32Todo o que disser alguma palavra contra o Filho do homem, lhe será perdoado; porém o que a disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.
Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
A
Santo Agostinho
De outra maneira; Diz o Apóstolo João: «Há pecado para a morte; não digo que rogue por esse.» [1 João 5,16] Este pecado do irmão para a morte julgo ser quando alguém, tendo vindo ao conhecimento de Deus pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo, se opõe contra a irmandade, ou é excitado pelo furor da inveja contra aquela graça pela qual foi reconciliado com Deus. A mancha deste pecado é tão grande, que não se submete à humildade da oração, ainda quando a consciência pecadora é levada a reconhecer e proclamar o seu próprio pecado. E a tal estado de ânimo, por causa da grandeza do seu pecado, devemos supor que alguns podem ser levados; e isto talvez seja pecar contra o Espírito Santo, isto é, por malícia e inveja atacar a caridade fraterna depois de recebida a graça do Espírito Santo; e este pecado declara o Senhor que não será perdoado nem neste mundo, nem no vindouro. Donde se pode perguntar se os judeus cometeram este pecado contra o Espírito Santo quando disseram que o Senhor expulsava os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios. Devemos supor que isto foi dito de nosso Senhor mesmo, porque Ele disse em outro lugar: «Se ao pai de família chamaram Belzebu, quanto mais aos de sua casa?» [Mateus 10,24] Visto que assim falaram por inveja, ingratos por tão grandes benefícios presentes, devemos supor que eles, embora não cristãos, pela própria grandeza daquela inveja pecaram o pecado contra o Espírito Santo? Isto não se pode depreender das palavras do Senhor. No entanto, Ele parece tê-los advertido de que deveriam vir à graça, e que, depois de recebida essa graça, não pecassem como então pecavam. Porque então a sua palavra maligna fora proferida contra o Filho do Homem, mas podia ser-lhes perdoada, se se convertessem e cressem nEle. Mas se, depois de haverem recebido o Espírito Santo, se tornassem invejosos contra a irmandade e pelejassem contra aquela graça que receberam, não lhes seria perdoado nem neste mundo, nem no vindouro. Porque se Ele os houvesse condenado de tal modo que nenhuma esperança lhes restasse, não teria acrescentado uma admoestação: «Ou fazei a árvore boa, &c.»
Serm. in Mount · Serm. in Mount, 1, 22 · séc. V
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GM
São Gregório Magno
Donde podemos coligir que há alguns pecados que são perdoados neste mundo, e alguns no mundo vindouro; pois o que se nega de um pecado, deve-se supor admitido dos outros. E isto se pode crer a respeito das faltas leves; tais como as muitas palavras ociosas, o riso imoderado, ou o pecado do cuidado excessivo nas coisas mundanas, as quais na verdade dificilmente se podem administrar sem pecado, mesmo por aquele que sabe como deve evitar o pecado; ou pecados por ignorância (se forem pecados menores) que nos oprimem ainda depois da morte, se não nos foram perdoados ainda nesta vida. Mas deve-se saber que ninguém obterá ali purgação ainda do menor pecado, senão aquele que por boas obras o mereceu nesta vida.
Dial. · Dial., iv, 39 · séc. VII
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A
Santo Agostinho
Porém não digo isto como certo, dizendo que assim penso; contudo, isto se poderia acrescentar: se ele encerrar esta vida nesta ímpia dureza de coração, todavia, visto que não podemos desesperar totalmente de ninguém, por mais ímpio que seja, enquanto está nesta vida, tampouco é irrazoável orar por aquele de quem não desesperamos.
Retract. · Retract., i, 19 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Pois que importa ao propósito, quer se diga: «O espírito de blasfêmia não será perdoado», quer: «Quem blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado», como fala Lucas (Lc 12,10), senão que o mesmo sentido se expressa mais claramente num lugar do que no outro, sem que um Evangelista derrube o outro, antes o explique? «O espírito de blasfêmia» diz-se brevemente, sem expressar que espírito; para tornar claro o que é, acrescenta-se: «E quem quer que fale uma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado.» Depois de ter dito o mesmo de toda a espécie de blasfêmia, Ele quis, de modo mais particular, falar daquela blasfêmia que é contra o Filho do homem, e que no Evangelho segundo João Ele mostra ser muito grave, onde diz acerca do Espírito Santo: «Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo; do pecado, porque não creem em mim.» Aquilo, pois, que aqui se segue — «Quem falar uma palavra contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro» — não é dito porque o Espírito Santo seja na Trindade maior que o Filho, o que nenhum herege jamais afirmou.
Serm. · Serm., 71, 13 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Contudo, esta indagação é muito misteriosa. Busquemos, pois, do Senhor a luz da exposição. Digo-vos, amados, que em toda a Sagrada Escritura não há talvez questão tão grande nem tão difícil como esta. Primeiramente, peço-vos que noteis que o Senhor não disse: Toda a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada, nem: Quem falar qualquer palavra contra — mas: "Quem falar a palavra." Pelo que não é necessário pensar que toda blasfêmia e toda palavra falada contra o Espírito Santo fique sem perdão; é necessário somente que haja alguma palavra que, se falada contra o Espírito Santo, fique sem perdão. Pois tal é o modo da Escritura, que, quando algo nela é declarado sem que se declare se é dito do todo ou de uma parte, não é necessário que, porque pode aplicar-se ao todo, por isso se entenda da parte. Como quando o Senhor disse aos judeus: "Se eu não viera e lhes falara, não teriam pecado" (Jo 15,22), isto não significa que os judeus seriam de todo sem pecado, mas que haveria um pecado que não teriam, se Cristo não viera. O que é, pois, esta maneira de falar contra o Espírito Santo, vem agora a ser explicado. Ora, no Pai nos é representado o Autor de todas as coisas, no Filho o nascimento, no Espírito Santo a comunhão do Pai e do Filho. Que é, então, o que é comum ao Pai e ao Filho, por meio do qual eles querem que tenhamos comunhão entre nós e com eles? "O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5); e, porque por nossos pecados estávamos alienados da posse dos verdadeiros bens, "a caridade cobrirá a multidão dos pecados" (1Pd 4,8). E, porque Cristo perdoa pecados por meio do Espírito Santo, daí se pode entender como, ao dizer a seus discípulos: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20,22), acrescentou logo: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados." Portanto, o primeiro benefício dos que creem é a remissão dos pecados no Espírito Santo. Contra este dom da graça gratuita fala o coração impenitente; a própria impenitência é, pois, a blasfêmia contra o Espírito que não será perdoada, nem neste mundo, nem no vindouro. Porquanto, na verdade, fala a palavra má contra o Espírito Santo, seja em seu pensamento, seja com sua língua, aquele que, por seu coração duro e impenitente, entesoura para si ira contra o dia da ira. Tal impenitência, verdadeiramente, não tem perdão, nem neste mundo nem no vindouro, pois a penitência obtém perdão neste mundo, o qual terá valor no mundo vindouro. Mas essa impenitência, enquanto alguém vive na carne, não pode ser julgada, porque não devemos desesperar de ninguém enquanto a paciência de Deus nos conduz à penitência. Pois que será se aqueles que descobris em qualquer sorte de pecado e condenais como os mais desesperados, antes de fecharem esta vida, se voltarem à penitência e encontrarem a verdadeira vida no mundo vindouro? Mas esta espécie de blasfêmia, ainda que seja longa e composta de muitas palavras, contudo a Escritura costuma falar de muitas palavras como uma só palavra. Foi mais do que uma só palavra a que o Senhor falou pelo profeta, e contudo lemos: A palavra que veio a este ou àquele profeta. Talvez alguém possa indagar se somente o Espírito Santo perdoa pecados, ou também o Pai e o Filho. Respondemos que também o Pai e o Filho; porque o próprio Filho diz do Pai: " Vosso Pai vos perdoará vossos pecados" (Mt 6,14), e diz de si mesmo: "O Filho do Homem tem poder na terra para perdoar pecados" (Mt 9,6). Por que, então, aquela impenitência que jamais é perdoada é dita blasfêmia somente contra o Espírito Santo? Porquanto aquele que cai neste pecado de impenitência parece resistir ao dom do Espírito Santo, porque nesse dom é transmitida a remissão do pecado. Mas os pecados, porque não são remitidos fora da Igreja, devem ser remitidos naquele Espírito pelo qual a Igreja é congregada em unidade. Assim, esta remissão dos pecados, que é dada por toda a Trindade, diz-se ser o ofício próprio só do Espírito Santo, pois é Ele "o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai" (Rm 8,15), de modo que a Ele possamos rogar: "Perdoa-nos os nossos pecados;" e por isto sabemos — diz João — "que Cristo permanece em nós, pelo Espírito Santo que nos deu" (1Jo 4,13). Porque a Ele pertence aquele vínculo pelo qual somos feitos um só corpo do unigênito Filho de Deus; pois o próprio Espírito Santo é, de certo modo, o vínculo do Pai e do Filho. Quem, pois, for culpado de impenitência contra o Espírito Santo, pelo qual a Igreja é congregada em unidade e um só vínculo de comunhão, jamais lhe será remetido.
Serm. · Serm., 71, 8 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Mas se isto fosse dito de tal maneira, então toda outra espécie de blasfémia é omitida, e só aquela que é proferida contra o Filho do Homem, como quando Ele é declarado mero homem, há de ser perdoada. Portanto, aquilo que é dito: «Todo o pecado e blasfémia será perdoado aos homens», sem dúvida inclui na sua amplidão a blasfémia proferida contra o Pai; embora aqui novamente só aquela que é dita contra o Espírito Santo seja declarada irremissível. Que significa então? Porventura também o Pai tomou sobre Si a forma de servo, para que o Espírito Santo seja assim como que tratado como maior? Pois quem não poderia ser convicto de ter proferido uma palavra contra o Espírito Santo, antes de se tornar cristão ou católico? Primeiro, os próprios pagãos, quando dizem que Cristo operou milagres por artes mágicas, não são semelhantes àqueles que disseram que Ele expelia os demónios pelo Príncipe dos demónios? Igualmente os judeus e todos os hereges que confessam o Espírito Santo, mas negam que Ele esteja no corpo de Cristo, que é a Igreja Católica, são semelhantes aos fariseus, que negavam que o Espírito Santo estivesse em Cristo. Alguns hereges contendem até que o próprio Espírito Santo ou é uma criatura, como os arianos, eunomianos e macedonianos, ou ao menos o negam de tal modo que negam a Trindade na Divindade; outros afirmam que só o Pai é Deus, e que o mesmo é chamado ora Filho, ora Espírito Santo, como os sabelianos. Os fotinianos também dizem que só o Pai é Deus, e que o Filho não é mais do que um homem, e negam totalmente que haja uma terceira Pessoa, o Espírito Santo. É claro, portanto, que o Espírito Santo é blasfemado tanto pelos pagãos, como pelos judeus e pelos hereges. Devem então todos esses ser deixados de fora e considerados como sem esperança? Pois, se a palavra que proferiram contra o Espírito Santo não lhes é perdoada, então em vão lhes é feita a promessa de que no Batismo ou na Igreja receberiam o perdão dos seus pecados. Porque não está dito: «Não lhe será perdoado no Batismo»; mas: «Nem neste século, nem no vindouro»; e assim só aqueles que foram católicos desde a infância devem ser considerados isentos da culpa deste pecado gravíssimo. Alguns pensam ainda que só pecam contra o Espírito Santo aqueles que, tendo sido lavados no lavacro da regeneração na Igreja, depois, como que ingratos por tão grande dom do Salvador, se lançam em algum pecado mortal, como adultério, homicídio, ou abandonar o nome cristão ou a Igreja Católica. Mas não sei de onde se possa provar este sentido; pois nunca se negou na Igreja lugar para penitência de pecados, por maiores que fossem, e até os hereges são exortados pelo Apóstolo a abraçá-la: «Se Deus porventura lhes der arrependimento para o conhecimento da verdade» (2 Tim. 2, 25). Finalmente, o Senhor não diz: «Se algum crente católico», mas: «Quem quer que profira uma palavra», isto é, quem quer que seja, «não lhe será perdoado nem neste século, nem no vindouro».
séc. V
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GO
Glossa Ordinária
Esta passagem destrói aquela heresia de Orígenes, que afirmava que depois de muitos séculos todos os pecadores obteriam perdão; pois aqui se diz: isto não será perdoado nem neste século, nem no vindouro.
Glossa · ap. Anselm, vid. infra in cap. 25
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HP
Santo Hilário de Poitiers
Condena com uma sentença rigorosíssima esta opinião dos fariseus e daqueles que com eles pensavam, prometendo perdão para todos os pecados, mas exceptuando a blasfêmia contra o Espírito; «Portanto vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens.»
séc. IV
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HP
Santo Hilário de Poitiers
E que coisa há tão além de todo perdão como negar em Cristo o que é de Deus, e tirar a substância do Espírito do Pai que n’Ele está, visto que Ele realiza toda obra no Espírito de Deus, e n’Ele Deus está reconciliando o mundo consigo mesmo?
séc. IV
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RA
Remígio de Auxerre
Mas deve-se saber que não são perdoados a todos os homens universalmente, mas somente àqueles que fizeram a devida penitência por suas culpas. Assim, por estas palavras é derrubado o erro de Novaciano, que dizia que os fiéis não podiam levantar-se pela penitência após uma queda, nem merecer o perdão de seus pecados, especialmente aqueles que negaram na perseguição.
séc. X
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J
São Jerônimo
Ou o passo pode ser assim entendido: Aquele que profere palavra contra o Filho do Homem, tropeçando na Minha carne e julgando-Me não mais que homem, tal opinião e blasfémia, embora não isenta do pecado de heresia, acha perdão por causa do pouco valor do corpo. Mas aquele que, vendo claramente as obras de Deus e não podendo negar o poder divino, fala falsamente contra elas movido pela inveja, e chama a Cristo, que é o Verbo de Deus, e às obras do Espírito Santo, de Belzebu, a esse não será perdoado, nem neste mundo, nem no mundo vindouro.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
O Senhor havia refutado os fariseus explicando as suas próprias ações, e agora passa a aterrorizá-los. Pois não é pequena parte da correção ameaçar com castigo, assim como rebater a falsa acusação.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Por outra exposição, segundo a primeira. Os judeus ignoravam, na verdade, a Cristo, mas do Espírito Santo haviam tido comunicação suficiente, porque os Profetas falavam por Ele. O que aqui diz, pois, é isto: Concedo que tropeçastes em Mim por causa da carne que está ao redor de Mim; mas podeis do mesmo modo dizer do Espírito Santo: Não O conhecemos? Por isso, esta blasfêmia não vos pode ser perdoada, e sereis castigados tanto aqui como no porvir. Porque, visto que expelir demônios e curar doenças são obras do Espírito Santo, não blasfemais somente contra Mim, mas também contra Ele; e assim a vossa condenação é inevitável, tanto aqui como no porvir. Porque há os que são castigados somente nesta vida, como os que entre os Coríntios participaram indignamente dos mistérios; outros, que são castigados somente na vida futura, como o rico no inferno; mas aqueles de quem aqui se fala serão castigados tanto neste mundo como no mundo vindouro, como o foram os judeus, que sofreram coisas horríveis na tomada de Jerusalém, e ali sofrerão castigo gravíssimo.
séc. V
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AH
Santo Augustine of Hippo
Sobre as palavras do Evangelho, Mateus XII, 32: “Todo aquele que disser uma palavra contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.” Ou, “sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo.”
Matt. XII, 22–26.
Virtutis.
Matt. XII, 28.
1 Cor. IV, 7.
Eph. II, 3.
Voce.
2 Tim. II, 19.
Maximiano, Diácono da Igreja de Cartago, da facção de Donato, ofendeu-se com Primiano, Bispo de Cartago, que o excomungara, e induziu alguns bispos donatistas a exigir que Primiano prestasse contas; e, não querendo este reconhecer sua autoridade, foi, como Ceciliano fora, condenado em sua ausência. Primiano foi restaurado à comunhão por outros bispos donatistas, e Maximiano, juntamente com doze bispos que haviam assistido à sua ordenação como bispo, foi condenado (Agostinho, De Gest. Emerit. Donat. 9, etc. Lib. ad. Bonif.; Ep. 185 (al. 56) 17). Os demais foram restaurados à comunhão mediante sua submissão. Os maximianistas foram depois condenados por um Concílio de trezentos e dez bispos no Concílio de Vagaia, A.D. 394 (Ep. 108 (255) 6, e 141 (al. 152) 6). Santo Agostinho frequentemente argumenta que a separação dos maximianistas dos donatistas é condenatória, com base em seus próprios princípios, de seu próprio cisma contra a Igreja Católica.
Atos XXIII, 8.
6. É evidente, portanto, que o Espírito Santo é blasfemado tanto pelos pagãos, como pelos judeus, como pelos hereges. Devem eles então ser abandonados e considerados sem toda esperança, visto que está fixada a sentença: “Todo aquele que disser uma palavra contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”? E serão considerados isentos da culpa deste gravíssimo pecado apenas aqueles que são católicos desde a infância? Pois todos aqueles que creram na palavra de Deus, para se tornarem católicos, vieram certamente para a graça e paz de Cristo, ou dentre os pagãos, ou judeus, ou hereges; e se não há perdão para eles pela palavra que disseram contra o Espírito Santo, em vão prometemos e pregamos aos homens que se convertam a Deus e recebam a paz e a remissão dos pecados, seja no Batismo, seja na Igreja. Pois não está dito: “Não lhe será perdoado, exceto no batismo”; mas: “Não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.”
2 Tim. II, 25, 26.
Fidelis.
Imperitorum.
ἡ τοῦ Πνεύματος βλασφημία.
Matt. XI, 28.
Rom. V, 20.
Matt. IX, 13.
Studium.
Fastidium.
Luke XII, 10.
Clause dictum.
1 Cor. XIV, 15.
Deut. XIII, 3.
John VI, 5, 6.
Jas. II, 19.
Atos VIII, 13.
Gal. V, 6.
1 Cor. XI, 29.
Luke XXII, 21.
Confectum.
Proprietate.
Substantia.
Vide nota sobre a palavra Hipóstase no Anátema Niceno, Santo Atanásio, Tratados contra o Arianismo, parte 1, p. 66, tradução de Oxford.
Conf. lib. VII, X. (16).
Insinuatur.
Auctoritas; Santo Agostinho, C. Maxim. III, 14, guarda a palavra contra qualquer ideia de desigualdade; veja Pedro de Trind. V, e 5. 11–13, que observa que os gregos não têm palavra exatamente correspondente, embora ἀρχή, αἴτιον, sejam equivalentes.
Commune.
Rom. V, 5.
1 Ped. IV, 8.
Origo.
Orta.
Effusa.
João XX, 22, 23.
João III, 5.
Matt. III, 1, 2.
Matt. IV, 17.
Matt. III, 11.
Atos I, 5.
Veja nota g sobre Tert. De Bapt. c. 10, p. 268, tradução de Oxford.
Atos II, 3.
Lucas XII, 49.
Rom. XII, 11.
Rom. V, 5.
Matt. XXIV, 12.
Col. I, 13.
João XII, 31.
Ef. II, 2.
Matt. III, 2 e IV, 17.
Lucas XXIV, 46, 47.
Ezeq. XVIII, 23.
1 Cor. IV, 5.
Tiago I, 22.
João XX, 22, 23.
Marcos III, 28.
João XV, 22.
João XVI, 8, 9.
Matt. VI, 9.
Matt. VI, 12.
Matt. IX, 6.
João XIV, 10.
João V, 17.
João V, 19.
João XV, 24.
Matt. XII, 28.
Josué V, 3.
João III, 8.
1 Cor. XII, 11.
João XIV, 10.
Origo.
João XV, 24.
Matt. XVII, 5; Lucas III, 22.
Spiritualiter.
Matt. XIV, 25.
Matt. III, 16.
Atos II, 3.
Matt. VI, 12.
1 João III, 24.
Rom. VIII, 16.
Fil. II, 1.
Ef. IV, 3.
Matt. X, 20.
Gál. IV, 6.
Rom. VIII, 9.
1 Cor. II, 14.
1 Cor. III, 1, 2, 3, Vulgata.
1 Cor. III, 4, 5.
Matt. XVI, 23.
Congregationibus vel potius segregationibus.
Gál. IV, 29.
2 Tim. III, 5.
João XIV, 26.
Significationes.
Habetur.
Lucas XII, 10.
Matt. XXVI, 75.
Lucas XXII, 31.
Marcos III, 30.
Atos IV, 32.
João VII, 20 e VIII, 48.
Conventicula.
Matt. XII, 30.
Matt. XII, 31.
Area.
Probos.
38. Tratei, o melhor que pude, pela misericórdia e auxílio do Senhor, esta dificílima questão, se é que em alguma medida o consegui. Contudo, o que não pude compreender em suas dificuldades, não seja imputado à própria verdade, que é um salutar exercício para os piedosos, mesmo quando oculta, mas à minha enfermidade, que ou não pude ver o que outros teriam entendido, ou não pude explicar o que entendi. Mas, quanto ao que talvez tenha podido descobrir pela força da meditação e desenvolver em palavras, a Ele devem ser dados os agradecimentos, de quem busquei, a quem roguei, a quem bati, para que tivesse com que me nutrir na meditação e ministrar a vós na pregação.
Sermons on Selected Lessons of the New Testament · On the words of the Gospel, Matt. xii. 32, ‘Whosoever shall speak a word against the Holy Spirit, it shall not be forgiven him, neither in this world, nor in that which is to come.’ Or, ‘on the blasphemy against the Holy Ghost.’ · séc. V
tradução automática
Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia. Porque o pecado contra o Espírito Santo é o pecado de blasfêmia, segundo Mt 12,32. Ora, nem todo pecado cometido por certa malícia é pecado de blasfêmia, pois muitos outros gêneros de pecado podem ser cometidos por certa malícia. Logo, o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia.
**Objeção 2:** Além disso, o pecado cometido por certa malícia é co-dividido com o pecado cometido por ignorância e com o pecado cometido por fraqueza; ao passo que o pecado contra o Espírito Santo é co-dividido com o pecado contra o Filho do Homem (Mt 12,32). Logo, o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia, pois as coisas cujos opostos diferem, são elas mesmas diferentes.
**Objeção 3:** Ademais, o pecado contra o Espírito Santo é ele mesmo um pecado genérico, que tem sua espécie determinada; ao passo que o pecado cometido por certa malícia não é uma espécie especial de pecado, mas uma condição ou circunstância geral do pecado, que pode afetar qualquer espécie de pecado. Logo, o pecado contra o Espírito Santo não é o mesmo que o pecado cometido por certa malícia.
**Em contrário,** o Mestre diz (II Sent., dist. 43) que "pecar contra o Espírito Santo é deleitar-se na malícia do pecado por amor dela mesma". Ora, isto é pecar por certa malícia. Portanto, parece que o pecado cometido por certa malícia é o mesmo que o pecado contra o Espírito Santo.
**Respondo que** três sentidos foram dados ao pecado contra o Espírito Santo. Pois os doutores mais antigos, a saber, Atanásio (Super Matth. XII, 32), Hilário (Can. XII in Matth.), Ambrósio (Super Luc. XII, 10), Jerônimo (Super Matth. XII) e Crisóstomo (Hom. XLI in Matth.), dizem que o pecado contra o Espírito Santo é, literalmente, proferir uma blasfêmia contra o Espírito Santo, quer se entenda por Espírito Santo o nome essencial aplicável a toda a Trindade, cada Pessoa da qual é espírito e é santa, quer o nome pessoal de uma das Pessoas da Trindade, sentido em que a blasfêmia contra o Espírito Santo se distingue da blasfêmia contra o Filho do Homem (Mt 12,32), pois Cristo fazia algumas coisas em respeito à sua natureza humana, comendo, bebendo e ações semelhantes, ao passo que fazia outras em respeito à sua Divindade, expelindo demônios, ressuscitando mortos e coisas tais; as quais fazia tanto pelo poder da sua própria Divindade como pela operação do Espírito Santo, de quem estava pleno, segundo a sua natureza humana. Ora, os judeus começaram por proferir blasfêmia contra o Filho do Homem, quando disseram (Mt 11,19) que era "um glutão ... bebedor de vinho" e "amigo dos publicanos"; mas depois blasfemaram contra o Espírito Santo, quando atribuíram ao príncipe dos demônios aquelas obras que Cristo fazia pelo poder da sua própria Natureza Divina e pela operação do Espírito Santo.
Agostinho, porém (De Verb. Dom., Serm. LXXI), diz que blasfêmia ou pecado contra o Espírito Santo é a impenitência final, quando, a saber, o homem persevera em pecado mortal até a morte, e que não se limita à expressão pela palavra da boca, mas se estende a palavras no pensamento e na ação, não a uma só palavra, mas a muitas. Ora, esta palavra, neste sentido, diz-se proferida contra o Espírito Santo porque é contrária à remissão dos pecados, que é obra do Espírito Santo, o qual é a caridade tanto do Pai como do Filho. Nem disse Nosso Senhor isto aos judeus como se já tivessem pecado contra o Espírito Santo, pois ainda não eram réus de impenitência final, mas advertiu-os para que, por expressões semelhantes, não viessem a pecar contra o Espírito Santo; e é neste sentido que se deve entender Mc 3,29-30, onde, depois de Nosso Senhor ter dito: "Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo", etc., o Evangelista acrescenta: "porque diziam: Ele tem um espírito imundo."
Outros, porém, entendem diversamente e dizem que o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo é um pecado cometido contra aquele bem que é apropriado ao Espírito Santo; porque a bondade é apropriada ao Espírito Santo, assim como o poder é apropriado ao Pai e a sabedoria ao Filho. Donde dizem que quando o homem peca por fraqueza, é um pecado "contra o Pai"; quando peca por ignorância, é um pecado "contra o Filho"; e quando peca por certa malícia, isto é, pela própria eleição do mal, como se explicou acima (I-II, q. 78, aa. 1, 3), é um pecado "contra o Espírito Santo."
Ora, isto pode acontecer de dois modos. Primeiro, pela própria inclinação de um hábito vicioso, a que chamamos malícia, e, deste modo, pecar por malícia não é o mesmo que pecar contra o Espírito Santo. De outro modo, acontece que, por desprezo, aquilo que poderia ter impedido a eleição do mal é rejeitado ou removido; assim, a esperança é removida pelo desespero, e o temor pela presunção, e assim por diante, como se explicará mais adiante (qq. 20, 21). Ora, todas estas coisas que impedem a eleição do pecado são efeitos do Espírito Santo em nós; de modo que, neste sentido, pecar por malícia é pecar contra o Espírito Santo.
**Resposta à objeção 1:** Assim como a confissão da fé consiste numa protestação não só de palavras, mas também de ações, assim a blasfêmia contra o Espírito Santo pode ser proferida em palavra, pensamento e ação.
**Resposta à objeção 2:** Segundo a terceira interpretação, a blasfêmia contra o Espírito Santo é co-dividida com a blasfêmia contra o Filho do Homem, porquanto Ele é também o Filho de Deus, isto é, a "virtude de Deus e a sabedoria de Deus" (1 Cor 1,24). Por isso, neste sentido, o pecado contra o Filho do Homem será aquele que é cometido por ignorância ou por fraqueza.
**Resposta à objeção 3:** O pecado cometido por certa malícia, na medida em que resulta da inclinação de um hábito, não é um pecado especial, mas uma condição geral do pecado; ao passo que, na medida em que resulta de um desprezo especial de um efeito do Espírito Santo em nós, tem a natureza de um pecado especial. Segundo esta interpretação, o pecado contra o Espírito Santo é uma espécie especial de pecado, como também segundo a primeira interpretação; ao passo que, segundo a segunda, não é uma espécie de pecado, porque a impenitência final pode ser circunstância de qualquer espécie de pecado.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the sin against the Holy Ghost is the same as the sin committed through certain malice? · séc. XIII
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado. Pois Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. lxxi): «Não devemos desesperar de homem algum, enquanto a paciência do Senhor o trouxer à penitência.» Ora, se algum pecado não pudesse ser perdoado, seria possível desesperar de alguns pecadores. Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado.
**Objeção 2:** Ademais, nenhum pecado é perdoado senão mediante a cura da alma por Deus. Mas «nenhuma doença é incurável para um médico omnipotente», como diz uma glosa sobre o Sl 102,3: «Que sara todas as tuas enfermidades.» Logo, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado.
**Objeção 3:** Ademais, o livre-arbítrio é indiferente ao bem e ao mal. Ora, enquanto o homem é viandante, pode cair de qualquer virtude, pois até um anjo caiu do céu; por isso está escrito (Jó 4,18-19): «Nos seus anjos achou maldade; quanto mais os que habitam em casas de barro?» Logo, de igual modo, o homem pode retornar de qualquer pecado ao estado de justiça. Portanto, o pecado contra o Espírito Santo pode ser perdoado.
**Pelo contrário,** está escrito (Mt 12,32): «Quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro»; e Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i, 22) que «tão grande é a queda deste pecado que não se pode sujeitar à humilhação de pedir perdão.»
**Respondo que,** conforme as várias interpretações do pecado contra o Espírito Santo, de vários modos se pode dizer que não pode ser perdoado. Pois, se pelo pecado contra o Espírito Santo entendemos a impenitência final, diz-se imperdoável porque de nenhum modo é perdoado: pois o pecado mortal em que o homem persevera até a morte não será perdoado na vida vindoura, visto que não foi remido pela penitência nesta vida.
Segundo as outras duas interpretações, diz-se imperdoável não como se de nenhum modo seja perdoado, mas porque, considerado em si mesmo, merece não ser perdoado; e isto de dois modos. Primeiro, quanto à pena: pois aquele que peca por ignorância ou fraqueza merece menor pena, ao passo que aquele que peca por certa malícia não pode oferecer escusa alguma para alívio de sua pena. Do mesmo modo, os que blasfemaram contra o Filho do Homem antes que a sua Divindade fosse revelada podiam ter alguma escusa, por causa da fraqueza da carne que nele percebiam, e por isso mereciam menor pena; enquanto os que blasfemaram contra a própria Divindade, atribuindo ao diabo as obras do Espírito Santo, não tiveram escusa para diminuição da sua pena. Por isso, segundo o comentário de Crisóstomo (Hom. xlii in Matth.), diz-se que os judeus não foram perdoados deste pecado, nem neste mundo nem no vindouro, porque foram punidos por ele tanto na vida presente, pelos romanos, como na vida futura, nas penas do inferno. Assim também Atanásio aduz o exemplo de seus pais, que primeiro contenderam com Moisés por causa da falta de água e pão; e o Senhor suportou isso com paciência, porque deviam ser escusados pela fraqueza da carne; mas depois pecaram mais gravemente quando, atribuindo a um ídolo os benefícios concedidos por Deus, que os tirara do Egito, blasfemaram, por assim dizer, contra o Espírito Santo, dizendo (Êx 32,4): «Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.» Por isso, o Senhor lhes infligiu castigo temporal, pois «naquele dia morreram cerca de vinte e três mil homens» (Êx 32,28), e ameaçou-os com castigo na vida vindoura, dizendo (Êx 32,34): «Eu, no dia da vingança, visitarei este seu pecado.»
Segundo, isto pode ser entendido quanto à culpa: assim, diz-se que uma doença é incurável quanto à natureza da doença, que remove aquilo que poderia ser meio de cura, como quando tira a força da natureza ou causa aversão ao alimento e ao remédio, embora Deus possa curar tal doença. Assim também o pecado contra o Espírito Santo se diz imperdoável por sua natureza, na medida em que remove aquelas coisas que são meios para o perdão dos pecados. Isso, contudo, não fecha o caminho do perdão e da cura a um Deus omnipotente e misericordioso, que, às vezes, por assim dizer miraculosamente, restaura a saúde espiritual a tais homens.
**Resposta à Objeção 1:** Não devemos desesperar de homem algum nesta vida, considerando a omnipotência e a misericórdia de Deus. Mas, se considerarmos as circunstâncias do pecado, alguns são chamados (Ef 2,2) «filhos da desconfiança».
**Resposta à Objeção 2:** Este argumento considera a questão pelo lado da omnipotência de Deus, não pelo das circunstâncias do pecado.
**Resposta à Objeção 3:** Nesta vida, com efeito, o livre-arbítrio permanece sempre sujeito à mutabilidade; contudo, às vezes rejeita aquilo pelo que, quanto a si, pode ser convertido ao bem. Por isso, considerado em si mesmo, este pecado é imperdoável, embora Deus o possa perdoar.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the sin against the Holy Ghost can be forgiven? · séc. XIII