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Mt 7, 13

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Autores distintos

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Matos Soares

13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.

Matos Soares · domínio público

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Comentário direto

6

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Glossa Ordinária

Ainda que seja árduo fazer a outrem o que quererias que te fizessem, contudo assim devemos fazer, para que possamos entrar pela porta estreita.

Glossa Ordinaria · ord

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Glossa Ordinária

Posto que o amor seja vasto, contudo conduz os homens da terra por caminhos difíceis e escarpados. É bastante difícil rejeitar todas as outras coisas, e amar a Um só, não aspirar à prosperidade, não temer a adversidade.

Glossa Ordinaria · ord

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Santo Agostinho

O Senhor nos havia advertido acima a ter um coração simples e puro com que buscar a Deus; mas, como isto pertence a bem poucos, Ele começa a falar do descobrimento da sabedoria. Para a busca e contemplação da qual foi formado, através de tudo o que precede, um tal olho que possa discernir o caminho estreito e a porta apertada; donde acrescenta: "Entrai pela porta estreita."

Serm. in Mont. · Serm. in Mont., ii, 22 · séc. V

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São Jerônimo

Atendei às palavras, pois têm uma força especial: "muitos andam" pelo caminho largo - "poucos acham" o caminho estreito. Pois o caminho largo não requer busca, e não se acha, mas apresenta-se prontamente; é o caminho de todos os que se desencaminham. Ao passo que o caminho estreito nem todos o acham, nem, quando o acharam, logo por ele andam. Muitos, depois de terem achado o caminho da verdade, apanhados pelos prazeres do mundo, abandonam-no a meio caminho.

séc. V

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São João Crisóstomo

Mas, vendo que Ele declara abaixo: "O meu jugo é suave, e a minha carga leve", como é que Ele diz aqui que o caminho é apertado e estreito? Mesmo aqui Ele ensina que é leve e suave; pois aqui há um caminho e uma porta, assim como aquele outro, que se chama largo e amplo, também tem um caminho e uma porta. Destes nada há de permanecer; mas todos passam. Mas passar pela fadiga e pelo suor, e chegar a um bom fim, a saber, a vida, é consolo suficiente aos que suportam estas lutas. Pois, se os marinheiros podem fazer pouco caso das tempestades e os soldados das feridas na esperança de recompensas perecíveis, muito mais quando o Céu está diante de nós, e recompensas imortais, ninguém olhará para os perigos iminentes. Ademais, a própria circunstância de chamá-lo apertado contribui para torná-lo fácil; por isto Ele os advertiu a vigiarem sempre; isto o Senhor fala para despertar os nossos desejos. Aquele que luta num combate, se vê o príncipe a admirar os esforços dos combatentes, ganha maior ânimo. Não nos entristeçamos, portanto, quando muitas tristezas nos sobrevêm aqui, pois o caminho é apertado, mas não a cidade; por isso nem precisamos buscar descanso aqui, nem esperar coisa alguma de tristeza ali. Quando Ele diz: "Poucos são os que o acham", aponta para a preguiça dos muitos, e instrui os seus ouvintes a não olharem para a prosperidade dos muitos, mas para os labores dos poucos.

séc. V

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São João Crisóstomo

De outro modo; este terceiro preceito liga-se novamente ao reto método de jejuar, e a ordem do discurso será esta: "Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça"; e depois vem: "Entrai pela porta estreita." Pois há três paixões principais em nossa natureza, que mais se apegam à carne: o desejo de comida e bebida; o amor do homem para com a mulher; e, em terceiro lugar, o sono. Estas é mais difícil cortar da natureza carnal do que as outras paixões. E por isso a abstinência de nenhuma outra paixão santifica tanto o corpo como o ser o homem casto, abstinente e perseverante nas vigílias. Por causa, pois, de todas estas justiças, mas sobretudo por causa do mui laborioso jejum, é que Ele diz: "Entrai pela porta estreita." A porta da perdição é o Diabo, por quem entramos no inferno; a porta da vida é Cristo, por quem entramos no reino do Céu. Diz-se que o Diabo é uma porta larga, não dilatada pela grandeza de seu poder, mas tornada ampla pela licença de sua orgulho desenfreado. Diz-se que Cristo é uma porta estreita, não com respeito à pequenez do poder, mas à sua humildade; pois Aquele a quem o mundo inteiro não contém, encerrou-se nos limites do ventre da Virgem. O caminho da perdição é o pecado de qualquer espécie. Diz-se que é largo, porque não está contido dentro da regra de disciplina alguma, mas os que por ele andam seguem o que quer que lhes agrade. O caminho da vida é toda justiça, e chama-se estreito pelas razões contrárias. Há de considerar-se que, a menos que se ande no caminho, não se pode chegar à porta; assim os que não andam no caminho da justiça é impossível que verdadeiramente conheçam a Cristo. Do mesmo modo, tampouco corre alguém para as mãos do Diabo, a não ser que ande no caminho dos pecadores.

Opus Imperfectum in Matthaeum · séc. V

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o número dos predestinados não é certo. Porque um número ao qual se pode acrescentar não é certo. Ora, pode-se acrescentar ao número dos predestinados, segundo parece; pois está escrito (Dt 1,11): «O Senhor vosso Deus acrescente a este número muitos milhares», e uma glosa acrescenta: «fixado por Deus, que conhece os que Lhe pertencem.» Logo, o número dos predestinados não é certo. **Objeção 2:** Ademais, não se pode dar razão por que Deus preordenou para a salvação um número de homens antes que outro. Ora, nada é disposto por Deus sem razão. Logo, o número dos que hão de ser salvos, preordenado por Deus, não pode ser certo. **Objeção 3:** Ademais, as operações de Deus são mais perfeitas do que as da natureza. Ora, nas obras da natureza, o bem se encontra na maioria das coisas; o defeito e o mal, na minoria. Se, pois, o número dos salvos fosse fixado por Deus em uma certa quantidade, haveria mais salvos do que perdidos. Contudo, segue-se o contrário de Mt 7,13-14: «Porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Quão estreita é a porta, e quão apertado o caminho que leva à vida! e poucos há que o encontrem!» Logo, o número dos que foram preordenados por Deus para a salvação não é certo. **Em contrário,** diz Agostinho (De Corr. et Grat. 13): «O número dos predestinados é certo, e não pode ser aumentado nem diminuído.» **Respondo que** o número dos predestinados é certo. Alguns disseram que é certo formalmente, mas não materialmente; como se disséssemos que é certo que cem ou mil serão salvos, mas não estes ou aqueles indivíduos. Mas isso destrói a certeza da predestinação, da qual falamos acima (A[6]). Portanto, devemos dizer que para Deus o número dos predestinados é certo, não só formalmente, mas também materialmente. Deve-se, contudo, observar que o número dos predestinados se diz certo para Deus, não por causa do seu conhecimento, isto é, pelo fato de saber quantos se salvarão (pois desse modo o número das gotas de chuva e das areias do mar é certo para Deus); mas por causa da sua escolha e determinação deliberadas. Para maior evidência disso, devemos lembrar que todo agente intenta fazer algo finito, como é claro pelo que foi dito acima quando tratamos do infinito (Q[7], AA[2],3). Ora, todo aquele que intenta uma certa medida em seu efeito concebe um número definido nas partes essenciais, que são por sua própria natureza requeridas para a perfeição do todo. Pois, daquelas coisas que não são requeridas principalmente, mas apenas por causa de outra, ele não seleciona um número definido *per se*; mas aceita e usa tantas quantas forem necessárias por causa daquela outra. Por exemplo, um construtor concebe as medidas definidas de uma casa, e também o número definido de cômodos que deseja fazer na casa; e medidas definidas das paredes e do teto; não seleciona, porém, um número definido de pedras, mas aceita e usa exatamente tantas quantas forem suficientes para as medidas requeridas da parede. Assim também devemos considerar a respeito de Deus em relação a todo o universo, que é seu efeito. Pois Ele preordenou as medidas de todo o universo, e qual número conviria às partes essenciais desse universo — isto é, que de algum modo foram ordenadas em perpetuidade; quantos céus, quantas estrelas, quantos elementos e quantas espécies. Os indivíduos, porém, que sofrem corrupção, não são ordenados como que principalmente para o bem do universo, mas de modo secundário, na medida em que o bem da espécie é preservado através deles. Por isso, embora Deus conheça o número total de indivíduos, o número de bois, moscas e coisas semelhantes não é preordenado por Deus *per se*; mas a providência divina produz exatamente tantos quantos são suficientes para a preservação da espécie. Ora, de todas as criaturas, a criatura racional é principalmente ordenada para o bem do universo, sendo como tal incorruptível; especialmente aqueles que alcançam a felicidade eterna, pois atingem mais imediatamente o fim último. Por isso, o número dos predestinados é certo para Deus; não só por modo de conhecimento, mas também por modo de uma preordenação principal. Não ocorre exatamente o mesmo no caso do número dos réprobos, que parecem ser preordenados por Deus para o bem dos eleitos, a respeito dos quais «todas as coisas cooperam para o bem» (Rm 8,28). Quanto ao número de todos os predestinados, alguns dizem que tantos homens se salvarão quantos anjos caíram; outros, tantos quantos foram os anjos que permaneceram; outros, tantos quantos foi o número de anjos criados por Deus. É, porém, melhor dizer que «só a Deus é conhecido o número daqueles a quem está reservada a felicidade eterna» [*Da oração 'secreta' do missal, *pro vivis et defunctis*]. **Resposta à Objeção 1:** Estas palavras do Deuteronômio devem ser tomadas como referidas àqueles que são designados por Deus de antemão em relação à justiça presente. Pois o número destes é aumentado e diminuído, mas não o número dos predestinados. **Resposta à Objeção 2:** A razão da quantidade de qualquer parte deve ser julgada pela proporção dessa parte para o todo. Assim, em Deus, a razão por que fez tantas estrelas, ou tantas espécies de coisas, ou predestinou tantos, é segundo a proporção das partes principais para o bem de todo o universo. **Resposta à Objeção 3:** O bem que é proporcionado ao estado comum da natureza encontra-se na maioria; e falta na minoria. O bem que excede o estado comum da natureza encontra-se na minoria; e falta na maioria. Assim, é claro que a maioria dos homens tem um conhecimento suficiente para a direção da vida; e aqueles que não têm este conhecimento são chamados débeis mentais ou tolos; mas os que atingem um conhecimento profundo das coisas inteligíveis são uma minoria muito pequena em relação aos restantes. Visto que a sua felicidade eterna, consistindo na visão de Deus, excede o estado comum da natureza, especialmente na medida em que esta é privada da graça pela corrupção do pecado original, os que são salvos estão em minoria. Nisto, porém, aparece especialmente a misericórdia de Deus, que escolheu alguns para aquela salvação, da qual muitos, segundo o curso e a tendência comuns da natureza, ficam aquém.

Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether the number of the predestined is certain? · séc. XIII

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Orígenes

Os que são enganados são muitos, porque «larga é a porta que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela» (Mt 7,13). Isto só basta para descobrir os anticristos e sedutores: que dirão «Eu sou o Cristo», o que Cristo mesmo em parte alguma se lê que tenha dito; porque as obras de Deus, e a palavra que ensinou, e o seu poder, bastavam para produzir a crença de que Ele é o Cristo. Pois todo discurso que professa expor fielmente a Escritura e não tem a verdade, é anticristo. Porque a verdade é Cristo; aquilo que finge ser a verdade é anticristo. Assim também todas as virtudes são Cristo; tudo o que finge ser virtude é anticristo; porque Cristo tem em Si em verdade todo o género de bens para edificação dos homens, mas o diabo forjou semelhanças dos mesmos para enganar os santos. Temos, portanto, necessidade de Deus que nos ajude, para que ninguém nos engane, nem palavra nem poder. Coisa má é achar alguém a errar no seu proceder de vida; mas considero muito pior não pensar segundo a regra veracíssima da Escritura.

séc. III

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