Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Parece que, por caridade, o homem não deve amar-se mais a si mesmo que ao próximo. Porque o principal objeto da caridade é Deus, como foi dito acima (A[2]; Q[25], AA[1] e 12). Ora, por vezes o nosso próximo está mais unido a Deus do que nós mesmos. Logo, devemos amar tal próximo mais do que a nós mesmos. Objeção 2: Ademais, quanto mais amamos uma pessoa, mais evitamos prejudicá-la. Ora, o homem, por caridade, sofre prejuízo por causa do próximo, segundo Provérbios 12,26: «O que negligencia a perda por amor do amigo é justo». Logo, o homem deve, por caridade, amar o próximo mais do que a si mesmo. Objeção 3: Ademais, está escrito (1 Coríntios 13,5): «A caridade não busca os seus próprios interesses». Ora, a coisa que mais amamos é aquela cujo bem mais buscamos. Logo, o homem nã…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274
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