seu conhecimento estava, por assim dizer, coberto com um véu. E, como foi dito acima (Q[1], A[7]), quanto mais próximos estavam de Cristo, mais distinto era o seu conhecimento dos mistérios de Cristo. Depois que a graça foi revelada, tanto os doutos como os simples estão obrigados a uma fé explícita nos mistérios de Cristo, principalmente quanto àqueles que são observados em toda a Igreja e publicamente proclamados, tais como os artigos referentes à Encarnação, dos quais falamos acima (Q[1], A[8]). Quanto a outros pontos mais minuciosos referentes aos artigos da Encarnação, os homens estiveram obrigados a crê-los mais ou menos explicitamente, segundo o estado e o cargo de cada um. **Resposta à Objeção 1:** O mistério do Reino de Deus não estava inteiramente oculto aos anjos, como observa Agostinho (Gen. ad lit. v, 19); contudo, certos aspectos dele lhes foram mais conhecidos quando Cristo lhos revelou. **Resposta à Objeção 2:** Não foi por ignorância que João Batista indagou acerca da vinda de Cristo na carne, pois já tinha professado claramente a sua crença nela, dizendo: «Eu vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus» (Jo 1,34). Por isso não disse: «És Tu Aquele que veio?», mas «És Tu Aquele que hás de vir?», falando assim do futuro, não do passado. Da mesma forma, não se deve crer que ele ignorasse a futura Paixão de Cristo, pois já dissera (Jo 1,29): «Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado [Vulg.: 'pecados'] do mundo», predizendo assim a sua futura imolação; e, como os outros profetas a tinham predito, vê-se especialmente em Isaías 53. Podemos, portanto, dizer com Gregório (Hom. xxvi in Evang.) que fez esta pergunta estando na ignorância quanto a se Cristo desceria ao inferno em sua própria Pessoa. Mas ele não ignorava que o poder da Paixão de Cristo se estenderia àqueles que estavam detidos no Limbo, conforme Zacarias 9,11: «Tu também, pelo sangue do teu testamento, enviaste os teus presos para fora do poço em que não há água»; nem estava obrigado a crer explicitamente, antes do seu cumprimento, que Cristo havia de descer ali em pessoa. Pode-se também responder que, como observa Ambrósio no seu comentário a Lc 7,19, fez esta pergunta, não por dúvida ou ignorância, mas por devoção; ou ainda, com Crisóstomo (Hom. xxxvi in Matth.), que perguntou, não como ignorante ele mesmo, mas porque desejava que os seus discípulos ficassem satisfeitos quanto a esse ponto, por meio de Cristo; por isso, este formulou a sua resposta de modo a instruir os discípulos, apontando os sinais das suas obras. **Resposta à Objeção 3:** Muitos dos gentios receberam revelações de Cristo, como se vê claramente pelas suas predições. Assim lemos (Jó 19,25): «Eu sei que o meu Redentor vive.» Também a Sibila predisse algumas coisas acerca de Cristo, como afirma Agostinho (Contra Faust. xiii, 15). Além disso, lê-se na história dos Romanos que, no tempo de Constantino Augusto e de sua mãe Irene, foi descoberto um sepulcro, onde jazia um homem, sobre cujo peito havia uma lâmina de ouro com a inscrição: «Cristo nascerá de uma virgem, e nEle creio. Ó sol, durante a vida de Irene e Constantino, tu me verás de novo» [*Cf. Baron, Annal. A.D. 780]. Se, porém, alguns se salvaram sem receber revelação alguma, não se salvaram sem fé num Mediador; pois, embora não cressem nEle explicitamente, tinham, contudo, fé implícita, crendo na divina providência, visto que criam que Deus livraria o gênero humano de qualquer modo que Lhe aprouvesse, e segundo a revelação do Espírito àqueles que conheciam a verdade, como está dito em Jó 35,11: «Quem nos ensina mais do que os animais da terra.»

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether it is necessary for the salvation of all, that they should believe explicitly in the mystery of Christ? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não era conveniente que Cristo descesse ao inferno, porque Agostinho diz (Epístola a Evódio, cliv): «Nem pude encontrar em parte alguma das Escrituras o inferno mencionado como algo bom.» Ora, a alma de Cristo não desceu a nenhum lugar mau, pois nem as almas dos justos o fazem. Logo, não parece conveniente que a alma de Cristo descesse ao inferno. Objeção 2: Além disso, não pode pertencer a Cristo descer ao inferno segundo a sua natureza divina, que é de todo imóvel; mas apenas segundo a sua natureza assumida. Ora, o que Cristo fez ou sofreu na sua natureza assumida é ordenado para a salvação dos homens; e assegurar isto não parece necessário que Cristo descesse ao inferno, visto que Ele nos livrou tanto da culpa como da pena pela sua Paixão, que sofreu neste mundo, como foi dito acima (Q[49], AA[1],3). Consequentemente, não era conveniente que Cristo descesse ao inferno. Objeção 3: Além disso, pela morte de Cristo sua alma foi separada do corpo, e este foi posto no sepulcro, como foi dito acima (Q[51]). Mas parece que Ele desceu ao inferno não somente segundo a sua alma, porque a alma, sendo incorpórea, não pode ser sujeito de movimento local; pois isto pertence aos corpos, como se prova na Física, livro VI, texto 32; enquanto que descida implica movimento corpóreo. Logo, não era conveniente que Cristo descesse ao inferno. Pelo contrário, diz-se no Credo: «Desceu ao inferno»; e o Apóstolo diz (Efésios 4:9): «Ora, aquilo que subiu, que é, senão porque também primeiro desceu às partes mais baixas da terra?» E uma glosa acrescenta: «isto é — ao inferno.» Respondo que era conveniente que Cristo descesse ao inferno. Primeiramente, porque Ele veio para levar a nossa pena a fim de nos livrar da pena, segundo Isaías 53:4: «Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas dores.» Ora, pelo pecado o homem incorrera não somente na morte do corpo, mas também na descida ao inferno. Portanto, assim como era conveniente que Cristo morresse para nos livrar da morte, assim o era que Ele descesse ao inferno para nos livrar também da descida ao inferno. Por isso está escrito (Oseias 13:14): «Ó morte, eu serei a tua morte; ó inferno, serei a tua mordedura.» Em segundo lugar, porque era conveniente que, quando o diabo foi vencido pela Paixão, Cristo livrasse os cativos detidos no inferno, segundo Zacarias 9:11: «Tu também pelo sangue do teu testamento tiraste os teus presos da cova.» E está escrito (Colossenses 2:15): «E despojando os principados e potestades, os conduziu abertamente em triunfo.» Em terceiro lugar, para que, assim como Ele mostrou o seu poder na terra vivendo e morrendo, também o manifestasse no inferno, visitando-o e iluminando-o. Por isso está escrito (Salmo 23:7): «Levantai, ó príncipes, as vossas portas», o que a glosa assim interpreta: «isto é — Vós, príncipes do inferno, removei o vosso poder, pelo qual até agora retínheis os homens no inferno»; e assim «ao nome de Jesus se dobre todo joelho», não somente «dos que estão no céu», mas também «dos que estão no inferno», como se diz em Filipenses 2:10. Resposta à Objeção 1: O nome inferno significa um mal de pena, e não um mal de culpa. Portanto, era conveniente que Cristo descesse ao inferno, não como alguém sujeito à pena Ele mesmo, mas para livrar aqueles que o estavam. Resposta à Objeção 2: A Paixão de Cristo foi uma causa universal da salvação dos homens, tanto dos vivos como dos mortos. Ora, uma causa geral é aplicada a efeitos particulares por meio de algo especial. Assim, como o poder da Paixão é aplicado aos vivos através dos sacramentos que nos tornam semelhantes à Paixão de Cristo, assim também é aplicado aos mortos através da sua descida ao inferno. Por isso está escrito (Zacarias 9:11) que «Ele tirou os presos da cova, no sangue do seu testamento», isto é, pelo poder da sua Paixão. Resposta à Objeção 3: A alma de Cristo desceu ao inferno não pelo mesmo tipo de movimento pelo qual os corpos são movidos, mas por aquele tipo pelo qual os anjos são movidos, como foi dito na Primeira Parte, Q. 53, A. 1.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it was fitting for Christ to descend into hell? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo, descendo ao inferno, não livrou dali os santos Padres. Pois Agostinho (Epístola a Evódio, clxiv) diz: “Ainda não descobri o que é que Cristo, descendo ao inferno, concedeu àqueles justos que estavam no seio de Abraão, dos quais me parece que nunca se apartou segundo a presença beatífica da sua Divindade.” Ora, se os tivesse livrado, muito lhes teria concedido. Logo, não se vê que Cristo livrasse do inferno os santos Padres. Objeção 2: Além disso, ninguém é detido no inferno senão por causa do pecado. Mas os santos Padres, em vida, foram justificados do pecado pela fé em Cristo. Por conseguinte, não necessitavam de ser livrados do inferno por ocasião da descida de Cristo. Objeção 3: Além disso, removida a causa, remove-se o efeito. Ora, o facto de Cristo ter descido ao inferno foi devido ao pecado, o qual foi tirado pela Paixão, como se disse acima (Q[49], A[1]). Logo, os santos Padres não foram livrados pela descida de Cristo ao inferno. Pelo contrário, Agostinho diz no sermão sobre a Paixão já citado que, quando Cristo desceu ao inferno, “quebrou as portas e os ferrolhos de ferro do inferno, pondo em liberdade todos os justos que estavam retidos pelo pecado original”. Respondo que, como se disse acima (A[4], ad 2), quando Cristo desceu ao inferno, operou pelo poder da sua Paixão. Ora, pela Paixão de Cristo o género humano foi livrado não só do pecado, mas também da dívida da pena, como se disse acima (Q[49], AA[1],3). Ora, os homens estavam retidos pela dívida da pena de dois modos: primeiro, pelo pecado atual que cada um cometeu pessoalmente; segundo, pelo pecado de todo o género humano, que cada um contrai na sua origem do nosso primeiro pai, como se diz em Romanos 5; e a pena desse pecado é tanto a morte do corpo como a exclusão da glória, como é claro em Génesis 2 e 3, porque Deus, depois do pecado, lançou o homem fora do paraíso, tendo-lhe antes ameaçado com a morte se pecasse. Por conseguinte, quando Cristo desceu ao inferno, pelo poder da sua Paixão livrou os santos da pena pela qual eram excluídos da vida da glória, de modo a não poderem ver a Deus na sua Essência, na qual consiste a beatitude do homem, como se disse na I-II, Q[3], A[8]. Ora, os santos Padres estavam detidos no inferno por esta razão: que, por causa do pecado do nosso primeiro pai, não estava aberto o acesso à vida da glória. E assim, quando Cristo desceu ao inferno, livrou dali os santos Padres. E é isto o que está escrito em Zacarias 9,11: “Tu também, pelo sangue do teu testamento, tiraste os teus presos da cova em que não há água.” E em Colossenses 2,15 está escrito que, “despojando os principados e potestades”, isto é, “do inferno, tirando Isaac e Jacó e as outras almas justas”, “os levou”, isto é, “os trouxe para longe deste reino das trevas para o céu”, como explica a glosa. Resposta à objeção 1: Agostinho fala ali contra aqueles que sustentavam que os justos antigos estavam sujeitos a sofrimentos penais antes da descida de Cristo ao inferno. Por isso, pouco antes do trecho citado, diz: “Alguns acrescentam que também este benefício foi concedido aos santos antigos: que, com a vinda do Senhor ao inferno, foram libertos dos seus sofrimentos. Mas eu não vejo como é que Abraão, em cujo seio foi recebido o pobre, esteve alguma vez em tais sofrimentos.” Por conseguinte, quando depois acrescenta que “ainda não descobrira o que a descida de Cristo ao inferno trouxera aos justos antigos”, isto deve entender-se quanto à libertação dos sofrimentos penais. Contudo, Cristo concedeu-lhes algo quanto à obtenção da glória; e, em consequência, dissipou o sofrimento que suportavam pelo atraso da glória; contudo, eles tinham grande alegria pela própria esperança dela, segundo João 8,56: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia.” E por isso acrescenta: “Não vejo que Ele se tenha apartado deles segundo a presença beatífica da sua Divindade”, isto é, na medida em que, antes da vinda de Cristo, eram felizes na esperança, embora ainda não plenamente felizes de facto. Resposta à objeção 2: Os santos Padres, enquanto viviam, foram livrados do pecado original e também do atual pela fé em Cristo; também da pena dos pecados atuais, mas não da pena do pecado original, pela qual eram excluídos da glória, porque ainda não fora pago o preço da redenção humana; assim como agora os fiéis são livrados pelo batismo da pena dos pecados atuais, e da pena do pecado original quanto à exclusão da glória, contudo permanecem ainda sujeitos à pena do pecado original quanto à necessidade de morrer no corpo, porque são renovados no espírito, mas ainda não na carne, segundo Romanos 8,10: “E, na verdade, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justificação.” Resposta à objeção 3: Logo que Cristo morreu, a sua alma desceu ao inferno e concedeu os frutos da sua Paixão aos santos ali detidos; embora eles não tenham saído enquanto Cristo esteve no inferno, porque a sua presença fazia parte da plenitude da sua glória.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether Christ descending into hell delivered the holy Fathers from thence? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que Cristo libertou alguns dos condenados do inferno, porque está escrito (Is 24,22): «E serão congregados como na congregação de um feixe no poço, e ali serão encerrados na prisão; e depois de muitos dias serão visitados.» Mas ali Ele fala dos condenados, que «adoraram o exército do céu», segundo o comentário de Jerônimo. Consequentemente, parece que até os condenados foram visitados na descida de Cristo ao inferno; e isto parece implicar a sua libertação. **Objeção 2:** Ademais, sobre Zacarias 9,11: «Tu também pelo sangue do teu testamento enviaste os teus presos da cova em que não há água», observa a glosa: «Tu livraste aqueles que eram mantidos presos em cárceres, onde nenhuma misericórdia os refrigeria, a qual aquele rico suplicava.» Mas só os condenados estão encerrados em prisões sem misericórdia. Logo, Cristo libertou alguns do inferno dos condenados. **Objeção 3:** Além disso, o poder de Cristo não era menor no inferno do que neste mundo, porque Ele operava em todo lugar pelo poder da sua Divindade. Mas neste mundo libertou algumas pessoas de todo estado. Portanto, também no inferno libertou alguns do estado dos condenados. **Em contrário,** está escrito (Os 13,14): «Ó morte, eu serei a tua morte; ó inferno, eu serei o teu flagelo»; sobre o que diz a glosa: «Conduzindo os eleitos, e deixando ali os réprobos.» Mas só os réprobos estão no inferno dos condenados. Logo, pela descida de Cristo ao infermo ninguém foi libertado do inferno dos condenados. **Respondo que,** como foi dito acima (A.5), quando Cristo desceu aos infernos, operou pela virtude da sua Paixão. Consequentemente, a sua descida aos infernos trouxe os frutos de libertação somente àqueles que estavam unidos à sua Paixão pela fé vivificada pela caridade, pela qual os pecados são removidos. Ora, os que estavam detidos no inferno dos condenados, ou não tinham fé na Paixão de Cristo, como os infiéis; ou, se tinham fé, não tinham conformidade com a caridade de Cristo sofredor; portanto, não podiam ser purificados dos seus pecados. E por esta razão a descida de Cristo aos infernos não lhes trouxe libertação do débito da pena no inferno. **Resposta à Objeção 1:** Quando Cristo desceu aos infernos, todos os que estavam em alguma parte do inferno foram visitados de algum modo: uns para sua consolação e libertação, outros, a saber, os condenados, para sua vergonha e confusão. Por isso o texto continua: «E a lua se envergonhará, e o sol se confundirá», etc. Isto também se pode referir à visitação que sobrevirá a eles no dia do juízo, não para sua libertação, mas para sua ainda maior confusão, conforme Sofonias 1,12: «Visitarei os homens que estão assentados sobre as suas fezes.» **Resposta à Objeção 2:** Quando a glosa diz «onde nenhuma misericórdia os refrigeria», isto se entende do refrigério da plena libertação, porque os santos Padres não podiam ser libertados desta prisão do inferno antes da vinda de Cristo. **Resposta à Objeção 3:** Não foi por falta de poder da parte de Cristo que alguns não foram libertados de todo estado no inferno, como de todo estado entre os homens neste mundo; mas foi por causa da condição muito diferente de cada estado. Pois, enquanto os homens vivem aqui em baixo, podem converter-se à fé e à caridade, porque nesta vida os homens não estão confirmados nem no bem nem no mal, como o estão depois de saírem desta vida.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether Christ delivered any of the lost from hell? · séc. XIII

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