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Jn 1, 14

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1

Matos Soares

14Então clamaram ao Senhor, dizendo: Senhor, que este homem não seja causa da nossa perdição; não faças cair sobre nós um sangue inocente, porque foste tu, Senhor, que isto fizeste como te aprouve.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria que, se o homem não houvera pecado, Deus ainda assim se teria encarnado. Pois, permanecendo a causa, permanece também o efeito. Mas, como diz Agostinho (De Trin. xiii, 17): «Muitas outras coisas hão de considerar-se na Encarnação de Cristo além da absolvição do pecado»; e estas foram discutidas acima (A[2]). Portanto, se o homem não houvera pecado, Deus se teria encarnado. **Objeção 2:** Demais, pertence à onipotência do poder divino aperfeiçoar as suas obras e manifestar-se a Si mesmo por algum efeito infinito. Ora, nenhuma criatura pura pode chamar-se efeito infinito, pois é finita pela sua própria essência. Mas, ao que parece, só na obra da Encarnação se manifesta de modo especial um efeito infinito do poder divino, pelo qual se unem coisas infinitamente distan…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria que fora conveniente que Deus se encarnasse no princípio do gênero humano. Porque a obra da Encarnação procedeu da imensidade da caridade divina, conforme Efésios 2,4-5: «Mas Deus (que é rico em misericórdia), pela sua excessiva caridade com que nos amou…, ainda nós estávamos mortos em pecados, nos vivificou juntamente em Cristo.» Ora, a caridade não tarda em socorrer o amigo que padece necessidade, segundo Provérbios 3,28: «Não digas ao teu amigo: Vai e volta, e amanhã to darei, podendo dar-lhe desde logo.» Logo, Deus não devia ter diferido a obra da Encarnação, mas desde o princípio devia ter aliviado o gênero humano. **Objeção 2:** Demais, está escrito (1 Timóteo 1,15): «Cristo Jesus veio a este mundo para salvar os pecadores.» Ora, mais se salvariam se Deus se…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria que o Filho de Deus não assumiu uma alma. Porque João disse, ensinando o mistério da Encarnação (Jo. 1, 14): «O Verbo se fez carne» — sem fazer menção de uma alma. Ora, não se diz que «o Verbo se fez carne» como se mudado em carne, mas porque assumiu carne. Logo, parece que não assumiu uma alma. **Objeção 2:** Ademais, a alma é necessária ao corpo para o vivificar. Mas isto não era necessário ao corpo de Cristo, ao que parece, porque do Verbo de Deus está escrito (Sl. 35, 10): Senhor, «em ti está a fonte da vida». Logo, pareceria totalmente supérfluo que a alma estivesse ali, estando presente o Verbo. Mas «Deus e a natureza nada fazem em vão», como diz o Filósofo (*De Caelo* i, 32; ii, 56). Logo, o Verbo parece não ter assumido uma alma. **Objeção 3:** Ademais, p…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a alma de Cristo foi assumida antes da carne pelo Verbo. Porque o Filho de Deus assumiu a carne mediante a alma, como se disse acima (A[1]). Ora, o meio é atingido antes do fim. Logo, o Filho de Deus assumiu a alma antes do corpo. Objeção 2: Ademais, a alma de Cristo é mais nobre que os anjos, segundo o Sl 96,8: "Adorai-o, todos os seus anjos." Mas os anjos foram criados no princípio, como se disse acima (FP, Q[46], A[3]). Logo, também a alma de Cristo (foi criada no princípio). Porém não foi criada antes de ser assumida, pois Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 2,3,9) que "nem a alma nem o corpo de Cristo tiveram jamais qualquer hipóstase senão a hipóstase do Verbo." Portanto, pareceria que a alma foi assumida antes da carne, que foi concebida no ventre da Virgem. Ob…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objecção 1:** Parece que o Filho de Deus assumiu a natureza humana por meio da graça. Porque pela graça somos unidos a Deus. Ora, a natureza humana em Cristo foi estreitissimamente unida a Deus. Logo, a união deu-se por graça. **Objecção 2:** Ademais, assim como o corpo vive pela alma, que é sua perfeição, assim a alma vive pela graça. Ora, a natureza humana foi apta para a assunção pela alma. Logo, o Filho de Deus assumiu a alma por meio da graça. **Objecção 3:** Ademais, Agostinho diz (De Trin. XV, 11) que o Verbo encarnado é semelhante à nossa palavra proferida. Ora, a nossa palavra une-se à fala por meio do "sopro" [spiritus]. Logo, o Verbo de Deus une-se à carne por meio do Espírito Santo e, portanto, por meio da graça, que é atribuída ao Espírito Santo, segundo 1 Cor. 12,4: "Ora,…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que as graças gratuitas não estavam em Cristo. Pois quem quer que tenha algo em sua plenitude, não lhe pertence tê-lo por participação. Ora, Cristo tem a graça em sua plenitude, segundo Jo 1,14: «Cheio de graça e verdade». Mas as graças gratuitas parecem ser certas participações, concedidas distributiva e particularmente a diversos sujeitos, segundo 1Cor 12,4: «Ora, há diversidade de graças». Logo, parece que não havia graças gratuitas em Cristo. Objeção 2: Ademais, o que é devido a alguém não parece ser-lhe concedido gratuitamente. Ora, era devido ao homem Cristo que Ele abundasse na palavra de sabedoria e de ciência, e que fosse poderoso na realização de obras maravilhosas e coisas semelhantes, as quais todas pertencem às graças gratuitas; pois Ele é «poder de Deus e s…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 7 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que em Cristo não houve a plenitude da graça. Porque as virtudes procedem da graça, como foi dito acima (I-II, Q. 110, A. 4). Ora, em Cristo não houve todas as virtudes; pois nem a fé nem a esperança houve nEle, como foi demonstrado acima (AA. 3, 4). Logo, em Cristo não houve a plenitude da graça. Objeção 2: Ademais, como é claro pelo que foi dito acima (I-II, Q. 111, A. 2), a graça se divide em operante e cooperante. Ora, a graça operante significa aquela pela qual o ímpio é justificado, o que não tem lugar em Cristo, que nunca esteve sob pecado algum. Portanto, em Cristo não houve a plenitude da graça. Objeção 3: Além disso, está escrito (Tiago 1:17): "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes." Ora, o que assim vem é possuído parcialm…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 9 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a plenitude da graça não é própria de Cristo. Pois o que é próprio de alguém pertence somente a ele. Ora, ser cheio de graça é atribuído a alguns outros; pois foi dito à Bem-aventurada Virgem (Lc 1,28): «Ave, cheia de graça»; e também está escrito (At 6,8): «Estêvão, cheio de graça e fortaleza». Logo, a plenitude da graça não é própria de Cristo. Objeção 2: Além disso, o que pode ser comunicado a outros por meio de Cristo não parece ser próprio de Cristo. Ora, a plenitude da graça pode ser comunicada a outros por meio de Cristo, pois o Apóstolo diz (Ef 3,19): «Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus». Logo, a plenitude da graça não é própria de Cristo. Objeção 3: Ademais, o estado do viandante parece ser proporcionado ao estado do compreensor. Ora, no est…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 10 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1.** Parece que a graça de Cristo podia aumentar. Pois a toda coisa finita se pode fazer adição. Ora, a graça de Cristo era finita. Logo, podia aumentar. **Objeção 2.** Demais: é pelo poder divino que a graça se aumenta, conforme 2 Cor 9,8: *E Deus é poderoso para fazer abundar toda a graça em vós.* Ora, o poder divino, sendo infinito, não é confinado por limites. Portanto, parece que a graça de Cristo podia ser maior. **Objeção 3.** Demais: está escrito (Lc 2,52) que o menino *Jesus crescia em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e para com os homens.* Logo, a graça de Cristo podia aumentar. **Ao contrário,** está escrito (Jo 1,14): *Vimos a sua glória, como glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.* Ora, nada pode ser nem pensar-se maior do que a…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 12 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que não pertence a Cristo como homem ser a Cabeça da Igreja. Porque a cabeça comunica sentido e movimento aos membros. Ora, o sentido e o movimento espiritual, que são pela graça, não nos são comunicados pelo Homem Cristo, porque, como diz Agostinho (De Trin. i, 12; xv, 24), "nem mesmo Cristo, como homem, mas somente como Deus, concede o Espírito Santo". Logo, não Lhe pertence como homem ser a Cabeça da Igreja. Objeção 2: Ademais, não convém que a cabeça tenha cabeça. Mas Deus é a Cabeça de Cristo, como homem, segundo 1 Cor. 11,3: "A cabeça de Cristo é Deus". Portanto, o próprio Cristo não é cabeça. Objeção 3: Além disso, a cabeça de um homem é um membro particular, que recebe o influxo do coração. Ora, Cristo é o princípio universal de toda a Igreja. Logo, Ele não é a…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Artigo 4 — Se a alma de Cristo vê o Verbo ou a Divina Essência mais claramente do que qualquer outra criatura. **Objeção 1:** Parece que a alma de Cristo não vê o Verbo mais perfeitamente do que qualquer outra criatura. Porque a perfeição do conhecimento depende do meio de conhecer; assim como o conhecimento que temos por meio de um silogismo demonstrativo é mais perfeito do que aquele que temos por meio de um silogismo provável. Ora, todos os bem-aventurados veem o Verbo imediatamente na própria Divina Essência, como foi dito na Primeira Parte, Questão 12, Artigo 2. Logo, a alma de Cristo não vê o Verbo mais perfeitamente do que qualquer outra criatura. **Objeção 2:** Ademais, a perfeição da visão não excede a potência de ver. Ora, a potência racional de uma alma como é a alma de Cristo…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que houve ignorância em Cristo. Pois aquilo que Lhe pertence em Sua natureza humana está verdadeiramente n'Ele, embora não Lhe pertença em Sua natureza divina, como o sofrimento e a morte. Ora, a ignorância pertence a Cristo em Sua natureza humana; pois Damasco diz (De Fide Orth. iii, 21) que "Ele assumiu uma natureza ignorante e escrava". Logo, a ignorância esteve verdadeiramente em Cristo. Objeção 2: Ademais, diz-se que alguém é ignorante por falta de conhecimento. Ora, algum conhecimento faltou a Cristo, pois o Apóstolo diz (2 Cor. 5,21): "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós". Portanto, houve ignorância em Cristo. Objeção 3: Ademais, está escrito (Is. 8,4): "Porque antes que o menino saiba chamar a seu pai e a sua mãe, a fortaleza de Damasco... será…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que é falsa esta proposição: “Deus foi feito homem.” Pois, como homem significa uma substância, ser feito homem é ser feito simplesmente. Ora, isto é falso: “Deus foi feito simplesmente.” Logo, é falsa: “Deus foi feito homem.” Objeção 2: Além disso, ser feito homem é ser mudado. Ora, Deus não pode ser sujeito de mudança, segundo Malaquias 3,6: “Eu sou o Senhor, e não mudo.” Portanto, é falsa esta proposição: “Deus foi feito homem.” Objeção 3: Além disso, homem, como é predicado de Cristo, significa a Pessoa do Filho de Deus. Ora, isto é falso: “Deus foi feito a Pessoa do Filho de Deus.” Logo, é falsa: “Deus foi feito homem.” Em contrário, está escrito (Jo 1,14): “O Verbo se fez carne”; e, como diz Atanásio (Ep. ad Epictetum), “quando disse: ‘O Verbo se fez carne’, é co…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que Cristo, como homem, é o Filho adotivo de Deus. Pois Hilário diz (Da Trindade, II), falando de Cristo: «A dignidade do poder não é perdida quando a humanidade carnal é adotada» [Algumas edições trazem “humilitas” — “a humildade ou baixeza da carne”]. Portanto, Cristo, como homem, é o Filho adotivo de Deus. Objeção 2: Além disso, Agostinho diz (Da Predestinação dos Santos, XV) que «pela mesma graça pela qual o Homem é Cristo, assim como desde o nascimento da fé todo homem é cristão». Ora, os outros homens são cristãos pela graça da adoção. Logo, este Homem é Cristo por adoção; e consequentemente pareceria ser um filho adotivo. Objeção 3: Além disso, Cristo, como homem, é servo. Ora, é de maior dignidade ser filho adotivo do que ser servo. Logo, com muito mais razão Cr…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 4 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Cristo não é, como homem, o Mediador de Deus e dos homens. Porquanto Agostinho diz (*Contra Felic.*, x): "Uma só é a Pessoa de Cristo, para que não haja um só Cristo, não uma só substância; para que, negado o ofício de Mediador, não seja chamado Filho, ou só de Deus, ou somente Filho de homem." Ora, Ele é Filho de Deus e homem, não como homem, mas como ao mesmo tempo Deus e homem. Logo, nem devemos dizer que, como homem somente, Ele é Mediador de Deus e dos homens. **Objeção 2:** Ademais, assim como Cristo, como Deus, tem uma natureza comum com o Pai e o Espírito Santo, assim, como homem, tem uma natureza comum com os homens. Mas, porque, como Deus, tem a mesma natureza que o Pai e o Espírito Santo, não pode ser chamado Mediador como Deus; pois, sobre 1 Timóteo 2…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que, pela sua santificação no seio materno, a Bem-Aventurada Virgem não recebeu a plenitude ou perfeição da graça. Pois isto parece ser privilégio de Cristo, segundo Jo 1,14: «Vimos a Sua glória, como do Unigênito, cheio de graça e de verdade». Ora, o que é próprio de Cristo não deve ser atribuído a outrem. Logo, a Bem-Aventurada Virgem não recebeu a plenitude da graça no tempo da sua santificação. **Objeção 2:** Ademais, nada resta a acrescentar àquilo que é pleno e perfeito; pois «o perfeito é o que a nada é deficiente», como se diz no livro III da Física. Mas a Bem-Aventurada Virgem recebeu graça adicional depois, quando concebeu a Cristo; pois a Ela foi dito (Lc 1,35): «O Espírito Santo virá sobre ti»; e também quando foi assumida na glória. Logo, parece que não…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que Cristo não foi santificado no primeiro instante de Sua conceição. Porque está escrito (1 Cor 15,46): «O que primeiro é não é o espiritual, mas o natural; depois o espiritual.» Ora, a santificação pela graça é algo espiritual. Logo, Cristo recebeu a graça da santificação, não no próprio princípio de Sua conceição, mas após algum espaço de tempo. Objeção 2: Ademais, a santificação parece ser uma purificação do pecado, conforme 1 Cor 6,11: «E tais fostes alguns de vós», a saber, pecadores, «mas fostes lavados, mas fostes santificados.» Ora, o pecado jamais esteve em Cristo. Logo, não lhe era conveniente ser santificado pela graça. Objeção 3: Além disso, assim como pelo Verbo de Deus «todas as coisas foram feitas», assim do Verbo encarnado todos os homens que se tornam…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Cristo, como homem, não teve o uso do livre-arbítrio no primeiro instante de sua concepção. Porque uma coisa é, antes de agir ou operar. Ora, o uso do livre-arbítrio é uma operação. Logo, visto que a alma de Cristo começou a existir no primeiro instante de sua concepção, como foi demonstrado acima (Q[33], A[2]), parece impossível que Ele tivesse o uso do livre-arbítrio no primeiro instante de sua concepção. **Objeção 2:** Ademais, o uso do livre-arbítrio consiste na escolha. Ora, a escolha pressupõe a deliberação do conselho; pois o Filósofo diz (Ethic. iii) que a escolha é "o desejo daquilo que foi previamente objeto de deliberação". Portanto, parece impossível que Cristo tivesse o uso do livre-arbítrio no primeiro instante de sua concepção. **Objeção 3:** Adem…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que Cristo não mereceu ser exaltado por causa da Sua Paixão. Porque a eminência da dignidade pertence somente a Deus, assim como o conhecimento da verdade, segundo o Salmo 112:4: "O Senhor é excelso sobre todas as nações, e a sua glória está acima dos céus." Mas Cristo, como homem, teve o conhecimento de toda a verdade, não por algum mérito precedente, mas pela própria união de Deus e homem, segundo João 1:14: "Vimos a sua glória, como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." Logo, também não teve a exaltação pelo mérito da Paixão, mas só pela união. **Objeção 2:** Ademais, Cristo mereceu para Si desde o primeiro instante da sua conceição, como foi dito acima (Q. 34, A. 3). Mas o seu amor não foi maior durante a Paixão do que antes. Portanto, visto que a ca…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 6 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que o poder judicial não pertence a Cristo como homem. Porque Agostinho diz (Da Verdadeira Religião, XXXI) que o juízo é atribuído ao Filho enquanto Ele é a lei da primeira verdade. Ora, isto é atributo de Cristo como Deus. Logo, o poder judicial não pertence a Cristo como homem, mas como Deus. Objeção 2: Além disso, pertence ao poder judicial recompensar os bons, assim como punir os maus. Ora, a beatitude eterna, que é a recompensa das boas obras, é concedida só por Deus; assim Agostinho diz (Tratado XXIII sobre João) que «a alma é feita bem-aventurada pela participação de Deus, e não pela participação de uma alma santa». Portanto, parece que o poder judicial não pertence a Cristo como homem, mas como Deus. Objeção 3: Além disso, pertence ao poder judicial de Cristo ju…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 2 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que Cristo não adquiriu o Seu poder judiciário por Seus méritos. Porque o poder judiciário flui da dignidade real; segundo Prov. 20,8: "O rei que se assenta no trono do juízo, dissipa todo o mal com o seu olhar." Ora, foi sem méritos que Cristo adquiriu o poder real, pois Lhe é devido como Filho Unigênito de Deus; assim está escrito (Lc. 1,32): "O Senhor Deus Lhe dará o trono de Davi, Seu pai, e Ele reinará na casa de Jacó para sempre." Portanto, Cristo não obteve o poder judiciário por Seus méritos. Objeção 2: Ademais, como foi dito acima (A. 2), o poder judiciário é devido a Cristo enquanto Ele é nossa Cabeça. Ora, a graça de cabeça não pertence a Cristo por razão de mérito, mas segue a união pessoal das naturezas divina e humana; segundo Jo. 1,14.16: "Vimos a Sua glór…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 3 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que certos atos das virtudes são inadequadamente propostos como efeitos do Batismo, a saber: — a incorporação em Cristo, a iluminação e a fecundidade. Porque o Batismo não se dá a um adulto, senão quando ele crê; conforme Marcos 16,16: «Quem crer e for batizado será salvo.» Ora, é pela fé que o homem é incorporado em Cristo, segundo Efésios 3,17: «Que Cristo habite pela fé em vossos corações.» Logo, ninguém é batizado senão quando já está incorporado em Cristo. Portanto, a incorporação com Cristo não é efeito do Batismo. Objeção 2: Ademais, a iluminação é causada pelo ensino, segundo Efésios 3,8-9: «A mim, o menor de todos os santos, foi dada esta graça… de iluminar a todos os homens,» etc. Ora, o ensino pelo catecismo precede o Batismo. Logo, não é efeito do Batismo. O…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 5 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a Confirmação não é um sacramento. Pois os sacramentos derivam sua eficácia da instituição divina, como foi dito acima (Q. 64, A. 2). Mas em nenhum lugar lemos que a Confirmação foi instituída por Cristo. Logo, não é um sacramento. **Objeção 2:** Ademais, os sacramentos da Nova Lei foram prefigurados na Antiga Lei; assim o Apóstolo diz (1 Cor. 10,2-4) que «todos em Moisés foram batizados, na nuvem e no mar; e todos comeram do mesmo manjar espiritual, e beberam da mesma bebida espiritual». Ora, a Confirmação não foi prefigurada no Antigo Testamento. Logo, não é um sacramento. **Objeção 3:** Ademais, os sacramentos são ordenados para a salvação do homem. Ora, o homem pode salvar-se sem a Confirmação; pois as crianças batizadas que morrem antes de ser confirmadas s…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Terceira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

Objecção 1: Parece que a Nova Lei não deve prescrever nem proibir qualquer acto exterior. Porque a Nova Lei é o Evangelho do reino, segundo Mateus 24:14: «Este Evangelho do reino será pregado em todo o mundo». Ora, o reino de Deus não consiste em actos exteriores, mas apenas em actos interiores, conforme Lucas 17:21: «O reino de Deus está dentro de vós»; e Romanos 14:17: «O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo». Logo, a Nova Lei não deve prescrever nem proibir actos exteriores. Objecção 2: Demais, a Nova Lei é «a lei do Espírito» (Rom. 8:2). Ora, «onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade» (2 Cor. 3:17). Mas não há liberdade quando o homem é obrigado a fazer ou evitar certos actos exteriores. Portanto, a Nova Lei não prescreve nem proíbe a…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Pareceria que a Nova Lei não deveria prescrever nem proibir nenhum ato exterior. Porque a Nova Lei é o Evangelho do reino, segundo Mateus 24,14: "Este Evangelho do reino será pregado em todo o mundo." Ora, o reino de Deus não consiste em atos exteriores, mas apenas nos interiores, conforme Lucas 17,21: "O reino de Deus está dentro de vós"; e Romanos 14,17: "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo." Portanto, a Nova Lei não deve prescrever nem proibir nenhum ato exterior. **Objeção 2:** Além disso, a Nova Lei é "a lei do Espírito" (Rm 8,2). Ora, "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2 Cor 3,17). Mas não há liberdade quando o homem está obrigado a fazer ou evitar certos atos exteriores. Logo, a Nova Lei não prescreve nem…

Santo Tomás de Aquino · Suma Teológica — Primeira Parte · Art. 1 · c. 1225–1274

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Jn 1, 14 nos Padres da Igreja | Aurea