Santo Tomás de Aquino
**Objeção 1:** Parece que nem toda dissimulação é pecado. Pois está escrito (Lc 24,28) que o Senhor "fingiu [como quem queria] ir mais adiante"; e Ambrósio, no seu livro sobre os Patriarcas (De Abraham i), diz de Abraão que "falou astuciosamente aos seus servos, quando disse" (Gn 22,5): "Eu e o menino iremos com presteza até ali; e, depois de havermos adorado, tornaremos a vós." Ora, fingir e falar astuciosamente cheiram a dissimulação: e, todavia, não se pode dizer que houve pecado em Cristo ou em Abraão. Logo, nem toda dissimulação é pecado. **Objeção 2:** Ademais, nenhum pecado é proveitoso. Mas, segundo Jerônimo, no seu comentário sobre Gl 2,11, "Quando Pedro [Vulg.: 'Cefas'] veio a Antioquia: — O exemplo de Jeú, rei de Israel, que matou o sacerdote de Baal, fingindo que desejava ador…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Segunda Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274
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