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Hb 11, 6

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Matos Soares

6Sem fé é impossível agradar-lhe: de fato, é necessário que o que se aproxima de Deus, creia que ele existe e que é remunerador dos que o buscam.

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que as coisas que são de fé não devem ser divididas em certos artigos. Pois todas as coisas contidas na Sagrada Escritura são matérias de fé. Mas estas, por sua multidão, não se podem reduzir a um número certo. Logo, parece supérfluo distinguir certos artigos de fé. Objeção 2: Ademais, as diferenças materiais podem multiplicar-se ao infinito, e, portanto, a arte não deve tomar conhecimento delas. Ora, o aspecto formal do objeto da fé é uno e indivisível, como foi dito acima (A[1]), a saber, a Primeira Verdade; logo, as matérias de fé não se podem distinguir em razão de seu objeto formal. Portanto, não se deve tomar conhecimento de uma divisão material das matérias de fé em artigos. Objeção 3: Ademais, foi dito por alguns [*Cf. Guilherme de Auxerre, Suma Áurea] que "um a…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria inconveniente que os artigos da fé fossem corporados num símbolo. Porque a Sagrada Escritura é a regra da fé, à qual não se pode licitamente acrescentar nem diminuir, conforme está escrito (Dt 4,2): «Não acrescentareis à palavra que vos digo, nem diminuireis dela.» Logo, depois de publicada a Sagrada Escritura, não era lícito fazer um símbolo como regra da fé. **Objeção 2:** Ademais, segundo o Apóstolo (Ef 4,5), há uma só fé. Ora, o símbolo é uma profissão de fé. Logo, não convém que haja mais de um símbolo. **Objeção 3:** Ademais, a confissão da fé, contida no símbolo, diz respeito a todos os fiéis. Ora, nem todos os fiéis são capazes de crer em Deus, mas somente aqueles que têm fé viva. Logo, é inconveniente que o símbolo da fé seja expresso nestas palavras: «C…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 9 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que não é necessário para a salvação crer alguma coisa acima da razão natural. Porque a salvação e a perfeição de uma coisa parecem ser suficientemente asseguradas pelos seus dotes naturais. Ora, as matérias de fé excedem a razão natural do homem, pois são coisas que não se veem, como se disse acima (Q[1], A[4]). Logo, crer parece desnecessário para a salvação. Objeção 2: Ademais, é perigoso para o homem consentir em matérias nas quais não pode julgar se o que lhe é proposto é verdadeiro ou falso, conforme Jó 12,11: "Porventura o ouvido não distingue as palavras?" Ora, o homem não pode formar tal juízo nas matérias de fé, pois não pode remontá-las aos primeiros princípios, pelos quais todos os nossos juízos são guiados. Logo, é perigoso crer em tais matérias. Portanto, c…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Tradução do texto para o português brasileiro (pt-BR):** **Objeção 1:** Parece que o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente. Pois ninguém é obrigado a fazer o que não está em seu poder. Ora, não está no poder do homem crer em algo explicitamente, porque está escrito (Rm 10,14-15): «Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão sem pregador? E como pregarão se não forem enviados?» Logo, o homem não é obrigado a crer em algo explicitamente. **Objeção 2:** Ademais, assim como pela fé somos dirigidos a Deus, assim também o somos pela caridade. Ora, o homem não é obrigado a guardar os preceitos da caridade, bastando que esteja pronto para cumpri-los, como se evidencia pelo preceito de Nosso Senhor (Mt 5,39): «Se alguém te ferir numa face, oferece-lhe também a outra», e…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que não era necessário para a salvação crer explicitamente na Trindade. Pois diz o Apóstolo (Hb 11,6): «O que se chega a Deus, deve crer que Ele existe e é remunerador dos que O buscam.» Ora, pode-se crer nisto sem crer na Trindade. Logo, não era necessário crer explicitamente na Trindade. **Objeção 2:** Além disso, o Senhor disse (Jo 17,5-6): «Pai, manifestei o Teu nome aos homens», palavras que Agostinho expõe (Tratado 106) assim: «Não o nome pelo qual és chamado Deus, mas o nome pelo qual és chamado Meu Pai»; e adiante acrescenta: «Em que Ele fez este mundo, Deus é conhecido de todas as nações; em que não deve ser adorado com os deuses falsos, “Deus é conhecido em Judá”; mas, em que Ele é o Pai deste Cristo, por quem tira o pecado do mundo, agora dá a conhecer aos…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 8 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que não houve fé, nem nos anjos, nem no homem, no seu estado original. Porquanto Hugo de São Vítor diz nas suas *Sentenças* (De Sacram. i, 10) que «o homem não pode ver a Deus nem as coisas que estão em Deus, porque fecha os olhos à contemplação». Ora, os anjos, no seu estado original, antes de serem confirmados na graça ou dela terem caído, tinham os olhos abertos à contemplação, pois «viam as coisas no Verbo», segundo Agostinho (Gen. ad lit. ii, 8). Do mesmo modo, o primeiro homem, enquanto no estado de inocência, ao que parece, tinha os olhos abertos à contemplação; pois Hugo de São Vítor diz (De Sacram. i, 6) que «no seu estado original o homem conhecia o seu Criador, não pela mera percepção exterior da audição, mas por inspiração interior, não como agora os crent…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Pareceria que a fé não purifica o coração. Pois a pureza do coração pertence principalmente aos afetos, enquanto a fé está no intelecto. Logo a fé não tem o efeito de purificar o coração. Objeção 2: Ademais, aquilo que purifica o coração é incompatível com a impureza. Ora a fé é compatível com a impureza do pecado, como se vê naqueles que têm fé informe. Logo a fé não purifica o coração. Objeção 3: Ademais, se a fé purificasse de algum modo o coração humano, purificaria principalmente o intelecto do homem. Ora ela não purifica o intelecto da obscuridade, pois é um conhecimento velado. Logo a fé de modo nenhum purifica o coração. Ao contrário, Pedro disse (At 15,9): «Purificando os seus corações pela fé.» Respondo que uma coisa é impura por estar misturada com coisas mais bai…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que, na Lei antiga, deveriam ter sido dados preceitos de fé. Porque um preceito diz respeito a algo devido e necessário. Ora, é sumamente necessário ao homem que creia, conforme Heb. 11,6: «Sem fé é impossível agradar a Deus.» Logo, houve mui grande necessidade de que se dessem preceitos de fé. Objeção 2: Ademais, o Novo Testamento está contido no Antigo, como a realidade na figura, conforme se disse acima (FS, Q[107], A[3]). Ora, o Novo Testamento contém preceitos explícitos de fé, por exemplo Jo. 14,1: «Vós credes em Deus; crede também em Mim.» Logo, parece que também na Lei antiga se deviam ter dado alguns preceitos de fé. Objeção 3: Ademais, prescrever o ato de uma virtude equivale a proibir os vícios contrários. Ora, a Lei antiga continha muitos preceitos proibindo…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a esperança precede a fé. Porque uma glosa sobre o Salmo 36,3: "Confia no Senhor e faze o bem", diz: "A esperança é a entrada da fé e o início da salvação." Ora, a salvação é pela fé, pela qual somos justificados. Logo, a esperança precede a fé. Objeção 2: Ademais, o que está incluído numa definição deve preceder a coisa definida e ser mais conhecido. Ora, a esperança está incluída na definição de fé (Hebreus 11,1): "A fé é a substância das coisas que se esperam." Logo, a esperança precede a fé. Objeção 3: Ademais, a esperança precede o ato meritório, pois o Apóstolo diz (1 Coríntios 9,10): "O que lavra, deve lavrar com esperança... de receber o fruto." Ora, o ato de fé é meritório. Logo, a esperança precede a fé. Em sentido contrário, está escrito (Mateus 1,2): "A…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 7 · c. 1225–1274

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São Gregório Magno

71. Nos corações dos Eleitos, a sabedoria é primeiro gerada, antes de todas as graças que se seguem; e ela surge como que um primogénito pelo dom do Espírito Santo. Ora, esta sabedoria é a nossa fé, como testemunha o Profeta, dizendo: Se não crerdes, certamente não entendereis [ou: sereis estabelecidos]. [Is. 7, 9] Pois então somos verdadeiramente sábios para entender, quando damos o assentimento da nossa crença a tudo o que o nosso Criador diz. Assim os filhos estão a banquete na casa do irmão primogénito, quando as outras virtudes se banqueteiam na fé. Mas se esta não for primeiro produzida nos nossos corações, tudo o mais não pode ser bom, ainda que pareça ser bom. Os filhos se banqueteiam na casa do irmão primogénito, enquanto as nossas virtudes se fartam do bem da sagrada escritura na…

São Gregório Magno · Morals on the Book of Job (Moralia in Job) · Paragraph 71 · c. 540–604

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a caridade pode existir sem fé e esperança. Porque a caridade é o amor de Deus. Ora, é-nos possível amar a Deus naturalmente, sem ter ainda fé ou esperança na bem-aventurança futura. Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Objeção 2: Além disso, a caridade é a raiz de todas as virtudes, conforme Efésios 3, 17: «Arraigados e fundados na caridade.» Ora, a raiz às vezes está sem os ramos. Portanto, a caridade pode existir às vezes sem fé e esperança e as demais virtudes. Objeção 3: Além disso, houve perfeita caridade em Cristo. E, todavia, não teve Ele nem fé nem esperança, porque era perfeito compreensor, como adiante se explicará (TP, Q[7], AA[3],4). Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Em contrário, diz o Apóstolo (Hebreus 11, 6): «Sem fé é i…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que os preceitos do Decálogo são inadequadamente distinguidos entre si. Porque o culto é uma virtude distinta da fé. Ora, os preceitos versam sobre atos de virtude. Mas o que se diz no início do Decálogo: "Não terás deuses estranhos diante de Mim", pertence à fé; e o que se acrescenta: "Não farás para ti imagem esculpida", etc., pertence ao culto. Logo, estes não são um só preceito, como afirma Agostinho (Quest. sobre o Êxodo, q. 71), mas dois. Objeção 2: Ademais, os preceitos afirmativos da Lei distinguem-se dos negativos; por exemplo: "Honra a teu pai e a tua mãe", e "Não matarás". Mas "Eu sou o Senhor teu Deus" é afirmativo; e o que se segue: "Não terás deuses estranhos diante de Mim", é negativo. Logo, estes são dois preceitos e não constituem um só, como diz Agostin…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a Lei Nova não é distinta da Antiga. Porque ambas as leis foram dadas aos que creem em Deus, visto que "sem fé é impossível agradar a Deus", segundo Hebreus 11,6. Ora, a fé dos tempos antigos e a dos atuais é a mesma, como diz a Glosa sobre Mateus 21,9. Logo, a lei também é a mesma. **Objeção 2:** Além disso, Agostinho diz (Contra Adão, discípulo maniqueu, cap. XVII) que "há pouca diferença entre a Lei e o Evangelho" — a saber, o temor e o amor. Ora, a Lei Nova e a Antiga não podem ser diferenciadas por essas duas coisas, pois até a Lei Antiga continha preceitos de caridade: "Amarás o teu próximo" (Lv 19,18) e "Amarás o Senhor teu Deus" (Dt 6,5). De igual modo, tampouco podem diferir pela outra diferença que Agostinho atribui (Contra Fausto, IV, 2), a saber, que…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objecção 1: Parece que não se requer nenhum movimento de fé para a justificação do ímpio. Porque assim como o homem é justificado pela fé, também o é por outras coisas, a saber, pelo temor, do qual está escrito (Eclesiástico 1,27): «O temor do Senhor expulsa o pecado, porque aquele que está sem temor não pode ser justificado»; e também pela caridade, segundo Lucas 7,47: «Muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou»; e também pela humildade, segundo Tiago 4,6: «Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes»; e também pela misericórdia, segundo Provérbios 15,27: «Pela misericórdia e pela fé os pecados são purgados.» Logo, o movimento de fé não é mais necessário para a justificação do ímpio do que os movimentos das virtudes acima referidas. Objecção 2: Ademais, o ato de fé é nece…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objecção 1:** Pareceria que a humildade é a maior das virtudes. Pois Crisóstomo, expondo a história do fariseu e do publicano (Lc. 18), diz (*Eclog. hom. vii de Humil. Animi.*) que "se a humildade é tão ligeira corredora, mesmo quando embaraçada pelo pecado, que alcança a justiça que é companheira da soberba, aonde não chegará se a unires à justiça? Estará entre os anjos junto ao tribunal de Deus." Donde é claro que a humildade está posta acima da justiça. Ora, a justiça ou é a mais excelsa de todas as virtudes, ou inclui todas as virtudes, segundo o Filósofo (Ética, v, 1). Logo, a humildade é a maior das virtudes. **Objecção 2:** Ademais, Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. [*S. 10, C[1]]): "Estais pensando em erguer o grande edifício da espiritualidade? Atendei primeiramente ao fundame…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que os graus de profecia mudam com o decorrer do tempo. Pois a profecia se ordena ao conhecimento das coisas divinas, como foi estabelecido acima (A[2]). Ora, segundo Gregório (Hom. in Ezech.), "o conhecimento de Deus foi crescendo com o progresso dos tempos". Logo, os graus de profecia devem ser distinguidos segundo o decurso do tempo. **Objeção 2:** Além disso, a revelação profética é transmitida por Deus que fala ao homem; e os profetas declararam, tanto em palavras como por escrito, as coisas que lhes foram reveladas. Ora, está escrito (1 Rs 3,1) que antes do tempo de Samuel "a palavra do Senhor era preciosa", isto é, rara; e, todavia, depois foi comunicada a muitos. Do mesmo modo, os livros dos profetas não parecem ter sido escritos antes do tempo de Isaías, a q…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a caridade pode existir sem fé e esperança. Porque a caridade é o amor de Deus. Mas é possível amarmos a Deus naturalmente, sem já ter fé, ou esperança na bem-aventurança futura. Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Objeção 2: Ademais, a caridade é a raiz de todas as virtudes, segundo Efésios 3,17: "Enraizados e fundados na caridade". Ora, a raiz às vezes está sem os ramos. Logo, a caridade pode às vezes existir sem fé e esperança e as outras virtudes. Objeção 3: Ademais, houve perfeita caridade em Cristo. E, no entanto, Ele não teve nem fé nem esperança: porque Ele foi um perfeito compreensor, como explicaremos mais adiante (TP, Q[7], AA[3],4). Logo, a caridade pode existir sem fé e esperança. Em contrário, o Apóstolo diz (Hebreus 11,6): "Sem fé é imp…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que os preceitos do decálogo são inadequadamente distinguidos entre si. Pois o culto é uma virtude distinta da fé. Ora, os preceitos versam sobre os atos das virtudes. Mas o que se diz no início do decálogo: "Não terás deuses estranhos diante de mim" pertence à fé; e o que se acrescenta: "Não farás para ti imagem esculpida" etc. pertence ao culto. Logo, estes não são um preceito, como afirma Agostinho (Quest. sobre o Êxodo, q. 71), mas dois. **Objeção 2:** Além disso, os preceitos afirmativos na Lei são distintos dos negativos; p. ex.: "Honra teu pai e tua mãe" e "Não matarás". Ora, "Eu sou o Senhor teu Deus" é afirmativo; e o que se segue, "Não terás deuses estranhos diante de mim", é negativo. Logo, estes são dois preceitos e não constituem um só, como diz Agostinh…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a Lei Nova não é distinta da Antiga. Porque ambas as leis foram dadas àqueles que creem em Deus; pois "sem fé é impossível agradar a Deus", segundo Heb. 11,6. Mas a fé dos tempos antigos e dos atuais é a mesma, como diz a glosa sobre Mt. 21,9. Logo, a lei também é a mesma. Objeção 2: Além disso, diz Agostinho (Contra Adamant. Manich. discip. xvii) que "pouca diferença há entre a Lei e o Evangelho" [*A 'pouca diferença' refere-se às palavras latinas 'timor' e 'amor'] — "temor e amor". Mas a Lei Nova e a Antiga não podem ser diferenciadas em relação a estas duas coisas: pois até mesmo a Lei Antiga compreendia preceitos de caridade: "Amarás o teu próximo" (Lev. 19,18), e: "Amarás o Senhor teu Deus" (Dt. 6,5). De igual modo, não podem diferir segundo a outra diferença qu…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que não se requer nenhum movimento de fé para a justificação do ímpio. Pois, assim como o homem é justificado pela fé, também o é por outras coisas, a saber, pelo temor, do qual está escrito (Eclo 1,27): «O temor do Senhor afugenta o pecado, porque o que não tem temor não pode ser justificado»; e também pela caridade, segundo Lc 7,47: «Muitos pecados se lhe perdoam, porque amou muito»; e também pela humildade, segundo Tiago 4,6: «Deus resiste aos soberbos, e dá graça aos humildes»; e também pela misericórdia, segundo Prov 15,27: «Pela misericórdia e fé se purgam os pecados». Logo, o movimento de fé não é mais requerido para a justificação do ímpio do que os movimentos das virtudes acima mencionadas. Objeção 2: Além disso, o ato de fé é requerido para a justificação apena…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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