Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
A
Santo Agostinho
Pois com maior proveito se subtrai o alimento ao faminto, se a certeza do sustento o leva a descurar a justiça, do que se lhe fornece alimento para que consinta numa obra de violência e iniquidade.
Epist. · Epist., 93, 2 · séc. V
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A
Santo Agostinho
As coisas que são feitas pelos Santos no Novo Testamento servem de exemplos para o entendimento daquelas Escrituras que se acham revestidas da forma de preceitos. Assim lemos em Lucas: "A quem te ferir numa face, oferece-lhe também a outra." [Lucas 6,29] Ora, não há exemplo de paciência mais perfeito que o do Senhor; contudo Ele, ao ser ferido, não disse: "Eis a outra face", mas: "Se falei mal, dá testemunho do mal; mas se bem, por que me feres? [João 18,23] mostrando-nos por aí que o oferecer da outra face deve estar no coração.
de Mendac. · de Mendac., 15 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Alguns objetam que este preceito de Cristo é de todo incompatível com a vida civil nas repúblicas; Quem, dizem eles, suportaria, podendo impedi-lo, a pilhagem de seus bens por um inimigo; ou não retribuiria o mal sofrido por uma província saqueada de Roma sobre os saqueadores segundo os direitos da guerra? Mas estes preceitos de paciência devem ser observados na prontidão do coração, e aquela misericórdia, de não retribuir mal por mal, deve sempre cumprir-se pela vontade. Contudo, devemos muitas vezes usar de uma severidade misericordiosa no trato com os obstinados. E deste modo, se a república terrena guardar os mandamentos cristãos, mesmo a guerra não será movida sem boas caridades, para que se estabeleça entre os vencidos a pacífica harmonia da piedade e da justiça. Pois aquela vitória é benéfica para aquele a quem arrebata a licença de pecar; visto que nada é mais infeliz para os pecadores do que a boa fortuna de seus pecados, que alimenta uma impunidade que traz consigo o castigo, e uma vontade má se fortalece, como se fora algum inimigo interno.
Epist. · Epist., 138, 2 · séc. V
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GM
São Gregório Magno
Há aqueles que se devem suportar até o ponto de nos roubarem os bens deste mundo; mas há aqueles que devemos impedir, e isto sem quebrar a lei da caridade, não só para que não sejamos roubados do que é nosso, mas para que eles, roubando a outros, não se destruam a si mesmos. Devemos temer muito mais pelos homens que nos roubam do que ansiar por salvar as coisas inanimadas que de nós tomam. Quando a paz com o próximo é banida do coração por causa da posse de bens terrenos, é manifesto que mais se ama o nosso patrimônio do que o nosso próximo.
Mor. · Mor., xxxi, 13 · séc. VII
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A
Santo Agostinho
O Senhor proíbe aqui aos seus discípulos terem demandas com outros por bens deste mundo. Contudo, como o Apóstolo permite que tal espécie de causas seja decidida entre irmãos, e diante de árbitros que sejam irmãos, mas de modo algum as consente fora da Igreja, manifesto se faz o que se concede à fraqueza como coisa perdoável.
Enchir. · Enchir., 78 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Esta lei, "Olho por olho, dente por dente", foi promulgada para reprimir as chamas do ódio mútuo, e para servir de freio aos ânimos indisciplinados. Pois quem, ao querer vingar-se, jamais se contentou em retribuir exatamente tanto dano quanto havia recebido? Não vemos acaso homens que, tendo sofrido alguma leve ofensa, logo maquinam o homicídio, sedentos de sangue, e mal encontram males suficientes que possam fazer aos seus inimigos para saciar a sua ira? A este furor desmedido e cruel a Lei põe limites quando promulga uma "lex talionis"; isto é, que qualquer agravo ou dano que um homem tenha feito a outro, sofra ele exatamente o mesmo em retorno. Isto não é encorajar, mas refrear a ira; pois não reacende o que estava extinto, mas impede que as chamas já acesas se propaguem mais além. Promulga uma justa retaliação, devida propriamente àquele que sofreu o agravo. Mas que a misericórdia perdoe qualquer dívida não torna injusto que o pagamento tivesse sido buscado. Visto, pois, que peca quem busca uma vingança desmedida, mas não peca quem deseja apenas uma justa; mais distante do pecado está, portanto, aquele que não busca retribuição alguma. Eu poderia exprimi-lo ainda assim: Foi dito aos antigos: Não tomarás retaliação desigual; Mas eu vos digo: Não retaliareis; isto é uma plenitude da Lei, se nestas palavras se acrescenta algo à Lei que lhe faltava; ou antes, aquilo que a Lei buscava fazer, a saber, pôr fim à vingança desigual, mais seguramente se alcança quando não há vingança alguma.
cont. Faust. · cont. Faust., xix, 25 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Pois a justiça dos fariseus é uma justiça menor, a de não transgredir a medida da retribuição igual; e este é o começo da paz; mas a paz perfeita é recusar toda tal retribuição. Entre aquela primeira maneira, que não era segundo a Lei, a saber, que um mal maior fosse retribuído por um menor, e esta que o Senhor ordena para tornar perfeitos os seus discípulos, a saber, que nenhum mal fosse retribuído por mal, um lugar intermédio é ocupado por esta, que um mal igual fosse retribuído, a qual era assim a passagem da extrema discórdia à extrema paz. Quem, pois, primeiro faz mal a outro, mais longe se afasta da justiça; e quem não faz primeiro agravo algum, mas, agravado, paga com um agravo mais pesado, afastou-se um tanto da extrema injustiça; aquele que paga apenas o que recebeu, cede ainda algo mais, pois fora estrito direito que aquele que é o primeiro agressor recebesse maior dano do que infligiu. Esta justiça, assim em parte começada, aperfeiçoa-a Aquele que veio cumprir a Lei. Os dois graus intermédios deixa Ele para serem entendidos; pois há quem não retribua tanto, mas menos; e há ainda acima dele aquele que não retribui de modo algum; contudo isto parece pouco ao Senhor, se não estiverdes também prontos a sofrer o agravo. Por isso não diz: "Não rendais mal por mal", mas: "Não resistais ao mal", não só não retribuais o que vos é oferecido, mas não resistais a que vos seja feito. Pois assim, em conformidade, explica Ele aquela sentença: "Se alguém te ferir na face direita, oferece-lhe também a esquerda." A qual, sendo uma parte elevada da misericórdia, é conhecida por aqueles que servem a quem muito amam; dos quais, sendo eles ásperos ou insensatos, suportam muitas coisas, e, se for para sua saúde, se oferecem a suportar mais. O Senhor, pois, Médico das almas, ensina aos seus discípulos a suportar com paciência as enfermidades daqueles a cuja saúde espiritual devem prover. Pois toda malícia provém de uma enfermidade da mente; nada é mais inocente do que aquele que é são e de perfeita saúde na virtude.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 19 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Pois o Senhor estava pronto não só a ser ferido na outra face pela salvação dos homens, mas a ser crucificado em todo o seu corpo. Pode-se perguntar: que significa expressamente a face direita? Como o rosto é aquilo pelo qual se conhece qualquer homem, ser ferido no rosto é, segundo o Apóstolo, ser desprezado e menosprezado. Mas como não podemos dizer "rosto direito" e "rosto esquerdo", e contudo temos um nome dúplice, um diante de Deus e outro diante do mundo, distribui-se isto como que na face direita e na face esquerda, para que todo discípulo de Cristo que seja desprezado por ser cristão esteja pronto a ser ainda mais desprezado por qualquer honra deste mundo que possa ter. Todas as coisas em que sofremos algum agravo dividem-se em dois gêneros, dos quais um é o que não pode ser restaurado, o outro o que pode ser restaurado. Naquele gênero que não pode ser restaurado, costumamos buscar o consolo da vingança. Pois de que aproveita, se, ferido, ferires por tua vez, será com isso restituído a ti o dano feito ao teu corpo? Mas a mente inchada de ira busca tais alívios.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 19 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Donde o Senhor julga que mais se deve suportar com compaixão a fraqueza alheia do que aliviar a nossa própria pela dor de outrem. Pois aquela retribuição que tende à correção não é aqui proibida, porque tal é deveras uma parte da misericórdia; nem tal intenção impede que aquele que busca corrigir a outro não esteja ao mesmo tempo pronto a receber mais de suas mãos. Mas requer-se que inflija o castigo aquele a quem o poder é dado pelo curso das coisas, e com tal disposição como a que o pai tem para com o filho ao corrigir aquele a quem lhe é impossível odiar. E homens santos puniram alguns pecados com a morte, a fim de que um temor salutar fosse incutido nos vivos, e de modo que não foi a sua morte, mas a probabilidade de aumento de seu pecado se vivesse, o dano do criminoso. Assim Elias puniu muitos com a morte, e quando os discípulos quiseram tomar exemplo dele, foram repreendidos pelo Senhor, que não censurou este exemplo do Profeta, mas o seu uso ignorante dele, vendo que desejavam o castigo não por amor da correção, mas por ódio iracundo. Mas depois que Ele lhes inculcou o amor do próximo, e lhes deu o Espírito Santo, não faltaram exemplos de tal vingança; como Ananias e sua mulher, que caíram mortos às palavras de Pedro, e o Apóstolo Paulo entregou alguns a Satanás para a destruição da carne. Contudo, alguns, com uma espécie de cega oposição, enfurecem-se contra os castigos temporais do Antigo Testamento, não sabendo com que disposição foram infligidos.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 20 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Portanto, neste gênero de injúrias que costumam suscitar a vingança, os cristãos observarão tal medida que o ódio não seja causado pelas injúrias que possam receber, e contudo a salutar correção não seja preterida por Aquele que tem direito quer de conselho quer de poder.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 20 · séc. V
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A
Santo Agostinho
O terceiro gênero de agravos, que está na matéria do trabalho, consiste tanto naqueles que admitem restituição como naqueles que não admitem — ou com vingança ou sem ela — pois quem compele à força o serviço de um homem, e o faz prestar-lhe auxílio contra sua vontade, ou pode ser punido pelo seu crime, ou devolver-lhe o labor. Neste gênero de agravos, pois, o Senhor ensina que a mente cristã é a mais paciente, e preparada para suportar ainda mais do que lhe é oferecido: "Se alguém te constranger a ir com ele uma milha, vai com ele outras duas." Isto igualmente se entende não tanto do serviço efetivo com vossos pés, quanto da prontidão da mente.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 19 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Que Ele ordene: "E não te desvies daquele que de ti quer tomar emprestado", deve referir-se à mente; pois "Deus ama o que dá com alegria." E todo aquele que recebe, na verdade toma emprestado, ainda que não seja ele quem haja de pagar, mas Deus, que restitui ao misericordioso muitas vezes mais. Ou, se quiserdes entender por emprestar somente o tomar com promessa de restituir, devemos entender o mandamento do Senhor como abarcando ambos estes gêneros de prestar auxílio: quer demos de todo, quer emprestemos para receber de novo. E deste último gênero de mostrar misericórdia bem se diz: "Não te desvies", isto é, não sejas por isso retraído para emprestar, como se, porque o homem te restituirá, por isso Deus não o fizesse; pois o que fazeis por mandamento de Deus não pode ser sem fruto.
Serm. in Mont. · Serm. in Mont., i, 20 · séc. V
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A
Santo Agostinho
Mas quem, sendo de mente sóbria, diria aos reis: Nada vos importa quem viverá religiosamente, ou quem profanamente? Nem mesmo se lhes pode dizer que nada lhes importa quem viverá castamente, ou quem incastamente. É deveras melhor que os homens sejam conduzidos a servir a Deus pelo reto ensino do que por penalidades; contudo, a muitos aproveitou, como a experiência no-lo aprovou, serem primeiro coagidos pela dor e pelo medo, para que depois fossem ensinados, ou serem levados a conformar-se em obra àquilo que haviam aprendido em palavras. Os melhores homens, na verdade, são conduzidos pelo amor, mas a maior parte dos homens é movida pelo medo. Aprendam-no no caso do Apóstolo Paulo, como Cristo primeiro o constrangeu, e depois o ensinou.
Epist. 185, 5 · séc. V
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A
Santo Agostinho
O outro gênero de injúrias são aquelas em que se pode fazer plena restituição, das quais há dois tipos: um diz respeito ao dinheiro, o outro ao trabalho; do primeiro destes é que Ele fala quando prossegue: "Àquele que quiser demandar-te a túnica, deixa-lhe também a capa." Assim como pela face são denotadas tais injúrias dos maus que não admitem restituição, senão vingança, assim por esta semelhança das vestes é denotada tal injúria que admite restituição. E isto, como o anterior, retamente se toma da preparação do coração, não da exibição da ação exterior. E o que se ordena a respeito de nossas vestes deve observar-se em todas as coisas que por qualquer direito chamamos nossas na propriedade mundana. Pois se o mandamento é expresso nestes artigos necessários da vida, quanto mais não vale no caso das superfluidades e luxos? E quando diz: "Aquele que quiser demandar-te", claramente quer incluir tudo aquilo pelo qual seja possível que sejamos demandados. Pode-se levantar a questão se deve entender-se dos escravos, pois um cristão não deve possuir seu escravo no mesmo pé que seu cavalo; ainda que pudesse ser que o cavalo valesse mais dinheiro. E se o teu escravo tem em ti um senhor mais brando do que teria naquele que busca tomá-lo de ti, não sei se deve ser entregue tão levianamente quanto a tua túnica.
séc. V
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A
Santo Agostinho
Suponhamos, portanto, que foi dito: «Vai com ele outras duas», para que o número três fosse completado; pelo qual número se significa a perfeição; para que quem o fizer se lembre de que está cumprindo a justiça perfeita. Por esta razão, Ele transmite este preceito sob três exemplos, e neste terceiro exemplo, acrescenta uma medida dupla à medida simples, para que o número tríplice seja completo. Ou podemos considerar como se, ao impor este dever, Ele tivesse começado pelo que era mais fácil de suportar e tivesse progredido gradualmente. Pois primeiro mandou que, sendo ferida a face direita, voltássemos também a outra; mostrando-nos assim prontos a sofrer outra injúria menor do que a que já recebestes. Em segundo lugar, àquele que quer tomar a tua túnica, manda que entregues também a capa (ou «veste», como alguns códices leem), o que é uma perda igual, ou talvez um pouco maior. Em terceiro, Ele dobra a injúria adicional que nos manda estar prontos a suportar. E, vendo que é pequena coisa não fazer mal a menos que também mostres benevolência, acrescenta: «Dá a quem te pedir».
séc. V
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A
Santo Agostinho
Portanto, Ele não diz: "Dá todas as coisas ao que pede"; mas "Dá a todo aquele que te pede"; para que só deis o que podeis dar honesta e retamente. Pois que será, se um pede dinheiro para empregá-lo na opressão do inocente? Que será, se pede teu consentimento para um pecado impuro? Devemos, pois, dar somente o que não prejudicará nem a nós nem a outros, tanto quanto o homem pode julgar; e quando houverdes recusado um pedido inadmissível, para que não despachais vazio aquele que pediu, mostrai a justiça de vossa recusa; e tal correção do peticionário ilícito será amiúde melhor dádiva do que o atender ao seu rogo.
séc. V
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GO
Glossa Ordinária
Tendo o Senhor ensinado que não devemos oferecer injúria ao nosso próximo, nem irreverência ao Senhor, agora prossegue a mostrar como o cristão se deve comportar para com aqueles que o injuriam.
Glossa · non occ
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GO
Glossa Ordinária
Ou pode dizer-se que o Senhor disse isto, acrescentando algo à justiça da antiga Lei.
Glossa · non occ
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J
São Jerônimo
Assim, nosso Senhor, abolindo toda retaliação, corta as origens do pecado. Desse modo, a Lei corrige as faltas, o Evangelho remove suas ocasiões.
séc. V
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J
São Jerônimo
Interpretado misticamente: quando somos feridos na face direita, Ele não disse: oferece-lhe a tua esquerda, mas «a outra»; pois o justo não tem esquerda. Isto é, se um herege nos feriu na disputa e quiser ferir-nos numa doutrina da mão direita, seja-lhe oposto outro testemunho da Escritura.
séc. V
tradução automática
J
São Jerônimo
Se entendemos isto somente das esmolas, não pode subsistir com a condição da maior parte dos homens, que são pobres; até mesmo os ricos, se estiverem sempre dando, não poderão continuar a dar sempre.
séc. V
tradução automática
J
São Jerônimo
Mas pode ser entendido da riqueza da doutrina: riqueza que nunca falta, mas quanto mais dela se distribui, mais abunda.
séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Pois sem este mandamento, os mandamentos da Lei não poderiam subsistir. Porque se, segundo a Lei, começarmos todos nós a retribuir o mal com o mal, todos nos tornaremos maus, visto que abundam os que fazem dano. Mas se, segundo Cristo, não resistirmos ao mal, ainda que os que são maus não se emendem, contudo os que são bons permanecem bons.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Acaso o teu golpe de revide o reteve de modo algum de ferir-te outra vez? Antes o incitou a outro golpe. Pois a ira não se refreia opondo-se-lhe ira, mas só se irrita mais.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
tradução automática
JC
São João Crisóstomo
Pois seria coisa indigna que um fiel se apresentasse em sua causa diante de um juiz infiel. Ou se aquele que é fiel, ainda que (como deve ser) homem mundano, ainda que vos houvesse reverenciado pela dignidade da fé, vos demanda em juízo por ser a causa necessária, perdereis a dignidade de Cristo pelo negócio do mundo. Ademais, toda demanda judicial irrita o coração e excita maus pensamentos; pois quando vedes empregada contra vós a desonestidade ou o suborno, apressai-vos a sustentar a vossa própria causa por meios semelhantes, ainda que de início nada de tal pudésseis ter pretendido.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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JC
São João Crisóstomo
Porque a riqueza não é nossa, mas de Deus; Deus quer-nos administradores de Sua riqueza, e não senhores.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
tradução automática
JC
São João Crisóstomo
Cristo manda-nos emprestar, mas não a usura; pois aquele que dá em tais termos não concede o que é seu, mas toma do alheio; solta de uma cadeia para atar com muitas, e não dá por amor da justiça de Deus, mas por seu próprio ganho. Pois o dinheiro tomado a usura é como a mordedura de uma áspide; assim como o veneno da áspide consome secretamente os membros, assim a usura converte todos os nossos bens em dívida.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
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Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
**Tradução do texto para o português brasileiro (pt-BR):**
**Objeção 1:** Parece que o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente. Pois ninguém é obrigado a fazer o que não está em seu poder. Ora, não está no poder do homem crer em algo explicitamente, porque está escrito (Rm 10,14-15): «Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão sem pregador? E como pregarão se não forem enviados?» Logo, o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente.
**Objeção 2:** Ademais, assim como pela fé somos dirigidos a Deus, assim também o somos pela caridade. Ora, o homem não é obrigado a guardar os preceitos da caridade, bastando que esteja pronto para cumpri-los, como se evidencia pelo preceito de Nosso Senhor (Mt 5,39): «Se alguém te ferir numa face, oferece-lhe também a outra», e outros semelhantes, segundo a exposição de Agostinho (Sobre o Sermão do Senhor no Monte, XIX). Portanto, também o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente, bastando que esteja pronto para crer em tudo o que Deus propuser para ser crido.
**Objeção 3:** Além disso, o bem da fé consiste na obediência, segundo Rm 1,5: «Para a obediência da fé entre todas as nações.» Ora, a virtude da obediência não exige que o homem guarde certos preceitos fixos, mas basta que seu ânimo esteja pronto para obedecer, conforme Sl 118,60: «Estou pronto e não estou perturbado; para guardar os teus mandamentos.» Logo, parece que também para a fé basta que o homem esteja pronto para crer em tudo o que Deus possa propor, sem crer em nada explicitamente.
**Em contrário,** está escrito (Hb 11,6): «Aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe e é recompensador dos que o buscam.»
**Respondo:** Os preceitos da Lei, que o homem é obrigado a cumprir, dizem respeito aos atos das virtudes que são meios para alcançar a salvação. Ora, um ato de virtude, como foi dito acima (I-II, Q. 60, A. 5), depende da relação do hábito com seu objeto. Além disso, duas coisas podem ser consideradas no objeto de qualquer virtude: aquilo que é o objeto próprio e direto dessa virtude, e aquilo que é acidental e consequente ao objeto propriamente dito. Assim, pertence própria e diretamente ao objeto da fortaleza enfrentar os perigos da morte e investir contra o inimigo com perigo para si mesmo, em prol do bem comum; mas que, numa guerra justa, um homem esteja armado, ou fira outro com sua espada, e assim por diante, reduz-se ao objeto da fortaleza, mas indiretamente.
Portanto, assim como um ato virtuoso é exigido para o cumprimento de um preceito, também é necessário que o ato virtuoso termine em seu objeto próprio e direto; por outro lado, o cumprimento do preceito não exige que um ato virtuoso termine naquelas coisas que têm uma relação acidental ou secundária com o objeto próprio e direto dessa virtude, exceto em certos lugares e em certos tempos. Devemos, portanto, dizer que o objeto direto da fé é aquilo pelo qual o homem se torna um dos bem-aventurados, como foi dito acima (Q. 1, A. 8); enquanto o objeto indireto e secundário compreende todas as coisas que nos são transmitidas por Deus na Sagrada Escritura, por exemplo, que Abraão teve dois filhos, que Davi foi filho de Jessé, e assim por diante.
Por conseguinte, quanto aos pontos ou artigos primários da fé, o homem é obrigado a crer neles, assim como é obrigado a ter fé; mas quanto aos outros pontos da fé, o homem não é obrigado a crer neles explicitamente, mas apenas implicitamente, ou a estar pronto para crer neles, na medida em que está preparado para crer em tudo o que está contido nas Divinas Escrituras. Só então é obrigado a crer em tais coisas explicitamente, quando lhe é claro que estão contidas na doutrina da fé.
**Resposta à Objeção 1:** Se entendermos que estão no poder do homem apenas aquelas coisas que podemos fazer sem o auxílio da graça, então somos obrigados a fazer muitas coisas que não podemos fazer sem o auxílio da graça curativa, como amar a Deus e ao próximo, e igualmente crer nos artigos da fé. Mas com o auxílio da graça podemos fazer isso, pois esse auxílio «a quem é dado do alto, é dado misericordiosamente; e a quem é negado, é justamente negado, como castigo de um pecado anterior, ou ao menos original», como afirma Agostinho (Sobre a Correção e a Graça, V-VI; cf. Ep. CXC; Sobre a Predestinação dos Santos, VIII).
**Resposta à Objeção 2:** O homem é obrigado a amar de modo definido aquelas coisas amáveis que são própria e diretamente os objetos da caridade, a saber, Deus e o próximo. A objeção se refere àqueles preceitos da caridade que pertencem, como consequência, aos objetos da caridade.
**Resposta à Objeção 3:** A virtude da obediência reside, propriamente falando, na vontade; por isso, a prontidão da vontade sujeita à autoridade basta para o ato de obediência, porque é o objeto próprio e direto da obediência. Mas este ou aquele preceito é acidental ou consequente a esse objeto próprio e direto.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether man is bound to believe anything explicitly? · séc. XIII
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JC
São João Crisóstomo
Todavia, o Senhor não ordena que se observe tal procedimento para com os que estão fora da Igreja, como o faz ao repreender um irmão. Dos que estão fora diz Ele: «Se alguém te ferir numa face, oferece-lhe também a outra.» [Mat 5:39] E assim fala Paulo: «Que tenho eu com julgar os que estão fora?» [1 Cor 5:12] Mas aos irmãos manda que os repreendamos e deles nos apartemos.