Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
HP
Santo Hilário de Poitiers
Isto se compreende ainda mais sob o pleno sentido das palavras divinas. Somos ordenados a não nos inquietarmos com o futuro, porque basta para a nossa vida o mal dos dias em que vivemos, isto é, os pecados, de modo que todo o nosso pensamento e cuidado se ocupem em purgar isto. E ainda que o nosso cuidado seja remisso, o futuro cuidará de si mesmo, visto que se nos propõe uma colheita de amor eterno a ser provida por Deus.
séc. IV
tradução automática
A
Santo Agostinho
Ou de outro modo: O amanhã só se diz do tempo onde o futuro sucede ao passado. Quando, pois, realizamos alguma boa obra, não pensamos nas coisas terrenas, mas nas celestiais. «O amanhã estará ansioso por si mesmo», isto é, Tomai o alimento e o semelhante quando o deveis tomar, ou seja, quando a necessidade começa a o reclamar. «Pois basta ao dia o seu próprio mal», isto é, basta que a necessidade compila a tomar estas coisas; chama-o «mal» porque é penal, enquanto pertence à nossa mortalidade, que merecemos ao pecar. A esta necessidade, pois, do castigo mundano, não acrescenteis maior peso, para que não só a cumprais, mas até de tal modo a cumprais que vos mostreis soldado de Deus. Nisto, porém, devemos ter cuidado de que, quando vemos algum servo de Deus esforçar-se por prover o necessário, seja para si, seja para os que lhe estão confiados, não o julguemos logo pecar contra este mandamento do Senhor por estar ansioso pelo amanhã. Pois o próprio Senhor, a quem os Anjos serviam, houve por bem trazer uma bolsa por causa do exemplo. E nos Atos dos Apóstolos está escrito que se proveu alimento necessário à vida para o tempo futuro, num tempo em que ameaçava a fome. O que o Senhor condena, portanto, não é o provimento destas coisas ao modo dos homens, mas se um homem, por causa destas coisas, não combate como soldado de Deus.
séc. V
tradução automática
GO
Glossa Ordinária
Havendo proibido a ansiedade pelas coisas do dia, proíbe agora a ansiedade pelas coisas futuras, tal cuidado infrutífero como o que procede da falta dos homens, nestas palavras: «Não vos inquieteis pelo amanhã».
Glossa · ap. Anselm
tradução automática
J
São Jerônimo
O amanhã, na Escritura, significa o tempo futuro, como diz Jacó no Gênesis: «Amanhã me ouvirá a minha justiça». E no fantasma de Samuel a Pitonisa diz a Saul: «Amanhã estarás comigo». Concede-lhes, pois, que cuidem das coisas presentes, ainda que lhes proíba que tomem cuidado pelas coisas por vir. Pois basta-nos o pensamento do tempo presente; deixemos a Deus o futuro, que é incerto. E isto é o que diz: «O amanhã estará ansioso por si mesmo»; isto é, trará consigo a sua própria ansiedade. «Pois basta ao dia o seu mal». Por mal entende aqui não o que é contrário à virtude, mas o labor, e a aflição, e as durezas da vida.
séc. V
tradução automática
JC
São João Crisóstomo
Nada traz tanta dor ao espírito como a ansiedade e a aflição. O que Ele diz, «O amanhã estará ansioso por si mesmo», procede do desejo de tornar mais claro o que fala; para esse fim empregando uma prosopopeia do tempo, segundo a prática de muitos ao falar ao povo rude; para os impressionar mais, traz o próprio dia a queixar-se de seus demasiado pesados cuidados. Não tem cada dia bastante carga própria, em seus próprios cuidados? Por que, pois, lhe acrescentais, impondo-lhe os que pertencem a outro dia?
séc. V
tradução automática
JC
São João Crisóstomo
De outro modo; por "hoje" significam-se as coisas que nos são necessárias nesta vida presente; "amanhã" denota aquelas coisas que são supérfluas. "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã", quer dizer, portanto: não procureis ter algo além daquilo que é necessário para a vida quotidiana, porque aquilo que está demais, isto é, o amanhã, de si mesmo cuidará. "O dia de amanhã cuidará de si mesmo" equivale a dizer: quando houverdes acumulado o supérfluo, ele cuidará de si mesmo; vós não o desfrutareis, mas ele achará muitos senhores que dele cuidem. Por que, então, haveis de inquietar-vos com aquelas coisas cuja posse deveis abandonar? "Basta ao dia a sua própria malícia", equivale a dizer: o trabalho que suportais pelas coisas necessárias é bastante; não trabalheis pelas coisas supérfluas.
Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V
tradução automática
Citações internas
1
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que a esmola não é matéria de preceito. Pois os conselhos distinguem-se dos preceitos. Ora, a esmola é matéria de conselho, segundo Daniel 4,24: "Aceita, ó rei, o meu conselho: resgata os teus pecados com esmolas." Logo, a esmola não é matéria de preceito.
**Objeção 2:** Além disso, a todo homem é lícito usar e guardar o que é seu. Ora, guardando-o, não dará esmola. Logo, é lícito não dar esmola; e, consequentemente, a esmola não é matéria de preceito.
**Objeção 3:** Além disso, tudo o que é matéria de preceito obriga o transgressor, em algum tempo, sob pena de pecado mortal, porque os preceitos positivos obrigam por um tempo determinado. Portanto, se a esmola fosse matéria de preceito, poder-se-ia apontar algum tempo determinado em que um homem cometeria pecado mortal se não desse esmola. Mas não parece que assim seja, porque sempre se pode julgar provável que a pessoa necessitada possa ser socorrida por outra via, e que aquilo que gastaríamos em esmola nos seria necessário, quer agora quer no futuro. Logo, parece que a esmola não é matéria de preceito.
**Objeção 4:** Além disso, todo mandamento se reduz aos preceitos do Decálogo. Ora, estes preceitos não contêm referência alguma à esmola. Logo, a esmola não é matéria de preceito.
**Em contrário,** Ninguém é punido eternamente por omitir o que não é matéria de preceito. Mas alguns são punidos eternamente por omitir a esmola, como é claro em Mateus 25,41-43. Logo, a esmola é matéria de preceito.
**Respondo** que, assim como o amor ao próximo é matéria de preceito, também tudo o que é condição necessária ao amor ao próximo é matéria de preceito. Ora, o amor ao próximo requer que não apenas sejamos benquerentes do próximo, mas também seus benfeitores, segundo 1 João 3,18: "Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade." E, para ser benquerente e benfeitor de alguém, devemos socorrer as suas necessidades; o que se faz pela esmola. Portanto, a esmola é matéria de preceito.
Contudo, visto que os preceitos versam sobre atos de virtude, segue-se que toda esmola deve ser matéria de preceito, na medida em que é necessária à virtude, isto é, na medida em que é exigida pela reta razão. Ora, a reta razão exige que consideremos algo da parte do doador e algo da parte do recipiente. Da parte do doador, deve-se notar que ele deve dar do seu supérfluo, segundo Lucas 11,41: "O que sobejar, dai de esmola." Esse supérfluo deve ser entendido não só em relação a si mesmo, de modo a designar o que é desnecessário ao indivíduo, mas também em relação àqueles de quem tem cuidado (caso em que se diz "necessário à pessoa", tomando a palavra "pessoa" como expressão de dignidade). Porque cada um deve, primeiro, cuidar de si e, depois, daqueles que estão sob seus cuidados e, posteriormente, com o que resta, socorrer as necessidades alheias. Assim, a natureza, primeiro, pela sua potência nutritiva, toma o que é necessário para a manutenção do próprio corpo e, depois, cede o resíduo para a formação de outro pela potência geradora.
Da parte do recipiente, requer-se que esteja em necessidade; do contrário, não haveria razão para lhe dar esmola. Contudo, como não é possível que um único indivíduo socorra as necessidades de todos, não somos obrigados a socorrer todos os necessitados, mas apenas aqueles que não poderiam ser socorridos se nós não os socorrêssemos. Porque, nesses casos, aplicam-se as palavras de Ambrósio: "Alimenta o que morre de fome; se não o alimentaste, mataste-o." Portanto, somos obrigados a dar esmola do nosso supérfluo, bem como a dar esmola àquele cuja necessidade é extrema; caso contrário, a esmola, como qualquer outro bem maior, é matéria de conselho.
**Resposta à objeção 1:** Daniel falava a um rei que não estava sujeito à Lei de Deus; por isso, as coisas que eram prescritas pela Lei, que ele não professava, deviam ser-lhe aconselhadas. Ou ele pode estar falando com referência a um caso em que a esmola não era matéria de preceito.
**Resposta à objeção 2:** Os bens temporais que Deus nos concede são nossos quanto à propriedade, mas, quanto ao uso, não pertencem só a nós, mas também àqueles a quem podemos socorrer com o que temos além das nossas necessidades. Por isso, Basílio diz: "Se reconheceis que eles (isto é, vossos bens temporais) vêm de Deus, será Ele injusto porque os distribui desigualmente? Por que sois rico enquanto outro é pobre, senão para que tenhais o mérito de uma boa administração, e ele o prêmio da paciência? É o pão do faminto que retendes, a roupa do nu que guardais, o calçado do descalço que deixais apodrecer, o dinheiro do necessitado que enterrais; e assim prejudicais a quantos poderíeis ajudar." Ambrósio exprime-se do mesmo modo.
**Resposta à objeção 3:** Há um tempo em que pecamos mortalmente se omitimos a esmola: da parte do recipiente, quando vemos que a sua necessidade é evidente e urgente, e que ele provavelmente não será socorrido de outro modo; da parte do doador, quando ele possui bens supérfluos, de que não necessita no momento, tanto quanto pode julgar com probabilidade. Nem precisa considerar todo caso que possa ocorrer no futuro, porque isso seria pensar no dia de amanhã, o que Nosso Senhor nos proibiu (Mateus 6,34), mas deve julgar o que é supérfluo e o que é necessário, conforme as coisas provável e geralmente ocorrem.
**Resposta à objeção 4:** Todo socorro dado ao próximo se reduz ao preceito de honrar os pais. Pois assim o interpreta o Apóstolo (1 Timóteo 4,8), onde diz: "A piedade é útil para tudo, tendo a promessa da vida presente e da futura", e diz isso porque o preceito de honrar os pais contém a promessa: "para que vivas longos dias sobre a terra" (Êxodo 20,12); e a piedade compreende toda espécie de esmola.
Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether almsgiving is a matter of precept? · séc. XIII