Santo Tomás de Aquino
Objeção 1: Parece que ninguém peca de propósito, ou por malícia certa. Porque a ignorância é oposta ao propósito ou malícia certa. Ora, "todo homem mau é ignorante", segundo o Filósofo (Ética iii, 1); e está escrito (Prov. 14,22): "Erram os que obram o mal." Logo, ninguém peca por malícia certa. Objeção 2: Demais, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que "ninguém obra intencionando o mal". Ora, pecar por malícia parece denotar a intenção de fazer o mal ao pecar [Aludindo à derivação de "malitia" (malícia) de "malum" (mal)], porque um ato não se denomina daquilo que é involuntário e acidental. Logo, ninguém peca por malícia. Objeção 3: Demais, a própria malícia é um pecado. Se, portanto, a malícia é causa de pecado, segue-se que o pecado vai causando pecado infinitamente, o que é absurdo. Logo, ni…
Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274
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