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Cl 3, 14

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Matos Soares

14Sobretudo, porém tende caridade, que é o vínculo da perfeição.

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a fé não é a primeira das virtudes. Pois uma glosa sobre Lc 12,4: «Digo-vos, amigos meus», diz que a fortaleza é o fundamento da fé. Ora, o fundamento precede aquilo que sobre ele é fundado. Logo a fé não é a primeira das virtudes. Objeção 2: Além disso, uma glosa sobre o Salmo 36: «Não sejas emulador», diz que a esperança «conduz à fé». Ora, a esperança é uma virtude, como adiante se dirá (Q. 17, A. 1). Logo a fé não é a primeira das virtudes. Objeção 3: Além disso, foi dito acima (A. 2) que o intelecto do crente é movido, por obediência a Deus, a assentir às matérias da fé. Ora, a obediência também é uma virtude. Logo a fé não é a primeira das virtudes. Objeção 4: Além disso, não a fé morta, mas a fé viva é o fundamento, como nota uma glosa sobre 1 Cor 3,11 [*Ago…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 7 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que devemos observar algum modo no amor a Deus. Pois a noção de bem consiste em modo, espécie e ordem, como afirma Agostinho (De Nat. Boni iii, iv). Ora, o amor de Deus é o que há de melhor no homem, segundo Cl 3,14: "Sobre todas as coisas, tende caridade." Portanto, deve haver um modo no amor de Deus. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Morib. Eccl. viii): "Rogo-te, dize-me qual é o modo do amor. Pois temo arder com o desejo e amor de meu Senhor, mais ou menos do que devo." Mas seria inútil buscar o modo do amor divino, se não houvesse um. Logo, há um modo no amor de Deus. Objeção 3: Ademais, como diz Agostinho (Gen. ad lit. iv, 3), "a medida que a natureza atribui a uma coisa é o seu modo." Ora, a medida da vontade humana, como também da ação exterior, é a razão. Po…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a misericórdia é a maior das virtudes. Porque o culto a Deus parece um ato virtuosíssimo. Ora, a misericórdia é preferida ao culto a Deus, conforme Oseias 6,6 e Mateus 12,7: «Quero misericórdia, e não sacrifício». Logo, a misericórdia é a maior virtude. Objeção 2: Ademais, sobre as palavras de 1 Timóteo 4,8: «A piedade para tudo é proveitosa», uma glosa diz: «A soma total da regra de vida cristã consiste na misericórdia e na piedade». Ora, a regra de vida cristã abrange toda virtude. Logo, a soma total de todas as virtudes está contida na misericórdia. Objeção 3: Ademais, «A virtude é aquilo que torna bom o seu possuidor», segundo o Filósofo. Logo, quanto mais uma virtude torna o homem semelhante a Deus, tanto melhor é essa virtude: pois o homem é tanto melhor quant…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que este sacramento é necessário para a salvação. Pois disse o Senhor (Jo 6,54): «Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós». Ora, a carne de Cristo é comida e o seu sangue é bebido neste sacramento. Logo, sem este sacramento o homem não pode ter a saúde da vida espiritual. **Objeção 2:** Além disso, este sacramento é uma espécie de alimento espiritual. Ora, o alimento corporal é necessário para a saúde do corpo. Logo, também este sacramento o é para a saúde espiritual. **Objeção 3:** Ademais, assim como o Batismo é o sacramento da Paixão do Senhor, sem o qual não há salvação, também o é a Eucaristia. Pois diz o Apóstolo (1 Cor 11,26): «Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciare…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a Lei Nova não é distinta da Antiga. Porque ambas as leis foram dadas aos que creem em Deus, visto que "sem fé é impossível agradar a Deus", segundo Hebreus 11,6. Ora, a fé dos tempos antigos e a dos atuais é a mesma, como diz a Glosa sobre Mateus 21,9. Logo, a lei também é a mesma. **Objeção 2:** Além disso, Agostinho diz (Contra Adão, discípulo maniqueu, cap. XVII) que "há pouca diferença entre a Lei e o Evangelho" — a saber, o temor e o amor. Ora, a Lei Nova e a Antiga não podem ser diferenciadas por essas duas coisas, pois até a Lei Antiga continha preceitos de caridade: "Amarás o teu próximo" (Lv 19,18) e "Amarás o Senhor teu Deus" (Dt 6,5). De igual modo, tampouco podem diferir pela outra diferença que Agostinho atribui (Contra Fausto, IV, 2), a saber, que…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objecção 1: Parece que o martírio não é um ato da máxima perfeição. Pois, aparentemente, aquilo que é matéria de conselho e não de preceito pertence à perfeição, porque, a saber, não é necessário para a salvação. Mas parece que o martírio é necessário para a salvação, visto que o Apóstolo diz (Rom. 10,10): «Com o coração se crê para a justiça, mas com a boca se faz confissão para a salvação», e está escrito (1 Jo. 3,16) que «devemos dar a vida pelos irmãos». Portanto, o martírio não pertence à perfeição. Objecção 2: Além disso, parece indicar maior perfeição que um homem dê a sua alma a Deus, o que se faz pela obediência, do que dê a Deus o seu corpo, o que se faz pelo martírio; pelo que Gregório diz (Moral. xxxv) que «a obediência é preferível a todos os sacrifícios». Portanto, o martíri…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objecção 1:** Pareceria que a humildade é a maior das virtudes. Pois Crisóstomo, expondo a história do fariseu e do publicano (Lc. 18), diz (*Eclog. hom. vii de Humil. Animi.*) que "se a humildade é tão ligeira corredora, mesmo quando embaraçada pelo pecado, que alcança a justiça que é companheira da soberba, aonde não chegará se a unires à justiça? Estará entre os anjos junto ao tribunal de Deus." Donde é claro que a humildade está posta acima da justiça. Ora, a justiça ou é a mais excelsa de todas as virtudes, ou inclui todas as virtudes, segundo o Filósofo (Ética, v, 1). Logo, a humildade é a maior das virtudes. **Objecção 2:** Ademais, Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. [*S. 10, C[1]]): "Estais pensando em erguer o grande edifício da espiritualidade? Atendei primeiramente ao fundame…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a perfeição da vida cristã não consiste principalmente na caridade. Pois diz o Apóstolo (1 Cor 14,20): «Na malícia, sede crianças; mas no sentido, sede perfeitos». Ora, a caridade não diz respeito aos sentidos, mas às afeições. Logo, parece que a perfeição da vida cristã não consiste principalmente na caridade. Objeção 2: Além disso, está escrito (Ef 6,13): «Tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e permanecer perfeitos em tudo»; e o texto continua (Ef 6,14.16), falando da armadura de Deus: «Estai, pois, firmes, cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça ... tomando sobretudo o escudo da fé». Logo, a perfeição da vida cristã não consiste apenas na caridade, mas também nas outras virtudes. Objeção 3: Além disso, as…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a Lei Nova não é distinta da Antiga. Porque ambas as leis foram dadas àqueles que creem em Deus; pois "sem fé é impossível agradar a Deus", segundo Heb. 11,6. Mas a fé dos tempos antigos e dos atuais é a mesma, como diz a glosa sobre Mt. 21,9. Logo, a lei também é a mesma. Objeção 2: Além disso, diz Agostinho (Contra Adamant. Manich. discip. xvii) que "pouca diferença há entre a Lei e o Evangelho" [*A 'pouca diferença' refere-se às palavras latinas 'timor' e 'amor'] — "temor e amor". Mas a Lei Nova e a Antiga não podem ser diferenciadas em relação a estas duas coisas: pois até mesmo a Lei Antiga compreendia preceitos de caridade: "Amarás o teu próximo" (Lev. 19,18), e: "Amarás o Senhor teu Deus" (Dt. 6,5). De igual modo, não podem diferir segundo a outra diferença qu…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

46. Pois que entendemos por «portas», num sentido moral, senão as virtudes, e que por «tranca», senão a força da caridade? Estas portas, portanto, isto é, estas obras virtuosas, o mar rugente as despedaça, a menos que a caridade da mente, secretamente posta contra elas, as mantenha unidas. Mas toda a bondade das virtudes é facilmente destruída por uma tentação do coração que se lança sobre elas, a menos que seja mantida firme pela caridade enraizada dentro. Donde também quando Paulo, na sua pregação, opunha certas portas de virtudes ao mar da tentação, imediatamente lhes acrescentou, por assim dizer, a força de uma tranca, dizendo: *Mas sobre tudo isto, tende caridade, que é o vínculo da perfeição* [Cl 3,14]. Pois a caridade é chamada vínculo da perfeição, porque toda boa obra que se faz,…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 46 · c. 540–604

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