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Ef 3, 17

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Matos Soares

17e que Cristo habite pela fé nos vossos corações, de sorte que, arraigados e fundados na caridade,

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Pareceria que o dom do entendimento não está em todos os que estão em estado de graça. Pois Gregório diz (Moral. ii, 49) que «o dom do entendimento é dado como remédio contra a tibieza da mente». Ora muitos que estão em estado de graça sofrem de tibieza da mente. Logo o dom do entendimento não está em todos os que estão em estado de graça. Objeção 2: Ademais, de todas as coisas que se relacionam com o conhecimento, só a fé parece necessária para a salvação, pois pela fé Cristo habita nos nossos corações, segundo Ef 3,17. Ora o dom do entendimento não está em todos os que têm fé; com efeito, aqueles que têm fé devem orar para que entendam, como diz Agostinho (De Trin. xv, 27). Logo o dom do entendimento não é necessário para a salvação; e, consequentemente, não está em todos os…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a caridade não é a verdadeira forma das virtudes. Porque a forma de uma coisa é ou exemplar ou essencial. Ora, a caridade não é a forma exemplar das outras virtudes, pois disso se seguiria que as outras virtudes são da mesma espécie que a caridade; nem é a forma essencial das outras virtudes, pois então não se distinguiria delas. Logo, de nenhum modo é a forma das virtudes. Objeção 2: Além disso, a caridade é comparada às outras virtudes como sua raiz e fundamento, segundo Ef 3,17: “Arraigados e fundados na caridade”. Ora, a raiz ou o fundamento não é a forma, mas antes a matéria de uma coisa, já que é a primeira parte na geração. Portanto, a caridade não é a forma das virtudes. Objeção 3: Além disso, as causas formal, final e eficiente não coincidem entre si (Físic…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 8 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1.** Pareceria que a ordem das virtudes teologais não é que a fé preceda a esperança, e a esperança a caridade. Porque a raiz precede aquilo que dela nasce. Ora, a caridade é a raiz de todas as virtudes, segundo Efésios 3,17: «Enraizados e fundados na caridade.» Logo, a caridade precede as outras. **Objeção 2.** Além disso, Agostinho diz (De Doctrina Christiana, I): «O homem não pode amar aquilo que não crê existir. Mas se crê e ama, pelo bom obrar termina por esperar.» Portanto, parece que a fé precede a caridade, e a caridade, a esperança. **Objeção 3.** Ademais, o amor é o princípio de todas as nossas emoções, como foi dito acima (A[2], ad 3). Ora, a esperança é uma espécie de emoção, pois é uma paixão, conforme se disse acima (Q[25], A[2]). Logo, a caridade, que é amor, pre…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que os sacramentos da Nova Lei não derivam seu poder da Paixão de Cristo. Porque o poder dos sacramentos reside em causar a graça, que é o princípio da vida espiritual na alma. Ora, como diz Agostinho (Tratado XIX sobre João): «O Verbo, como estava no princípio junto de Deus, vivifica as almas; como se fez carne, vivifica os corpos». Visto, portanto, que a Paixão de Cristo pertence ao Verbo como feito carne, parece que não pode causar o poder dos sacramentos. **Objeção 2:** Ademais, o poder dos sacramentos parece depender da fé. Pois, como diz Agostinho (Tratado LXXX sobre João), o Verbo Divino aperfeiçoa o sacramento «não porque é pronunciado, mas porque é crido». Ora, a nossa fé diz respeito não só à Paixão de Cristo, mas também aos outros mistérios da sua humanida…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a caridade pode existir sem fé e esperança. Porque a caridade é o amor de Deus. Ora, é-nos possível amar a Deus naturalmente, sem ter ainda fé ou esperança na bem-aventurança futura. Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Objeção 2: Além disso, a caridade é a raiz de todas as virtudes, conforme Efésios 3, 17: «Arraigados e fundados na caridade.» Ora, a raiz às vezes está sem os ramos. Portanto, a caridade pode existir às vezes sem fé e esperança e as demais virtudes. Objeção 3: Além disso, houve perfeita caridade em Cristo. E, todavia, não teve Ele nem fé nem esperança, porque era perfeito compreensor, como adiante se explicará (TP, Q[7], AA[3],4). Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Em contrário, diz o Apóstolo (Hebreus 11, 6): «Sem fé é i…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que nem todos são obrigados a receber o Batismo. Porque Cristo não estreitou a estrada da salvação para os homens. Ora, antes da vinda de Cristo, os homens podiam salvar-se sem o Batismo; logo, também depois da vinda de Cristo. Objeção 2: Além disso, o Batismo parece ter sido instituído principalmente como remédio para o pecado original. Ora, como o homem batizado está sem pecado original, parece que não o pode transmitir a seus filhos. Por conseguinte, parece que os filhos dos que foram batizados não deviam ser batizados. Objeção 3: Além disso, o Batismo é dado para que o homem, pela graça, seja purificado do pecado. Ora, os que são santificados no ventre alcançam isso sem o Batismo. Portanto, não são obrigados a receber o Batismo. Em sentido contrário, está escrito (…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objecção 1: Parece que a fé é necessária da parte do batizando. Pois o sacramento do Batismo foi instituído por Cristo. Mas Cristo, ao dar a forma do Batismo, faz a fé preceder ao Batismo (Mc 16,16): "O que crer e for batizado será salvo." Logo parece que sem a fé não pode haver o sacramento do Batismo. Objecção 2: Além disso, nada de inútil se faz nos sacramentos da Igreja. Mas segundo o ritual da Igreja, pergunta-se ao homem que vem para ser batizado acerca da sua fé: "Crês em Deus Pai Todo-Poderoso?" Logo parece que a fé é necessária para o Batismo. Objecção 3: Além disso, a intenção de receber o sacramento é necessária para o Batismo. Mas isto não pode ser sem a reta fé, pois o Batismo é o sacramento da reta fé: porque por ele os homens "são incorporados em Cristo", como diz Agostinh…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 8 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que certos atos das virtudes são inadequadamente propostos como efeitos do Batismo, a saber: — a incorporação em Cristo, a iluminação e a fecundidade. Porque o Batismo não se dá a um adulto, senão quando ele crê; conforme Marcos 16,16: «Quem crer e for batizado será salvo.» Ora, é pela fé que o homem é incorporado em Cristo, segundo Efésios 3,17: «Que Cristo habite pela fé em vossos corações.» Logo, ninguém é batizado senão quando já está incorporado em Cristo. Portanto, a incorporação com Cristo não é efeito do Batismo. Objeção 2: Ademais, a iluminação é causada pelo ensino, segundo Efésios 3,8-9: «A mim, o menor de todos os santos, foi dada esta graça… de iluminar a todos os homens,» etc. Ora, o ensino pelo catecismo precede o Batismo. Logo, não é efeito do Batismo. O…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a cobiça não é a raiz de todos os pecados. Porque a cobiça, que é o desejo desordenado de riquezas, opõe-se à virtude da liberalidade. Mas a liberalidade não é a raiz de todas as virtudes. Logo, a cobiça não é a raiz de todos os pecados. Objeção 2: Ademais, o desejo dos meios procede do desejo do fim. Ora, as riquezas, cujo desejo se chama cobiça, não são desejadas senão como úteis para algum fim, como se afirma na Ética, i, 5. Portanto, a cobiça não é a raiz de todos os pecados, mas procede de alguma raiz mais profunda. Objeção 3: Ademais, muitas vezes acontece que a avareza, que é outro nome da cobiça, nasce de outros pecados; como quando um homem deseja dinheiro por ambição, ou para saciar a sua gula. Portanto, não é a raiz de todos os pecados. Ao contrário, o A…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que os pecados veniais são inconvenientemente designados como “madeira”, “feno” e “palha”. Porque a madeira, o feno e a palha são ditos (1 Cor 3,12) edificados sobre um fundamento espiritual. Ora, os pecados veniais são algo fora de um fundamento espiritual, assim como as opiniões falsas estão fora do âmbito da ciência. Logo, os pecados veniais não são convenientemente designados como madeira, feno e palha. Objeção 2: Além disso, aquele que edifica madeira, feno e palha “será salvo, contudo como pelo fogo” (1 Cor 3,15). Mas, algumas vezes, o homem que comete um pecado venial não será salvo, nem mesmo pelo fogo, por exemplo, quando um homem morre em pecado mortal ao qual pecados veniais estão ligados. Logo, os pecados veniais são inconvenientemente designados por madeira,…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a ordem das virtudes teologais não é que a fé precede a esperança, e a esperança a caridade. Porque a raiz precede aquilo que dela nasce. Ora, a caridade é a raiz de todas as virtudes, segundo Efésios 3,17: "Enraizados e fundados na caridade". Logo, a caridade precede as outras. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Doctr. Christ. i): "O homem não pode amar o que não crê existir. Mas se crê e ama, por boas obras acaba na esperança." Logo, parece que a fé precede a caridade, e a caridade a esperança. Objeção 3: Ademais, o amor é o princípio de todas as nossas emoções, como foi dito acima (A[2], ad 3). Ora, a esperança é uma espécie de emoção, pois é uma paixão, como foi dito acima (Q[25], A[2]). Logo, a caridade, que é amor, precede a esperança. Em contrário, o Após…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a caridade pode existir sem fé e esperança. Porque a caridade é o amor de Deus. Mas é possível amarmos a Deus naturalmente, sem já ter fé, ou esperança na bem-aventurança futura. Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Objeção 2: Ademais, a caridade é a raiz de todas as virtudes, segundo Efésios 3,17: "Enraizados e fundados na caridade". Ora, a raiz às vezes está sem os ramos. Logo, a caridade pode às vezes existir sem fé e esperança e as outras virtudes. Objeção 3: Ademais, houve perfeita caridade em Cristo. E, no entanto, Ele não teve nem fé nem esperança: porque Ele foi um perfeito compreensor, como explicaremos mais adiante (TP, Q[7], AA[3],4). Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Em contrário, o Apóstolo diz (Hebreus 11,6): "Sem fé é imp…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a cobiça não é a raiz de todos os pecados. Pois a cobiça, que é o desejo imoderado das riquezas, opõe-se à virtude da liberalidade. Ora, a liberalidade não é a raiz de todas as virtudes. Logo, a cobiça não é a raiz de todos os pecados. **Objeção 2:** Ademais, o desejo dos meios procede do desejo do fim. Ora, as riquezas, cujo desejo se chama cobiça, não são desejadas senão como úteis para algum fim, como se diz na *Ética* I, 5. Portanto, a cobiça não é a raiz de todos os pecados, mas procede de uma raiz mais profunda. **Objeção 3:** Ademais, acontece frequentemente que a avareza, que é outro nome para a cobiça, nasce de outros pecados, como quando alguém deseja dinheiro por ambição, ou para saciar a sua gulodice. Logo, não é a raiz de todos os pecados. **Em con…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Artigo 2 — Se os pecados veniais são convenientemente designados por «lenha, feno e palha».** **Objeção 1:** Parece que os pecados veniais não são convenientemente designados por «lenha», «feno» e «palha». Porquanto a lenha, o feno e a palha se diz (1 Cor 3,12) serem edificados sobre o fundamento espiritual. Ora, os pecados veniais estão fora do fundamento espiritual, assim como as falsas opiniões estão fora do âmbito da ciência. Logo, os pecados veniais não são designados convenientemente por lenha, feno e palha. **Objeção 2:** Ademais, aquele que edifica lenha, feno e palha «será salvo, contudo como que pelo fogo» (1 Cor 3,15). Mas, às vezes, quem comete um pecado venial não será salvo, nem mesmo pelo fogo, como quando alguém morre em pecado mortal ao qual se acham anexos pecados ven…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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