Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
EC
Eusébio de Cesareia
Os dois seguintes são Tiago e João, como se segue: Tiago e João, ambos filhos de Zebedeu, que também eram pescadores. Depois deles menciona Filipe e Bartolomeu. João diz que Filipe era de Betsaida, da cidade de André e Pedro. Bartolomeu era um homem simples, desprovido de todo conhecimento mundano e astúcia. Mas Mateus foi chamado dentre os que costumavam cobrar impostos; sobre quem ele acrescenta Mateus e Tomé.
séc. IV
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A
Santo Agostinho
Quanto ao nome de Judas, irmão de Tiago, Lucas parece diferir de Mateus, que o chama Tadeu. Mas o que impedia um homem de ser chamado por dois ou três nomes? Judas, o traidor, é escolhido, não sem conhecimento, mas conscientemente, pois Cristo tinha de fato tomado para Si a fraqueza do homem, e por isso não recusou nem mesmo esta partilha da humana enfermidade. Ele quis ser traído pelo Seu próprio Apóstolo, para que tu, quando traído pelo teu amigo, possas suportar calmamente o teu juízo equivocado, a tua bondade desperdiçada.
Augustinus de Cons. Evang · séc. V
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CA
São Cirilo de Alexandria
Examinemos, pois, nas ações que Jesus fez, como nos ensina a ser instantes na oração a Deus, retirando-nos e em segredo, sem que ninguém nos veja; pondo de lado também os nossos cuidados mundanos, para que a mente se eleve à altura da contemplação divina. E isto observamos no fato de que Jesus subiu ao monte à parte para orar.
séc. V
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CA
São Cirilo de Alexandria
Mas notai a grande diligência do Evangelista. Ele não diz apenas que os santos Apóstolos foram escolhidos, mas enumera-os pelo nome, para que ninguém ouse inserir outros no catálogo; Simão, a quem também chamou Pedro, e André, seu irmão.
séc. V
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CA
São Cirilo de Alexandria
Mas se podemos aprender a interpretação dos nomes dos Apóstolos, sabei que Pedro significa “desatar ou conhecer”; André, “poder glorioso”, ou “responder”; Tiago, “apóstolo da aflição”; João, “a graça do Senhor”; Mateus, “dado”; Filipe, “boca grande”, ou “a abertura de uma tocha”; Bartolomeu, “o filho daquele que abaixa água”; Tomé, “profundo ou sarja”; Tiago, filho de Alfeu, “suplantador do passo da vida”; Judas, “confissão”; Simão, “obediência”.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Levantai-vos, pois, também vós durante a noite. A alma então está mais pura; as próprias trevas e o grande silêncio são por si mesmos suficientes para nos levar à contrição dos nossos pecados. Mas se contemplardes o próprio céu cravejado de estrelas como de inumeráveis olhos, se pensardes que os que se entregam aos prazeres e cometem injustiças durante o dia nada então diferem dos mortos, aborrecereis todas as empresas humanas. Todas estas coisas servem para elevar o espírito. A vanglória então não inquieta, nenhum tumulto da paixão domina; o fogo não destrói tanto a ferrugem do ferro como a oração noturna destrói a praga do pecado. Aquele a quem o calor do sol abrasou durante o dia é refrigerado pelo orvalho; as lágrimas noturnas são melhores do que qualquer orvalho, e são prova contra o desejo e o temor. Mas se um homem não é regado pelo orvalho de que falamos, ele seca durante o dia. Portanto, ainda que não oreis muito à noite, orai uma vez com vigília, e basta; mostrai que a noite não pertence somente ao corpo, mas também à alma.
séc. V
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AM
Santo Ambrósio de Milão
Não se abram vossos ouvidos ao engano, para que penseis que o Filho de Deus ora por falta de força, a fim de obter o que não poderia realizar; pois, sendo Ele mesmo o Autor do poder, o Mestre da obediência, conduz-nos pelo Seu próprio exemplo aos preceitos da virtude.
séc. IV
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AM
Santo Ambrósio de Milão
Por toda parte também Ele ora sozinho, pois os desejos humanos não compreendem a sabedoria de Deus; e ninguém pode ser participante dos segredos de Cristo. Mas nem todo o que ora sobe a um monte; somente aquele que ora, avançando das coisas terrenas para as mais altas, que não se inquieta pelas riquezas ou honrarias do mundo. Todos cujas mentes são elevadas acima do mundo sobem ao monte. No Evangelho, pois, acharás que somente os discípulos sobem ao monte com o Senhor. Mas tu, ó cristão, tens agora o caráter dado, a forma prescrita que deves imitar; como se segue: E passou a noite inteira em oração a Deus. Pois o que deves tu fazer por tua salvação, quando Cristo passa a noite inteira em oração por ti?
séc. IV
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AM
Santo Ambrósio de Milão
Mas que vos convém fazer quando quiserdes começar alguma obra de piedade, quando Cristo, prestes a enviar os seus discípulos, primeiro orou? Pois se segue: E, sendo dia, chamou os seus discípulos, etc., os quais verdadeiramente destinou a serem os meios de espalhar a salvação do homem pelo mundo. Volvei também os vossos olhos para o conselho celestial. Não os sábios, não os ricos, não os nobres, mas escolheu enviar pescadores e publicanos, para que não parecessem atrair os homens à sua graça por riquezas ou pela influência do poder e da autoridade, e para que a força da verdade, não as graças da oratória, prevalecesse.
séc. IV
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BV
São Beda, o Venerável
Ele não só cognominou primeiro a Pedro, mas muito antes disto, quando foi trazido por André, é dito: Tu serás chamado Cephas, que por interpretação quer dizer, uma pedra. Mas Lucas, desejando mencionar os nomes dos discípulos, pois era necessário chamar-lhe Pedro, quis brevemente significar que este não era antes o seu nome, mas o Senhor lho tinha dado.
séc. VIII
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BV
São Beda, o Venerável
Mateus coloca-se depois de seu condiscípulo Tomé, por humildade, ao passo que pelos outros Evangelistas ele é posto antes dele. Segue-se Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelotes.
séc. VIII
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BV
São Beda, o Venerável
Mas, em sentido místico, o monte sobre o qual nosso Senhor escolheu os Seus discípulos representa a alteza da justiça na qual haviam de ser instruídos, e que haviam de pregar aos outros; assim também a Lei foi dada sobre um monte.
séc. VIII
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GO
Glossa Ordinária
Quando os adversários se levantaram contra os milagres e o ensino de Cristo, Ele escolheu Apóstolos como defensores e testemunhas da verdade, e prefacia a eleição deles com oração; como está dito: E aconteceu que, &c.
Glossa
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GO
Glossa Ordinária
Porque na verdade ele era de Caná da Galileia, que se interpreta zelo; e isto é acrescentado para distingui-lo de Simão Pedro. Segue-se: Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que também o traiu.
Glossa
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Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que a alma de Cristo não tinha onipotência quanto à execução de sua própria vontade. Pois está escrito (Mc 7,24): "Entrando em casa, quis que ninguém o soubesse, e não pôde ocultar-se". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas.
Objeção 2: Demais. Um mandamento é sinal da vontade, como foi dito na Primeira Parte, Q. 19, A. 12. Mas Nosso Senhor mandou que se fizessem certas coisas, e sucedeu o contrário, pois está escrito (Mt 9,30-31): "Jesus lhes ordenou severamente, dizendo: Vede que ninguém o saiba. Eles, porém, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela terra". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas.
Objeção 3: Demais. Ninguém pede a outro o que pode fazer por si. Mas Nosso Senhor suplicou ao Pai, orando pelo que desejava que se fizesse, pois está escrito (Lc 6,12): "Saiu para o monte a orar, e passou toda a noite em oração a Deus". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas.
Ao contrário, diz Agostinho (Quest. Nov. et Vet. Test., q. 77): "É impossível que a vontade do Salvador não se cumpra; nem é possível que Ele queira o que sabe não dever acontecer".
Respondo: A alma de Cristo quis coisas de dois modos. Primeiro, o que havia de ser realizado por Ele mesmo; e deve-se dizer que era capaz de tudo quanto assim quis, pois não conviria à sua sabedoria se quisesse fazer de Si mesmo algo que não estivesse sujeito à sua vontade. Segundo, quis coisas que fossem realizadas pelo poder divino, como a ressurreição de seu próprio corpo e feitos milagrosos semelhantes, que não podia efetuar por seu próprio poder, senão como instrumento da Divindade, como foi dito acima (A. 2).
Resposta à Objeção 1: Como diz Agostinho (Quest. Nov. et Vet. Test., q. 77): "O que aconteceu, deve dizer-se que Cristo o quis. Pois deve notar-se que isso se deu na terra dos gentios, aos quais ainda não era tempo de pregar. Contudo, teria sido odioso não acolher os que vinham espontaneamente à fé. Por isso não quis ser anunciado pelos seus, e todavia quis ser procurado; e assim aconteceu". Ou pode-se dizer que esta vontade de Cristo não se referia ao que devia ser realizado por ela, mas ao que devia ser feito por outros, o que não caía sob sua vontade humana. Por isso, na carta do Papa Ágato, aprovada no Sexto Concílio [*Terceiro Concílio de Constantinopla, Ato IV], lemos: "Quando Ele, Criador e Redentor de todos, quis ocultar-se e não pôde, acaso isto não se deve referir apenas à sua vontade humana, que se dignou assumir no tempo?"
Resposta à Objeção 2: Como diz Gregório (Moral. XIX), pelo fato de que "Nosso Senhor mandou que se ocultassem suas obras poderosas, deu exemplo a seus servos vindouros para que desejassem que seus milagres fossem escondidos; e, contudo, para que outros se aproveitem de seu exemplo, são divulgados contra a sua vontade". E assim este mandamento significava sua vontade de fugir da glória humana, conforme Jo 8,50: "Não busco a minha glória". Contudo, Ele queria absolutamente, e especialmente por sua vontade divina, que o milagre realizado fosse publicado para o bem dos outros.
Resposta à Objeção 3: Cristo orou tanto pelas coisas que deviam ser realizadas pelo poder divino, como pelo que Ele mesmo devia fazer por sua vontade humana, pois o poder e a operação da alma de Cristo dependiam de Deus, "que opera em todos o querer e o realizar" (Fl 2,13).
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the soul of Christ had omnipotence as regards the execution of His will? · séc. XIII
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TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece inconveniente que Cristo orasse. Pois, como diz Damasceno (*De Fide Orth.* iii, 24), «a oração é a petição de coisas convenientes a Deus». Ora, podendo Cristo todas as coisas, não parece convir que peça algo a alguém. Logo, não parece adequado que Cristo orasse.
**Objeção 2:** Ademais, não necessitamos pedir em oração aquilo que sabemos com certeza que há de acontecer; assim, não oramos para que o sol nasça amanhã. Nem convém que alguém peça em oração aquilo que sabe que não acontecerá. Ora, Cristo sabia todas as coisas que haviam de acontecer. Logo, não lhe convinha pedir algo em oração.
**Objeção 3:** Ademais, diz Damasceno (*De Fide Orth.* iii, 24) que «a oração é a elevação da mente a Deus». Ora, a mente de Cristo não necessitava de elevação a Deus, pois estava sempre unida a Deus, não só pela união da hipóstase, mas pela fruição da beatitude. Logo, não era conveniente que Cristo orasse.
**Em contrário,** está escrito (Lc 6,12): «E aconteceu naqueles dias que saiu a um monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.»
**Respondo que,** como se disse na SS, Q[83], AA[1],2, a oração é a exposição da nossa vontade a Deus, para que Ele a cumpra. Se, portanto, houvesse em Cristo uma só vontade, a saber, a divina, de modo algum lhe pertenceria orar, pois a vontade divina, por si mesma, é eficaz para tudo o que quer, conforme o Salmo 134,6: «Tudo o que o Senhor quis, fez.» Mas porque as vontades divina e humana são distintas em Cristo, e a vontade humana, por si só, não é suficientemente eficaz para fazer o que quer, senão pelo poder divino, por isso orar pertence a Cristo enquanto homem e enquanto tem vontade humana.
**Resposta à objeção 1:** Cristo, como Deus e não como homem, podia realizar tudo o que queria, pois, enquanto homem, não era onipotente, como acima se disse (Q[13], A[1]). Contudo, sendo Deus e homem, quis oferecer orações ao Pai, não como se fosse incapaz, mas para nossa instrução. Primeiro, para mostrar que procedia do Pai; por isso diz (Jo 11,42): «Eu disse isto por causa do povo que está ao redor, para que creiam que tu me enviaste.» Donde diz Hilário (*De Trin.* x): «Não necessitava de oração; orou por nós, para que o Filho não fosse desconhecido.» Segundo, para nos dar exemplo de oração; donde diz Ambrósio (sobre Lc 6,12): «Não te enganes, nem penses que o Filho de Deus ora como um fraco, para suplicar o que não pode efetuar. Pois o Autor do poder, o Mestre da obediência, persuade-nos aos preceitos da virtude pelo seu exemplo.» Donde diz Agostinho (*Tract. civ in Joan.*): «Nosso Senhor, na forma de servo, poderia ter orado em silêncio, se necessário fosse, mas quis mostrar-se suplicante do Pai, de modo a lembrar que era nosso Mestre.»
**Resposta à objeção 2:** Entre as outras coisas que sabia haveriam de acontecer, sabia que algumas seriam realizadas por sua oração; e por essas não inconvenientemente suplicou a Deus.
**Resposta à objeção 3:** Elevar-se não é mais do que mover-se para o que está acima. Ora, o movimento se toma de dois modos, como se diz em *De Anima* iii, 7: primeiro, em sentido próprio, conforme implica a passagem da potência ao ato, enquanto é ato de algo imperfeito, e assim elevar-se pertence ao que está em potência e não em ato para o alto. Neste sentido, como diz Damasceno (*De Fide Orth.* iii, 24), «a mente humana de Cristo não necessitava elevar-se a Deus, pois estava sempre unida a Deus tanto pelo ser pessoal como pela visão beatífica». Segundo, o movimento significa o ato de algo perfeito, isto é, algo existente em ato, como se chamam movimentos o entender e o sentir; e neste sentido a mente de Cristo sempre se elevava a Deus, pois sempre O contemplava como existente acima de si mesmo.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it is becoming of Christ to pray? · séc. XIII