27Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem alguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
A
Santo Agostinho
Quando disse «Ninguém conhece o Filho senão o Pai», não acrescentou: e aquele a quem o Pai quiser revelar o Filho. Mas quando disse «Ninguém conhece o Pai senão o Filho», acrescentou: «E aquele a quem o Filho o quiser revelar.» Isto, porém, não se deve entender como se o Filho não pudesse ser conhecido por nenhum, a não ser somente pelo Pai; enquanto o Pai poderia ser conhecido não só pelo Filho, mas também por aqueles a quem o Filho o revelar. Antes, exprime-se assim para que entendamos que tanto o Pai como o próprio Filho são revelados pelo Filho, porquanto Ele é a luz da nossa mente; e o que depois se acrescenta, «E aquele a quem o Filho o quiser revelar», deve entender-se dito tanto do Filho como do Pai, e referir-se a tudo quanto fora dito. Pois o Pai se declara por seu Verbo, mas o Verbo declara não somente aquilo que por ele se quer declarar, mas, ao declarar isto, declara-se a si mesmo.
Quast Ev. · Quast Ev., i, 1 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Pois se Ele tem em seu poder algo de menos do que tem o Pai, então tudo o que o Pai tem não é seu; porque, gerando-o, o Pai deu poder ao Filho, assim como, gerando-o, deu todas as coisas que tem em sua substância àquele que gerou de sua substância.
cont. Maximin. ii. 12 · cont. Maximin. ii. 12 · séc. V
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A
Santo Agostinho
E porque a sua substância é inseparável, basta às vezes nomear o Pai, às vezes o Filho; nem é possível separar de um ou de outro o seu Espírito, que é especialmente chamado o Espírito da verdade.
De Trin. · De Trin., i, 8 · séc. V
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A
Santo Agostinho
O Pai é revelado pelo Filho, isto é, por seu Verbo. Pois se a palavra temporal e transitória que proferimos mostra a si mesma e também aquilo que queremos transmitir, quanto mais o Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, o qual de tal modo mostra o Pai como Ele é Pai, porque ele mesmo é o mesmo e do mesmo modo que o Pai.
De Trin. · De Trin., vii, 3 · séc. V
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HP
Santo Hilário de Poitiers
Ou para que não pensemos que há nele algo de menos do que em Deus, por isso diz isto.
séc. IV
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HP
Santo Hilário de Poitiers
E também no mútuo conhecimento entre o Pai e o Filho, ensina-nos que não há no Filho nada além do que havia no Pai; pois segue-se: «E ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem alguém conhece o Pai senão o Filho.»
séc. IV
tradução automática
HP
Santo Hilário de Poitiers
Pois este mútuo conhecimento proclama que são de uma só substância, visto que aquele que conhecesse o Filho conheceria também o Pai no Filho, pois que todas as coisas lhe foram entregues pelo Pai.
séc. IV
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J
São Jerônimo
Pois, se concebermos esta coisa segundo a nossa fraqueza, quando aquele que recebe começa a ter, aquele que dá começa a ficar privado. Ou então, quando Ele diz: «Todas as coisas me foram entregues», pode querer dizer, não o céu e a terra e os elementos, e as demais coisas que criou e fez, mas aqueles que pelo Filho têm acesso ao Pai.
séc. V
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J
São Jerônimo
Corre, portanto, o heresiarca Eunômio disto, que reivindica para si tal conhecimento do Pai e do Filho como eles têm um do outro. Mas se ele argumenta a partir do que se segue, e ampara a sua loucura naquilo: "E àquele a quem o Filho o quiser revelar", uma coisa é saber o que se sabe por igualdade com Deus, outra é sabê-lo por Ele se dignar a revelá-lo.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Porque havia dito: «Confesso-te, ó Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios», para que não suponhas que Ele assim agradece ao Pai como se Ele mesmo fosse excluído deste poder, acrescenta: «Todas as coisas me foram entregues por meu Pai.» Ao ouvir as palavras «foram entregues», não admitas suspeita de coisa alguma humana, pois Ele usa esta palavra para que não penses haver dois deuses não gerados. Porque no tempo em que foi gerado, era Senhor de tudo.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Por isto, que só Ele conhece o Pai, mostra encobertamente que é de uma só substância com o Pai. Como se houvesse dito: Que admiração é eu ser Senhor de tudo, quando tenho algo ainda maior, a saber, conhecer o Pai e ser da mesma substância com Ele?
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Quando diz: «Nem ninguém conhece o Pai senão o Filho», não quer dizer que todos os homens sejam de todo ignorantes d'Ele; mas que ninguém O conhece com aquele conhecimento com que Ele O conhece; o que também se pode dizer do Filho. Pois não se fala de um Deus desconhecido, como Marcião declara.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Se, portanto, Ele revela o Pai, revela também a Si mesmo. Mas o um omite como coisa manifesta, e menciona o outro porque a respeito dele poderia haver dúvida. Nisto também nos instrui que Ele é de tal modo um com o Pai, que não é possível a ninguém vir ao Pai senão pelo Filho. Pois isto sobretudo havia dado escândalo, que Ele parecesse ser contra Deus, e por isso esforçava-se por todos os meios em derrubar esta noção.
séc. V
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Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
RM
Beato Rabano Mauro
Ou, 'abraçando,' porque, "Ninguém conhece o Pai senão o Filho." [Mt 11,27]
séc. IX
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O
Orígenes
Ou assim: A palavra glória é aqui usada num sentido diferente daquele que alguns pagãos lhe atribuem, que definiram a glória como a reunião dos louvores de muitos. É evidente que a glória em tal sentido é coisa diferente daquela mencionada no Êxodo, onde se diz que a glória do Senhor encheu o tabernáculo (Êx 40:34), e que o rosto de Moisés foi glorificado. A glória aqui mencionada é algo visível, uma certa aparição divina no templo e no rosto de Moisés; mas num sentido mais elevado e mais espiritual somos glorificados quando, com o olho do entendimento, penetramos nas coisas de Deus. Pois a mente, quando ascende acima das coisas materiais e vê espiritualmente a Deus, é deificada; e desta glória espiritual, a glória visível no rosto de Moisés é uma figura: porque a sua mente foi deificada pelo trato com Deus. Mas não há comparação entre a excelente glória de Cristo e o conhecimento de Moisés, pelo qual o rosto da sua alma foi glorificado: porque toda a glória do Pai resplandece sobre o Filho, que é o resplendor da Sua glória e a expressa imagem da Sua Pessoa (Hb 1:3). Sim, e da luz de toda esta glória procedem glórias particulares por toda a criação racional; embora ninguém possa abarcar toda a glória divina, senão o Filho. Mas, na medida em que o Filho era conhecido do mundo, nessa medida era Ele glorificado. E ainda não era plenamente conhecido. Mas depois o Pai espalhou o conhecimento dEle por todo o mundo, e então foi glorificado o Filho do homem naqueles que O conheciam. E desta glória fez participantes todos os que O conhecem, como disse o Apóstolo: Nós todos, com o rosto descoberto, refletindo como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória (2 Co 3:18), i.e., da Sua glória recebemos glória. Quando, pois, se aproximava aquela dispensação pela qual Ele Se havia de tornar conhecido do mundo e ser glorificado na glória daqueles que O glorificavam, diz: Agora é glorificado o Filho do homem (Mt 11:27). E porque ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar, e o Filho pela dispensação estava para revelar o Pai, por isso disse: E Deus é glorificado nEle. Ou comparai isto com o texto abaixo: Quem Me vê a Mim vê o Pai. O Pai que gerou o Verbo é visto no Verbo, que é Deus e a imagem do Deus invisível. Mas as palavras podem ser tomadas num sentido mais amplo. Pois, assim como por alguns o nome de Deus era blasfemado entre os gentios, assim também através dos santos, cujas boas obras são vistas e reconhecidas pelo mundo, o nome do Pai que está nos céus é engrandecido. Mas em quem foi Ele tão glorificado como em Jesus, que não cometeu pecado, nem se achou dolo na Sua boca? Sendo tal o Filho, Ele é glorificado, e Deus é glorificado nEle. E se Deus é glorificado nEle, o Pai Lhe retribui mais do que Lhe deu. Pois a glória do Filho do homem, quando o Pai O glorifica, excede em muito a glória do Pai, quando Ele é glorificado no Filho: sendo conveniente que o maior retribua a maior glória. E como isto, a saber, a glorificação do Filho do homem, estava prestes a ser cumprida, acrescenta o Senhor: E logo O glorificará.