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Mt 12, 31-32

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Matos Soares

31Por isso vos digo: Todo o pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. 32Todo o que disser alguma palavra contra o Filho do homem, lhe será perdoado; porém o que a disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.

Matos Soares · domínio público

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Comentário direto

14

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Santo Agostinho

De outra maneira; Diz o Apóstolo João: «Há pecado para a morte; não digo que rogue por esse.» [1 João 5,16] Este pecado do irmão para a morte julgo ser quando alguém, tendo vindo ao conhecimento de Deus pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo, se opõe contra a irmandade, ou é excitado pelo furor da inveja contra aquela graça pela qual foi reconciliado com Deus. A mancha deste pecado é tão grande, que não se submete à humildade da oração, ainda quando a consciência pecadora é levada a reconhecer e proclamar o seu próprio pecado. E a tal estado de ânimo, por causa da grandeza do seu pecado, devemos supor que alguns podem ser levados; e isto talvez seja pecar contra o Espírito Santo, isto é, por malícia e inveja atacar a caridade fraterna depois de recebida a graça do Espírito Santo; e este p…

Santo Agostinho · Serm. in Mount, 1, 22 · séc. V

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São Gregório Magno

Donde podemos coligir que há alguns pecados que são perdoados neste mundo, e alguns no mundo vindouro; pois o que se nega de um pecado, deve-se supor admitido dos outros. E isto se pode crer a respeito das faltas leves; tais como as muitas palavras ociosas, o riso imoderado, ou o pecado do cuidado excessivo nas coisas mundanas, as quais na verdade dificilmente se podem administrar sem pecado, mesmo por aquele que sabe como deve evitar o pecado; ou pecados por ignorância (se forem pecados menores) que nos oprimem ainda depois da morte, se não nos foram perdoados ainda nesta vida. Mas deve-se saber que ninguém obterá ali purgação ainda do menor pecado, senão aquele que por boas obras o mereceu nesta vida.

São Gregório Magno · Dial., iv, 39 · séc. VII

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Santo Agostinho

Porém não digo isto como certo, dizendo que assim penso; contudo, isto se poderia acrescentar: se ele encerrar esta vida nesta ímpia dureza de coração, todavia, visto que não podemos desesperar totalmente de ninguém, por mais ímpio que seja, enquanto está nesta vida, tampouco é irrazoável orar por aquele de quem não desesperamos.

Santo Agostinho · Retract., i, 19 · séc. V

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Santo Agostinho

Pois que importa ao propósito, quer se diga: «O espírito de blasfêmia não será perdoado», quer: «Quem blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado», como fala Lucas (Lc 12,10), senão que o mesmo sentido se expressa mais claramente num lugar do que no outro, sem que um Evangelista derrube o outro, antes o explique? «O espírito de blasfêmia» diz-se brevemente, sem expressar que espírito; para tornar claro o que é, acrescenta-se: «E quem quer que fale uma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado.» Depois de ter dito o mesmo de toda a espécie de blasfêmia, Ele quis, de modo mais particular, falar daquela blasfêmia que é contra o Filho do homem, e que no Evangelho segundo João Ele mostra ser muito grave, onde diz acerca do Espírito Santo: «Ele convencerá o mundo do pecado…

Santo Agostinho · Serm., 71, 13 · séc. V

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Santo Agostinho

Contudo, esta indagação é muito misteriosa. Busquemos, pois, do Senhor a luz da exposição. Digo-vos, amados, que em toda a Sagrada Escritura não há talvez questão tão grande nem tão difícil como esta. Primeiramente, peço-vos que noteis que o Senhor não disse: Toda a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada, nem: Quem falar qualquer palavra contra — mas: "Quem falar a palavra." Pelo que não é necessário pensar que toda blasfêmia e toda palavra falada contra o Espírito Santo fique sem perdão; é necessário somente que haja alguma palavra que, se falada contra o Espírito Santo, fique sem perdão. Pois tal é o modo da Escritura, que, quando algo nela é declarado sem que se declare se é dito do todo ou de uma parte, não é necessário que, porque pode aplicar-se ao todo, por isso se entenda da…

Santo Agostinho · Serm., 71, 8 · séc. V

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Santo Agostinho

Mas se isto fosse dito de tal maneira, então toda outra espécie de blasfémia é omitida, e só aquela que é proferida contra o Filho do Homem, como quando Ele é declarado mero homem, há de ser perdoada. Portanto, aquilo que é dito: «Todo o pecado e blasfémia será perdoado aos homens», sem dúvida inclui na sua amplidão a blasfémia proferida contra o Pai; embora aqui novamente só aquela que é dita contra o Espírito Santo seja declarada irremissível. Que significa então? Porventura também o Pai tomou sobre Si a forma de servo, para que o Espírito Santo seja assim como que tratado como maior? Pois quem não poderia ser convicto de ter proferido uma palavra contra o Espírito Santo, antes de se tornar cristão ou católico? Primeiro, os próprios pagãos, quando dizem que Cristo operou milagres por art…

Santo Agostinho · séc. V

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Glossa Ordinária

Esta passagem destrói aquela heresia de Orígenes, que afirmava que depois de muitos séculos todos os pecadores obteriam perdão; pois aqui se diz: isto não será perdoado nem neste século, nem no vindouro.

Glossa Ordinária · Glossa · ap. Anselm, vid. infra in cap. 25

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Santo Hilário de Poitiers

Condena com uma sentença rigorosíssima esta opinião dos fariseus e daqueles que com eles pensavam, prometendo perdão para todos os pecados, mas exceptuando a blasfêmia contra o Espírito; «Portanto vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens.»

Santo Hilário de Poitiers · séc. IV

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Santo Hilário de Poitiers

E que coisa há tão além de todo perdão como negar em Cristo o que é de Deus, e tirar a substância do Espírito do Pai que n’Ele está, visto que Ele realiza toda obra no Espírito de Deus, e n’Ele Deus está reconciliando o mundo consigo mesmo?

Santo Hilário de Poitiers · séc. IV

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Remígio de Auxerre

Mas deve-se saber que não são perdoados a todos os homens universalmente, mas somente àqueles que fizeram a devida penitência por suas culpas. Assim, por estas palavras é derrubado o erro de Novaciano, que dizia que os fiéis não podiam levantar-se pela penitência após uma queda, nem merecer o perdão de seus pecados, especialmente aqueles que negaram na perseguição.

Remígio de Auxerre · séc. X

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São Jerônimo

Ou o passo pode ser assim entendido: Aquele que profere palavra contra o Filho do Homem, tropeçando na Minha carne e julgando-Me não mais que homem, tal opinião e blasfémia, embora não isenta do pecado de heresia, acha perdão por causa do pouco valor do corpo. Mas aquele que, vendo claramente as obras de Deus e não podendo negar o poder divino, fala falsamente contra elas movido pela inveja, e chama a Cristo, que é o Verbo de Deus, e às obras do Espírito Santo, de Belzebu, a esse não será perdoado, nem neste mundo, nem no mundo vindouro.

São Jerônimo · séc. V

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São João Crisóstomo

O Senhor havia refutado os fariseus explicando as suas próprias ações, e agora passa a aterrorizá-los. Pois não é pequena parte da correção ameaçar com castigo, assim como rebater a falsa acusação.

São João Crisóstomo · séc. V

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São João Crisóstomo

Por outra exposição, segundo a primeira. Os judeus ignoravam, na verdade, a Cristo, mas do Espírito Santo haviam tido comunicação suficiente, porque os Profetas falavam por Ele. O que aqui diz, pois, é isto: Concedo que tropeçastes em Mim por causa da carne que está ao redor de Mim; mas podeis do mesmo modo dizer do Espírito Santo: Não O conhecemos? Por isso, esta blasfêmia não vos pode ser perdoada, e sereis castigados tanto aqui como no porvir. Porque, visto que expelir demônios e curar doenças são obras do Espírito Santo, não blasfemais somente contra Mim, mas também contra Ele; e assim a vossa condenação é inevitável, tanto aqui como no porvir. Porque há os que são castigados somente nesta vida, como os que entre os Coríntios participaram indignamente dos mistérios; outros, que são cas…

São João Crisóstomo · séc. V

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Santo Agostinho de Hipona

Sobre as palavras do Evangelho, Mateus XII, 32: “Todo aquele que disser uma palavra contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.” Ou, “sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo.” Matt. XII, 22–26. Virtutis. Matt. XII, 28. 1 Cor. IV, 7. Eph. II, 3. Voce. 2 Tim. II, 19. Maximiano, Diácono da Igreja de Cartago, da facção de Donato, ofendeu-se com Primiano, Bispo de Cartago, que o excomungara, e induziu alguns bispos donatistas a exigir que Primiano prestasse contas; e, não querendo este reconhecer sua autoridade, foi, como Ceciliano fora, condenado em sua ausência. Primiano foi restaurado à comunhão por outros bispos donatistas, e Maximiano, juntamente com doze bispos que haviam assistido à sua ordenação como bispo, foi condenado (Agostinho, De Ges…

Santo Agostinho de Hipona · Sermons on Selected Lessons of the New Testament · On the words of the Gospel, Matt. xii. 32, ‘Whosoever shall speak a word against the Holy Spirit, it shall not be forgiven him, neither in this world, nor in that which is to come.’ Or, ‘on the blasphemy against the Holy Ghost.’ · séc. V

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia. Porque o pecado contra o Espírito Santo é o pecado de blasfêmia, segundo Mt 12,32. Ora, nem todo pecado cometido por certa malícia é pecado de blasfêmia, pois muitos outros gêneros de pecado podem ser cometidos por certa malícia. Logo, o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia. **Objeção 2:** Além disso, o pecado cometido por certa malícia é co-dividido com o pecado cometido por ignorância e com o pecado cometido por fraqueza; ao passo que o pecado contra o Espírito Santo é co-dividido com o pecado contra o Filho do Homem (Mt 12,32). Logo, o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia, pois a…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. Pois Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. lxxi): «Não devemos desesperar de homem algum, enquanto a paciência do Senhor o trouxer à penitência.» Ora, se algum pecado não pudesse ser perdoado, seria possível desesperar de alguns pecadores. Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. **Objeção 2:** Ademais, nenhum pecado é perdoado senão mediante a cura da alma por Deus. Mas «nenhuma doença é incurável para um médico omnipotente», como diz uma glosa sobre o Sl 102,3: «Que sara todas as tuas enfermidades.» Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. **Objeção 3:** Ademais, o livre-arbítrio é indiferente ao bem e ao mal. Ora, enquanto o homem é viandante, pode cair de qualquer virtude, poi…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 3 · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1.** Parece que o ódio de Deus não é o maior dos pecados. Porque o pecado mais grave é o pecado contra o Espírito Santo, pois não pode ser perdoado, segundo Mat. 12,32. Ora, o ódio de Deus não é contado entre as várias espécies de pecado contra o Espírito Santo, como se pode ver pelo que foi dito acima (Q[14], A[2]). Logo, o ódio de Deus não é o pecado mais grave. **Objeção 2.** Além disso, o pecado consiste em afastar-se de Deus. Ora, um incrédulo que nem mesmo tem conhecimento de Deus parece estar mais distante d’Ele do que um crente que, embora odeie a Deus, contudo O conhece. Parece, portanto, que o pecado da incredulidade é mais grave do que o pecado do ódio contra Deus. **Objeção 3.** Além disso, Deus é objeto de ódio apenas por causa daqueles Seus efeitos que são contrár…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 2 · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que aproximar-se deste sacramento com consciência de pecado é o mais grave de todos os pecados; porque o Apóstolo diz (1 Cor. 11, 27): "Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor"; sobre a qual a Glosa observa: "Será castigado como se tivesse matado a Cristo." Mas o pecado dos que mataram a Cristo parece ter sido gravíssimo. Logo, este pecado, pelo qual alguém se aproxima da mesa de Cristo com consciência de pecado, parece ser o mais grave. Objeção 2: Além disso, Jerônimo diz numa Epístola (xlix): "Que tens tu com mulheres, tu que falas familiarmente com Deus no altar?" [*A parte restante da citação não é de São Jerônimo]. Dize, sacerdote, dize, clérigo, como beijas o Filho de Deus com os mesmo…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que nem todos os pecados são removidos pela Penitência. Pois o Apóstolo diz (Hb 12,17) que Esaú "não achou lugar de arrependimento, embora o tivesse buscado com lágrimas", o que uma glosa explica significando que "não achou lugar de perdão e bênção pela Penitência"; e refere-se (2 Mac 9,13) de Antíoco, que "este ímpio orou ao Senhor, de quem não havia de obter misericórdia". Portanto, não parece que todos os pecados são removidos pela Penitência. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i) que "tão grande é a mancha daquele pecado (a saber, quando um homem, depois de chegar ao conhecimento de Deus pela graça de Cristo, resiste à caridade fraterna e, com os tições da inveja, combate a própria graça) que ele não pode humilhar-se na oração, embora seja forç…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 1 · séc. XIII

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Mt 12, 31-32 nos Padres da Igreja | Aurea