Comentário patrístico

Mc 1, 12-15

Veja o que os Padres da Igreja escreveram sobre esta passagem.

Trechos

16

Autores distintos

4

Texto do Evangelho

12Imediamente o Espírito o impeliu para o deserto. 13E permaneceu no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. 14Depois que João foi preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus, 15e dizendo: "Está completo o tempo e aproxima-se o reino de Deus; fazei penitência, crede no Evangelho.

Matos Soares · domínio público

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Comentários dos Padres

16

Porque tudo quanto Cristo fez e sofreu foi para nosso ensino, começou depois do Seu batismo a habitar no deserto, e combateu contra o diabo, para que todo o batizado pacientemente suporte maiores tentações após o seu batismo, nem se perturbe, como se isto que Lhe aconteceu fosse contrário à sua expectativa, mas possa suportar todas as coisas e sair vencedor. Porque, ainda que Deus permita que sejamos tentados por muitas outras razões, todavia também por esta causa o permite, para que saibamos que o homem, quando tentado, é posto em uma posição de maior honra. Pois o Diabo não se aproxima senão onde viu alguém colocado em um lugar de maior honra; e por isso está escrito: «E logo o Espírito O impeliu para o deserto.» E a razão por que não diz simplesmente que Ele foi para o deserto, mas foi…

São João Crisóstomo · Hom. in Matt., xiii · séc. V

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Mas o Espírito Santo conduziu-O ao deserto, porque Ele intentou provocar o diabo a tentá-Lo, e assim Lhe deu oportunidade não só pela fome, mas também pelo lugar. Pois é então, sobretudo, que o diabo se intromete, quando vê os homens que permanecem solitários.

São João Crisóstomo · in Matt., Hom., xiii · séc. V

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Mas Ele diz isso para mostrar de que natureza era o deserto, porque era intransitável para o homem e cheio de feras. Segue-se: «e os anjos O serviam.» Pois após a tentação e a vitória contra o diabo, Ele operou a salvação do homem. E assim diz o Apóstolo: «Os anjos são enviados para ministrar àqueles que hão de herdar a salvação.» [Heb 1,14] Devemos também observar que, àqueles que vencem na tentação, os anjos se aproximam e ministram.

São João Crisóstomo · Vict. Ant. e Cat. in Marc · séc. V

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O Evangelista Marcos segue a ordem de Mateus; e por isso, depois de ter dito que os Anjos ministravam, acrescenta: «E depois que João foi metido na prisão, veio Jesus, etc.» Após a tentação e o ministério dos Anjos, Ele volta para a Galileia, ensinando-nos a não resistir à violência dos homens maus.

São João Crisóstomo · Vict. Ant. e Cat. in Marc · séc. V

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Retirou-se também para se reservar para o ensino e para a cura, antes de sofrer, e depois de cumprir todas estas coisas, tornar-Se obediente até à morte.

São João Crisóstomo · Vict. Ant. e Cat. in Marc · séc. V

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E para que ninguém duvidasse por que espírito ele disse que Cristo foi impelido ao deserto, Lucas propositalmente antepôs que «Jesus, cheio do Espírito, voltou do Jordão», e depois acrescentou: «e foi levado pelo Espírito ao deserto»; para que não se pensasse que o espírito maligno tinha algum poder sobre Ele, que, estando cheio do Espírito Santo, partiu para onde quis ir e fez o que quis fazer.

São Beda, o Venerável · in Marc., 1, 5 · séc. VIII

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Porém retira-se ao deserto para nos ensinar que, deixando os atrativos do mundo e a companhia dos ímpios, devemos em tudo obedecer aos divinos mandamentos. Fica sozinho e é tentado pelo diabo, para nos ensinar que “todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições”. Porém foi tentado quarenta dias e quarenta noites para nos mostrar que, enquanto vivemos aqui e servimos a Deus, quer a prosperidade nos sorria (que é significada pelo dia), quer a adversidade nos fira (que corresponde à figura da noite), em todo tempo o nosso adversário está presente, que não cessa de molestar o nosso caminho com tentações. Donde se segue: “E esteve no deserto quarenta dias e quarenta noites, e foi tentado de Satanás.” Porque “os quarenta dias e quarenta noites” significam todo o tempo…

São Beda, o Venerável · séc. VIII

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Considerai também que Cristo habita entre as feras como homem, mas, como Deus, se serve do ministério dos Anjos. Assim, quando na solidão de uma vida santa suportamos com mente imaculada as maneiras bestiais dos homens, merecemos ter o ministério dos Anjos, por quem, libertos do corpo, seremos transferidos para a felicidade eterna.

São Beda, o Venerável · séc. VIII

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Entregue João, retamente começa o Senhor a pregar; donde

São Beda, o Venerável · séc. VIII

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Estando João metido na prisão, convenientemente começa o Senhor a pregar; por onde se segue: «Pregando o Evangelho, &c.». Porque, quando a Lei cessa, o Evangelho surge nos seus passos.

São Beda, o Venerável · séc. VIII

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Ninguém, contudo, suponha que a prisão de João se tenha seguido imediatamente aos quarenta dias de tentação e ao jejum do Senhor; pois quem quer que leia o Evangelho de João achará que o Senhor ensinou muitas coisas antes da prisão de João, e também obrou muitos milagres; porque tens no seu Evangelho: “Este princípio de milagres fez Jesus” [João 2,11]; e depois: “porque João ainda não tinha sido metido na prisão” [João 3,24]. Ora, diz-se que, ao ler João os livros de Mateus, Marcos e Lucas, aprovou deveras o teor da história e afirmou que eles haviam dito a verdade, mas declarou que haviam composto a história de apenas um ano depois de João ter sido posto na prisão, ano no qual também ele padeceu. Passando então por alto o ano cujos acontecimentos haviam sido publicados pelos três outros,…

São Beda, o Venerável · séc. VIII

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Ou então as bestas habitam em paz conosco, como na arca os animais limpos com os imundos, quando a carne não cobiça contra o espírito. Depois disto, Anjos ministradores são enviados a nós, para que deem respostas e consolações aos corações que velam.

São Jerônimo · séc. V

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Quando a sombra cessa, a verdade se manifesta; primeiro, João na prisão, a Lei na Judeia; depois, Jesus na Galileia, Paulo entre os gentios pregando o Evangelho do reino. Porque a um reino terreno sucede a pobreza; à pobreza dos cristãos é dado um reino perpétuo; mas a honra terrena é como a espuma da água, ou o fumo, ou o sono.

São Jerônimo · séc. V

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Porque deve arrepender-se aquele que deseja achegar-se ao bem eterno, isto é, ao reino de Deus. Pois aquele que quer a amêndoa, quebra a casca; a doçura da maçã compensa a amargura da sua raiz; a esperança do lucro torna suaves os perigos do mar; a esperança da saúde tira a dor do remédio. Aqueles que mereceram alcançar o prêmio do perdão são dignos de proclamar a predicação de Cristo; e por isso, depois de ter dito: «Arrependei-vos», acrescenta: «e crede no Evangelho». Porque se não crerdes, não entendereis. Beda: «Arrependei-vos, portanto, e crede»; isto é, renunciai às obras mortas; pois de que serve crer sem boas obras? O mérito das boas obras, todavia, não conduz à fé, mas a fé começa, para que as boas obras se sigam.

São Jerônimo · séc. V

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E para nos mostrar que nas perseguições devemos retirar-nos, e não esperá-las; mas, quando nelas cairmos, devemos sustentá-las.

Teofilacto de Ócrida · séc. XII

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Ou então, o Senhor quer dizer que o tempo da Lei se cumpriu; como se dissesse: Até este tempo a Lei operava; desde agora o reino de Deus operará, isto é, uma conversação segundo o Evangelho, que com razão se compara ao reino dos céus. Porque quando vós vedes um homem vestido de carne vivendo segundo o Evangelho, não dizeis que ele tem o reino dos céus, o qual «não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e gozo no Espírito Santo»? [Rm 14,17] A palavra seguinte é: «Arrependei-vos».

Teofilacto de Ócrida · séc. XII

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